------------------------------------- MISSIONÁRIOS DA LUZ LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 5 INFLUENCIAÇÃO Agora percebia a diferença de ambiente. Para nós, desencarnados, a atmosfera interior estava carregada de fluidos sutis, regeneradores. Mas, lá fora, o ar pesava. E eu estava muito sensível às emanações mais densas da rua. As lâmpadas elétricas me pareciam pequenas bolas de luz muito pobre, isoladas em grossa neblina. Aspirando as novas correntes de ar, notava a grande diferença. O oxigênio parecia impregnado de magnetismo menos agradável. Mais uma vez percebi o efeito da oração e do trabalho dos espíritos superiores na intimidade das criaturas. A prece, a meditação elevada, o pensamento edificante, transformam a atmosfera, purificando-a. Alexandre interrompeu minhas observações, exclamando: - Realmente, a modificação é impressionante. Entre as vibrações harmoniosas do interior da casa, iluminada pela oração, e a rua, repleta de fluidos densos, há grandes diferenças. O pensamento elevado purifica o ambiente e tem propriedades elétricas, que o homem encarnado está longe de imaginar. Enquanto pensava nos ensinamentos recebidos, reparei que muitos grupos de entidades infelizes e inquietas esperavam na redondeza. Podíamos ouvi-las em conversas interessantes, mas completamente sem sentido e impróprias, nos menores detalhes. Alexandre apontou um pequeno grupo de desencarnados, que pareciam estar em grande desequilíbrio, e falou: - Aqueles amigos são a comitiva, quase permanente, dos nossos companheiros encarnados que voltam para casa agora. - O quê? – perguntei, num impulso. - Sim, - disse ele, cuidadoso – eles não têm permissão para entrar aqui, em sessões especializadas como a de hoje, mas podem participar das reuniões dedicadas à assistência geral. No entanto, hoje precisávamos atender os amigos, para que o vampirismo que sofrem seja atenuado em seus efeitos prejudiciais. Fiquei impressionado com o cuidado. Tudo, naqueles trabalhos, obedecia a organização prévia. Tudo era calculado, programado, previsto. - Agora, - continuou Alexandre – repare na saída dos nossos amigos. Observe a maneira como voltam, instintivamente, para as entidades ignorantes que os exploram. Fiquei atento. Estavam todos prestes a sair do salão, tranquilamente. Logo na saída, perto de nós, começaram a se despedir entre eles: - Graças a Deus! – disse uma senhora – Fizemos nossas preces em paz, com muito proveito. - Estou me sentindo bem melhor! – comentou uma das amigas – A sessão foi um alívio. Estava sobrecarregada de preocupações, mas, agora, sinto-me aliviada, feliz. Acho que tiraram um grande peso do meu coração. Ouvindo as orações e compartilhando o exercício de desenvolvimento mediúnico, recebemos muita ajuda! Ah!, como Jesus é generoso! Um senhor simpático aproximou-se e disse: - O Espiritismo é o nosso conforto. Temos compromissos muito grandes com a verdade. E não é à toa que Deus nos colocou a lâmpada da fé nas mãos. À nossa volta, os sofredores choram, os ignorantes se desviam pelos caminhos do mal. As ferramentas de trabalho nos vêm do céu. Precisamos servir muito, transformando-nos em colaboradores fiéis da Nova Revelação! - É verdade! – concordou uma das senhoras, comovida – Temos muitas obrigações e não podemos perder tempo. A doutrina dos espíritos é o nosso tesouro de luz e consolo! Ah, meus amigos, precisamos trabalhar! Jesus nos chama ao serviço e precisamos atender. Notando o sentimento de gratidão e louvor da conversa, senti sincera admiração pela fidelidade daqueles trabalhadores. Pareciam firmes na fé, confiantes no futuro e interessados em estender o bem, pensando nas necessidades e dores do próximo. Percebendo minhas expressões de louvor, Alexandre comentou, sorrindo: - Não se impressione. O problema não é de entusiasmo, mas de esforço persistente. Não podemos dispensar as soluções mais demoradas. Poucos companheiros conseguem manter-se emocionalmente equilibrados e firmes em seu idealismo espiritual. Já faz nove anos, com algumas interrupções, que colaboro nesta casa e, mensalmente, vejo passarem por aqui novas promessas e votos de serviço. No entanto, ao primeiro contato com as necessidades reais do trabalho, poucos permanecem fiéis à própria consciência. Nas épocas mais tranquilas, expressam grande louvor. Nos momentos difíceis, desertam disfarçadamente, dando, como desculpa, a incompreensão dos outros. Sou forçado a dizer que, na maioria dos casos, são companheiros prestativos e caridosos com o próximo, quando se trata de necessidades materiais, mas quase sempre não são tão bons para si mesmos, por se esquecerem de aplicar a luz do Evangelho na vida prática. Prometem muito com palavras, mas trabalham pouco com os sentimentos. Em geral, irritam-se à primeira dificuldade mais séria, depois de reafirmarem seu desejo sadio de renovação. É comum voltarem semanalmente ao grupo nas mesmas condições, querendo conforto e auxílio externo. Não cumprem facilmente a promessa de colaborar com o Cristo em si próprios, base fundamental da verdadeira iluminação. Como Alexandre se calou, observei os encarnados em volta com atenção. Ainda estavam todos irradiando paz e alegria, despertadas no rápido encontro com os amigos invisíveis. Raios surpreendentes de espiritualidade emanavam da testa de cada um deles. Num gesto expressivo, Alexandre esclareceu: - Eles ainda estão sob o efeito do banho de luz que tomaram durante os trabalhos. Se conseguissem manter este estado mental, pondo em prática as regras que aprendem, comentam e ensinam, seria fácil para eles atingir os níveis superiores da vida. Entretanto, André, assim como nós, que, em outros tempos éramos inexperientes e fracos, agora é a vez deles. Cada hábito menos sadio, adquirido pelo espírito durante séculos, funciona como ser vivo no universo emocional de cada um de nós, empurrando-nos para as regiões perturbadas e criando ligações com as entidades infelizes que se encontram em níveis mais densos. Examine os nossos amigos encarnados, com bastante atenção. Olhei-os com interesse. Despediam-se, gentilmente, demonstrando suave felicidade. - Vamos acompanhar o grupo do companheiro mais atacado, em virtude das perturbações sexuais que apresenta – disse o instrutor, dando-me ótima oportunidade de aprendizado. Em companhia da mãe e da irmã, o rapaz voltava para casa. Movimentamo-nos de modo a segui-los de perto. Alguns metros adiante da casa onde se reuniam para o trabalho espiritual, o ambiente geral da rua tornava-se ainda mais pesado. Três entidades sombrias, que não podiam nos ver em virtude do baixo padrão vibratório de suas percepções, aproximaram-se do grupo que acompanhávamos. Uma delas encostou-se na senhora idosa e, instantaneamente, notei que sua testa se tornou opaca, estranhamente escura. Seu rosto modificou-se. A alegria que sentia desapareceu, dando lugar a sinais de grande preocupação. Ela havia se transfigurado completamente. - Ah, meus filhos, - disse a mã, que parecia boa e generosa – por que será que somos tão diferentes durante o trabalho espiritual? Queria poder manter o mesmo ânimo e a mesma paz íntima ao sair de lá. Mas isso não acontece. Ao voltar à vida prática, sinto que a essência das palestras ainda se encontra dentro de mim, mas de modo vago, sem a nitidez inicial. Esforço-me muito para continuar do mesmo jeito, mas algo me falta e não sei bem o que é. Nesse momento, as outras duas entidades, que ainda estavam meio distantes, agarraram-se comodamente nos braços do rapaz, que apresentou o mesmo fenômeno da mãe. Sua claridade mental se turvou e duas rugas de aflição e desânimo marcaram-lhe o rosto, que perdeu o aspecto alegre e confiante. Foi aí que ele respondeu, com voz triste: - É verdade, mamãe. Nossos defeitos são enormes. E pode acreditar que minha situação é ainda pior. A senhora sente-se ansiosa, amargurada, triste... É bem pouco para alguém que, como eu, se sente vítima de maus pensamentos. Estou casado há quase oito meses e, apesar do carinho de minha esposa, às vezes sinto o coração cheio de desejos absurdos. Pergunto a mim mesmo o por quê dessas idéias estranhas e, sinceramente, não consigo responder. A atração irresistível dos ambientes inferiores me confunde, apesar de sentir meu espírito inclinado ao bem e à conduta correta. - Quem sabe, mano, você não está sob a influência de entidades menos esclarecidas? – disse a jovem, delicadamente. - Sim, - suspirou ele – por isso mesmo tenho tentado desenvolver a mediunidade, para ver se descubro o por quê desta situação. Nesse instante, o instrutor murmurou: - Vamos ajudar este amigo através da conversa. Sem perder tempo, colocou a mão direita na testa da menina, envolvendo-a em poderoso magnetismo e transmitindo-lhe suas idéias generosas. Reparei que, ao tocar os cabelos da jovem, aquela mão protetora emitia faíscas luminosas, que só eu podia perceber. Enquanto isso, a menina pareceu adotar postura mais segura e digna, em seu aspecto quase infantil, e respondeu: - Nesse caso, acho que o desenvolvimento mediúnico deveria ser a última solução, porque, antes de enfrentar os inimigos ignorantes, deveríamos preparar o coração com a luz do amor e da sabedoria. Se você descobrisse que tem perseguidores invisíveis à sua volta, como poderia ajudá-los, de fato, sem estar espiritualmente preparado? Devemos sempre reagir contra o mal, educando-o, mas, antes de pensar em desenvolver a mediunidade, algo talvez prematuro, deveríamos procurar elevar nossas idéias e sentimentos. Não há como alcançar uma boa mediunidade sem antes consolidar nossas boas intenções. E, para sermos úteis nos planos espirituais, precisamos aprender, antes de mais nada, a viver como espíritos, mesmo estando ainda encarnados. A resposta, que para mim foi uma grande surpresa, não provocou maior interesse nos outros dois companheiros, quase neutralizados pela influência dos costumeiros vampiros. Mãe e filho demonstraram profunda contrariedade frente ao que ouviram. A palavra da menina, cheia de luz verdadeira, deixava-os confusos. - Você não tem idade suficiente, minha filha, - disse a mãe, contrariada – para dar palpites neste assunto. E como era boa em remoer sofrimentos antigos, acrescentou: - Quando você passar pelo que eu já passei, quando sofrer as desilusões sem esperança, então vai saber como é difícil manter a paz e a luz no coração! - E se, algum dia, - disse o rapaz, triste – passar pelas dificuldades que já conheço, verá que tenho motivos de sobra para me queixar da sorte e que não me resta outra alternativa, a não ser continuar com as indecisões que sinto. Faço o que posso para me livrar das idéias sombrias e vivo combatendo as tentações inesperadas, mas sinto-me longe da libertação espiritual. Não me falta vontade, mas... Alexandre havia retirado a mão da testa da jovem e, percebendo meu espanto, explicou: - A entidade que se uniu a esta companheira foi seu marido na Terra, homem que não se preocupou em desenvolver forças espirituais, vivendo num tremendo egoísmo no lar. As outras duas entidades, agarradas ao rapaz, são dois companheiros ignorantes e perturbados, que ele atraiu no contato com a prostituição. Vendo meu espanto, ele prosseguiu, explicando: - O ex-marido só concretizou o casamento por conveniência física, atendendo a necessidades vulgares da experiência terrena, e, como passou a vida toda sem se interessar por ideais mais nobres, pensando apenas em satisfazer os sentidos, não se sente suficientemente forte para deixar o lar, onde a esposa, só agora, depois do seu desencarne, começa a se preocupar com as questões espirituais. Quanto ao rapaz, de abuso em abuso, criou fortes laços com certas entidades ainda presas às energias características da prostituição, das quais se destacam estas duas que o agarram, quase totalmente sintonizadas com as suas energias. O infeliz não percebeu os perigos que o rondavam e tornou-se vítima inconsciente de mentes afins, invisíveis para ele, tão fracas e viciadas quanto ele próprio. - E não há como libertá-los? – perguntei, emocionado. Alexandre sorriu e argumentou: - Mas quem deve romper os laços são eles mesmos! Nunca lhes faltou a ajuda externa de nossa amizade permanente. No entanto, eles mesmos alimentam-se mutuamente nas sensações sutis, completamente imperceptíveis para quem não pode examinar seus mecanismos mais íntimos. Não podemos negar que procuram, agora, libertar-se. Aproximam-se da fonte de esclarecimento elevado, sentem-se cansados da situação e experimentam, de fato, o desejo de uma nova vida. Entretanto, esse desejo é mais da boca para fora do que de coração, por se tratar de aspiração muito vaga, quase nula. Se se mantivessem firmes na decisão, transformariam suas forças pessoais, tornando-as decisivas no domínio da ação renovadora. Mas eles ainda esperam por milagres impossíveis e recusam as próprias energias, únicas alavancas para a realização. - Mas não poderíamos retirar os vampiros inconscientes? – perguntei. - E os interessados – explicou Alexandre, sorrindo – provocariam a volta deles. Já fizemos essa tentativa, pretendendo ajudá-los, indiretamente, mas a nossa companheira disse que sentia saudades demais do marido e o rapaz afirmou, para si mesmo, que se sentia menos homem, entendendo humildade como covardia, e desapego aos impulsos inferiores como tédio insuportável. Tanto emitiram pensamentos de queixa, que seus sentimentos íntimos se transformaram em verdadeiras invocações e, em virtude do forte magnetismo do desejo constantemente alimentado, ligaram-se a eles novamente. - Mas eles vivem assim, presos uns aos outros, o tempo todo? – perguntei. - Quase sempre. Satisfazem-se mutuamente, na troca contínua de emoções e impressões mais íntimas. Pensando no bem de todos, perguntei: - Quem sabe não poderíamos ajudar estas entidades a se fortalecerem? Não seria adequado doutriná-las, induzindo-as ao equilíbrio e ao respeito a si mesmas? - Essa alternativa – disse Alexandre – não foi esquecida. Isso vem sendo feito persistentemente e com precisão. Entretanto, como, neste caso, os encarnados atuam como poderosos ímãs, o trabalho exige tempo e tolerância. Temos um grande número de trabalhadores dedicados a essa atividade em nosso plano, e esperamos que os ensinamentos dêem bons frutos. De qualquer modo, fique seguro de que temos prestado toda a assistência a esses amigos. Se ainda não se elevaram espiritualmente, todos eles, é porque ainda vivem voluntariamente escravizados à fraqueza e à ignorância. Colhem o que plantam. Nesse instante, voltamos a prestar atenção à conversa deles: - Faço o que posso, – repetia o rapaz, triste – mas não consigo alcançar a tranquilidade interior. - Comigo acontece a mesma coisa – dizia a mãe, também triste – Só me sinto melhor ocorrem quando estamos em trabalho no grupo. Logo depois, sou tomada novamente pelas emoções mais pesadas. Vivo sem paz, sem apoio. Ah, meus filhos, é duro andar assim, pelo mundo, como indigente sem rumo. - Entendo você, mamãe – respondeu o filho, satisfeito em alimentar as impressões negativas que trazia na mente – Entendo, porque as tentações transformam minha vida numa estrada escura e tortuosa. Não sei mais o que fazer para resistir aos pensamentos amargos. Ai de nós se o Espiritismo não houvesse aparecido em nosso caminho, como bênção sublime de consolo. Neste momento, Alexandre colocou a mão novamente na testa da jovem. Esta captou-lhe o pensamento e, com respeito e carinho, disse: - Concordo que o Espiritismo é a nossa fonte de consolo, mas não posso esquecer que a doutrina representa, antes de tudo, escola de preparação. Se permanecermos arraigados às exigências materiais, talvez venhamos a esquecer as obrigações de trabalho. Creio que os instrutores espirituais desejam, principalmente, a nossa renovação íntima, para a vida mais elevada. Se buscarmos apenas consolo, sem adquirir força, não passaremos de crianças espirituais. Se procuramos a companhia de espíritos de luz, querendo apenas atender vantagens pessoais, onde está o aprendizado? Por acaso, não estamos na Terra em lição? Será que recebemos novo corpo apenas para descansar? Não consigo acreditar que os nossos amigos espirituais venham nos tirar a possibilidade de caminharmos sozinhos, usando os próprios pés. Está claro que eles não nos querem como eternos dependentes da casa de Deus, mas como companheiros nos serviços do bem, tão generosos, sábios, fortes e felizes quanto eles já o são. E mudando o tom de voz, querendo demonstrar o carinho que tinha pelos dois, destacou: - Mamãe sabe como gosto de você, mas alguma coisa, no fundo da consciência, não me permite analisar nossos problemas de outra maneira, distante dos elevados ensinamentos que a Doutrina nos ofereceu. Não posso entender Cristianismo sem praticarmos os exemplos do Cristo. Como Alexandre interrompeu a transmissão magnética, e como eu estava surpreso com a facilidade com que a menina captava os seus pensamentos, ainda mais sabendo das dificuldades de se transmitir mensagens por psicografia, comentei com ele minhas dúvidas. Sem vacilar, Alexandre explicou: - Aqui, André, você vê o trabalho simples da transmissão mental e não pode esquecer que o intercâmbio do pensamento é movimento livre no universo. Encarnados e desencarnados, em todos os setores da vida na Terra, vivem na mais profunda troca de idéias. Cada mente é um verdadeiro mundo de emissão e recepção, e cada um atrai para si os que lhe são semelhantes. Os tristes agradam os tristes, os ignorantes se reúnem, os criminosos compartilham a mesma esfera, os bons criam laços recíprocos de trabalho e conquistas. Aqui vemos apenas o fenômeno intuitivo, que, com mais ou menos intensidade, é comum a todas as criaturas, não só as envolvidas no bem, mas também as que se encontram em círculos mais densos. À nossa frente, temos uma irmã idosa e seu filho mais velho, ambos completamente adaptados à exploração inferior de entidades desencarnadas, presas à ignorância, estabelecendo perfeito comércio de vibrações negativas. Falam diretamente influenciados pelos vampiros infelizes, transformados em hóspedes de suas próprias energias. Temos também uma jovem que, no momento, está com 16 anos. Sua disposição, no entanto, é bem diferente. Ela consegue receber nossos pensamentos e traduzi-los em liguagem elevada. Não está propriamente em serviço mediúnico, mas no belo trabalho de espiritualização. E, apontando a jovem, cercada de belo halo de luz, acrescentou: - Ela ainda tem a pureza física de quando reencarnou. Como até hoje não experimentou as emoções humanas mais fortes, mantém as capacidades de percepção intuitiva claras e maleáveis. Suas células se mantêm completamente livres de influências tóxicas, uma vez que seus órgãos vocais ainda não se viciaram na maledicência, na revolta, na hipocrisia. Seus centros de sensibilidade não foram desviados, seu sistema nervoso apresenta harmonia invejável e seu coração, sempre envolvido em bons sentimentos, percebe mais facilmente as verdades eternas, expressando-se em fé sincera e consoladora. Além disso, como não tem débitos muito graves do passado, mantendo-se livre da influência de entidades menos equilibradas, pode refletir com maior exatidão os nossos pensamentos mais íntimos. Vivendo muito mais para o espírito, em suas atuais condições, basta a troca magnética para que capte nossas idéias essenciais. - Isto quer dizer – perguntei – que esta jovem é pura e continuará assim por toda a vida? Alexandre sorriu e observou: - Nem tanto. Ela ainda mantém os benefícios que trouxe do plano espiritual e as decisões sobre a felicidade ainda estão em suas mãos, para conseguir o melhor da vida, mas dependerá dela vencer ou não no futuro. A consciência é livre. - Então, - continuei questionando – não seria tão difícil assim que todas as criaturas se preparassem para receber influências superiores. - De modo algum – explicou ele – Todos as criaturas que agem corretamente, dentro do espirito de serviço e equilíbrio, podem receber perfeitamente as intuições de mensageiros elevados, captando suas instruções de trabalho e iluminação, independentemente da técnica mediúnica que se desenvolve artualmente no mundo. Não há privilégios na criação. O que existem são trabalhadores fiéis, compensados com justiça, seja onde for. Profundamente emocionado com o que ouvi, senti que o meu pensamento se perdia em novas e abençoadas reflexões.