------------------------------------- MISSIONÁRIOS DA LUZ LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 7 SOCORRO ESPIRITUAL - Você precisa voltar logo ao trabalho? – perguntou Alexandre, assim que voltávamos à rua. - Posso ficar mais um pouco – respondi. Estava muito interessado em continuar minhas observações e Alexandre tinha grande experiência médica. Meus conhecimentos nessa área eram bem apagados em comparação aos dele. - Ainda hoje tenho uma reunião de esclarecimento a companheiros encarnados – continuou ele – e será uma satisfação ter você conosco. - Claro! Estou aprendendo e não posso perder a oportunidade. Saímos. As entidades perturbadas continuavam à porta, como se esperassem apenas uma brecha para entrar. Como Alexandre continuava falando de coisas interessantes, íamos devagar, passo a passo, como faríamos se ainda fôssemos encarnados. Estávamos nos primeiros minutos da madrugada. O número de desencarnados que circulavam era imenso. A maioria, de natureza inferior, usava roupa escura, mas, de vez em quando, encontrávamos grupos luminosos que passavam rapidamente, em serviços que podíamos adivinhar. - Há sempre o que fazer na ajuda mais urgente aos encarnados – continuou Alexandre, com gentileza – e, na maior parte das vezes, nossa intervenção é mais eficiente à noite, quando a luz do Sol não desintegra certas energias que usamos... Não havia terminado a frase, quando uma senhora simpática se aproximou de nós, de repente: - Que Deus a abençoe, Justina! – Alexandre a cumprimentou, gentil. Ela demonstrava muita agitação no olhar e respondeu, carinhosamente: - Alexandre, preciso da sua ajuda com urgência e vim ao seu encontro. Desculpe-me. E, antes que o instrutor pudesse perguntar o motivo de sua aflição, Justina prosseguiu: - Meu filho Antônio está em estado muito grave... Agora era Alexandre que a interrompia: - Imagino o que seja. Quando o visitei, no mês passado, percebi os problemas circulatórios. - Sim, sim – disse a mãe, aflita. – Apesar do bom coração, Antônio alimenta pensamentos muito desequilibrados. E hoje foi para a cama com tantas preocupações absurdas e tanta angústia desnecessária, que as suas criações mentais se transformaram em verdadeiras torturas. Em vão tentei ajudá-lo com os meus poucos recursos. Infelizmente, o seu desequilíbrio interior é tão grande, que todo o meu auxílio foi inútil e o seu cérebro corre o risco de um derrame fatal. E, pressentindo a gravidade da situação, acrescentou, triste: - Alexandre, sei que devemos nos submeter à vontade de Deus, mas meu filho precisa de mais alguns dias encarnado. Creio que, em dois meses, conseguirei, indiretamente, que ele resolva todos os problemas que perturbam a paz de sua família. Sua autoridade pode nos ajudar. Seu coração ligado a Jesus tem condições de nos fazer este bem!... Reconhecendo a urgência do caso, Alexandre exclamou: - Então vamos! Não temos um segundo a perder! Logo depois, entrávamos na casa confortável. Justina, aflita, levou-nos a um quarto espaçoso, onde o filho, dono da casa, descansava envolvido em lençóis muito brancos, dando-me a impressão de ser um agonizante. Antônio parecia ter, mais ou menos, 70 anos e tinha todos os sinais de uma arterioesclerose (1) adiantada. O quadro era muito educativo para mim, já que estava começando novos estudos. Notei, claramente, o estado pré-agônico (2), com todos os seus aspectos físicos e espirituais. O espírito perturbado, inconsciente, andava com dificuldade, ao lado do corpo imóvel, que respirava precariamente. Enquanto Alexandre se inclinava sobre ele, notei que se tratava de uma trombose (3) muito perigosa, por estar localizada numa das artérias (4) que irrigam o córtex motor (5) do cérebro. A apoplexia (6) não demorou a começar. Mais alguns minutos e ele teria desencarnado. Alexandre, que havia se concentrado no doente, tocou seu cérebro fluídico e falou, com firmeza e serenidade: - Antônio, mantenha-se vigilante! Precisamos da sua cooperação para ajudá-lo! O agonizante, parcialmente desligado do corpo, abriu os olhos fora da carne, demonstrando vaga consciência, enquanto o instrutor prosseguiu: - Você sofreu a ação dos próprios pensamentos em conflito desnecessário. Suas preocupações excessivas causaram-lhe a desorganização cerebral. Fortaleça a vontade de voltar ao corpo físico, enquanto nos preparamos para ajudá-lo. Este momento é decisivo para você. Antônio não respondeu, mas notei que havia compreendido o alerta, no fundo da consciência, colocando-se em condições de colaborar para o próprio bem. Em seguida, Alexandre começou a fazer complicadas aplicações magnéticas no corpo inconsciente, projetando novas energias na espinha dorsal (7). Depois de alguns minutos, colocou a mão ao longo do fígado e, em seguida, demorando mais no cérebro físico, bem na altura da zona motora, me chamou e disse: - André, mantenha-se em prece, para nos ajudar. Vou chamar alguns companheiros que estão em serviço esta noite, para nos auxiliar. E, depois de pensar um pouco, acrescentou: - O grupo de Francisco não pode estar longe. Dizendo isso, Alexandre concentrou-se profundamente. Não havia passado um minuto e um grupo de oito entidades, quatro homens e quatro mulheres, entrou no quarto, em profundo silêncio. Todos se cumprimentaram rapidamente e Alexandre falou com a entidade que parecia dirigir o grupo. - Francisco, vamos precisar de fluidos de um encarnado que esteja com o corpo físico adormecido e equilibrado. E, enquanto o outro observava cuidadosamente o doente, Alexandre acrescentou: - Como pode ver, é um caso muito grave. Precisamos ter muito cuidado na escolha do doador desses fluidos. Francisco pensou um pouco e comentou: - Temos um companheiro em boas condições de nos atender. É Afonso. Enquanto vou buscá-lo, nosso grupo vai ajudá-lo nos socorro necessário, emitindo energias magnéticas pela ação da prece. Francisco saiu imediatamente. Nesse instante, Justina aproximou-se de Alexandre e falou, com respeito: - Se há necessidade de fluidos de encarnados, não poderíamos procurar minhas netas, que dormem no quarto ao lado? - Não, – respondeu Alexandre, delicadamente – elas não têm condições de atender as exigências do caso. Precisamos de alguém com bom equilíbrio mental. A mãe, preocupada, afastou-se, enxugando os olhos. Atendendo a sinal de Alexandre, aproximei-me, observando o doente mais de perto, embora ainda em atitude de oração. - Antônio ficou viúvo há 20 anos – explicou ele – e estás prestes a desencarnar. No entanto, ainda precisa de mais alguns dias na Terra, para deixar alguns problemas sérios devidamente resolvidos. Deus nos permitirá ajudá-lo na recuperação de suas forças. E, não sei se porque continuei observando o grupo de entidades que oravam em silêncio, ou se porque queria me dar a oportunidade de ter novos aprendizados, explicou: - Este é o grupo de Francisco. Trata-se de uma de várias turmas de serviço que nos ajudam. Muitos companheiros se dedicam a esse tipo de trabalho, principamente à noite, quando nossas atividades de auxílio são mais intensas. Um mundo de dúvidas tomou conta do meu cérebro. No entanto, entendendo a gravidade da situação e considerando a tarefa para que fomos chamados, resolvi ficar calado. Não passou muito tempo e Francisco voltou com o companheiro encarnado. Não houve tempo para cumprimentos. Alexandre, pegando-o pela mão, levou-o diretamente à cabeceira do doente, dizendo com firmeza e delicadeza: - Afonso, não temos tempo a perder. Coloque as duas mãos na testa do paciente e permaneça em oração. O encarnado não vacilou. Dando-me a impressão de já estar muito habituado a esse tipo de assistência, parecia completamente à vontade conosco, concentrando-se apenas no trabalho a fazer. Foi então que vi Alexandre funcionar como verdadeiro magnetizador. Lembrando meus antigos trabalhos de transfusão de sangue, vi, com clareza, seus esforços para transferir fluidos vitais de Afonso para o corpo de Antônio, já agonizando. Como aluno, aproveitei a excelente oportunidade de observação e notei que o rosto do doente transformava-se gradativamente. À medida que Alexandre movimentava as mãos sobre o cérebro de Antônio, este apresentava sinais visíveis de melhora. Muito surpreso, percebia que, devagar, o seu perispírito unia-se novamente ao corpo físico, numa integração perfeita, como se estivéssemos diante de novo processo de reajustamento, célula por célula. Depois de uns 15 minutos, pelos meus cálculos, estava terminada a delicada operação magnética e Alexandre, chamando a mãe do paciente, falou: - Justina, o coágulo acaba de ser reabsorvido e conseguimos tratar a artéria com os nossos recursos, mas Antônio terá, no máximo, cinco meses a mais de permanecência no físico. Se você pediu este socorro para ajudá-lo a resolver questões urgentes, não perca tempo, porque as providências que tomamos não vão durar mais do que este tempo. E não se esqueça de preveni-lo, intuitivamente, sobre os cuidados que deverá ter consigo mesmo no que diz respeito às preocupações excessivas, especialmente à noite, quando acontecem os acidentes circulatórios mais sérios, em vista da invigilância de muitas pessoas que aproveitam as horas de sono para criar fantasmas cruéis no pensamento. Se o nosso amigo não se corrigir, talvez desencarne antes dos cinco meses. Todo cuidado é pouco. Justina agradeceu, comovida, chorando de alegria. Alexandre pediu a Afonso que retirasse as mãos da testa do doente e, então, vi algo que não esperava. Antônio, com as funções orgânicas recuperadas, dentro do possível, abriu os olhos físicos, como se estivesse bêbado, e começou a gritar desesperado: - Socorro! Socorro! Ajudem-me, pelo amor de Deus! Estou morrendo, estou morrendo... As filhas vieram correndo, espantadas, para atender, carinhosamente, o pai assustado. - Papai! Papai! – chamaram ansiosas – O que foi? - Estou morrendo! – dizia ele – Chamem o médico... Depressa! - Mas o que está sentindo, papai? – perguntou uma delas, chorando muito. - Sinto como se estivesse morrendo, estou tonto, não consigo raciocinar... Os encarnados passavam por nós em grande confusão, atropelando-se uns aos outros, sem a menor consciência de nossa presença. Alexandre pediu a Francisco que orientasse Afonso a voltar para casa e, em seguida, decidiu sair e me disse, sorrindo, vendo o meu espanto diante da atitude assustada das moças: - Geralmente, quando os encarnados gritam, pedindo socorro, o nosso trabalho de assistência já terminou. Vamos embora. O doente, semilúcido, continuava agitado, enquanto alguém usava o telefone para chamar o médico, com urgência. Justina despediu-se de nós, emocionada, ficando para cuidar, com carinho, do filho doente. Já na rua, pedi a ele que me apresentasse Francisco, que nos acompanhava. Alexandre, gentil como sempre, atendeu meu pedido. - Nosso pequeno grupo – explicou Francisco, depois de me cumprimentar – é uma das várias turmas de socorro que colaboram entre os encarnados. Somos milhares de trabalhadores nas mesmas condições, ligados a diversas regiões espirituais mais elevadas. - Seu grupo vem de alguma colônia? – perguntei. - Sim. Tabalhamos ligados a vários instrutores de “Nosso Lar”. - E existem tarefas especializadas para cada grupo desse tipo? - Claro. O nosso, por exemplo, - esclareceu Francisco, gentil – destina-se ao socorro a doentes graves e agonizantes. De maneira geral, as dificuldades para os doentes são maiores à noite. Durante o dia, a luz solar destrói grande parte das criações mentais inferiores dos doentes mais graves, o que não acontece à noite, quando o magnetismo da Lua favorece todos os tipos de criações, boas ou más. Em vista disso, precisamos estar sempre vigilantes. Quase ninguém entre os encarnados conhece o alcance de nossas tarefas de socorro, pois estão todos numa faixa vibratória muito diferente da nossa e não podem perceber ou identificar o nosso auxílio. Mas isso não importa. Outros espíritos de luz, muito mais elevados do que os que conhecemos diretamente, cuidam de nós e nos inspiram, com dedicação, para os deveres comuns, sem que possamos vê-los executando a vontade de Deus. E, talvez porque eu estivesse sorrindo, admirado de seu ideal de renúncia, Francisco também sorriu e acrescentou: - Sim, meu amigo, esperar a compreensão de criaturas e situações que ainda não podem alcançá-la é pior do que querer recompensas imediatas por um trabalho. A verdade era bem essa. Francisco tinha razão. Aqueles que ajudam alguém, interessados em reconhecimento ou compensação, mantêm os olhos fechados para o auxílio divino invisível que recebem. Querem que outros reconheçam o valor da sua ajuda, mas nunca se lembram de que amigos elevados e dedicados de planos superiores cooperam com eles, sem jamais exigir qualquer deomnstração de gratidão pessoal. - São muitos os companheiros – continuou ele, interrompendo minhas reflexões íntimas – que se reúnem, depois da morte física, em tarefas de socorro e amparo, quando já alcançaram algum esclarecimento e elevação. Até onde sei, esse tipo de trabalho é dos mais eficientes e dignos. Os encarnados, quando em excelentes condições de saúde, raramente conseguem compreender as aflições dos doentes mais graves ou dos agonizantes prestes a desencarnar. Mas nós, desencarnados, vivendo a realidade de maneira mais profunda e intensa, sabemos que, muitas vezes, é possível conseguir grandes avanços espirituais, em poucos dias, nessas circunstâncias, depois de vários anos de tentativas inúteis. No leito de morte, as criaturas são mais humanas e mais dóceis. Diria que a doença intransigente enfraquece os instintos mais baixos, suaviza as chamas das paixões inferiores e torna a alma menos animalizada, abrindo brechas abençoadas à sua volta, por onde entra a luz infinita. E a dor vai derrubando as muralhas pesadas de indiferença, egoísmo e amor próprio exagerado. Então, o entendimento maior torna-se possível. Lições maravilhosas chegam para a criatura que, ainda que de forma distante, percebe a grandeza divina. Seu heroísmo se fortalece e mensagens de amor vivo e sabedoria se gravam em seu coração. No desespero da agonia, começa a brilhar o sol da vida eterna. E, sob a sua claridade, nossas sugestões são facilmente aceitas, a sensibilidade atinge níveis sublimes e a luz imortal leva ao espírito forças infinitas. Francisco fez uma pausa mais longa e concluiu: - Assim, conseguimos fazer um trabalho eficiente de assistência, conquistando novos valores de fraternidade e bem legítimo. Você nunca notou a surpreendente paciência de doentes mais graves, a calma de certos pacientes incuráveis e a profunda resignação da maioria dos agonizantes? Muitas vezes, conquistas como estas, que não podem ser compreendidas pelos encarnados que os cercam, são fruto do esforço de grupos itinerantes de socorro como o nosso. Francisco acabava de colocar uma grande verdade. De fato, a serenidade dos enfermos em condições mais graves e a resignação inexplicável dos que se encontram perto da morte, muito distantes da fé religiosa, não poderia ter outra explicação. A bondade de Deus é infinita e se manifesta em todos os lugares, levando conforto aos tristes, calma aos desesperados, socorro aos ignorantes e consolo aos infelizes. Notas: (1) arterioesclerose - ou ateroesclerose é o depósito de substâncias gordurosas, no interior das artérias, junto com colesterol, cálcio, produtos de degradação celular e fibrina (material envolvido na coagulação do sangue e formador de coágulos). O local onde esse depósito ocorre chama-se placa. Arteriosclerose é um termo geral usado para denominar o espessamento e endurecimento das artérias. Parte desse endurecimento é normal e é decorrente do envelhecimento das pessoas. As placas podem obstruir total ou parcialmente uma artéria, impedindo ou diminuindo a passagem de sangue. Sobre as placas, podem se formar coágulos de sangue, denominados de trombos que, ao se soltarem, provocam embolias arteriais. Quando isso acontece no coração, temos o ataque cardíaco ou o infarto do miocárdio; quando no cérebro, provoca a embolia ou a trombose cerebral. Como a doença ocorre em artérias de médio ou grosso calibre, a gravidade, bem como as conseqüências, dependerão do local mais ou menos nobre do organismo, onde o acidente vascular ocorrer. (2) estado pré-agônico - período pré-agônico é aquele que antecede o momento do desencarne. Com falência orgânica múltipla, o organismo não tem mais capacidade de adaptação frente a uma situação de estresse intenso ou muito prolongado. (3) trombose - coagulação do sangue processada, dentro do aparelho circulatório, durante a vida, com extensão e localização variáveis. A trombose venosa profunda (TVP) é o desenvolvimento de um trombo (coágulo de sangue) dentro de um vaso sangüíneo venoso, com conseqüente reação inflamatória do vaso, podendo, esse trombo, determinar obstrução venosa total ou parcial. (4) artéria - cada um dos vasos que conduzem o sangue do coração a todas as partes do corpo. A artéria a que André Luiz se refere é a artéria cerebral anterior. (5) córtex motor – parte do córtex cerebral responsável pelos movimentos, localizada na parte frontal e superior dianteira da cabeça. (6) apoplexia – acidente vascular cerebral (AVC), afecção cerebral que se manifesta imprevistamente, acompanhada de privação dos sentidos e do movimento, determinada por lesão vascular cerebral aguda (hemorragia, embolia, trombose ou espasmo vascular). (7) espinha dorsal – conjunto formado pela coluna vertebral e amedula nervosa, a qual passa por dentro das vértebras (ossos da coluna).