------------------------------------- MISSIONÁRIOS DA LUZ LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 9 MEDIUNIDADE E FENÔMENO Um considerável número de encarnados, desligados do corpo físico pelo sono, estava presente no grande salão. Em primeiro lugar, junto à direção, onde Alexandre ocupava a chefia, sentaram-se seus alunos diretos e permanentes. Os demais estavam distribuídos em várias turmas. Nessas condições, calculei em mais ou menos cem pessoas encarnadas presentes, isso sem falar nos desencarnados, que eram em número bem maior. Além do grupo de Francisco, outras instituições do mesmo tipo traziam seus alunos, interessados em novas instruções. Mas notei algo interessante. Só os alunos diretos de Alexandre podiam colocar suas dúvidas, pedidos e questões, não verbalmente, mas através de consultas que eram previamente levadas a ele, antes de se iniciar a palestra. Notando minha curiosidade, Sertório, que continuava a meu lado, explicou: - Há muitas escolas deste tipo para os encarnados que se dispõem a aproveitar as horas de sono físico. É natural que os alunos permanentes, independentemente do setor, tenham o direito de fazer consultas. Como vemos, não há privilégios. Trata-se de uma questão de organização, mesmo porque os alunos que comparecem apenas eventualmente devem ter outros direitos nos grupos a que pertencem. Satisfeito com a explicação, perguntei: - Qual o tema de hoje? Há alguma programação prévia? - Há sempre um plano prévio de trabalho – respondeu ele. – No entanto, os temas são improvisados por Alexandre, depois que recebe os dados das consultas dos alunos regulares. O orientador examina, atentamente, as questões colocadas pela maioria e dá instruções de modo a atender também outros assuntos menos citados. - E você saberia me dizer qual o tema mais votado para hoje? - Creio que se refere à mediunidade e ao fenômeno, em geral. Em seguida, apenas por gentileza, Sertório convidou-me para sentar com os assistentes de Alexandre, que já iniciava os trabalhos. O instrutor parecia mais elevado e nobre do que em outras ocasiões. Irradiando a luz que lhe é característica, Alexandre dominava a reunião, não como um orador apaixonado, mas pela bondade e autoridade naturais. Com as atenções voltadas para ele, começou a palestra com uma prece, pedindo o dom de compreender os presentes e de ser compreendido por eles. Aquela oração diferente, absolutamente espiritual e sem o mínimo traço de personalismo, era, ao mesmo tempo, comovente e nova para mim. No entanto, quanto mais ele procurava se impessoalizar, colocando-se como mero instrumento de Deus, mais se destacava aos meus olhos, como possuidor de verdadeira sabedoria, humildade, prudência, fidelidade, confiança e luz. Terminada a oração, começou a falar, com palavras diretas: - Irmãos, dando continuidade aos nossos trabalhos, vamos comentar hoje os pedidos de orientação mediúnica, tendo em vista as dificuldades diárias, que vocês classificam como impedimentos de natureza psíquico-fisiológica. Todos aqui desejam grandes realizações em matéria de revelação superior, sonhando com conquistas gloriosas e feitos elevados. No entanto, é preciso corrigir as atitudes mentais diante da vida humana. Como querer construir algo sem bases adequadas, ou alcançar os fins sem atender aos princípios? A fé não se reduz a um monte de promessas brilhantes, e as ansiedades e angústias sentidas por vocês jamais poderiam corresponder à realização espiritual propriamente dita. A edificação do reino interior exige trabalho persistente e sereno. Não se contrói o templo da fé viva apenas com palavras. Como acontece nos mais simples fenômenos de natureza terrestre, é imprescindível saber escolher o material, empreender os esforços para a aquisição, fazer planejamento prévio, aplicar-se adequadamente, ter experiência sólida, demonstrar equilíbrio, firmeza, harmonia de conjunto e capricho no acabamento. Alexandre fez ligeira pausa, olhou os presentes por algum tempo, como se quisesse transmitir-lhes vigorosa onda energética, e prosseguiu: - Estão reunidos aqui hoje muitos companheiros que pretendem desenvolver a mediunidade. No entanto, esperam apenas a ocorrência de alguns fenômenos, supondo que as forças espirituais se restrinjam a puro automatismo de energias cegas e fatais, que não requerem qualquer preparação, disciplina e produtividade. Desejam a clarividência, a clariaudiência, o pacote completo de comunicação com os planos mais elevados, mas será que já sabem ver, ouvir e, acima de tudo, servir no seu contexto diário de trabalho? Já são capazes de dominar os impulsos inferiores, colocando-se em direção às regiões superiores? Poderia o feto falar e andar no físico? Deveríamos dar à criança de cinco anos os mesmos direitos concedidos a um adulto de 50? Se as leis humanas, ainda transitórias e imperfeitas, estabelecem rumos para os menos capazes, poderiam as leis divinas, imutáveis e eternas, estar sujeitas aos desejos desequilibrados das criaturas? Ah, meus amigos! Sem dúvida existem muitos gêneros e processos mediúnicos em uso no mundo físico em que vivem, mas, antes de sair em busca de grandes obras, é preciso valorizar o trabalho mais que desejar o repouso, aceitar o dever sem exigências e desenvolver as tarefas que parecem pequenas, colocando a vontade de Deus acima de todas as preocupações individuais. É preciso fugir do comércio com as forças invísíveis, evitando o entusiasmo passageiro e a obsessão sutil e insidiosa. Se considerarmos o todo, veremos que não fazemos parte de duas raças antagônicas ou de dois grandes exércitos, rigorosamente separados pelas fronteiras entre a vida e a morte, mas de uma única e infinita comunidade de vivos, diferentes apenas pela vibração, mas quase sempre unidos para a mesma tarefa de elevação. Não pensem que a morte do corpo torne santo o ser que o ocupou. Assim como o raio de Sol não se contamina em contato com o pântano, o doente rebelde também não se cura apenas mudando de endereço. O corpo físico é como um vaso em uso. Quando o vaso se quebra, não significa que o seu dono se purificou. Fazemos esta analogia para dizer-lhes que o habitante do mundo invisível é apenas um irmão, nem sempre superior a vocês mesmos. Desencarnar não é sinônimo de santificar-se. Os companheiros que os antecedem no plano espiritual não estão em aprendizado muito diferente. Os elétrons e os fótons que caracterizam o seu corpo físico, também fazem parte dos nossos veículos de manifestação, com outras características vibratórias. Assim, é necessário atentar para as possibilidades interiores, para as maravilhas da divindade potencial de cada um. - Nos seus desejos irresistíveis de intercâmbio com o invisível, vocês naturalmente esperam a aproximação com os planos celestes. Esperam a revelação da verdade divina, acompanhada de elementos incostestáveis de certeza absoluta. No entanto, para isso, é indispensável organizar e desenvolver valores celestes, como criaturas celestiais que, de fato, somos. Todo um exército de trabalhadores do Cristo funciona em cada núcleo de suas atividades espirituais, convocando todos ao sentimento iluminado, à virtude ativa, aos planos superiores da vida íntima. No entanto, ainda é muito forte a tendência de materializar todas as expressões do espírito, esquecendo de espiritualizar a matéria. Vocês pedem luz e, quase sempre, permanecem nas sombras. Reclamam felicidades, semeando sofrimentos. Solicitam amor, incentivando as separações. Buscam fé, duvidando até de si mesmos. - O fato de poderem negociar emoções com os planos invisíveis que os rodeiam, não significa, de modo algum, que tenham alcançado a realização espiritual imprescindível à edificação divina de cada um de nós, porque a glória mediúnica não consiste em ser instrumento de algumas inteligências, mas em ser instrumento fiel de Deus. Para que o espírito encarnado chegue a tal conquista é indispensável desenvolver os próprios princípios divinos. A semente de uma árvore é a árvore em potencial. O punhado de grãos minúsculos é o campo de trigo do amanhã. O germe insignificante, em poucos dias, se torna a ave poderosa, voando alto. Alexandre estava cada vez mais cativante e iluminado. Do alto, caíam sobre sua testa fios brilhantes de luz. - Mediunidade – prosseguiu ele, prendendo-nos a atenção – é meio de comunicação e até mesmo Jesus afirma: “eu sou a porta... se alguém entrar por mim será salvo e entrará, sairá e achará passagens”! Com que atrevimento absurdo vocês acham que podem obter a realização sublime sem se apegar ao Espírito de Verdade, que é o próprio Cristo? Ouçam-me, meus queridos! Se vocês se dispuserem ao serviço divino, não há outro caminho, a não ser Jesus, que detém a infinita luz da verdade e a fonte inesgotável da vida! Não existe outra porta para a mediunidade elevada, para o acesso ao equilíbrio divino que desejam tão profundamente. Só através dEle, vivenciando suas lições, vocês podem alcançar a sagrada liberdade de entrar nos domínios da espiritualidade e deles sair, conquistando o pão eterno que saciará sua fome para sempre. Sem o Cristo, a mediunidade é apenas um meio de comunicação e nada mais, mera possibilidade de informação, como tantas outras, da qual poderão se apoderar também os interessados em perturbar, fazendo cada vez mais vítimas infelizes. Lembrem-se, no entanto, que a lei divina jamais aprovou o cativeiro e a escravidão. Esqueceram o que ele afirmou quando disse “vós sois deuses”? Ao pronunciar esta última frase, Alexandre assumiu postura muito diferente. Tive a impressão de que, em seu peito, uma luz sublime se acendeu, levemente azulada, que ele enviava a todos, em raios de alegria indescritível. Seus cabelos agora pareciam fios de sol de brilho azul. Seu olhar tornara-se mais elevado e profundo. E muitos de nós, encarnados e desencarnados, choramos de gratidão e alegria, tocados de indescritível emoção. Após rápida pausa, continuou: - Meus amigos, a persistência em continuar animalizados os perturba! Vocês são a coroa espiritual da Terra, pela capacidade de raciocínio com que foram abençoados por Deus. O facho de esplendoroso pensamento clareia-lhes a consciência, convidando-os ao “mais além”. Irmãos mais velhos os convocam ao convívio com o Pai. No entanto, vocês insistem em se demorar, deliberadamente, nos planos da irracionalidade animal primitiva. No campo vibratório da mente humana, é possível sentir ainda o veneno das víboras, o instinto dos lobos famintos, as ciladas das raposas, o impulso predatório dos tigres, a arrogância dos leões. Não pensem que essas qualidades sejam características apenas do corpo físico. São qualidades que o espírito traz em si mesmo, esquecendo-se dos bens divinos. Ora, a morte pega as pessoas desprevenidas, na atitude que tiveram em vida. A vibração se modifica, mas a essência espiritual é sempre a mesma. É por essa razão que vemos tantas manifestações mediúnicas desequilibradas entre vocês. Muitas vezes, em vez de cultivarem as qualidades positivas de realização, vocês insistem em alimentar interesses materiais mais mesquinhos, relativos às sensações humanas passageiras. Completamente equivocados a respeito do desenvolvimento mediúnico, vocês acreditam ser possível vencer o domínio das vibrações grosseiras, cristalizadas pelos séculos de repetição, movimentando apenas energias físicas. Sem qualquer preparação, tentam atravessar as fronteiras vibratórias, invocando forças invísíveis de todos os tipos para o desenvolvimento mediúnico, feito homens irresponsáveis que escolhessem orientadores, ao acaso, em plena multidão, esquecendo-se de que nem todo mundo que passa pela rua tem condições de ajudar, orientar e ensinar. Se até as máquinas mais simples da Terra precisam de um curso preparatório para quem vai operá-las, para que não se perca em qualidade e quantidade, como esperar que a mediunidade bem desenvolvida se reduza a meros serviços automáticos ou a puras manifestações do mecanismo fisiológico, livre de educação e responsabilidade? Sempre será possível abrir canais de comunicação entre o seu mundo e os planos invisíveis, mas não se esqueçam de que as afinidades são leis fatais de reunião e integração no mundo espiritual! Sem a devida preparação, vocês fatalmente terão a companhia dos que fogem aos processos educativos de Deus; e sem as bênçãos da responsabilidade é lógico que só encontrarão os irresponsáveis. Vocês alegam que o fenômeno é indispensável no campo experimental científico, que o incomum deve ser usado para favorecer novas convicções. No entanto, somos os primeiros a reconhecer que os seus caminhos na Terra estão repletos de fenômenos maravilhosos. Alguém já resolveu, por acaso, o mistério da integração do hidrogênio e do oxigênio na formação da água? Já explicaram todo o mecanismo de respiração das plantas? Que processos da natureza permitem que a cicuta que mata brote ao lado do trigo que alimenta? O que dizer da haste cheia de espinhos que sai da terra sustentando a flor, como cálice de perfume? Já solucionaram todos as questões biológicas das formas físicas que povoam o planeta, nas diversas espécies? Qual a definição existente para raio de sol? Alguém já viu o eixo imaginário que sustenta o equilíbrio do mundo? Se fenômenos como estes, de caráter permanente na Terra, não despertam as almas adormecidas, dando-lhes a legítima idéia da existência de Deus, como esperam vocês destruir a rebeldia milenária dos homens, querendo espetáculos prematuros de manifestações da espiritualidade superior? Não, meus amigos! É preciso abandonar os setores de ruído externo para começar o desenvolvimento interior das faculdades divinas! A paixão pelo fenômeno pode ser tão viciosa e destruidora para o espírito, quanto o álcool que embriaga e aniquila os centros da vida física! Este jogo de hipóteses, na maioria das vezes, não passa de dança doentia de raciocínios, fugindo à realidade universal e adiando, indefinidamente, o crescimento real do espírito! Concordamos que as experiências são necessárias, que a pesquisa intelectual é o ponto de partida para grandes empreendimentos evolutivos, que a curiosidade sadia é mãe da ciência realizadora, que todo e qualquer processo de conhecimento exige observação e trabalho, tanto quanto é imprescindível o material didático nas escolas mais simples. No entanto, é preciso pensar que o aluno não pode transformar os instrumentos de aprendizagem em brinquedo. Além disso, mesmo que os alunos aprendam as lições, é preciso notar que a informação não é tudo, uma vez que o esclarecimento é apenas parte do aprendizado. O que dizer de alunos que estudam sempre, mas nunca aplicam o que aprendem? E os companheiros que já têm algum conhecimento e nunca instruem a si mesmos? Classificar valores não é o mesmo que vivenciá-los. Ensinar o caminho a viajantes, não significa ter feito realmente a viagem. Há muitos estatísticos famosos que nunca visitaram as fontes de suas informações e geólogos que raramente saem de casa. Usamos estes exemplos para fazê-los sentir que, se é possível agir assim na existência temporária na Terra, não se pode fazer o mesmo na vida espiritual, onde vocês já vivem desde já, apesar de estarem encarnados. Mediunidade não é capacidade do corpo físico transitório, mas dom do espírito imortal. É claro que o intercâmbio elevado exige condições sadias do corpo físico que Deus lhes deu, mas o corpo é instrumento precioso nas mãos do artista, que deve ser divino. Se querem o desenvolvimento superior, abandonem os planos inferiores. Se pretendem se comunicar com os sábios, cresçam em conhecimento, valorizem as experiências, intensifiquem as luzes do pensamento! Se esperam a companhia dos santos, santifiquem-se na luta diária, porque os anjos não se mantêm isolados nos paraísos celestes e também trabalham pelo aperfeiçoamento do mundo, esperando que vocês se tornem anjos. Se desejam a presença dos bons, tornem-se bons! Sem afabilidade e doçura, sem compreensão verdadeira e atitudes sadias, vocês não serão capazes de entender os espíritos bons e amigos, elevados e pacientes. Se não parece razoável pensar em Platão ensinando filosofia a tribos selvagens e primitivas, ou em Francisco de Assis andando com marginais, não se pode admitir que os espíritos esclarecidos e elevados se integrem a criaturas agarradas às manifestações mais grosseiras da existência carnal. Nas suas atividades espiritualistas, lembrem-se de que não estão diante de doutrina sectária de homens em passagem pelo planeta! Trata-se de um movimento divino mundial, de libertação das consciências, numa revelação sublime da vida eterna e dos valores imortais para todas as criaturas de boa vontade! Com esta convicção, não se deixem deter na atitude exclusivista e presunçosa dos que pensam que encontraram na mediunidade apenas um sexto sentido. A capacidade mediúnica não é dom de privilegiados, mas qualidade comum a todos os homens, exigindo boa vontade sincera para a elevação. Por enquanto, não podemos negar que precisamos das atividades de estímulo, em que alguns companheiros encarnados são convocados a grandes testemunhos no trabalho de esclarecimento coletivo, espalhando a fé positiva e construtiva, mas o futuro nos mostrará que os trabalhos dessa natureza pertencem a todos, porque todos somos espíritos imortais. Não tenham qualquer dúvida! Não permitam que o padrão vibratório da vida física apague a luz da divina certeza deste momento, porque todos nós, amigos, estamos diante da espiritualidade sem fim, renovando energias viciadas de séculos seguidos, a caminho de transformações que vocês mal podem imaginar no presente! Assim, vamos nos elevar no espírito do Senhor, que nos convidou ao banquete da luz desde hoje! Vamos nos levantar para o porvir, não no sentido de menosprezar a Terra, mas no intuito de aperfeiçoar as nossas qualidades individuais, para sermos realmente úteis às realizações que hão de vir! Vamos nos amar uns ao outros intensamente, concretizando os preceitos evangélicos e construindo-nos, cada dia, erguendo-nos para a redenção final. E, concluindo a bela palestra da noite, Alexandre, depois de longa pausa, fechou com o seguinte apelo: - Vamos nos unir todos no compromisso sagrado da cooperação legítima com Jesus! - Se o braço humano modifica a estrutura da Terra, abrindo novos caminhos, construindo cidades magníficas e dando novos rumos ao curso das águas no planeta, intensifiquemos o nosso esforço espiritual, renovando as antigas disposições do pensamento primitivo do mundo, contruindo estradas sólidas para a verdadeira fraternidade, concretizando os trabalhos de elevação dos sentimentos e dos pensamentos das criaturas e formando bases cristãs que iluminem as relações entre os homens! - Não provoquem o desenvolvimento prematuro das faculdades psíquicas! Ver sem compreender ou ouvir sem discernir pode causar grandes desastres ao coração. Busquem, acima de tudo, progredir em virtude e sentimentos. Acentuem o próprio equilíbrio e Deus lhes abrirá a porta de novos conhecimentos! - Se o desejo de transformar o próximo atormentar-lhes a alma, lembrem-se de que há mil maneiras de auxiliar sem impor, e que só depois de o fruto amadurecer é que temos sementes para começar novas plantações. - Desliguem-se do excesso de verbalismo sem obras! Não falo apenas das obras do bem, realizadas no plano físico, mas, especialmente, das construções silenciosas da renúncia, do trabalho de cada dia para entender as lições de Jesus, da paciência, da esperança, do perdão, que só acontecem dentro da alma, no grande mundo das nossas experiências interiores! - Em todas as atividades terrenas, transformem-se na vontade de Deus! E nos trabalhos de fé, não queiram fazer chegar até vocês os espíritos superiores, mas aprendam a subir até eles, conscientes de que os caminhos de intercâmbio são os mesmos para todos, e mais vale elevar o coração para receber o bem infinito, do que exigir o sacrifício dos amigos espirituais!... - Jamais quebrem o fio de luz que nos liga, individualmente, ao espírito de Deus! Não permitam que o egoísmo e a vaidade, as paixões inferiores e as tiranias do “eu” lhes pertubem a capacidade de refletir a luz divina. Lembrem que em nossa disposição de servir, e em nossos postos de trabalho, estamos para Deus como as pedras preciosas da Terra estão para o Sol criador – quanto maior a pureza da pedra, mais possibilidades tem de refletir a luz solar! - Coloquem os fenômenos dos trabalhos em segundo plano, lembrando sempre que o espírito é tudo! Nesse instante, Alexandre se calou, mantendo-se, então, em prece silenciosa. Admirado e comovido, notei que o grande instrutor se transfigurava, ali mesmo, diante de nós. Pela primeira vez, depois de voltar ao mundo espiritual, via algo desse tipo. Suas roupas tornaram-se brancas e brilhantes, sua testa emitia intensa luz e, de suas mãos estendidas, saíam raios cintilantes que, caindo sobre nós, pareciam nos transmitir estranho encantamento. Profunda emoção me dominou e quase todos nós, sem entender de onde vinham aquelas vibrações, choramos de alegria, com o peito apertado pela bênção inesperada. Depois de alguns momentos de êxtase, vi que Sertório entendia minha perplexidade. É verdade que, por várias vezes, eu havia presenciado a oração de entidades elevadas, oração sempre acompanhada dos mais belos fenômenos de luz, mas nunca havia visto antes uma transfiguração assim! Tocando meu braço de leve, afirmou: - Todas as forças da natureza superior se reuniram em torno de Alexandre neste momento, transformando-o em intermediário de dádivas para nós. É por isso que ele irradia e resplandece com tanta intensidade. Compreendi a beleza da cena e a sublimidade da lição. Depois de alguns minutos, o orientador, voltando ao seu aspecto natural, fez uma prece de reconhecimento a Deus e encerrou, com alegria, a bela reunião.