------------------------------------- MISSIONÁRIOS DA LUZ LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 10 MATERIALIZAÇÃO Como eu estava muito interessado no estudo dos fenômenos de materialização, não hesitei em pedir ajuda a Alexandre, que se colocou à disposição. - Nosso grupo – explicou – não faz esse tipo de trabalho, mas não vai ser difícil recorrer a alguns amigos. Temos bons companheiros trabalhando em grupos desse tipo. E como percebeu minha curiosidade, ele continuou: - Trata-se de serviço de muita responsabilidade, já que, além de exigir muito do médium, necessita da colaboração dos encarnados presentes a essas reuniões. Se houvesse perfeita compreensão geral, respeito à vida e se pudéssemos contar com as virtudes espontâneas conquistadas de fato, essas manifestações seriam as mais naturais possíveis, sem qualquer prejuízo para o médium e os presentes. No entanto, são muito raros os encarnados dispostos às condições espirituais que esses trabalhos exigem. Na dúvida de ter colaboração eficiente, as sessões de materialização representam grandes riscos para o médium e exigem um grande número de trabalhadores do nosso plano. - Entendo – respondi, aproveitando a pequena pausa do instrutor. – Muitas vezes, quando encarnados, não sabemos conduzir a pesquisa intelectual!... - Exato! – exclamou ele – Se o questionamento científico viesse acompanhado de bom caráter, bons sentimentos, consciência, realizaríamos muito mais, tendo em vista a luz da espiritualidade, mas quase sempre somos assediados pela exigência cheia de pretensões. Essa é a razão dos fracassos inevitáveis. Alexandre continuou com os esclarecimentos, muito elevados, e esperei, ansioso, o momento de observar esses serviços dos trabalhadores espirituais, visto com grande surpresa pelos pesquisadores da Terra. O instrutor, gentil como sempre, tomou todas as providências. Amigos simpáticos se encarregaram de me satisfazer a curiosidade sadia e fui avisado de todos os arranjos necessários. Na noite marcada, Alexandre, que iria comigo, levou-me à casa onde aconteceria esse trabalho diferente. A reunião começaria às 21h, mas, quase uma hora antes, já estávamos os dois ali, na sala, muito confortável, onde um grande número de trabalhadores espirituais circulavam. Os trabalhos eram dirigidos por Calimério, entidade mais elevada que Alexandre, que, assim que o encontrou, apresentou-me e disse: - Viemos em busca de aprendizado para este companheiro. André queria saber mais sobre os serviços de materialização e tomei a liberdade de trazê-lo. No entanto, não estamos aqui só para observar. Se possível, queremos trabalhar também. - Alexandre, - respondeu Calimério, muito gentil – o trabalho é de todos. Proporcione a ele tudo o que for possível e desculpem-me se não posso acompanhá-los. Estou encarregado de supervisionar os trabalhos de hoje, mas fiquem à vontade. E olhando para mim, acentuou: - Observar para realizar é serviço divino. Fomos, em silêncio, para dentro da casa. Muito admirado, notei a grande diferença de ambiente. Ali não havia, como em outras reuniões, o grupo de entidades sofredoras às portas. A residência, onde seriam realizados os trabalhos, chegava a ser isolada por extenso cordão de trabalhadores espirituais, num raio de 20m. Percebendo meu espanto, Alexandre explicou: - É necessário ter-se o máximo cuidado para que os princípios mentais inferiores não afetem a saúde física dos médiuns, nem a pureza do material indispensável ao fenômeno. Em vista disso, é imprescindível isolar o ambiente com fronteiras vibratórias, evitando o acesso de entidades perturbadas. Notando a extensão das providências, perguntei: - Se é preciso tanto cuidado, no que se refere ao nosso plano, não seria justo exigir o mesmo do encarnados que trabalham como assistentes? Alexandre sorriu, percebendo a sutileza da minha pergunta, e respondeu: - Todo o perigo desses trabalhos está na ausência de preparo dos encarnados, os quais, na maioria das vezes, alegando motivos científicos, furtam-se a princípios básicos de elevação espiritual. Quando não há o devido cuidado por parte deles, o fracasso pode ser terrível, porque os trabalhadores que fazem o isolamento, do lado de fora, não têm como impedir a entrada de entidades desequilibradas, completamente sintonizadas com as companhias encarnadas. Há obsidiados que se sentem tão bem com os obsessores, que parecem mães encarnadas agarradas aos filhos pequenos, entrando em locais destinados a determinados serviços, onde as crianças não sabem se comportar. Quando os amigos menos avisados vêm para o trabalho nessas condições, os riscos são realmente preocupantes. - Então, aqui, – comentei – não devem entrar as vítimas de vampirismo... - A rigor, não deveriam entrar, – disse o instrutor, sorrindo – até porque há outros grupos onde podem ser ajudados, mas, algumas vezes, o sentimento de fraternidade pede tolerância, mesmo em ambientes como este. E, depois de uma pausa rápida, comentou: - Por isso mesmo, as reuniões de materialização são tão raras. A homogeneidade aqui precisa ser muito intensa. Os serviços são todos em nome da caridade cristã, mas, neste ambiente, o trabalho se limita a algumas demonstrações de sabedoria espiritual. Os homens, no entanto, em geral, não sabem, por enquanto, compreender a essência divina de tais demonstrações, e, quase sempre, comparecem com o raciocínio acima do sentimento. Por causa da ansiedade na investigação, perdem, muitas vezes, as oportunidades de cooperação, e os resultados são sempre negativos. Mas, no dia em que tiverem o coração iluminado, terão as mesmas alegrias que os discípulos de Jesus tiveram, quando, de portas fechadas, em elevada vibração de amor e fé, receberam a visita do Mestre, perfeitamente materializado, depois da ressurreição, em uma casa humilde de Jerusalém, conforme está nos Evangelhos. Como Alexandre se calou, por alguns minutos, aproveitei para observar melhor os trabalhos. Surpreso, notei o esforço de vinte entidades muito elevadas que movimentavam o ar do ambiente. Com gestos ritmados, pareciam sacerdotes antigos, em operações magnéticas de purificação interior da sala. Percebendo meu interesse, Alexandre esclareceu: - Não se trata de sacerdotes antigos fazendo gestos. São entidades muito esclarecidas que preparam o ambiente, fazendo a ionização da atmosfera, combinando recursos para efeitos elétricos e magnéticos. Em trabalhos desse tipo, são necessários processos acelerados de materialização e desmaterialização de energia. As entidades manifestantes que se tornam visíveis aos encarnados, quase sempre, são espíritos ainda muito ligados à Crosta e ao plano de sensações, mas os organizadores do trabalho são verdadeiros e competentes técnicos espirituais, com muito conhecimento e responsabilidade. Logo em seguida, algumas entidades em serviço trouxeram pequenos aparelhos, com grande carga elétrica, emitindo raios em todas as direções. Minha curiosidade era imensa. - Estes amigos – explicou Alexandre – estão encarregados de fazer a condensação do oxigênio em toda a casa. O ambiente para a materialização do plano espiritual precisa de elevado teor de ozônio e, além disso, isso é indispensável para que todas as larvas e energias negativas sejam eliminadas. A ozonização relativa do interior do ambiente é necessária como providência bactericida. E, depois de um gesto, acrescentou: - O ectoplasma, ou força nervosa, que será fartamente extraído do médium, não pode ser contaminado por micróbios, sem causar grandes prejuízos. Logo em seguida, reparei, surpreso, o trabaho de várias entidades que vinham de fora, trazendo grande quantidade de material luminoso. - São recursos da natureza – explicou Alexandre – que os trabalhadores do nosso plano recolhem para o serviço. Trata-se de elementos de plantas e das águas, invisíveis para os encarnados, preparados para algumas vibrações. - E serão usados nos trabalhos de hoje? – perguntei. - Sim, - respondeu ele – serão manipulados pelos orientadores. Nesse instante, pessoas informadas da reunião entraram na sala, tomando os lugares de costume. Os encarnados começaram a conversar ligeiramente, comentando trabalhos anteriores. Não passou muito tempo e a jovem médium, delicada e simpática, entrou, acompanhada por várias entidades, destacando-se um amigo muito elevado, que parecia dirigir o grupo. Ele tinha considerável controle sobre a moça, ligado a ela por fios magnéticos muito finos. Percebendo minha curiosidade, Alexandre explicou: - O controlador mediúnico é Alencar, que também foi médico quando encarnado. Calimério é o dirigente geral, encarregado de supervisionar os trabalhos no plano espiritual. Notando meu espanto, comentou: - Alencar é o orientador da médium para as atividades de materialização propriamente ditas. Vamos nos aproximar dele. Muito emocionado, recebi o cumprimento do novo amigo, que nos recepcionou calorosamente: - A presença de vocês será muito útil a nós, – disse ele, olhando Alexandre, em particular – já que precisamos colaboradores para o auxílio magnético à médium. - Estamos à sua disposição – respondeu o instrutor, satisfeito. – Vamos nos juntar aos assistentes. Alencar agradeceu com um gesto de contentamento. Entre os trabalhadores, estava alguém muito querido a Alexandre. Era Verônica, que havia sido excelente enfermeira na Terra e me deixou à vontade, conversando com simpatia. - Alexandre, - disse ela, depois de uma conversa rápida – vamos começar o trabalho magnético. Precisamos acelerar o processo digestivo, para que o corpo da médium funcione sem problemas. Não tive tempo para as perguntas, mas Alexandre me olhou, indicando que deveria continuar minhas observações. Ele, Verônica e mais três assistentes de Alencar colocaram as mãos, em forma de coroa, sobre a testa da jovem, e notei que as energias deles, reunidas, provocavam forte fluxo magnético, projetado sobre o estômago e o fígado da médium, órgãos que acusaram, imediatamente, novo ritmo de funcionamento. As forças emitidas concentraram-se, gradativamente, sobre o plexo solar (1), espalhando-se por todo o sistema nervoso vegetativo e, com surpresa, notei que o processo químico da digestão se acelerava. As glândulas do estômago começaram a segregar pepsina (2) e ácido clorídrico, em maior quantidade, transformando, com rapidez, o bolo alimentar. Admirado, notei a produção elevada de enzimas digestivas (3) e vi que o pâncreas trabalhava ativamente, lançando grande quantidade de tripsina (4) na parte inicial dos intestinos, que pareciam um grande condomínio de bacilos acidificantes (5). Aproveitando a oportunidade, examinei o fígado, que parecia estar sob influenciação especial, como órgão intermediário, não só produzindo bile (6), mas também agindo nos processos nutritivos, relativos à vida dos glóbulos vermelhos. As células hepáticas se esforçavam, com pressa, armazenando recursos ao longo das veias interlobulares (7), que pareciam pequenos canais de luz. Em poucos minutos, o estômago parecia totalmente livre. - Agora – disse Verônica – vamos preparar o sistema nervoso para a liberação de ectoplasma. Notei a mudança dos fluidos magnéticos, diante da nova operação que iniciavam. Os assistentes se separaram e, enquanto Alexandre projetava sua própria energia sobre o cérebro, Verônica e os outros lançavam suas forças sobre todo o sistema nervoso central, cada um encarregando-se de determinada região do nervos cervicais, dorsais, lombares e sacros (8). As energias projetadas sobre a médium promoviam limpeza muito eficiente, pois via, espantando, os resíduos escuros que eram arrancados de seus centros vitais. Sob o fluxo luminoso da mão de Alexandre, o cérebro da jovem ganhava brilho especial, como se fosse espelho cristalino. Todas as glândulas mais importantes faiscavam, como pontos de força, alimentados por elementos sutis. Sob aquela chuva de raios espirituais, a médium exibia o trabalho divino de que era alvo, na intimidade de todas as células físicas, que pareciam recuperar o equilíbrio elétrico. Quando terminaram, Alexandre aproximou-se de mim, dizendo, vendo minha curiosidade: - A médium foi submetida a operações magnéticas destinadas a ajudar seu organismo nos processos de nutrição, circulação, metabolismo e atividades protoplasmáticas (9), a fim de que seu equilíbrio físico seja mantido em qualquer circunstância. Prosseguindo em minhas observações, reparei que Verônica elevava a mão agora sobre a cabeça da jovem, demorando-a nos centros de sensibilidade. - Verônica está aplicando passes magnéticos para preparar o desdobramento necessário. Mas, nesse momento, algo estranho aconteceu entre nós. Percebemos grande perturbação vibratória na sala. Dois companheiros aproximaram-se de Alencar e um deles explicou, assustado: - O senhor P. está chegando em péssimas condições... - O que aconteceu? – perguntou o dirigente, com segurança. - Andou bebendo muito e precisamos isolá-lo. O dirigente fez um gesto de contrariedade e murmurou, a caminho da porta de entrada: - Isso é muito sério! Vamos anular sua influência, sem perda de tempo. Alexandre me chamou para observar o caso mais de perto. Em vista da surpresa que me tomou de repente, explicou: - Nestes fenômenos, André, os aspectos morais são decisivos. Não estamos diante de processos de pouco esforço, e, sim, frente a manifestações sagradas da vida, em que não podemos prescindir dos elementos mais elevados e da sintonia vibratória. Nesse momento, o sr. P. entrava na sala. Com boa aparência, aparentando ótima disposição, não parecia ameaçar o equilíbrio geral, mesmo porque não demonstrava, exteriormente, qualquer sinal de embriaguez. Mas, atendendo às determinações de Alencar, vários trabalhadores cercaram-no rapidamente, como enfermeiros em atendimento de socorro. Sem poder conter meu espanto, perguntei: - Mas o que está acontecendo afinal? Ele me parece tão calmo e normal... - Sim, - disse Alexandre, com bondade – mas parecer não é tudo. Neste estado, sua respiração emite venenos no ar. Em outro grupo poderia ser tratado com mais caridade, mas aqui, considerando as funções especializadas do local, as emanações do álcool, liberadas pelas narinas, boca e poros, são muito prejudiciais ao trabalho. Como vemos, é preciso haver preparação moral para tudo. O vício, em quaquer sentido, deprime, antes de tudo, o próprio viciado, mas perturba também os outros. Lembrei-me da função do álcool no organismo, mas bastou essa lembrança leve para que Alexandre me explicasse, imediatamente: - Você sabe que doses mínimas de álcool intensificam o processo digestivo e ajudam na diurese (10), mas o excesso é um tóxico destruidor. As emanações de álcool de cana ingerido por ele, em altas doses, são muito nocivas aos elementos delicados de formação plástica que serão usados por nós agora, além de constituírem sério perigo ao ectoplasma exteriorizado pela médium. De fato, pouco a pouco era possível sentir, ainda que vagamente, o cheiro característico da fermentação alcoólica. Notei que o sr. P. foi cercado por entidades e neutralizado por elas, como se fosse detrito anulado por abelhas em atividade em plena colméia. E os trabalhos prosseguiram normalmente. Entre as palavras de ânimo dos encarnados mais ou menos confiantes, a médium foi levada a pequena câmara improvisada e, logo depois, fizeram um prece rápida. No entanto, era possível perceber que, como em outras reuniões, os encarnados emitiam pedidos silenciosos, entrando em vibrações mentais de conflito, mais atrapalhando do que ajudando no trabalho da noite, o qual precisava da mais alta harmonia possível. Sob a claridade fraca e suave da luz vermelha que usavam para substituir a lâmpada comum, era possível observar as emissões luminosas do pensamento dos encarnados. Infelizmente não havia, no pequeno grupo, a compreensão do serviço divino que ali se desenrolava. Ninguém pensava no quanto aquele fato era importante para a humanidade, ansiosa pela revelação celeste. Via-se que a reunião era profundamente dominada pelo “eu”. Enquanto uns faziam exigências, outros determinavam que entidades desencarnadas deveriam aparecer materializadas. Procurei controlar minhas expressões de desagrado, já que todos os trabalhadores espirituais mantinham-se calmos, tratando os encarnados com carinho, como se fossem sábios cuidando de crianças muito queridas. Vários trabalhadores espirituais começaram a combinar as radiações magnéticas dos encarnados, a fim de obterem material de composição, enquanto Calimério, projetando forte fluxo de energias sobre a médium, provocava o seu desdobramento, que levou alguns minutos para se completar. Verônica e outras amigas sustentaram a jovem, parcialmente livre do corpo físico, e meio confusa e agitada ao lado do corpo, já em profundo transe. Em seguida, notei que, sob a influência do dirigente, o ectoplasma se exteriorizava, como um fluxo abundante de neblina leitosa espessa. Notando a perturbação vibratória do ambiente, em vista da atitude desequilibrada dos encarnados, Calimério disse a Alencar: - Precisamos eliminar o conflito de vibrações. Nossos amigos ainda não sabem como nos ajudar com emissões mentais em harmonia. É melhor que evitem se concentrar por enquanto. Diga-lhes que cantem. Procure distrair sua atenção deseducada. Mas Alenca, estava muito ocupado, diante de tantas obrigações, e pediu a ajuda de Alexandre, que se colocou à disposição dele imediatamente: - André, - disse ele, sério – vamos improvisar uma garganta de ectoplasma. Não podemos perder tempo. E, percebendo que eu não sabia o que fazer, acrescentou: - Não precisa se preocupar. Basta me ajudar na mentalização dos detalhes anatômicos do aparelho vocal. Estava confuso, mas o instrutor comentou: - O ectoplasma da médium é matéria plástica muito sensível às nossas criações mentais. Logo depois, Alexandre pegou pequena quantidade daquelas emanações leitosas que saíam pela boca, narinas e ouvidos da médium, e, como se tivesse nas mãos uma pequena porção de gesso fluídico, começou a modelá-lo, dando a impressão de estar completamente alheio ao ambiente, pensando, com perfeito controle sobre si mesmo, naquilo que criava naquele momento. Aos poucos, vi formar-se, à minha frente, um delicado aparelho de fala. Na parte mais interna das cartilagens (11), modelados com perfeição no ectoplasma, estavam os fios muito finos das cordas vocais, elásticas e completas na fenda glótica (12), e, em seguida, Alexandre experimentou emitir alguns sons, movimentando as cartilagens aritenóides (13). Sob o comando mental e a ação técnica de Alexandre, havia se formado uma garganta perfeita. Espantado, notei que, pelo pequeno aparelho improvisado, com a ajuda de sons de vozes humanas guardados na sala, nossa voz era totalmente percebida por todos os encarnados presentes. Parecendo satisfeito com o trabalho, Alexandre falou pela garganta artificial, como se utilizasse a garganta de alguém: - Meus amigos, a paz de Jesus esteja com todos! Por favor, ajudem-nos, cantando. Façam música e evitem concentrar-se!... O ambiente se encheu de música e vi que Alencar, depois de ligar-se profundamente à médium, começava a tomar forma, ali mesmo, ao lado dela, apoiada por Calimério e ajudada por vários outros trabalhadores. Aos poucos, usando o ectoplasma exteriorizado e vários outros materiais fluídicos, extraídos do interior da casa, mesclados a outros recursos da natureza, Alencar surgiu aos olhos dos encarnados, perfeitamente materializado. Surpreso, percebi que a médium era o centro de todas as atenções. Cordões muito finos ligavam-na à forma materializada de Alencar e, quando tocávamos de leve nela, o companheiro corporificado demonstrava evidentes sinais de preocupação, acontecendo o mesmo com a jovem médium, quando alguém o tocava. Os gestos de entusiasmo dos encarnados, que tentavam cumprimentar o mensageiro diretamente, refletiam de forma desagradável no organismo da médium. Alencar conversou um pouco, diante dos encarnados encantados. No entanto, não eram as palavras que trocava com os presentes o que mais me impressionava, mas a beleza do fato, a realidade da materialização, dando oportunidade a grandes esperanças no futuro humano, em relação à fé religiosa, à idéia da imortalidade e à ciência engrandecida, a serviço da razão. Alexandre aproximou-se de mim e comentou: - Repare na grandeza do fato. A médium desempenha o papel de mãe, enquanto Alencar, sob a influência de Calimério, permanece temporariamente ligado ao seu organismo físico. Todas as formas materializadas são como “filhas provisórias” do ectoplasma da médium. Alencar está conversando com os encarnados, mas aquilo que o envolve no momento nasceu das energias dela e de Calimério, a mais elevada entidade na reunião. Se perturbarmos a médium aqui no plano espiritual, causaremos desequilíbrio em Alencar materializado. Se os encarnados tocarem o mensageiro, corporificado de repente, agredirão a médium, provocando prejuízos graves imprevisíveis. Impressionado com o fenômeno, perguntei: - Mas o ectoplasma é capacidade apenas de alguns encarnados privilegiados? - Não, - respondeu Alexandre – todos os homens o possuem com maior ou menor intensidade. No entanto, precisamos compreender que não estamos, ainda, em condições de generalizar este tipo de realização. Você sabe que isto exige elevação. O homem não pode abusar do progresso espiritual, como vem fazendo com a evolução material, onde transforma dádivas divinas em forças de destruição e miséria. Neste campo de realizações elevadas com que nos sentimos ligados, André, a ignorância, a vaidade e a má-fé não têm capacidade por si próprias, ficando limitadas às suas próprias fronteiras. Impressionado com o que via, notei que, a um comando de Alencar e com a ajuda de Calimério, mãos e flores se materizalizaram, como mensagens carinhosas ao encarnados presentes. Grande alegria imperava entre todos, com exceção do sr. P. que demonstrava profundo mal-estar, controlado diretamente pelos trabalhadores espirituais que anulavam sua influência nociva. Depois de momentos incríveis de serviço e alegria, com grandes demonstrações de gratidão a Deus, os trabalhos foram encerrados, com todos ajudando para que a médium voltasse perfeitamente ao seu corpo físico. Estava entusiasmado e cheio de esperança. No entanto, tinha que confessar que, para manifestações de serviço como estas, a compreensão dos encarnados era ainda muito limitada, como crianças afoitas, mais interessadas no espetáculo inédito do que no trabalho divino. Francamente, estava decepcionado. Tantos mensageiros espirituais se esforlando por meia dúzia de pessoas que pareciam muito distantes do desejo de servir à causa da Verdade e do Bem?! Expus minha opinião para Alexandre, mas ele respondeu, tranquilo: - E Jesus? Você acha que ele tenha trabalhado só para os galileus que não o compreendiam? Acha que tenha ensinado só no tempo em Jerusalém? Não, André, convença-se de que todos os nossos atos, no bem ou no mal, estão sendo praticados para a humanidade inteira. Por enquanto, nossos companheiros encarnados não nos entendem, nem estão suficientemente crescidos para se entregarem completamente a Jesus, mas o plantio é vivo e germinará na hora certa. Nada se perde. E, sorrindo, concluiu, depois de uma pausa mais longa: - É verdade que você, no mundo, foi médico sempre interessado em ver o resultado de seu trabalho, mas não se esqueça do esforço silencioso dos agrucultores e lembre-se de que as sementes colocadas nos sarcófagos no Egito, há milhares de anos, estão começando a germinar maravilhosamente no solo da Terra. Notas: (1) plexo solar – pexos nervosos são concentrações de terminações nervosas interligadas numa área podal específica. O plexo solar é o emaranhado de terminações nervosas localizado na altura do estômago, ligado ao aparelho digestório. (2) pepsina - enzima secretada pelas glândulas do estômago, inicia a hidrólise das proteínas alimentares e só age no meio ácido, por isso a existência de ácido clorídrico no estômago. É a enzima mais potente do suco gástrico e encarrega-se de digerir preferencialmente o colágeno, que é um importante constituinte do tecido conjuntivo intercelular das carnes. Para que as enzimas digestivas, presentes no intestino delgado, possam atuar nas carnes, é necessário que o colágeno seja digerido em primeiro lugar. No estômago acontece a digestão de dez a vinte por cento do total das proteínas; o restante acontece no intestino delgado. (3) enzimas digestivas – substâncias encarregadas da digestão dos alimentos, encontradas desde a boca, até os intestinos. (4) tripsina – enzima digestiva produzida pelo pâncreas, encarregada de quebrar as proteínas. (5) bacilos acidificantes – bactérias que provocam acidez no aparelho digestório (6) bile – ou bílis, substância produzida pelo fígado e armazenada pela vesícula biliar. É um fluído espesso e amarelado que tem a função de ajudar a digerir alimentos, principalmente as gorduras. Durante a digestão dos alimentos, a bílis é lançada no intestino delgado. Lá, mistura-se com sucos do pâncreas e o ácido do estômago para ajudar a digerir a comida, de forma que esta possa ser absorvida. A vesícula biliar não faz bílis. Só serve como uma área de armazenamento para ela, quando a mesma não está sendo requisitada para digestão. (7) veias interlobulares – veias localizadas entre os lóbulos de um órgão. Aqui André Luiz está falando dos lóbulos do fígado, ou seja, cada um dos lados em que o órgão é, anatomicamente, dividido e das veias que passam entre eles. (8) nervos cervicais, dorsais, lombares e sacros – 31 pares de nervos raquidianos que saem da medula espinhal e se relacionam com os músculos esqueléticos. De acordo com as regiões da coluna vertebral, esses nervos distribuem-se da seguinte forma: oito pares de nervos cervicais (na região do pescoço); doze pares de nervos dorsais (na altura do tórax); cinco pares de nervos lombares (na altura do abdome) e seis pares de nervos sagrados ou sacrais (na altura da bacia). (9) atividades protoplasmáticas – protoplasma (termo em desuso) é a parte mais fluida do citoplasma, que, por sua vez, é tudo o que preenche a célula, com exceção do núcleo. (10) diurese – secreção ou eliminação de urina (11) cartilagem - tecido resistente e flexível, de cor branca ou cinzenta, formado de grandes células inclusas em substância que apresenta tendência à calcificação e à ossificação. Forrma a maior parte do esqueleto provisório do embrião e estabelece modelo pelo qual se desenvolve a maioria dos ossos, constituindo elemento importante do mecanismo de crescimento. (12) fenda glótica - abertura triangular na parte mais estreita da laringe, circunscrita pelas duas pregas vocais inferiores, com cerca de 16 mm de comprimento e abertura máxima de cerca de 12 mm, cujo movimento permite alterar o fluxo de ar para formação do vários sons da fala. (13) cartilagens aritenóides – uma das cartilagens da laringe, responsável pelo controle da respiração e pelo movimento das cordas vocais no processo de fala.