------------------------------------- MISSIONÁRIOS DA LUZ LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 15 FRACASSO Reconhecendo o quanto aprendi no caso de Segismundo, Alexandre, ao se despedir dos construtores, disse ao diretor, com gentileza: - Muito obrigado, Apuleio, pelo que fez por André nos últimos dias. Não esqueceremos o quanto o ajudou. O diretor sorriu, disse-me algumas palavras de incentivo e, quando já ía saindo, Alexandre acrescentou: - Mas ainda precisa aprofundar as lições recebidas. André acompanhou um caso normal de reencarnação, no qual o pai honesto atendeu aos nossos pedidos para que Segismundo pudesse renascer com a serenidade necessária. Acompanhou, de perto, uma mãe dedicada e sensível, e viu o que acontece num lar defendido pela prece e auxiliado pela proteção do plano superior. No entanto, seria interessante que pudesse acompanhar um caso diferente, dos muitos que existem por aí, em que nos deparamos com obstáculos de todo tipo. Assim, poderia conhecer a extensão e a complexidade do nosso trabalho para defender companheiros irresponsáveis, que menosprezam os compromissos assumidos. E, com um gesto de carinho, perguntou: - Será que você não teria, no momento, um caso desses, em que André pudesse colher as lições de que necessita? - Temos, sim, - respondeu Apuleio, atencioso – temos o caso Volpini. E como Alexandre não conhecia o processo citado, continuou: - Logo depois de fazer os preparativos para o caso de Segismundo, recebi outras atribuições do mesmo gênero e, entre elas, está o processo deste companheiro que mencionei. Acreditem!, fizemos tudo o que pudemos para evitar o fracasso do trabalho, mas não creio que teremos sucesso. - Quer dizer, então, - respondeu Alexandre – que a futura mãe não correspondeu às expectativas do plano espiritual... - Isto mesmo – disse o outro. – Quando as dificuldades partem apenas do pai ou da influência de entidades perturbadas, há sempre algo que se possa fazer, mas quando o desequilíbrio parte da própria mãe, é muito difícil oferecer proteção eficiente. Nossa amiga, por duas vezes, provocou o aborto, por mero capricho, e, em breve, cederá à própria irresponsabilidade pela terceira vez, ao que parece. Tentamos de tudo para ajudá-la, mas foi em vão, já que está empolgada pela idéia de aproveitar a vida e acabou por ligar-se a entidades desencarnadas profundamente perturbadas, que provocaram a sua separação do pai da criança, querendo empurrá-la para a busca de emoções mais densas. Enquanto Alexandre ouvia, em silêncio, Apuleio continuou, depois de longa pausa: - Volpini chegou agora ao sétimo mês de gestação do corpo fíisico, mas a próxima noite será decisiva para ele. Já recebi um chamado dos colaboradores que permanecem de plantão, no sentido de evitar certas extravagâncias que a mãe está programando para hoje. No entanto, não creio que ela nos obedeça. O feto não está em condições de suportar novos desequilíbrios e, se a mãe não despertar para a responsabilidade, ainda hoje provocará um terceiro fracasso. Teremos muito prazer em que André nos acompanhe. Alexandre, que, naquele momento, parecia distante, dando a impressão de que não queria fazer qualquer comentário negativo, considerou: - Ele irá com vocês. Muitas vezes, para preservar adequadamente a saúde é preciso conhecer as doenças. Para cultivar o bem, é necessário não ignorar a existência do mal. E logo mais à noite chegávamos, Apuleio, dois companheiros e eu, a uma casa confortável, de aparência requintada. O relógio na parede marcava 20h55m. Seguindo Apuleio, entramos num quarto bem mobiliado, onde estavam três desencarnados de terrível aspecto, os quais, em virtude de seu baixo padrão vibratório, não perceberam a nossa presença. Conversavam, entre si, combinando providências lastimáveis, que não vale a pena comentar aqui. Mas, em determinado ponto da conversa, falaram abertamente do caso de reencarnação: - Não sei – comentou um deles – por que magia o intrometido está resistindo. Na primeira oportunidade, nós o poremos para fora. - Quando isso acontece, – disse outro – é porque existem “mãos de anjo” trabalhando por trás. - Pois que vão para o inferno! – disse o que parecia mais cruel – Vamos ver quem pode mais. Cesarina já está 90% na nossa mão. Faz direitinho o que mandamos. Para que um filho intrometido agora? Precisamos combatê-lo até o fim. - No entanto, - disse o terceiro, que havia ficado calado até ali – há mais de seis meses estamos tentando, em vão, eliminá-lo! - Mas já conseguimos muita coisa; - disse o mais revoltado – não creio que ele vá agüentar por muito tempo. Talvez hoje possamos fazer o resto. Um filho agora nos roubaria a boa companheira. Todas as suas atenções se voltariam para o bebê e o nosso prejuízo seria enorme. Mas, se existem “mãos de anjo” trabalhando, temos “mãos de demônio” para compensar. Já ganhamos duas vezes; por que não ganharíamos agora também? - E, se o filho nascer, – disse um dos outros – com certeza o marido vai voltar. Não vamos conseguir mantê-lo a distância por muito tempo. - Isso, nunca! – respondeu o mais agitado deles, em tom sinistro. Como era diferente aquele quadro do quarto de Raquel, onde pude fazer observações tão lindas sobre a tarefa reencarnacionista! O ambiente não tinha qualquer defesa magnética e não se via o movimento de visitas dos planos superiores, que caracterizou a formação do novo corpo de Segismundo. - Está vendo? – disse Apuleio, sereno – O nosso trabalho nem sempre pode contar com as manifestações de afeto. Muitas vezes, temos que agir sob intensa tempestade de ódio, que anula nossos maiores esforços de colaboração magnética. Este caso é típico. Lembrei que a casa de Adelino recebia, todos os dias, várias visitas do plano espiritual, e perguntei: - A futura mãe não tem nenhum amigo no nosso plano? - Seja como for, - respondeu ele – sempre temos bons amigos nos planos superiores àqueles onde nos encontramos, mas, muitas vezes, nós mesmos nos afastamos deles. Cesarina poderia contar com muitos amigos. No entanto, ela mesma se encarrega de mantê-los a distância. Impressionado, perguntei: - Mas ela não tem um pai, ou uma mãe, que possa ajudá-la do plano espiritual? - Sim, tem um pai que gosta muito dela, – explicou ele – mas sofria demais, sem merecer, pela filha irresponsável e grosseira. Sofreu tanto, que os nossos superiores acharam por bem submetê-lo a um tratamento para esquecê-la, temporariamente, até que possa recuperar essas lembranças e se aproximar, sem tanta angústia e emoção. Aquilo era novidade para mim. Quer dizer, então, que havia recursos para provocar o esquecimento no plano espiritual? Apuleio sorriu e falou: - Não tenha dúvida. Em nosso plano, a frieza e a ingratidão não podem prejudicar o amor puro. Quando os encarnados realmente se mostram impermeáveis ao reconhecimento e à compreensão, nós nos afastamos deles, naturalmente, ainda que nos sejam muito queridos, até que se disponham a conhecer e seguir as leis de Deus, em nossa companhia. Mas quando somos fracos, mesmo que muito amorosos, e não nos sentimos em condições de nos afastar, e se temos merecimento, recebemos, dos nossos superiores, o tratamento magnético para o esquecimento temporário. Nesse momento, Cesarina entrou no quarto, seguida pelos construtores que cuidavam de Volpini, o reencarnante. Enquanto ela se sentava à frente de um grande espelho, começando a se arrumar, os assistentes de Apuleio se aproximaram, cumprimentando-nos. - Infelizmente, - disse um deles ao chefe – a situação é muito grave. É impossível continuar com a nossa assistência. Nossa amiga afunda-se, cada vez mais, nos desequilíbrios. Unindo-se, voluntariamente, a estas entidades perturbadas, entrega-se, agora, a todo tipo de abuso. Seus desvios sexuais, nos últimos dias, têm sido lamentáveis e é absurda a quantidade de álcool que tem ingerido sistematicamente. Com tudo isso, somado às vibrações desequilibradas do plano mental, vemos que é impossível Volpini resistir, apesar dos nossos melhores esforços de socorro. Apuleio ouviu as sérias informações em silêncio e comentou, em seguida: - Já sei o que está programado para esta noite. - Sim, - disse o assistente – pedimos a sua ajuda, porque o feto não agüentará outra noitada. Apuleio convidou-me a examinar a gestante. Ao lado dela estavam as entidades desequilibradas, que não tinham qualquer idéia da nossa presença. Cesarina, com os cuidados excessivos das mulheres exageradamente vaidosas, dava um jeito de esconder a gravidez adiantada, dando a entender que se preparava para uma bela aventura. Concentrei-me no feto, auxiliado por Apuleio, mas não pude esconder o meu espanto. O caso Volpini era muito diferente do processo de reencarnação que acompanhei na casa de Raquel. O embrião físico apresentava manchas violáceas, revelando dilacerações. Pequenos seres, visíveis somente a nós, nadavam no líqüido amniótico, invadindo o cordão umbilical (1) e sugando a maior parte do alimento reservado ao corpo em formação. Toda a placenta (2) era atacada por eles, provocando-me terrível impressão. Pela profunda anormalidade dos órgãos reprodutores, percebi que o aborto não demoraria muito. Apuleio também demonstrava grande preocupação. De repente, interrompeu o exame e falou: - Se a mãe, obcecada pelos prazeres inferiores, não desistir do programa desta noite, o feto será expelido amanhã. Depois de pensar um pouco, falou: - Vou tentar um último recurso. Dirigiu-se a outro cômodo da casa e voltou, em seguida, acompanhado de uma senhora idosa. - Esta – disse ele – é a dona da casa e velha amiga de Cesarina, sensível à nossa influenciação. Vou usá-la para a orientação que a nossa amiga precisa, para que, no futuro, não diga que não recebeu a assistência necessária. Com a bondade que já havia visto, muitas vezes, em diversos superiores do nosso plano, colocou a mão sobre a testa da nova companheira. Esta aproximou-se de Cesarina e, com muito carinho, falou: - Minha amiga, estou preocupada com você... Não saia. Desconfie de certas amizades. Seu estado, Cesarina, é delicado. Por que abusar? Uma festa de aniversário, num bar, não é a melhor opção neste momento. Eu a recebi aqui como se fosse minha filha e preciso cuidar de você. Tenho esperança de que se entenda com seu marido, que, pelo que sei, só se afastou por simples questão de incompatibilidade de gênios. Mas se você mesma não se protege do mal, como resolver o problema? Uma das entidades que perseguiam Cesarina, por invigilância dela mesma, abraçou-a, como se quisesse transmitir-lhe suas estranhas e perigosas vibrações. Notei que os três desencarnados acompanhavam, de perto, a conversa, fazendo gestos de revolta, que não nos cabe comentar. Cesarina, deixando-se envolver pela influência inebriante do mal, riu muito e acrescentou: - Fique tranqüila, Francisca. Não há necessidade de me fazer sermão... Tenho um compromisso hoje e não posso faltar!... - Não concordo, Cesarina, - disse a outra, decidida, sob a inspiração direta de Apuleio – e nem estou fazendo sermão. Quero apenas despertar sua consciência de esposa e mãe. Este homem que a convidou hoje, não merece confiança. Além disso, seu organismo deveria ser poupado. Você não se sente mal por prejudicar o bebê? Não pensa no futuro? E a velha amiga continou a falar, com carinho, enquanto a futura mãe de Volpini se mantinha claramente indiferente e irredutível. A conversa durou duas horas, tempo em que Apuleio usou de toda caridade, lógica e paciência de que dispunha. No entanto, alguém buzinou na porta da casa. Fechando pequeno estojo de perfumes, Cesarina abraçou Francisca, decepcionada, e despediu-se, dizendo: - Boa noite. Depois a gente conversa. Estou sem tempo agora. E o carro saiu a caminho das avenidas. As entidades em desequilíbrio foram nele, mas nós ficamos ali, esperando para saber o que Apuleio diria. Triste, o chefe do grupo olhou para os assistentes e disse: - Podem voltar à nossa colônia para descansar. Não há mais nada a fazer aqui. Todos trabalharam muito bem. E, olhando para mim, acrescentou: - Eu mesmo vou, com André, buscar Volpini, para levá-lo a um local adequado. O ambiente era de muita tristeza, porque, mesmo sendo equilibrados, os espíritos superiores não são insensíveis. Acompanhei Apuleio, durante um bom tempo, entrando, em seguida, numa casa onde o barulho era ensurdecedor. O grande salão estava lotado de homens e mulheres agitados, excitados pela música barulhenta, mas a multidão de desencarnados em desequilíbrio era muito maior, tomada da mesma alucinação. - Fique atento, na defensiva – disse Apuleio. – São poucos os desencarnados sem experiência que conseguem entrar em lugares assim, para serviços de proteção. Não nos cabe descrever as cenas que vimos ali, mas podemos dizer que não tivemos dificuldade em localizar Cesarina em companhia de um homem, em meio a várias taças de bebida, disfarçadas de maneira inteligente. Apuleio aproximou-se dela e retirou Volpini, que estava agarrado, como criança semiconsciente. Em seguida, enquanto eu segurava o ex-reencarnante, aplicou vários passes na região do útero, com muito cuidado. Depois, pegou Volpini novamente e disse, calmo: - Desliguei o reencarnante do útero materno, mas não podia deixar de dar a devida assistência à mãe irresponsável. Ela precisa continuar a experiência terrena, para aproveitar alguma coisa da oportunidade... Saímos e levamos o companheiro desligado, antes da hora, a uma instituição socorrista, mas, depois de fazer tudo o que me era possível, quis ver, como médico, o que aconteceria com a pobre mulher, fracassada em sua missão sagrada. De manhã, logo cedo, voltei à casa de Cesarina, mas, para minha surpresa, ela não estava lá. Logo depois, uma vizinha perguntava a Francisca o que eu queria saber. - Cesarina – explicou ela, preocupada – foi internada hoje, em estado grave. Depois de alguns minutos de conversa, obtive o endereço do hospital e segui para lá, imediatamente, a fim de visitar a mulher que havíamos deixado na festa na noite anterior. Muito impressionado, descobri que Cesarina, em condições muito difíceis, havia dado à luz uma criança morta. Notas: (1) cordão umbilical - é o elemento de ligação entre o feto e a placenta materna. Apresenta uma veia e duas atérias, que garantem a respiração, o transporte de alimentos fornecidos pelo sangue da mãe e o acúmulo de substâncias rejeitadas. (2) placenta – órgão da gestação que permite a troca de substâncias entre o organismo materno e o fetal, através do cordão umbilical. Nos primeiros meses de gestação, produz hormônios (progesterona e estrogênios), além de substâncias de defesa (contra infecções), nutrição, respiração e excreção.