------------------------------------- MISSIONÁRIOS DA LUZ LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 19 PASSES Em todas as reuniões do grupo do qual Alexandre era orientador, várias são as atividades sob a responsabilidade de companheiros desencarnados. Nem sempre pude estudá-las diretamente, mas aproveitei para aprender mais sobre algumas delas com o instrutor. Uma dessas atividades é a de passes, aplicados nas pessoas que freqüentam a casa. O trabalho era orientado por seis entidades, vestidas com túnicas muito brancas, como enfermeiros de plantão. Falavam muito pouco e atuavam bastante. Todas as pessoas que chegavam ao local recebiam sua ajuda e eles, depois de atenderem aos encarnados, davam assistência também às entidades desencarnadas em desequilíbrio, principalmente as que faziam parte da família dos assistidos encarnados. Quando perguntei a Alexandre sobre aquelas atividades, indicando os companheiros que trabalhavam em silêncio, ele explicou: - Aqueles são técnicos em assistência energética, encarregados da aplicação de passes de socorro. Trata-se de um departamento delicado de nossas atividades, que exige muito critério e responsabilidade. - Esses trabalhadores têm algum requisito especial? – perguntei. - Sim, – explicou ele – para esta tarefa, não basta boa vontade, como acontece com outras áreas de nossa atuação. Precisam ter determinadas qualidades mais elevadas e certos conhecimentos especializados. O trabalhador do bem, mesmo desencarnado, não pode dar conta desse tipo de serviço se ainda não consegue manter um padrão mental superior contínuo, condição indispensável à exteriorização de energias. O aplicador de passes, na Terra ou no plano astral, precisa ter grande domínio de si mesmo, equilíbrio espontâneo dos sentimentos, grande amor pelo próximo, alta compreensão da vida, fé intensa e profunda no poder divino. No entanto, é importante ressaltar que, no nosso plano, esses requisitos são obrigatórios, enquanto que no plano físico, muitas vezes, a boa vontade sincera é capaz de suprir alguma deficiência, tendo em vista a colaboração dos orientadores desencarnados. Ouvindo as explicações de Alexandre, lembrei-me que, de fato, uma vez ou outra, víamos os médiuns de passes acompanhados de perto pelas entidades desencarnadas nas reuniões do grupo. Aproveitei, então, a oportunidade para aprender mais. - De maneira geral, – perguntei – os encarnados poderiam atuar na aplicação de passes energéticos? - Todos, em maior ou menor grau, podem ajudar neste sentido, – respondeu Alexandre – uma vez que, surgindo a disposição para o trabalho neste ou naquele trabalhador, os orientadores desencarnados encarregados aproveitam sua boa vontade e intensificam suas forças. Mas são muito raros aqueles que se apresentam para o trabalho espontaneamente. Muitos, apesar de sinceros em suas convicções, esperam pela mediunidade de cura como se ela fosse um milagre em suas vidas, e não uma prestação de serviço, que pede esforço e dedicação no começo. Claro que, quando se trata de encarnados, não podemos exigir deles a ajuda para os nossos trabalhos normais. No entanto, se algum deles vem nos procurar, pedindo para atuar na assistência, é lógico que receberá nossa melhor orientação com relação à espiritualidade. - Mesmo que o trabalhador tenha capacidades limitadas, pode ser aproveitado? – perguntei, curioso. - Sim, claro. – respondeu Alexandre – Se o seu interesse na própria elevação se mantiver firme e acima de qualquer preocupação passageira, ele pode esperar progresso constante das capacidades energéticas, não só pelo próprio esforço, como também pela ajuda dos planos mais elevados, que ele fará por merecer. Não muito longe, os técnicos do nosso plano continuavam em atividade. Via em seu trabalho silencioso um novo mundo de lições que me convidavam a experiências positivas. No entanto, tendo em mente as explicações de Alexandre, considerei a possibilidade de esclarecimento dos encarnados sobre o assunto, e perguntei: - Quando encarnados, envolvidos pelas energias mais densas, como podemos desenvolver as capacidades de doação de energias, depois de conquistada a sincera boa vontade de ajudar o próximo? Alexandre percebeu onde eu queria chegar e respondeu: - Alcançada a qualidade básica, o candidato precisa considerar, com urgência, a própria elevação, para que o seu trabalho progrida no mesmo ritmo. Vamos pensar apenas nas conquistas mais simples e imediatas que deve alcançar dentro de si mesmo. Antes de mais nada, é preciso equilibrar as emoções. Não é possível doar energias a alguém, se elas são sistematicamente desperdiçadas. Um sistema nervoso esgotado, oprimido, é um canal com dificuldades de se recuperar. A mágoa exagerada, a paixão descontrolada, a ansiedade obsessiva, são barreiras que impedem a passagem das energias para assistência. Por outro lado, é preciso lembrar também das necessidades fisiológicas, além dos imperativos de ordem psíquica. É indispensável que o candidato a trabalhador controle a própria alimentação. A comida em excesso causa a eliminação de odores desagradáveis pelos poros(1), bem como pelos pulmões(2) e o estômago(3), prejudicando as capacidades energéticas, uma vez que provoca evacuações anormais e desequilíbrio considerável no aparelho gastrintestinal(4), dentro das próprias células. O álcool e outras substâncias tóxicas causam distúrbios nervosos, alterando certas funções psíquicas e anulando os melhores esforços na transmissão de energias regeneradoras de cura. Alexandre fez uma pausa mais longa, notando o efeito de suas palavras em mim, e concluiu: - Uma vez manifestada a boa vontade sincera, o trabalhador dedicado percebe a necessidade do desenvolvimento das qualidades a que nos referimos, já que, em contato contínuo com os amigos do nosso plano, que se valem dele para a assistência, recebe sugestões indiretas de aperfeiçoamento que o empurram para níveis mais elevados. As observações de Alexandre não podiam ser mais claras. No entanto, ainda me arrisquei a perguntar: - Mas vamos imaginar que surja a necessidade imediata de socorrer alguém encarnado e não possamos prescindir de um colaborador também encarnado. Digamos que não haja ninguém por perto com as qualidades necessárias, mas que exista, ao nosso lado, um companheiro qualquer, com qualidades comuns, que se coloque receptivo às nossas sugestões, mesmo que não perceba todo o desequilíbrio que causa ao seu corpo físico. Seria possível aproveitá-lo? Alexandre sorriu e considerou: - Seria muita exigência. Em todo lugar onde haja merecimento e boa vontade, podemos ofecerer a ajuda espiritual com relativa eficiência. Todos os doentes podem procurar a saúde; todos os desequilibrados, quando querem, voltam ao equilíbrio. Se a prática do bem estivesse restrita aos espíritos completamente bons, seria impossível a elevação humana. Qualquer cota de boa vontade recebe de nós a melhor atenção. Alexandre se calou por alguns minutos e, depois de pensar um pouco, explicou: - Quando nos referimos às qualidades necessárias aos trabalhadores dessa área, não estamos querendo desencorajar ninguém, mas orientar o trabalhador para que a sua tarefa cresça e frutifique no bem. Nesse momento, um dos técnicos aproximou-se de nós pedindo a ajuda de Alexandre para um assunto. Ele atendeu, mas, antes de se afastar de mim, levou-me ao grupo de entidades que se encarregavam dos passes e, apresentando-me ao dirigente, explicou: - Anacleto, nosso companheiro André Luiz, que foi médico em sua última encarnação, gostaria de receber alguns esclarecimentos sobre os serviços que você dirige. Desde já, agradeço tudo o que fizer por ele. O diretor daquele departamento recebeu-me com hospitalidade e, seja porque estava ocupado ou porque não era de falar muito, sem demora me convidou a observar diretamente as atividades sob sua responsabilidade. Com delicadeza, colocou-me ao lado de uma senhora que estava à mesa, não muito longe do orientador da casa. - Vejamos esta irmã, – disse ele, preparando-se para dar a assistência necessária – observe o seu coração(5) e, principalmente, a válvula mitral(6). Fiz exame detalhado da região mencionada e, de fato, descobri a existência de uma nuvem negra muito rala, que cobria grande parte da área indicada, afetando ainda a válvula aorta(7) e lançando fios quase imperceptíveis na direção do nódulo sino-auricular(8). Comentei o que vi com o meu novo amigo, que me respondeu: - Assim como o corpo físico pode ingerir alimentos que o envenenam, também o corpo espiritual pode absorver elementos prejudiciais que corróem os centros de força, o que vai se refletir também nas células físicas. Se a mente da criatura encarnada ainda não tem disciplina nas emoções, se se alimenta de sentimentos que não correspondem à realidade, pode, a qualquer momento, se intoxicar com os pensamentos daqueles com quem convive e que estejam no mesmo estado de desequilíbrio. Às vezes, esse tipo de emanações não tem maiores conseqüências, mas, em muitos casos, pode ocasionar problemas orgânicos graves. Isso acontece especialmente quando o encarnado não se dedica à oração, cuja boa influência pode anular grande parte dos prejuízos. Apontou o coração da companheira e continuou: - Esta amiga, hoje pela manhã, teve sérios atritos com o marido, atingindo grave estado de desarmonia íntima. A pequena nuvem que cerca o seu coração é feita de energias fulminantes. Se esses resíduos continuarem ali, podem causar doença grave. Vamos atendê-la. Sempre sob minha observação, Anacleto mudou de atitude, dando a entender que ía intensificar suas capacidades energéticas, e, em seguida, começou a projeção. Colocou a mão direita sobre o epigástrico(9) da paciente, na zona inferior do esterno(10) e, surpreso, notei que a mão, ali colocada, emitia belos jatos de luz que se dirigiam ao coração da assistida, notando-se que esses jatos eram impulsionados pela vontade consciente do emissor. Atingida por aquelas energias, a nuvem negra, que envolvia a válvula mitral, deslocou-se vagarosamente e, como se fosse atraída pela mente de Anacleto, veio para a superfície, espalhando-se na palma da sua mão. Foi então que Anacleto iniciou o passe propriamente dito, afastando aquela influência prejudicial. Fez contato duplo sobre o epigástrico, erguendo as duas mãos e descendo-as, em seguida, devagar, ao longo do corpo, até os joelhos, repetindo a ligação na região mencionada e os movimentos por algumas vezes. Em pouco tempo, o organismo da assistida funcionava normalmente. Eu estava maravilhado. E como o assunto envolvia questões espirituais importantes, assim que Anacleto terminou, perguntei: - Desculpe-me a pergunta, mas, caso essa companheira não fosse atendida na casa, o que aconteceria? Ficaria entregue à própria sorte? - De alguma maneira, sim. – respondeu Anacleto, sorrindo. – Há verdadeiros exércitos de trabalhadores como nós ajudando criaturas que, movidas por sentimentos nobres, procuram o caminho mais elevado nas várias instituições religiosas. A fé não é manifestação mecânica de confiança. O homem que vive mentalmente, visceralmente a religião que o faz melhor, está em atividade intensa e renovadora, recebendo, assim, a maior ajuda espiritual possível, uma vez que se torna receptivo à assistência dos planos mais elevados, por meio da oração e da fé ativa no poder divino. Anacleto apontou a senhora que se livrava da perigosa influência e explicou: - Nossa amiga está procurando a verdade, cheia de fé sincera. Espírito abatido pelos sofrimentos do mundo e com pouco conhecimento, volta-se para Jesus, como criança carente de carinho materno. Se estivesse rezando numa igreja católica ou num templo budista, receberia a assistência espiritual por intermédio de outro grupo ligado a essas instituições. Aqui, numa casa livre de preconceito e dogmatismo, nossa ajuda pode ser mais eficiente e seu aproveitamento é muito maior. No entanto, é preciso frisar que os trabalhadores espirituais encarregados da assistência energética estão em toda parte, onde houver pedidos feitos com fé, distribuindo auxílio de forma organizada e homogênea. Onde houver sentimento sincero e elevado, ali se abre caminho para a proteção de Deus. A explicação me fez muito bem pela imparcialidade na distribuição dos bens espirituais. No entanto, logo ocorreu-me outra pergunta: - Mas digamos que essa amiga não fosse ligada a qualquer atividade espiritual. Vamos imaginá-la sem fé, sem religião e sem qualquer merecimento pela virtude. Receberia, assim mesmo, a assistência energética dos passes? Anacleto, com a mesma paciência que eu já conhecia em Alexandre, respondeu: - Se fosse alguém de sentimentos bons e nobres, ainda que não tivesse religião, receberia ajuda em suas meditações naturais, embora de menos intensidade, pela sua incapacidade de se colocar receptiva à nossa aplicação. Mas se estivesse totalmente envolvida pelas sombras da ignorância ou da maldade, não seria alcançada pela assistência mais elevada e perderia energias físicas de forma inevitável e agressiva, pela intoxicação mental contínua. Quem se fecha às idéias saudáveis, fugindo à cooperação, acaba recebendo o que merece. Satisfeito com as explicações, percebi que não deveria mais interromper o andamento dos trabalhos apenas para atender minha curiosidade pessoal. Anacleto dirigiu-se a outro setor. Estávamos agora ao lado de um senhor idoso, para quem o instrutor me pediu atenção. Analisei-o com cuidado e, surpreso, notei que o fígado(11) estava profundamente alterado. Outra nuvem, também muito escura, cobria parte do órgão, levando-o a estranhos desequilíbrios. Toda a vesícula biliar(12) era afetada. E via-se nitidamente que as emanações daquela nuvem tóxica chegavam ao duodeno(13) e ao pâncreas(14), alterando o funcionamento da digestão. Depois de alguns minutos de análise, percebi a extrema perturbação que o órgão da bile(15) apresentava. As células hepáticas(16) pareciam envolvidas em vibrações perigosas. Muito espantado, olhei para Anacleto. - Percebeu? – disse ele – Toda perturbação mental leva a graves problemas físicos. Desequilibrar a mente é alterar o funcionamento do corpo físico. Por isso, chamamos qualquer inquietação íntima de desarmonia e as perturbações orgânicas, de enfermidades. Anacleto pôs a mão sobre a testa do companheiro e acrescentou: - Este amigo, de temperamento muito vivo, é uma pessoa de muitos valores nobres. Tem enfrentado muitas lutas em vidas passadas e aprendeu a dominar as coisas e situações de forma notável. Agora, no entanto, está aprendendo a dominar a si mesmo, a levar luz para dentro de si mesmo. Com isso, enfrenta pesados conflitos, já que, com sua personalidade dominadora, é forçado a rever conceitos que considerava sagrados. Nesse esforço, os próprios ensinamentos de Jesus, que adotou como modelo, às vezes o machucam como marteladas. Este homem é sincero e deseja, de fato, transformar-se, mas sofre muito, porque é obrigado a sair do seu personalismo para ir em direção à compreensão coletiva. Em conflitos desse tipo, vem lutando intimamente, desde ontem, para adaptar-se a certas imposições humanas necessárias ao seu aprendizado espiritual e, no grande esforço mental, acabou criando péssimos pensamentos, que emanaram as energias venenosas imediatamente atraídas para o seu órgão físico de choque, o fígado. Mas ele vem se mantendo em prece e facilitará muito o nosso atendimento, pela emanação de energias benéficas. Se não fosse pela prece, que renova suas energias, e pela assistência imediata do nosso plano, poderia ser vítima de doenças fatais. A permanência de energias tóxicas dentro do órgão vital poderia causar a destruição dos glóbulos vermelhos(17), complicando os processos de digestão e perturbando, de forma irreversível, o metabolismo(18) das proteínas(19). Anacleto fez uma pausa mais longa e continuou: - Mas isso não acontecerá. Na luta imensa em que se empenha consigo mesmo, a vontade firme de acertar é a sua âncora de salvação. Continuava tão espantado com as lições, que não me atrevi a fazer qualquer outra pergunta. Anacleto continou de pé e aplicou-lhe um passe longitudinal sobre a cabeça, descendo a mão, devagar, até o fígado, que tocava com a ponta dos dedos luminosos, repetindo o processo por alguns minutos. Surpreso, observei que a nuvem escura ía ficando opaca, desfazendo-se aos poucos, sob o comando de Anacleto. O fígado voltou ao funcionamento normal. Mais alguns minutos e estávamos com uma gestante, em grave estado de fraqueza. Anacleto parou, com respeito. - Aqui, – disse, comovido – temos uma companheira muito necessitada de nossa assistência energética. Sofre de profunda anemia(20). Alimentando-se mal, em função de dificuldades que está enfrentando há bastante tempo, a gravidez tornou-se um processo muito doloroso para ela. O salário do marido é muito baixo e a esposa é obrigada a passar noites sem dormir para ajudá-lo com o sustento da casa. Mas a prece, para ela, não é apenas um refúgio. Além do consolo espontâneo, ela ainda recolhe muitas energias que a sustentam nesta fase difícil. Em seguida, apontou a região do útero(21) e comentou: - Veja as manchas escuras que envolvem o feto. De fato, presas ao saco amniótico(22), havia nuvens cinzentas microscópicas vagando em várias direções. Demonstrando seu conhecimento do assunto, Anacleto continuou: - Se as manchas atravessarem o líquido, causarão problemas graves em toda a zona do epiblasto(23). E o abortamento será inevitável. Muito comovido, observei o quadro daquela mãe em sofrimento, unida ao espírito daquele que seria seu filho. Foi Anacleto que me tirou daquele estado, explicando: - Apesar da fé que a fortalece e dos seus elevados sentimentos, ela, às vezes, não consegue evitar totalmente a tristeza. Há seis dias está aflita e sem esperança. Dentro de alguns dias o marido terá de pagar uma dívida para a qual ainda não tem a quantia necessária. A pobre companheira, no entanto, além de se envolver nos próprios pensamentos destruidores, ainda é forçada a absorver as emanações mentais doentias do marido, que se apóia na coragem e na resignação da mulher. As vibrações tóxicas acumuladas são atraídas para o corpo físico, de forma anormal, e se aglomeram como pequenas nuvens em torno do útero, ameaçando a saúde da mãe e também o desenvolvimento do feto. Chocado com os novos ensinamentos, reparei que Anacleto chamou um dos auxiliares para pedir alguma coisa. Logo depois, com muito cuidado, colocou as mãos sobre a cabeça da assistida, como se quisesse aliviar sua metne. Em seguida, aplicou passes circulares sobre o útero. Vi que as manchas microscópicas se juntavam, transformando-se num único corpo escuro. Sob o comando de Anacleto, a pequena bola fluídica transferiu-se para dentro da bexiga(24). Deixando-me ainda mais admirado, Anacleto, encerrando o passe, esclareceu: - Não convém aplicar mais energias para retirar a massa tóxica de uma vez. Colocada na bexiga, será expelida facilmente, dispensando outros recursos. Foi então que o auxiliar se aproximou de Anacleto, trazendo um jarro que parecia conter essências preciosas. Anacleto o pegou com cuidado e falou: - Agora é preciso dar assistência ao feto. Em função das circunstâncias, a alimentação da mãe tem sido insuficiente. Analeto retirou uma porção de matéria luminosa do vaso e projetou-a sobre as paredes do útero, enriquecendo o sangue destinado a levar oxigênio ao bebê. Vendo minha profunda admiração com a assistência feita, o instrutor comentou: - Não podemos abandonar nossos companheiros encarnados ao sabor das circunstâncias, ainda mais quando procuram ajuda através da prece. A oração eleva o nível mental da criatura confiante, favorecendo a troca entre os dois planos e facilitando a nossa tarefa de assistência. Grandes exércitos de trabalhadores desencarnados se movimentam em toda parte, em nome de Deus. Em vista disso, André, depois da morte, o homem de bem encontrará novas oportunidades de trabalho com que poderá desenvolver o amor e a sabedoria, que já tem em potencial no coração. Em seguida, Anacleto começou a atender um senhor, cujos rins(25) pareciam envolvidos em tecido negro, tamanha era a densidade da matéria mental doentia que os cercava. Aplicou-lhe passes ao longo do corpo, com muito carinho e, depois de terminar, comentou: - Um dia, o homem comum compreenderá a importância do pensamento. Por enquanto, é muito difícil mostrar a ele o poder sublime da mente. Anacleto ía continuar com as explicações, quando um dos auxiliares aproximou-se, pedindo: - Gostaria que nos ajudasse com um caso de “décima vez”. Trata-se daquele nosso conhecido com problemas graves no baço(26). Muito surpreso, acompanhei Anacleto, que se dirigiu para um dos cantos da sala. À nossa frente estava um senhor idoso, que o orientador examinou com atenção. Notei que seu fígado e seu baço apresentavam grande desequilíbrio. - Lastimável! – disse ele, depois de longo exame. - Só podemos aliviá-lo. Depois de dez assistências completas, é preciso deixá-lo entregue a si mesmo, até que decida mudar. E, dirigindo-se ao auxiliar, reforçou: - Você poderá ajudá-lo a melhorar, mas não deve retirar a carga de energias doentias que ele mesmo acumulou para si. Nossa missão é de ajudar os que erram e não de fortalecer os erros. Percebendo meu espanto, Anacleto explicou: - Nosso trabalho também é educativo e não podemos menosprezar a dor que ensina e ajuda a transformar o homem para o bem. Nesta casa, as normas de atendimento nos orientam para analisar as causas antes de eliminar os males alheios. Há pessoas que procuram o sofrimento, a perturbação, o desequilíbrio, e é justo que sejam punidas pelas conseqüências de seus próprios atos. Quando encontramos doentes nessas condições, por dez atendimentos consecutivos nós os ajudamos a se livrarem dos fluidos doentios em que se envolvem por vontade própria. Mas se as dez assistências não são aproveitadas por eles, temos instruções superiores para deixá-los como estão, a fim de que aprendam consigo mesmos. Podemos ajudá-los, mas nunca libertá-los. Depois de rápida pausa e percebendo que eu não tinha a menor intenção de interromper aqueles ensinamentos, Anacleto prosseguiu: - Este homem, apesar de simpatizar com as nossas atividades espirituais, tem um temperamento muito caprichoso. Gosta de discussões freqüentes e apaixonadas e quer ter sempre razão. Não toma cuidado para não se irritar e causa raiva e mágoa nos outros constantemente. Por isso, atrai intensas vibrações negativas. Veio ao nosso grupo em busca de melhora e, há várias semanas, estamos tentando orientá-lo, apelando à sua consciência para a prática de atitudes necessárias ao seu próprio bem-estar. Mas o infeliz não nos ouve. Atrai o ódio dos outros com facilidade impressionante e não percebe a perigosa situação em que está. Freqüenta os nossos trabalhos há mais ou menos três meses e, durante esse tempo, já lhe demos dez assistências completas, retirando as cargas doentias, não só dos pensamentos de angústia e represália que provoca nos outros, como também dos pensamentos cruéis que ele mesmo fabrica para si. Agora temos de interromper a assistência, por algum tempo. Sozinho com a própria experiência, aprenderá novas lições e terá novos valores. Mais tarde, receberá novamente a assistência completa. Aproveitando profundamente as lições, atrevi-me a perguntar: - Qual o limite de tempo estipulado para casos como esse? Anacleto, de forma discreta, contornou a pergunta e respondeu: - Varia de acordo com o caso. Cada causa tem seu respectivo efeito. Anacleto continuou ainda o seu trabalho, enquanto eu me perdia em considerações. Depois da morte física, compreendemos, com mais clareza e intensidade, a função da dor como instrumento para a justiça. Aqueles minutos em que observei os trabalhos de assistência me renovaram os conceitos referentes ao socorro e às correções. Deus ama sempre, mas não perde a oportunidade de ensinar, polir, educar... Foi Alexandre que, aproximando-se, me chamou de volta à realidade. O trabalhos haviam terminado. Despedindo-se de mim com um abraço, Anacleto comentou: - Você é sempre bem-vindo. Volte ao nosso grupo quando quiser. Sua ajuda será um grande estímulo para nós. Não tinha palavras para agradecer tanta generosidade, mas creio que Anacleto notou meu olhar de profundo reconhecimento. E, acompanhando Alexandre de volta à nossa colônia, reconheci que minha compreensão crescia, como se nova fonte de luz nascesse em meu coração. Notas: (1) poros – pequenos orifícios na superfície da pele do homem e de certos animais superiores, correspondentes ao canal excretor das glândulas sudoríparas e sebáceas. (2) pulmões – dois órgãos (direito e esquerdo), situados em duas cavidades laterais do tórax, nos quais se efetua a hematose. Cada um deles é dividido em lobos, os lobos, em alvéolos, e é revestido pela pleura. Principais órgãos da respiração, os pulmões promovem as trocas gasosas, fornecendo oxigênio a todo o corpo e eliminando gás carbônico. Juntamente com o diafragma e os músculos intercostais, os pulmões funcionam como um fole, inspirando e expirando o ar. (3) estômago – vide nota no cap. 3 (4) aparelho gastrintestinal – vide nota no cap. 3 (5) coração – órgão muscular oco, na cavidade torácica, que recebe o sangue das veias e o impulsiona para dentro das artérias. É dividido em duas partes (direito ou venoso, e esquerdo ou arterial) por um septo musculomembranoso, e cada metade contém uma câmara receptora (átrio ou aurícula) e uma câmara ejetora (ventrículo). (6) válvula mitral – o coração humano, como o dos demais mamíferos, apresenta quatro cavidades: duas superiores, denominadas átrios (ou aurículas) e duas inferiores, denominadas ventrículos. O átrio direito comunica-se com o ventrículo direito através da válvula tricúspide. O átrio esquerdo, por sua vez, comunica-se com o ventrículo esquerdo através da válvula bicúspide ou mitral. A função das válvulas cardíacas é garantir que o sangue siga uma única direção, sempre dos átrios para os ventrículos, e não retorne. (7) válvula aorta – ou aórtica – é a válvula que separa o ventrículo esquerdo cardíaco da artéria aorta. Se encontra aberta na sístole cardíaca, permitindo a passagem do sangue do ventrículo para a circulação sistêmica. Quando ocorre o relaxamento do ventrículo, na diástole cardíaca, esta válvula se fecha, impedindo o refluxo do sangue. É composta de um anel de sustentação, que fixa três componentes ou cúspides. De duas cúpides saem as artérias coronárias direita e esquerda. Desta maneira, existem três cúspides, ou seja, cúspide coronariana direita, cúspide coronariana esquerda e cúspide não coronariana. (8) nódulo sino-auricular - o coração bate 65 a 75 vezes por minuto. Este ritmo é controlado, localmente, pelos nódulos. O principal gerador dos impulsos é o nódulo sino-auricular, grupo de células nervosas situado na parte superior da parede da aurícula direita, que envia impulsos eléctricos para as paredes das aurículas e para o nódulo auriculo-ventricular, situado na parede infero-interna da aurícula direita. Por seu turno, este envia sinais elétricos para os ventrículos, através da rede de nervos que forma os feixes de His-Purkinje, distribuídos pelas paredes dos ventrículos. Garante que as aurículas se contraiam antes dos ventrículos. O cérebro controla a velocidade das descargas elétricas emitidas pelo nódulo sino-auricular, que pode acelerar ou retardar a sua velocidade, de acordo com as circunstâncias: repouso, exercício físico, situações de estresse, agressões pelo álcool, nicotina, cafeína e outros estimulantes, ou hormônios como a adrenalina. (9) epigástrico – região da boca do estômago, logo abaixo do fim do osso esterno. (10) esterno – osso geralmente longo e achatado, situado na parte vertebral do tórax dos vertebrados (com exceção dos peixes), e que, no homem, se articula com as primeiras sete costelas e a clavícula, e é composto de três partes: corpo, manúbrio e apêndice xifóide. (11) fígado – vide nota no cap. 3 (12) vesícula biliar – no homem e na maioria dos vertebrados, um órgão muscular oco, cuja função é receber a bile diluída do fígado, concentrá-la e descarregá-la no duodeno. (13) duodeno – vide nota no cap. 3 (14) pâncreas – vide nota no cap. 3 (15) bile – ou bílis – substância amarelo-esverdeada secretada pelo fígado dos vertebrados e que atua no duodeno, auxiliando especialmetne na emulsificação e absorção das gorduras. (16) células hepáticas – células do fígado. (17) glóbulos vermelhos – hemácias ou eritrócitos – células do sangue dos vertebrados, anucleadas no homem e nos demais mamíferos, e que, devido à sua configuração e à presença de hemoglobina, têm como principal função o transporte de oxigênio. (18) metabolismo – conjunto de transformações, num organismo vivo, pelas quais passam as substâncias que o constituem: reações de síntese (anabolismo) e reações de desassimilação (catabolismo) que liberam energia. (19) proteínas - macromoléculas compostas de uma ou mais cadeias polipeptídicas, cada uma possuindo uma seqüência de aminoácidos e peso molecular característicos. Representam uma grande porção da massa dos seres vivos e são necessárias na dieta de animais e organismos que não realizam a fotossíntese. (20) anemia – estado em que o número de hemácias, o teor de hemoglobina e o volume de glóbulos vermelhos do sangue se encontram abaixo do normal, freqüentemente produzindo sintomas como palidez, falta de energia e fadiga. (21) útero – órgão muscular oco do aparelho genital feminino que acolhe o ovo fecundado durante seu desenvolvimento e o expulsa, finda a gestação. (22) saco amniótico – é o envoltório de duas membranas que recobre o embrião e que se forma entre o oitavo e o nono dia depois da fecundação. A membrana interna, chamada âmnio, contém o líquido amniótico e o feto. A membrana externa, chamada córion, contém o âmnio e é parte da placenta. O âmnio é uma fina membrana que envolve e protege o embrião e está cheio de fluido salino chamado liquido amniótico. O âmnio permite os movimentos fetais, oferece proteção contra eventuais golpes e permite que as substâncias de dejeção ingressem na circulação materna para sua excreção. O feto flutua no líquido amniótico que, durante a gestação, aumenta de volume à medida que o feto cresce. O bebê faz circular constantemente este líquido engolindo-o e inalando-o, e devolvendo-o através da exalação e da micção. O líquido amniótico cumpre numerosas funções para o feto, tais como: • Proteger de lesões externas, amortizando golpes ou movimentos bruscos. • Permitir o movimento livre do feto e o desenvolvimento musculoesquelético simétrico. • Manter o feto a uma temperatura relativamente constante. • Permitir o desenvolvimento apropriado dos pulmões. (23) epiblasto – uma das porções do embrião, que aparece perto do 6º dia depois da fecundação, e que dará origem, perto do 18º dia, à primeira estrutura relacionada ao sistema nervoso central do futuro bebê. (24) bexiga – vide nota do cap. 3 (25) rins – vide nota no cap. 3 (26) baço – vide nota no cap. 3