------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 5 RECEBENDO ASSISTÊNCIA - É você o protegido de Clarêncio? A pergunta vinha de um jovem de expressão doce e especial. Com uma grande mala na mão, como quem carregava instrumentos de assistência, olhava pra mim com um sorriso amigável. Quando fiz que sim com a cabeça, ficou à vontade e, como um irmão, afirmou: - Eu sou Lísias, seu irmão. Meu diretor, o assistente Henrique de Luna, me designou para atender você, enquanto precisar de tratamento. - Você é enfermeiro? - perguntei. - Sou visitador dos serviços de saúde. Nessa função, não só ajudo na enfermagem, como também atendo a necessidades de socorro, ou tomo providências para doentes recém-chegados. Notando minha surpresa, explicou: - Há muitos servidores como eu em "Nosso Lar". Você acabou de chegar à colônia e, naturalmente, não conhece o tamanho dos nossos trabalhos. Para ter uma idéia, basta lembrar que só aqui, na seção em que você está, existem mais de mil doentes espirituais, e veja que este é um dos menores edifícios do nosso parque hospitalar. - Tudo isso é maravilhoso! - exclamei. Percebendo que meus comentários iam se transformar em elogios espontâneos, Lísias se levantou da poltrona em que estava sentado e começou a me auscultar atento, não me dando chance de fazer o agradecimento final. - A zona dos seus intestinos apresenta lesões sérias com claros vestígios do câncer; a região do fígado tem dilacerações; a dos rins dá sinais característicos de esgotamento prematuro. Sorrindo, acrescentou com bondade: - Você sabe o que isso quer dizer? - Sim - respondi, - o médico me disse ontem, explicando que devo esses desequilíbrios a mim mesmo... Notando meu acanhamento com a confissão a contragosto, logo me consolou: - Na turma de 80 enfermos a que atendo diariamente, 57 estão nas mesmas condições. E você talvez não saiba que existem aqui os mutilados. Já pensou nisso? Você sabe que o homem descuidado, que usou seus olhos para o mal, vem para cá com as órbitas vazias? Que o malfeitor, interessado em usar sua capacidade de andar para a fuga fácil nos crimes, acaba paralítico, quando não é recolhido sem as pernas? Que os perturbados por desequilíbrios sexuais costumam chegar em estado de extrema loucura? Percebendo minha surpresa natural, continuou: - "Nosso Lar" não é lugar de espíritos propriamente vitoriosos, se tomarmos o significado literal da palavra. Somos felizes porque temos trabalho; e a alegria está presente em cada canto da colônia, porque Deus não nos deixou sem a bênção do serviço. Aproveitando a brecha mais longa, exclamei emocionado: - Continue me esclarecendo, meu amigo. Estou me sentindo mais aliviado e tranquilo. Este não seria um departamento celestial dos eleitos? Lísias sorriu e explicou: - Vamos nos lembrar do antigo ensinamento que fala dos muitos chamados e dos poucos escolhidos na Terra. E deixando o olhar se perder no horizonte distante, como se estivesse procurando a memória de suas próprias experiências mais íntimas, afirmou: - No planeta, as religiões chamam os homens para o banquete celestial. Em sã consciência, ninguém que tenha chegado mais perto da idéia de Deus, pode alegar ignorância sobre esse assunto. É muito grande o número dos chamados, meu amigo; mas onde estão os que atendem ao chamado? Com raras exceções, a humanidade prefere atender a outro tipo de convites. Perde a possibilidade nos desvios do bem, o capricho de cada um se agrava, o corpo físico é aniquilado por golpes de irresponsabilidade. Resultado: milhares de criaturas desencarnam em doloroso estado de perturbação. Multidões enormes perambulam em todas as direções nos planos mais próximos da Terra, como se fossem loucos, doentes e ignorantes. Percebendo minha admiração, me perguntou: - Você, por acaso, acreditaria que a morte do corpo nos levaria a planos de milagres? Somos forçados a trabalho duro, a serviços pesados e isso não basta. Se temos débitos na Terra, por mais alto que subamos, é absolutamente necessário voltar para corrigir, lavando o rosto no suor do mundo, soltando as algemas de ódio e trocando-as por laços sagrados de amor. Não seria justo impor a outra pessoa a tarefa de limpar o campo em que plantamos espinhos com as próprias mãos. Balançando a cabeça, acrescentava: - É esse o caso dos muitos chamados, meu caro. Deus não esquece nenhum homem; pouquíssimos, porém, se lembram dEle. Envergonhado com a lembrança dos meus próprios erros, diante de noções tão grandes de responsabilidade individual, argumentei: - Como fui mal! Mas antes que eu continuasse com outras colocações, o visitante colocou sua mão direita com carinho em minha boca, murmurando: - Chega! Vamos pensar no trabalho a fazer. Quando nosso arrependimento é sincero, é preciso que saibamos falar para construir de novo. Em seguida, deu-me passes magnéticos, com atenção. Fazendo curativos na zona intestinal, explicou: - Você não percebe o tratamento especializado da região cancerosa? Então veja bem: toda medicina praticada com honestidade é serviço de amor, atividade de socorro justo; mas o trabalho de cura é específico de cada espírito. Você será tratado com carinho, vai se sentir forte como nos melhores tempos de juventude do corpo físico, vai trabalhar muito e, acho, será um dos melhores colaboradores em "Nosso Lar"; entretanto, a causa dos seus problemas continuará em você mesmo, até que se livre dos germes que comprometem a saúde divina, que o seu corpo sutil pegou por causa do seu descuido moral e pelo desejo de aproveitar mais que os outros. O corpo físico, onde cometemos abusos, é também o campo bendito onde podemos realizar trabalhos positivos de cura radical, quando permanecemos atentos ao nosso dever justo. Pensei nos conceitos, pesei a bondade divina e, com a sensibilidade à flor da pele, chorei abertamente. Lísias, entretanto, terminou o tratamento do dia, com calma, e disse: - Quando as lágrimas não são fruto da revolta, sempre se transformam em remédio desintoxicante. Chore, meu amigo. Desabafe o coração. E vamos abençoar aquelas benditas estruturas microscópicas que são as células físicas na Terra. Tão humildes e tão preciosas, tão detestadas e tão sublimes pelo espírito de serviço. Sem elas, que nos dão oportunidade para a correção, quantos milênios gastaríamos na ignorância? Assim falando, afagou carinhosamente minha testa e se despediu com um beijo amoroso.