------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 6 PRECIOSO AVISO No dia seguinte, depois da prece do pôr-do-sol, Clarêncio veio me ver em companhia de Lísias. Demonstrando generosidade no rosto, me abraçou e perguntou: - Como vai? Está melhor? Ameacei fazer o gesto dos doentes que se vêem alvo de atenção na Terra, fazendo-me de vítima. No mundo, o carinho fraterno, às vezes, é mal interpretado. Assim, mantendo o antigo vício, comecei a me explicar, enquanto os dois bondosos visitantes se sentavam confortavelmente a meu lado. Clarêncio ouvia com atenção, demonstrando grande interesse por minhas lamentações, sem dar o menor sinal de querer interferir na conversa. Sentindo-me incentivado com essa atitude, continuei: - Além do mais, meus sofrimentos morais são enormes e sem descrição. Com o tormento exterior amenizado pelos cuidados recebidos, volto ao meu sofrimento íntimo. O que terá acontecido com minha esposa e meus filhos? Será que o mais velho conseguiu progredir, conforme eu pretendia? E as meninas? Minha pobre Zélia muitas vezes disse que morreria de saudades se um dia eu lhe faltasse. Esposa maravilhosa! Ainda sinto as lágrimas que derramou nos meus últimos momentos. Não sei desde quando vivo o pesadelo da distância... Várias e demoradas feridas me fizeram perder a noção de tempo. Onde estará minha pobre esposa? Chorando perto dos meus restos mortais ou em algum lugar escuro da vida após a morte? Ai, minha dor é amarga demais! Que destino terrível tem o homem dedicado à família! Creio que poucas pessoas já sofreram tanto quanto eu!... Na Terra, contrariedades, desenganos, doenças, incompreensões e amarguras, abafando raros momentos de alegria; depois os sofrimentos da morte física... Em seguida, as dores da vida após a morte! O que é então a vida? Uma sequência interminável de lágrimas e dores? Não existe lugar para a paz? Por mais que eu queira ser otimista, sinto que a sensação de infelicidade me bloqueia o espírtito, como se fosse uma terrível prisão para o coração. Que triste destino, meu bondoso protetor! A essa altura, a onda de queixas já tinha levado minha mente ao choro farto e solto. Clarêncio, no entanto, levantou-se calmo e falou com serenidade: - Meu amigo, você quer mesmo a cura espiritual? Quando eu disse que sim, ele continuou: - Aprenda, então, a não falar demais de si mesmo, nem fique comentando os próprios problemas. Reclamações demonstram doença mental de cura demorada e difícil. É indispensável criar pensamentos novos e aprender a controlar a boca. Só consequiremos equilíbrio se abrirmos o coração a Deus. Chamar o esforço necessário de obrigação pesada, enxergar sofrimentos onde há luta positiva, é como identificar indesejável cegueira do espírito. Quanto mais você fizer reclamações dolorosas pessoais, mais duros serão os laços que o prendem às lembranças menos felizes. O mesmo Pai que cuida de você, oferecendo-lhe abrigo e cuidado nesta casa, atenderá aos seus parentes terrestres. Devemos considerar nossa família como uma construção sagrada, mas sem esquecer que nossas famílias físicas são partes da nossa família universal, sob a direção de Deus. Estaremos a seu lado para resolver dificuldades que apareçam e fazer planos para o futuro, mas não temos tempo para ficar remoendo lamentações inúteis. Além disso, nesta colônia temos o compromisso de aceitar o trabalho mais duro como bênção de realização, entendendo que Deus transborda amor, enquanto nós vivemos cheios de dívidas. Se você deseja ficar nesta casa de assistência, aprenda a pensar de forma justa. Nesse meio tempo, já havia parado de chorar e, tendo sido chamado à atenção pelo instrutor bondoso, assumi uma outra atitude, embora ainda me sentisse muito envergonhado com a minha fraqueza. - No físico você não buscava - continuou Clarêncio - as vantagens naturais, decorrentes das boas situações? Não gostava de obter recursos lícitos, ansioso por levá-los também aos entes queridos? Não se interessava pelas remunerações justas, pelo conforto, pensando também na família? Aqui o programa não é diferente. O que muda são os detalhes. No mundo material, procuramos as regras sociais e as garantias financeiras; aqui, buscamos o trabalho e as conquistas definitivas do espírito. Dor, para nós, é o mesmo que oportunidade para enriquecer a alma; a luta aqui é o mesmo que caminho para a realização divina. Você entende a diferença? As almas fracas, diante do serviço, deitam-se para se queixar com os que passam. As almas fortes, no entanto, recebem o serviço como bem sagrado, com o qual se preparam para a perfeição. Ninguém condena sua saudade justa, nem pretende secar sua fonte de sentimentos elevados. No entanto, é preciso notar que o choro desesperado não traz nada de bom. Se você ama de verdade a família terrena, é preciso ter bom ânimo para poder ser útil a ela. Uma longa pausa se fez. A palavra de Clarêncio me levava a ter pensamentos mais sadios. Enquanto eu pensava no valor da sábia advertência, meu protetor, como se fosse um pai que esquece as malcriações dos filhos para recomeçar a lição com toda paciência, voltou a me perguntar com um belo sorriso: - E então, como vai? Está melhor? Contente por ter sido desculpado, como se fosse uma criança que quer aprender, respondi satisfeito: - Estou bem melhor, para poder compreender melhor a vontade de Deus.