------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 7 EXPLICAÇÕES DE LÍSIAS Continuei e a receber as visitas regulares de Clarêncio e a atenção de Lísias. À medida que procurava me acostumar com as novas obrigações, sentia meu coração aliviado. As dores e as dificuldades para andar diminuíram. No entanto, percebia que as recordações mais fortes das sensações físicas faziam voltar minha angústia, o medo do desconhecido, a mágoa pela falta de adaptação. Apesar de tudo, sentia mais segurança dentro de mim. Sentia prazer agora em observar os vastos horizontes, debruçado nas janelas espaçosas. O que mais me impressionava eram os aspectos das natureza. Quase tudo me parecia uma cópia melhorada do que havia na Terra. Cores mais harmônicas, substâncias mais delicadas. O solo estava forrado de vegetação. Grandes árvores, pomares fartos e jardins deliciosos. Ao lado do terreno plano onde estava localizada a colônia, havia montanhas iluminadas. Todos os departamentos estavam cultivados com capricho. Não muito longe, viam-se graciosos edifícios, construídos a espaços regulares, com as mais diversas aparências, todos com flores na entrada. Algumas casas encantadoras, cercadas por muros de hera (1), destacavam-se com rosas diferentes desabrochando espalhadas, enfeitando o verde com as mais variadas cores e tonalidades. Aves de penas multicoloridas passavam no céu e, de vez em quando, pousavam em grupo nas torres brancas que se erguiam retas em direção ao céu, como se fossem lírios gigantes. Das janelas largas, observava com curiosidade o movimento do parque. Muito surpreso, percebia animais domésticos entre as grandes árvores enfileiradas ao fundo. Nas minhas lutas interiores, perdia-me em todo tipo de questionamentos. Não conseguia entender a variedade de formas parecidas com as do mundo físico, considerando que estava num plano espiritual. Lísias, o companheiro atencioso de todos os dias, não economizava explicações. Ele dizia que a morte do corpo físico não leva ninguém ao paraíso. Todo processo evolutivo se dá em vários graus. Há muitos planos para os desencarnados, assim como existem vários e surpreendentes planos para as pessoas encarnadas mais desenvolvidas. Almas e sentimentos, formas e coisas, tudo obedece a uma ordem natural de desenvolvimento e hierarquia. No entanto, estava preocupado de estar ali, numa casa de saúde, há muitas semanas, sem receber a visita de algum conhecido do tempo de encarnado. Afinal, eu não havia sido o único dos meus conhecidos a passar pela experiência da morte física. Meus pais tinham vindo antes de mim. Vários amigos também tinham desencarnado antes de mim. Por que, então, não vinham àquele quarto de hospital espiritual, para alegria do meu coração? Seriam suficientes apenas alguns minutos de atenção e companhia. Uma dia não agëntei e perguntei ao visitador atencioso: - Lísias, você acha possível encontrarmos aqui as pessoas que desencarnaram antes de nós? - Por que não? Vc pensa que esqueceram de você? - Penso sim. Por que eles não vêm me visitar? Na Terra sempre pude contar com a dedicação da minha mãe. No entanto, até agora não tive qualquer sinal de vida dela. Meu pai também desencarnou, três anos antes de mim. - Então observe - explicou Lísias - que sua mãe tem ajudado você dia e noite desde a crise que causou sua morte. Quando sua doença piorou e sua morte era já previsível, o interesse de sua mãe se desdobrou. Você talvez ainda não saiba que ficou mais de oito anos seguidos nos planos inferiores. E ela nunca desanimou. Pediu por você em "Nosso Lar" muitas vezes. Pediu a ajuda de Clarêncio, que começou a visitá-lo sempre, até que o médico encarnado que você era, vaidoso, se afastasse um pouco, para que surgisse o filho de Deus dentro de você. Entende? Eu estava com os olhos úmidos. Não sabia há quantos anos estava desencarnado. Quis saber como funcionavam os processos de proteção invisível, mas não consegui. Minha voz estava embargada pelo nó de lágrimas guardadas no coração. - No dia em que você orou com sinceridade, - continuou o enfermeiro - quando conpreendeu que tudo no universo pertence a Deus, seu pranto se transformou. Você não sabe que há chuvas que destroem e chuvas que criam? Com as lágrimas é a mesma coisa. É lógico que Deus não espera pelas nossas preces para nos amar. No entanto, é indispensável que estejamos receptivos para que possamos compreender sua infinita bondade. Um espelho embaçado não reflete a luz. Deus não precisa das nossas penitências, mas você há de concordar comigo que as penitências nos ajudam muito. Entendeu agora? Clarêncio não teve dificuldade em localizá-lo, atendendo aos pedidos de sua mãe terrena, mas você demorou muito para encontrar Clarêncio. E quando sua mãe soube que o filho tinha vencido o orgulho com a ajuda da oração, chorou de alegria, segundo o que me contaram... - E onde está minha mãe? - exclamei. Se me for permitido, gostaria de vê-la, abraçá-la, ajoelhar-me a seus pés! - Não vive aqui em Nosso Lar - explicou Lísias. Está em planos mais altos, onde não trabalha só por você. Vendo minha decepção, acrescentou com carinho: - Ela virá ver você antes do que pensa. Quando alguém quer muito alguma coisa, já está a caminho da concretização. E o seu caso é um bom exemplo disso. Durante anos vc vacilou, alimentando o medo, as tristezas e as desilusões. Mas, quando concentrou-se com firmeza na necessidade de receber a ajuda de Deus, ampliou o padrão vibratório da própria mente e conseguiu visualizar a ajuda. Com os olhos brilhantes e reanimado com as explicações recebidas, disse decidido: - Vou desejar, então, com todas as minhas forças... ela virá... ela virá... Lísias sorriu com inteligência e, como quem avisa com generosidade, disse, quando se despediu: - Só não podemos esquecer que as realizações mais elevadas exigem três requisitos fundamentais: primeiro, desejar. Segundo, saber desejar. E terceiro, merecer o que se deseja. Ou seja, vontade atuante, trabalho persistente e merecimento justo. O enfermeiro saiu pela porta sorrindo, enquanto eu permanecia em silêncio, pensando no tamanho do programa que ele tinha traçado em tão poucas palavras.