------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 13 NO GABINETE DO MINISTRO Sentindo-me cada vez melhor, comecei a ter necessidade de movimento e trabalho. Depois de tantos anos de luta difícil, voltava a me interessar pelas atividades que preenchem o dia útil de todo homem normal no mundo. Claro que havia perdido oportunidades excelentes enquanto encarnado; que muitas falhas marcavam o meu caminho. No entanto, agora me lembrava dos 15 anos de clínica, sentindo um certo vazio no coração. Sentia-me como um forte agricultor em pleno campo, de mãos amarradas e sem poder fazer o próprio trabalho. Cercado de doentes, não podia me aproximar, como fazia em outros tempo, reunindo em mim o amigo, o médico e o pesquisador. Ouvindo gemidos constantes nos apartamentos ao lado, não tinha permissão nem para atuar como enfermeiro ou assistente nos casos de urgência. Claro que não me faltava vontade. Entretanto, minha posição ali era muito humilde para que eu tivesse qualquer atrevimento. Os médicos espirituais tinham uma técnica muito diferente. No mundo físico, sabia que meu direito de interferir começava nos livros conhecidos e nos títulos alcançados; mas, naquele novo ambiente, a medicina começava no coração, exteriorizando-se em amor e cuidado fraterno. Qualquer enfermeiro mais simples em “Nosso Lar”, possuía conhecimentos e possibilidades muito superiores à minha ciência. Portanto, era impossível tomar qualquer iniciativa de trabalho espontâneo sem me intrometer no trabalho dos outros. Angustiado com essas dificuldades, Lísias me parecia a pessoa mais indicada para me abrir com confiança. Quando o questionei, disse: - Por que não pede a ajuda de Clarêncio? Vai atendê-lo com certeza. Peça-lhe conselhos. Ele sempre pergunta de você e fará tudo para ajudá-lo. Fiquei cheio de esperança. Iria consultar o Ministro do Auxílio. No entanto, ao tomar as primeiras providências para a entrevista, fui informado de que o bondoso benfeitor só poderia me atender na manhã seguinte, em seu gabinete particular. Esperei ansioso pelo momento adequado. No dia seguinte, bem cedo, procurei o local informado. No entanto, logo me surpreendi ao ver que outras três pessoas já esperavam Clarêncio na mesma situação! O Ministro do Auxílio havia chegado muito antes de nós e tratava de assuntos mais importantes que visitas e solicitações. Quando terminou o serviço mais urgente, começou a nos chamar de dois em dois. Fiquei muito impressionado com esse processo de entrevista. Depois fiquei sabendo que ele aproveitava esse método para que o que era dito a um interessado pudesse servir também a outro, atendendo assim as necessidades de ordem geral, ganhando tempo e proveito. Depois de vários minutos, chegou a minha vez. Entrei no gabinete com um senhora idosa, que seria ouvida primeiro, por ordem de chegada. O Ministro nos recebeu com simpatia, deixando-nos à vontade para falar. - Nobre Clarêncio, - começou a senhora desconhecida – venho pedir sua ajuda em favor de meus dois filhos. Ah, já não aguento de tanta saudade e estou sabendo que ambos vivem cansados e sobrecarregados de problemas no ambiente físico. Reconheço que a vontade de Deus é justa e amorosa, mas sou mãe!!! Não consigo ficar alheia sem me angustiar. E a pobre senhora começou a chorar muito, ali mesmo. O Ministro, olhando-a com carinho, sem perder o próprio equilíbrio, respondeu com bondade: - Mas, se a irmã reconhece que a vontade de Deus é justa e amorosa, o que quer que eu faça? - Gostaria – respondeu aflita – que me conseguisse recursos para que eu mesma pudesse protegê-los no mundo físico!... - Ah, minha amiga, - disse o Ministro cheio de amor – só com humildade e trabalho é possível que tenhamos condições de proteger outras pessoas assim. O que você diria se um pai terrestre quisesse ficar parado em casa para ajudar os filhos? Deus criou o trabalho e a cooperação como leis que ninguém pode trair sem prejuízo próprio. A sua consciência não lhe diz nada nesse sentido? Quantos bônus-hora (1) você tem para apresentar em favor de seu pedido? Meio sem jeito, a senhora respondeu: - 304. - É triste – explicou Clarêncio – que, depois de seis anos vivendo aqui, tenha dado à colônia apenas 304 horas de trabalho até hoje. Entretanto, assim que se recuperou do que sofreu na região inferior, eu lhe ofereci um bela oportunidade de trabalho na Turma de Vigilância do Ministério da Comunicação... - Mas aquilo era um trabalho insuportável, – falou a senhora – uma luta contínua contra entidades más. É natural que eu não tenha me adaptado. Clarêncio continuou, sem se alterar: - Depois, coloquei-a entre os irmãos da Suportação, nas atividades regeneradoras. - Pior ainda!, – exclamou ela – aqueles apartamentos estão sempre cheios de pessoas imundas. Palavrões, indecências, miséria. - Notando suas dificuldades, – esclareceu o Ministro – enviei-a para ajudar na Enfermagem dos Perturbados. - Mas quem pode com eles, a não ser os santos? – questionou a senhora rebelde – Fiz o possível. No entanto, aquela multidão de almas desviadas assusta qualquer um! - Meus esforços não pararam aí. – respondeu o Ministro sem se perturbar – Coloquei-a nos Gabinetes de Investigações e Pesquisas do Ministério do Esclarecimento. No entanto, acho que cansada das minhas providências, a irmã preferiu instalar-se por conta própria nos Campos do Repouso. - Era impossível ficar ali também. – disse a senhora atrevida – Só encontrei experiências cansativas, fluidos estranhos, chefes ásperos. - Pois, note, minha amiga, - explicou o seguro orientador – que o trabalho e a humildade são as duas margens do caminho da ajuda. Para ajudarmos alguém, precisamos de pessoas que nos ajudem, amigos, protetores e assistentes. Antes de socorrer quem amamos, é indispensável espalhar laços de simpatia. Sem a cooperação é impossível atender eficientemente. O camponês que cultiva a terra, recebe a gratidão de quem come os frutos. O operário que entende os chefes exigentes, cumprindo suas ordens, é quem sustenta o lar em que Deus o colocou. Construindo, o servidor que obedece conquista os superiores, companheiros e interessados no serviço. E ninguém poderá ser útil aos que ama se não souber obedecer e servir de forma positiva. Temos o coração ferido, enfrentamos dificuldades, mas devemos nos lembrar de que o serviço útil pertence a Deus, antes de mais nada. Depois de algum tempo, continuou: - O que vai fazer na Terra então, se ainda não aprendeu a tolerar nada? Não duvido de sua preocupação com os filhos, mas é importante notar que, da forma como está, a irmã seria como mãe paraplégica para eles, incapaz de prestar socorro adequado. Para que qualquer um de nós tenha a alegria de ajudar quem amamos, é preciso contar com a colaboração de muitos a quem nós mesmos tenhamos ajudado. Quem não colabora, não tem colaboração. Isso é da lei de Deus. E se a irmã não acumulou nada para dar, é justo que procure ajuda de outros. Mas, como receber a colaboração indispensável, se ainda não plantou nem a simpatia? Volte ao Campo de Repouso, onde se instalou ultimamente, e pense a respeito. Depois voltamos a analisar o assunto com a atenção que merece. E a mãe aflita se sentou, enxugando o pranto farto. Em seguida, o Ministro me olhou com bondade e falou: - Aproxime-se, meu amigo! E eu me levantei, meio na dúvida, para conversar. (1) Crédito relativo a cada hora de trabalho. (Nota do autor espiritual.)