------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 15 A VISITA MATERNA Atento às recomendações de Clarêncio, procurei recuperar as energias para poder voltar aos estudos. Em outros tempos, eu talvez me ofendesse com colocações aparentemente tão duras, mas, naquelas circunstâncias, lembrava-me de meus erros antigos e me sentia aliviado. Os fluidos físicos causam profunda sonolência ao espírito. Na verdade, só agora eu entendia que a experiência humana nunca deve ser encarada como brincadeira. Hoje eu vejo, com outros olhos, a importância da encarnação na Terra. Levando em conta as oportunidades que perdi, reconhecia não merecer a hospitalidade de “Nosso Lar”. Clarêncio tinha razões de sobra para falar comigo com tanta franqueza. Fiquei muitos dias refletindo sobre a vida. No fundo, tinha muita vontade de rever minha casa terrena. No entanto, não me atrevia a fazer novos pedidos. Os benfeitores do Ministério do Auxílio eram muito generosos para mim e adivinhavam meus pensamentos. Se até aquela altura não haviam me satisfeito esse desejo, é porque não era oportuno. Então ficava calado e resignado, sentindo-me meio triste. Lísias fazia o possível para me alegrar com os seus comentários. Mas eu estava naquela fase de recolhimento profundo, em que o homem é chamado para dentro de si mesmo pela própria consciência. No entanto, um dia o enfermeiro entrou muito alegre em meu apartamento, dizendo: - Adivinhe quem chegou procurando você! Aquele rosto alegre, aqueles olhos brilhantes de Lísias, não me enganavam. - Minha mãe! – respondi, confiante. Com os olhos arregalados de alegria, vi minha mãe entrar de braços abertos. - Meu filho! Venha até aqui, meu querido! Não posso dizer o que aconteceu depois. Senti-me como criança outra vez, como no tempo em que brincava na chuva, com os pés descalços, na areia do jardim. Abracei-a com carinho, chorando de alegria, com os mais elevados sentimentos espirituais. Beijei-a várias vezes, apertei-a nos braços, misturei minhas lágrimas às dela, e não sei quanto tempo ficamos juntos, abraçados. Por fim, foi ela quem nos tirou daquele estado de emoção, dizendo: - Vamos, filho, não se emocione tanto assim! Mesmo a alegria, quando é demais, faz mal ao coração. - E em vez de carregá-la nos braços, como fazia quando encarnado nos seus últimos anos de vida na Terra, foi ela quem me enxugou as lágrimas, levando-me ao sofá. - Você ainda está fraco, filho. Não desperdice energias. Sentei-me ao seu lado e ela, com cuidado, ajeitou minha cabeça cansada em seus joelhos, acariciando-me de leve, trazendo-me conforto com recordações tão doces. Senti-me, então, o homem de mais sorte no universo. Tinha a impressão de que minha esperança estava mais viva do que nunca. A presença de minha mãe representava alívio indescritível para o meu coração. Aqueles minutos me pareciam um sonho de imensa felicidade. Como um menino que se fixa nos detalhes, eu olhava suas roupas, as meias de lã, o xale azul, a cabeça pequena coberta de cabelos brancos, as rugas do rosto, o olhar doce e calmo de todos os dias. Com as mãos trêmulas de alegria, eu acariciava suas mãos queridas, sem conseguir dizer nada. Minha mãe, no entanto, mais forte que eu, falou com serenidade: - Nunca seremos capazes de agradecer a Deus tantas bênçãos. Ele nunca nos esquece, meu filho. Quanto tempo de separação! Mas não pense que eu houvesse me esquecido de você. Às vezes, a providência divina separa os corações temporariamente, para que possamos aprender com o amor de Deus. Percebendo a mesma ternura de outros tempos, senti que minhas feridas íntimas voltavam a doer. Ah, como é difícil livrar-se dos resíduos trazidos da Terra! Como pesam os defeitos acumulados durante séculos! Quantas vezes recebi bons conselhos de Clarêncio e Lísias, para não me lamentar. Mas, com o carinho materno, minhas velhas feridas se reabriram. Do choro de alegria passei às lágrimas de angústia, relembrando, com emoção exagerada, os acontecimentos físicos. Não conseguia perceber que a visita dela não era para satisfazer os meus caprichos e, sim, bênção maravilhosa de Deus. Repetindo antigas manias, pensei erradamente que minha mãe deveria continuar a ser ouvinte de minhas queixas e males sem fim. Na Terra, as mães quase sempre não passam de escravas para os filhos. Muito poucos entendem sua dedicação antes de perdê-las. Com a mesma idéia falsa de outros tempos, me pus a fazer confissões dolorosas sem fim. Minha mãe me ouviu calada, demonstrando enorme tristeza. Olhos úmidos, apertando-me contra o peito de vez em quando, falou com carinho: - Ah, filho, sei de todos os conselhos que Clarêncio lhe deu. Não se queixe. Vamos agradecer a Deus por esta reaproximação. Vamos imaginar que estamos numa escola diferente, onde aprendemos a ser filhos de Deus. Como mãe terrena, nem sempre consegui orientá-lo como deveria. Portanto, eu também trabalho para reajustar meus sentimentos. Suas lágrimas me fazem lembrar da vida na Terra. Alguma coisa tenta me fazer retroceder espiritualmente. Quero dar razão às suas queixas, colocar você num trono, como se fosse a melhor criatura do universo, mas essa atitude não corresponde às novas lições de vida do presente. Esses gestos são perdoáveis quando estamos encarnados. Aqui, no entanto, meu filho, é indispensável atender a Deus, antes de mais nada. Você não é o único homem desencarnado corrigindo os próprios erros, nem eu sou a única mãe que se sente longe dos entes queridos. Assim, o nosso sofrimento não nos eleva pelas lágrimas que derramamos, mas pela oportunidade de luz que nos oferece, a fim de sermos mais compreensivos e mais humanos. Dores e lágrimas são a forma bendita de purificarmos nossos sentimentos. Depois de algum tempo, em que minha consciência me advertia seriamente, minha mãe continuou: - Se podemos aproveitar este tempo juntos com manifestações de amor, por que desperdiçá-lo com lamentações? Vamos nos alegrar, filho, e procuremos trabalhar sem parar. Mude sua atitude mental. Sinto-me aliviada por sua confiança em meu carinho, sinto-me muito feliz com sua ternura de filho, mas não posso retroceder em meu caminho. Daqui por diante, amemo-nos com o mesmo amor com que Deus nos ama. Aquelas palavras iluminadas me despertaram. Tinha a impressão de que fluidos fortes partiam de seu coração, revitalizando o meu próprio. Minha mãe me olhava encantada, com um belo sorriso. Levantei-me e, com respeito, beijei sua testa, sentindo-a mais bela e cheia de amor do que nunca.