------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 16 CONFIDÊNCIAS As palavras de minha mãe me trouxeram consolo, permitindo que eu reorganizasse minhas energias interiores. Ela falava do trabalho como se fosse uma bênção transformando dores e dificuildades em crédito de alegrias e lições elevadas. Aqueles conceitos me alimentavam de uma maneira diferente. Sentia-me outro, mais alegre, animado e feliz. - Ah, mãe, - disse emocionado – deve ser maravilhoso o plano onde você vive. Que lindas imagens espirituais, que sorte! Ela ensaiou um sorriso sugestivo e disse: - Os planos maravilhosos, meu filho, requerem sempre mais trabalho, mais capacidade de renúncia. Não pense que sua mãe fique o tempo todo em visões maravilhosas, longe dos próprios deveres. Não quero dizer que me sinta triste pela situação em que estou. Na verdade, é muito mais consciência da responsabilidade que tenho. Desde que voltei da Terra, tenho trabalhado muito por nossa renovação espiritual. Muitas entidades que desencarnam ficam agarradas ao lar terreno, com a desculpa de amarem muito os que ainda estão encarnados. No entanto, aqui me ensinaram que o verdadeiro amor, para ser realmente benéfico, precisa trabalhar sempre. Por isso, desde minha vinda, procuro me esforçar para conquistar o direito de ajudar àqueles que tanto amamos. - E meu pai? – perguntei – Onde está? Por que não veio com a senhora? Com uma expressão estranha, respondeu: - Ah, seu pai, seu pai... Há 12 anos que está numa zona de muitas trevas no Umbral. Na Terra, sempre pareceu ser fiel às tradições de família e ao fervor dos rituais religiosos, apegado que era ao cavalheirismo de sua alta posição de comerciante, que exerceu até o fim da vida. Mas, no fundo, era fraco e tinha amantes fora de casa. Duas delas estavam mentalmente ligadas a uma rede de entidades perturbadas e, assim que Laerte desencarnou, a passagem pelo Umbral foi muito difícil para ele, porque essas criaturas desorientadas, para quem fez muitas promessas, esperavam por ele ansiosas, prendendo-o de novo nas teias da ilusão. No começo, ele quis reagir, esforçando-se para me encontrar, mas não foi capaz de entender que, após a morte do corpo físico, a alma continua a mesma de quando estava encarnada. Assim, Laerte não percebeu minha presença espiritual, nem a ajuda dedicada de outros amigos nossos. Como gastou muitos anos fingindo, viciou a visão espiritual, limitou o padrão vibratório e o resultado foi que só conseguiu perceber a companhia das relações que cultivou sem pensar, pela mente e pelo coração. Preocupou-se algum tempo com os princípios de família e o amor ao nosso nome. Tentou lutar, repelindo as tentações, mas, no fim, caiu novamente envolvido pela sombra, por ser incapaz de manter bons pensamentos com firmeza. Muito impressionado, perguntei: - E não há maneira de tirá-lo dessa situação de degradação? - Ah, meu filho, - explicou minha mãe – eu o visito sempre. No entanto, ele não me vê. Seu potencial vibratório é muito baixo ainda. Tento atrai-lo para o bom caminho pela inspiração, mas só consigo fazê-lo chorar um pouco de arrependimento, sem conseguir que tenha determinação em seus propósitos. As mulheres infelizes que o mantêm prisioneiro afastam-no da minha influência. Venho trabalhando muito, anos a fio. Pedi a ajuda de amigos em cinco núcleos de atividade espiritual mais elevada, inclusive aqui em “Nosso Lar”. Uma vez, Clarêncio quase conseguiu trazê-lo para o Ministério da Regeneração, mas foi em vão. É impossível acender um lampião sem combustível... Precisamos da adesão mental de Laerte para conseguir erguê-lo e abrir sua visão espiritual. No entanto, o infeliz continua passivo em si mesmo, oscilando entre a indiferença e a revolta. Depois de longa pausa, suspirou e continuou: - Acho que você não sabe ainda que suas irmãs Clara e Priscila também estão no Umbral, agarradas ao plano físico. Sou forçada a atender as necessidades de todos. A única ajuda mais direta e carinhosa que tive foi de sua irmã Luísa, aquela que desencarnou quando você ainda era muito pequeno. Luísa me esperou aqui por muitos anos, foi meu braço forte nos duros trabalhos de amparo à nossa família física. No entanto, a perturbação dos nossos parentes terrenos ainda no plano físico é tão profunda que, recentemente, decidiu reencarnar ela mesma, num gesto de muita coragem e renúncia. Assim, espero que você logo se restabeleça para que juntos possamos desenvolver nossas atividades no bem. Fiquei espantado com as informações a respeito de meu pai. Que espécie de dificuldades ele estaria passando? Não parecia tão sincero quando se comungava todos os domingos? Encantado com a dedicação de minha mãe, perguntei: - Mas a senhora ajuda o papai, mesmo sabendo de suas ligações com essas mulheres detestáveis? - Não fale assim delas. – argumentou minha mãe – Antes de tudo, meu filho, diga nossas irmãs doentes, igorantes ou infelizes. São filhas de Deus também. Não tenho pedido só por Laerte, mas por elas também, e tenho certeza de que já sei como aproximá-los todos de mim. Fiquei surpreso com tanta renúncia. De repente, me lembrei de minha própria família. Senti o velho apego à esposa e aos filhos queridos. Na frente de Clarêncio e Lísias, disfarçava sempre meus sentimentos e minha ansiedade, mas vendo minha mãe ali, não resisti. Percebendo que não tinha muito tempo mais com ela e aproveitando os minutos que me restavam, perguntei: - A senhora, que tem acompanhado papai com tanto interesse, não tem nenhuma informação a respeito de Zélia e as crianças? Aguardo ansiosamente para voltar em casa, para ajudá-los. Ah, eles devem sentir tantas saudades quanto eu! Como deve sofrer minha pobre esposa com esta separação!... Minha mãe ensaiou um sorriso triste e acrescentou: - Tenho visitado meus netos sempre que posso. Estão bem. E, depois de pensar um pouco, acentuou: - No entanto, você não deve se preocupar em ajudar a família. Prepare-se, em primeiro lugar, para que tenhamos sucesso. Há assuntos que precisamos entregar a Deus, em pensamento, antes de trabalhar na solução que eles merecem. Quis insistir para ter mais detalhes, mas ela não voltou ao assunto, desconversanso com delicadeza. A conversa se estendeu ainda por um longo tempo, trazendo-me agradável sensação de conforto. Mais tarde, ela se despediu. Curioso para saber como estava vivendo, pedi permissão para acomnpanhá-la. Ela, então, me afagou com carinho e disse: - Não venha, meu filho. Estão me esperando com urgência no Ministério da Comunicação, onde receberei, nas salas de trasformação, recursos fluídicos para o retorno. Além disso, preciso ainda falar com o Ministro Célio, para agradecer a oportunidade desta visita. E se despediu com um beijo, deixando-me uma profunda sensação de felicidade.