------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 17 NA CASA DE LÍSIAS Logo depois da visita inesperada de minha mãe, Lísias veio me buscar a pedido do Ministro Clarêncio. Surpreso, acompanhei o enfermeiro. Recebido com carinho pelo benfeitor amigo, aguardei suas instruções com muito prazer. - Meu amigo, - disse atencioso – de agora em diante você está autorizado a fazer observações nos diversos setores de nossos serviços, com exceção dos Ministérios superiores. Henrique de Luna lhe deu alta na semana passada e é justo que agora você aproveite o tempo observando e aprendendo. Naquele instante, olhei para Lísias, como o irmão que devia participar de minha grande felicidade. O enfermeiro também me olhou com muita alegria. Eu não cabia em mim de tão contente. Era o começo de uma vida nova. De alguma maneira, poderia trabalhar, entrando para várias escolas diferentes. Clarêncio, que parecia perceber minha emoção, destacou: - Como você não precisa mais ficar aqui no hospital, cuidarei para que seja transferido para alguma de nossas instituições. Lísias, porém, interrompeu-o, dizendo: - Se possível, durante o período de observações, gostaria muito de recebê-lo em nossa casa. Lá, minha mãe o trataria como um filho. Olhei o enfermeiro com imensa alegria. E Clarêncio também aprovou a sugestão com um olhar, murmurando: - Muito bem, Lísias! Jesus se alegra conosco sempre que recebemos um amigo no coração. Abracei o enfermeiro prestativo, sem poder expressar minha gratidão. A alegria às vezes nos deixa sem palavras. - Guarde este documento. – disse-me o atencioso Ministro do Auxílio, entregando-me uma pequena caderneta – Com ele você poderá entrar nos Ministérios da Regeneração, do Auxílio, da Comunicação e do Esclarecimento pelo período de um ano. Depois disso, veremos o que será possível fazer com relação aos seus desejos. Estude, meu caro. Não perca tempo. O intervalo entre as encarnações deve ser bem aproveitado. Lísias me deu o braço e eu saí muito feliz. Depois de alguns minutos, estávamos na porta de uma casa muito bonita, cercada por um jardim colorido. - É aqui. – disse o enfermeiro. E, com carinho, acrescentou: - O nosso lar dentro de “Nosso Lar”. Quando a campainha tocou, uma senhora simpática apareceu à porta. - Mãe! Mãe! ... – gritou Lísias, me apresentando com alegria – Este é o irmão que prometi trazer. - Seja bem vindo, amigo! – disse a senhora. – Esta casa é sua. E me abraçando: - Soube que sua mãe não vive aqui. Nesse caso, serei uma irmã com funções de mãe para você. Não sabia como agradecer tanta hospitalidade. Ía dizer algumas frases para demonstrar minha gratidão, mas a nobre senhora, com muito bom humor, adivinhou meus pensamentos e disse: - Você está proibido de falar em agradecimentos. Não o faça. Eu seria obrigada a me lembrar, de repente, de muitos chavões sociais da Terra... Rimos todos e eu, emocionado, falei: - Que o meu agradecimento venha em forma de bênçãos divinas de alegria e paz. Entramos. O ambiente era simples e acolhedor. Móveis e objetos quase iguais aos da Terra, com pequenas diferenças. Quadros de grande significado espiritual, um piano enorme e, sobre ele, uma grande harpa de linhas delicadas. Percebendo minha curiosidade, Lísias falou com alegria: - Como você vê, depois da morte física você não encontrou os anjos tocando harpas, mas encontrou uma harpa esperando por nós mesmos. - Ah, Lísias, – disse a mãe com carinho – não seja irônico. Você não se lembra de como o Ministério da União Divina recebeu o pessoal da Elevação no ano passado, quando alguns embaixadores da Harmonia estiveram aqui? - Sim, mãe. Eu só quis dizer que os harpistas existem, mas nós precisamos desenvolver a audição espiritual para ouvi-los, fazendo a nossa parte no aprendizado das coisas divinas. Logo depois de contar um pouco da minha história, fiquei sabendo que a família de Lísias havia vivido em uma cidade antiga do Rio de Janeiro, que sua mãe se chamava Laura e que ele ainda tinha em casa duas irmãs, Iolanda e Judite. A atmosfera ali era de carinho e serenidade. Não conseguia disfarçar minha alegria e felicidade. Aquele primeiro contato com um lar na colônia me dava muito prazer. A hospitalidade cheia de ternura emocionava meu espírito. Em virtude de muitas perguntas, Iolanda me mostrou alguns livros maravilhosos. Notando o meu interesse, a dona da casa ressaltou: - Em matéria de literatura, temos em “Nosso Lar” uma grande vantagem: é que os escritores de má fé, aqueles que gostam de destilar veneno psicológico, são levados imediatamente para as zonas obscuras do Umbral. Enquanto insistem nessa atitude mental, não conseguem se equilibrar aqui, nem mesmo no Ministério da Regeneração. Não pude deixar de sorrir ao observar um ábum de lindas fotos. Em seguida, Lísias me chamou para conhecer a casa. Fiquei mais tempo no banheiro, onde as instalações me surpreenderam. Tudo simples, mas confortável. Ainda não tinha me recuperado das surpresas, quando D. Laura nos convidou para a oração. Sentamo-nos em silêncio em torno de uma grande mesa. Ligando um grande aparelho, ouvimos música suave. Era a oração do pôr do Sol. Ao fundo, surgiu a mesma bela imagem da Governadoria, que eu nunca me cansava de ver todas as tarde no hospital. No entanto, naquele momento, senti profunda alegria. E vendo o coração azul desenhado ao longe, senti que me ajoelhava em espírito, cheio de alegria e gratidão.