------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 18 AMOR, ALIMENTO DAS ALMAS Quando a oração terminou, a dona da casa nos convidou para uma sopa e algumas frutas, que mais pareciam concentrados de fluidos deliciosos. Muito surpreso, ouvi D. Laura explicar com graça: - Afinal, nossas refeições aqui são muito mais agradáveis que na Terra. Em “Nosso Lar”, há residências que as dispensam quase por completo, mas nas zonas do Ministério do Auxílio não podemos ficar sem os concentrados fluídicos, tendo em vista os serviços pesados impostos pelas circunstâncias. Gastamos muita energia. É necessário renovar sempre as forças. - Mas isso – disse uma das moças – não quer dizer que somente nós, os funcionários do Auxílio e da Regeneração, dependemos de alimentos. Nenhum Ministério, inclusive o da União Divina, os dispensa. O que muda é o tipo. Na Comunicação e no Esclarecimento há um grande gasto de frutos. Na Elevação, o consumo de sucos e concentrados não é pequeno. E na União Divina, os fenômenos de alimentação chegam a processos incríveis. Meu olhar de dúvida ia de Lísias para D. Laura, ansioso por maiores explicações. Todos achavam graça da minha natural surpresa, mas a mãe de Lísias satisfez minha vontade, explicando: - Você talvez ainda não saiba que o que mais sustenta as criaturas é o amor. De vez em quando, recebemos em “Nosso Lar” grandes comissões de instrutores, que nos trazem orientações relativas à alimentação espiritual. Todo sistema de alimentação, nas várias dimensões, tem o amor como a base mais profunda. O alimento físico propriamente dito, mesmo aqui, é só uma questão de materialidade passageira, como no caso dos veículos terrestres que precisam de graxa e óleo. A alma, em si, nutre-se apenas de amor. Quanto mais nos elevarmos no plano evolutivo da Criação, mais entenderemos esta verdade. Você não concorda que o amor seja o alimento do universo? Essas considerações me davam muito conforto. Percebendo minha satisfação íntima, Lísias comentou: - Tudo se equilibra no amor infinito de Deus e, quanto mais evoluído é o ser, mais sutil o seu processo de alimentação. O verme, no subsolo do planeta, nutre-se essencialmente de terra. O animal maior colhe na planta os elementos do seu sustento, assim como a criança quando mama na mãe. O homem colhe o fruto, transforma-o de acordo com o seu paladar e serve-o em casa para a família. Nós, desencarnados, necessitamos de substâncias suculentas, com uma característica mais fluídica, e, à medida que a criatura evolui, mais delicado se torna o processo. - E não vamos nos esquecer da questão dos veículos – acrescentou D. Laura – porque, no fundo, o verme, o animal, o homem e nós, dependemos completamente do amor. Todos nos movemos nesse amor e sem ele não existiríamos. - É impressionante! – comentei emocionado. - Não se lembra do ensino evangélico do “amai-vos uns aos outros”? – prosseguiu a mãe de Lísias – Essas orientações de Jesus não visavam somente a caridade, com que todos nós aprenderemos, mais cedo ou mais tarde, que a prática do bem é, nada mais, nada menos, que um dever. Ele também nos aconselhava a nos alimentarmos uns aos outros, com fraternidade e simpatia. O homem encarnado um dia saberá que a conversa amiga, o gesto afetuoso, a bondade recíproca, a confiança mútua, a compreensão, o interesse fraterno – bens que se derivam naturalmente do amor maior – são sólidos alimentos para a vida. Quando reencarnados na Terra, sofremos grandes limitações, mas quando voltamos para cá percebemos que toda a estabilidade da alegria é uma questão apenas de alimentação espiritual. Baseados nesses bens, lares, vilas, cidades e nações da Terra são formados. Lembrei-me instintivamente das teorias sobre o sexo, amplamente difundidas no mundo, e D. Laura, talvez adivinhando meus pensamentos, comentou: - E que ninguém diga que é apenas uma questão de sexo. O sexo é uma manifestação sagrada do amor divino universal, mas é também uma expressão isolada do potencial infinito. Entre os casais mais espiritualizados, o carinho e a confiança, a dedicação e o entendimento mútuos ficam muito acima da união física, a qual se torna, para eles, apenas uma realização passageira. A troca magnética é o fator que estabelece o ritmo necessário à manifestação mais equilibrada. Para que a alegria se alimente, basta estarem juntos e, às vezes, apenas que se compreendam. Aproveitando a pausa mais longa, Judite acrescentou: - Em “Nosso Lar” aprendemos que a vida física se equilibra no amor, sem que a maior parte dos homens perceba. Almas gêmeas, almas irmãs, almas afins, são pares e grupos numerosos. Unindo-se umas às outras, amparando-se mutuamente, conseguem equilíbrio na Terra. No entanto, quando o companheiro falta, a criatura mais fraca costuma cair no meio do caminho. - Como você vê, André, - completou Lísias – mesmo nisso é possível relembrar o Evangelho do Cristo: “nem só de pão vive o homem.” Antes que pudéssemos fazer outros comentários, a campainha tocou. O enfermeiro se levantou para atender. Dois rapazes simpáticos entraram na sala. - Estes são – disse Lísias, falando gentilmente – nossos irmãos Polidoro e Estácio, companheiros de serviço no Ministério do Esclarecimento. Cumprimentos, abraços e alegria. Depois de alguns minutos, D. Laura falou sorridente: - Todos vocês trabalharam muito hoje. Aproveitaram bem o dia. Não estraguem o programa amoroso por nossa causa. Não esqueçam do passeio ao Campo da Música. Percebendo a preocupação de Lísias, D. Laura acrescentou: - Pode ir, meu filho. Não deixe Lascínia esperar tanto. André ficará comigo até que possa acompanhar você nesses programas. - Não se incomode comigo. – falei instintivamente. D. Laura ainda acrescentou com um sorriso amável: - Hoje ainda não vou poder participar das atividades do Campo. Minha neta recém desencarnada está em casa se recuperando. Todos saíram muito alegres. A dona da casa, fechando a porta, virou-se para mim e explicou sorrindo: - Vão em busca do alimento de que estávamos falando. Os laços afetivos são mais belos e mais fortes aqui. O amor, André, é o pão divino das almas, o sustento sublime dos corações.