------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 20 NOÇÕES DE LAR Querendo aproveitar o máximo possível da conversa com D. Laura, perguntei curioso: - Mesmo com tanta coisa para fazer, a senhora ainda trabalha fora de casa? - Sim. Vivemos numa cidade de transição, no entanto, os objetivos da colônia são trabalho e aprendizado. Aqui as almas femininas assumem várias obrigações, a fim de se prepararem para reencarnar ou ir para dimensões mais elevadas. - Mas, em “Nosso Lar”, a organização doméstica é igual à da Terra? D. Laura adotou expressão muito significativa e acrescentou: - O lar terrestre é que tenta, há muito tempo, copiar o que temos aqui, mas os cônjuges lá, com raras exceções, ainda estão aprendendo a lidar com os sentimentos, fascinados que estão pela vaidade pessoal e completamente envolvidos pelo ciúme e o egoísmo. Da última vez que desencarnei, naturalmente tinha muitas ilusões. Mas, por coincidência, na mesma época em que sofria com o orgulho ferido, tive a oportunidade de ouvir um grande instrutor no Ministério do Esclarecimento. Desde aquele dia, tenhonovas idéias a respeito do assunto. - A senhora poderia comentar algumas das idéias que aprendeu? – perguntei com interesse. - O orientador, profundo conhecedor de matemática, – continuou ela – disse-nos que o lar é como um ângulo reto nas linhas do plano da evolução divina. A linha vertical é o sentimento feminino voltado para as energias criadoras da vida. A linha horizontal é o sentimento masculino, trabalhando para o progresso de todos. O lar é o encontro sagrado dessas duas linhas, homem e mulher, para o indispensável entendimento. É como um templo onde a união espiritual deveria acontecer antes da união corporal. Hoje em dia, há na Terra muita gente estudando as questões sociais, sugerindo várias medidas e pedindo a regeneração da vida doméstica. Alguns chegam a afirmar que a instituição da família humana está ameaçada. No entanto, o mais importante a considerar é que, na verdade, o lar é uma conquista sublime que os homens vão fazendo aos poucos. Onde podemos ver, no mundo, um lar de verdade, baseado na harmonia, com direitos e deveres igualmente estabelecidos? Na maioria dos casos, os casais terrestres gastam mais tempo com a indiferença ou o egoísmo feroz. Quando o marido está calmo, a mulher parece desesperada. Quando a esposa se acalma com humildade, o marido age como tirano. Nem a esposa tenta ajudar o marido em sua horizontal de tarefas temporárias, nem o marido tenta acompanhá-la em sua vertical de ternura e sentimento, em direção às dimenões mais elevadas. Em sociedade, mantêm as aparências, mas, na intimidade, nem sequer se permitem ouvir um ao outro em suas necessidades. Se a mulher fala dos filhos, o marido pensa nos negócios. Se o marido comenta qualquer problema que tenha no trabalho, a mulher pensa na costureira. É claro que, dessa maneira, o ângulo divino não está bem traçado. Duas linhas divergentes tentam, em vão, formar o ângulo sublime que servirá como degrau na subida evolutiva. Esses conceitos mexiam muito comigo e, muito impressionado, comentei: - D. Laura, esses esclarecimentos levam a um mundo de novas idéias. Ah, se soubéssemos disso enquanto estávamos encarnados!... - Uma questão de experiência, André. – respondeu a senhora – O homem e a mulher aprenderão sofrendo e lutando. Por enquanto, muito poucos sabem que o lar é, em essência, uma instituição divina e que devemos viver nele com todo o coração e a alma. Durante o noivado, as pessoas comuns esforçam-se por mobilizar ao máximo o espírito. E por isso dizemos que toda pessoa fica linda quando está amando. Até o assunto mais banal se torna especial em suas conversas corriqueiras. Nessa fase, homem e mulher estão completamente afinizados em suas energias mais sutis. Mas a maioria, assim que se casa, perde o encanto, deixando-se envolver por emoções menos nobres. Não há concessões mútuas. Não há tolerância e, às vezes, nem fraternidade. E a beleza do amor iluminado se acaba quando os cônjuges deixam de conversar e trocar confidências. Daí em diante, os mais educados respeitam-se e o mais rudes mal se suportam. Não se entendem. Perguntas e respostas são feitas com algumas palavras apenas. Por mais que unam os corpos, as mentes vivem separadas e caminham em direções opostas. - É a mais pura verdade! – falei emocionado. - Mas o que vamos fazer, André? – respondeu a senhora – No atual estágio evolutivo do planeta, raras são as uniões de almas gêmeas, poucos são os casamentos de almas afins e muitas são as ligações de resgate. A maioria dos casais humanos se mantém unida por algemas, como condenados. Tentando voltar ao assunto de minha pergunta inicial, D. Laura continuou: - As almas femininas não podem ficar aqui sem fazer nada. É preciso aprender a ser mãe, esposa, missionária, irmã. A tarefa da mulher no lar não pode se limitar a algumas lágrimas de piedade inútil e a vários anos de submissão. É claro que o desesperado movimento feminista contemporâneo não passa de triste ataque contra as verdadeiras atribuições espirituais da alma feminina. A mulher não pode disputar com o homem em salas e escritórios onde se localizam as atividades reservadas ao espírito masculino. No entanto, nossa colônia ensina que existem muitos serviços importantes fora de casa para as mulheres. A enfermagem, o ensino, as indústrias têxteis, a informação, enfim, os serviços que exigem paciência representam atividades bem importantes. O homem deve aprender a levar para casa a riqueza de suas experiências e a mulher precisa levar a doçura do lar para as tarefas mais frias do homem. Dentro de casa, a inspiração e, fora dela, a atividade. Uma não pode viver sem a outra. Como pode o rio se sustentar sem a nascente? E como pode a água da nascente se espalhar sem o leito do rio? Não pude deixar de sorrir com aquele questionamento. Depois de um longo intervalo, a mãe de Lísias continuou: - Quando o Ministério do Auxílio coloca crianças para viver em minha casa, minhas horas de serviço são contadas em dobro, o que demonstra a importância do serviço maternal no plano físico. Entretanto, quando isso não acontece, dedico-me aos serviços de enfermagem durante o dia, com uma semana de 48 horas de trabalho. Todo mundo trabalha aqui em casa. A não ser por minha neta que está se recuperando, nenhuma pessoa da família fica parada. Trabalhar oito horas diárias pelo bem comum não é difícil para ninguém. Ficaria envergonhada se não fizesse a minha parte.