------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 21 CONTINUANDO A CONVERSA - Esta conversa, D. Laura, - falei com interesse – gera muitas dúvidas e vou acabar parecendo curioso e abusado... - Não diga isso, – respondeu gentil – pergunte sempre. Não tenho condições de ensinar, mas é sempre fácil informar. Rimos dos comentários e perguntei em seguida: - Como a senhora vê o problema da propriedade em “Nosso Lar”? Esta casa, por exemplo, é sua? Ela sorriu e explicou: - Assim como na Terra, a propriedade aqui é relativa. Nossas aquisições são feitas com base em horas de trabalho. O bônus-hora, no fundo, é o nosso dinheiro. Tudo é adquirido com esses cupons, que obtemos com dedicação e esforço próprio. As construções, em geral, são de todos, sob o controle da Governadoria. No entanto, cada família espiritual pode conseguir uma casa (nunca mais de uma), apresentando 30 mil bônus-hora, que podem ser alcançados depois de algum tempo de serviço. Nossa casa foi conquistada pelo trabalho perseverante de meu marido, que veio para o plano espiritual muito antes de mim. Ficamos 18 anos separados pelos laços físicos, mas estivemos sempre unidos pelos laços espirituais. Ricardo não se acomodou. Recolhido em “Nosso Lar”, depois de algum tempo de muitas perturbações, percebeu logo a necessidade de se esforçar para nos dar um lar no futuro. Quando cheguei, inauguramos a casa que ele havia montado com muito carinho, aumentando nossa felicidade. Desde então, tenho aprendido muitas coisas novas com ele. Eu lutei muito depois que fiquei viúva. Como ainda era muito jovem e tinha os filhos pequenos, tive de aceitar serviços difíceis. Com muito esforço, pude passar aos nossos filhos a educação que eu tinha, fazendo com que, logo cedo, se acostumassem a trabalhar. Depois entendi que a vida difícil havia me livrado dos sofrimentos e angústias do Umbral, por ter evitado que eu passasse por perigosas tentações. O trabalho honesto, quando executado com o próprio suor e dedicação, representa importante defesa e meio de elevação para a alma. Reencontrar Ricardo, montar nova casa com afeto, era como o céu para mim. Durante muitos anos seguidos vivemos a vida infinita de alegrias, trabalhando por nossa evolução, unindo-nos cada vez mais e cooperando no progresso efetivo dos nossos familiares. Com o tempo, Lísias, Iolanda e Judite se juntaram a nós, aumentando nossa felicidade. Depois de uma pausa rápida, em que parecia pensar, D. Laura continuou num tom sério: - Mas o mundo nos esperava. Se o presente estava cheio de alegria, o passado nos cobrava, para que o futuro se harmonizasse com a lei universal. Não podíamos pagar à Terra com bônus-hora e, sim, com o nosso próprio esforço honesto. Como agíamos com boa vontade, começamos a ver mais claramente o passado doloroso. A lei do ritmo pedia que voltássemos. Aquelas colocações me impressionavam muito. Era a primeira vez que eu ouvia falar a respeito de vidas passadas na colônia. - D. Laura, - disse, interrompendo-a – posso, por favor, fazer uma colocação? Desculpe minha curiosidade, mas, até agora, ainda não pude saber mais detalhes a respeito de meu passado espiritual. No entanto, não estou livre dos laços físicos? Não passei pela morte física? A senhora lembrou do passado logo depois de chegar aqui ou teve que esperar algum tempo? - Tive que esperar. – respondeu sorridente – Antes de tudo, é preciso que nos livremos das impressões físicas. Os traços de inferioridade são muito fortes. É preciso muito equilíbrio para que possamos aprender com que o recordamos. Em geral, todos nós temos erros graves nas várias encarnações. Quem se lembra do crime que cometeu, costuma se considerar a pior criatura do universo. E quem se lembra do crime de que foi vítima, considera-se o mais infeliz. Portanto, só as almas muito seguras de si recebem esses recursos imediatamente após a morte. As outras têm suas lembranças controladas e, se tentam enganar esse dispositivo da lei, geralmente acabam ficando desequilibradas e perturbadas. - Mas a senhora se lembrou naturalmente do passado? – perguntei. - Deixe-me explicar. – respondeu gentil – Quando minha visão interior se aclarou, as lembranças vagas me causavam muitas perturbações. Coincidentemente, meu marido passava pelos mesmos problemas. Resolvemos, então, consultar o assistente Longobardo. Esse amigo, depois de um exame cuidadoso de nossas impressões, encaminhou-nos aos magnetizadores do Ministério do Esclarecimento. Fomos recebidos com carinho e, em primeiro lugar, tivemos acesso à Seção do Arquivo, onde todos nós temos anotações particulares. Os técnicos nos aconselharam a, durante dois anos, ler nossas próprias memórias relativas ao período de três séculos, sem que prejudicássemos nosso trabalho no Auxílio. O chefe do Serviço de Recordações não permitiu que lêssemos as fases anteriores, explicando que ainda não éramos capazes de suportar as lembranças de outras épocas. - E só com a leitura a senhora recuperou completamente as lembranças? – perguntei curioso. - Não. A leitura apenas informa. Depois de um bom tempo pensando para podermos nos esclarecer, com surpresas indescritíveis, fomos submetidos a algumas operações psíquicas para que pudéssemos recuperar os aspectos emocionais das lembranças. Os técnicos no assunto nos aplicaram passes no cérebro, despertando certas energias adormecidas... Ricardo e eu recuperamos, então, 300 anos de memória integral. Aí entendemos o quanto ainda devíamos ao planeta!... - E onde está nosso irmão Ricardo? Gostaria muito de conhecê-lo!... – disse impressionado. A mãe de Lísias balançou a cabeça e murmurou: - Em vista do que soubemos sobre o passado, combinamos de nos reencontrar na Terra. Temos trabalho, muito trabalho lá. Assim sendo, Ricardo reencarnou há apenas três anos. E eu irei em alguns dias. Estou apenas esperando a chegada de Teresa, para deixá-la aqui com a família. E com o olhar vago, como se o pensamento estivesse muito longe, ao lado da filha ainda encarnada, D. Laura acrescentou: - A mãe de Eloísa não vai demorar. Ficará apenas algumas horas no Umbral, em vista de seus sacrifícios desde muito pequena. Como sofreu muito, não vai precisar passar pela Regeneração. Assim, poderei passar a ela minhas tarefas no Auxílio e partir sossegada. Deus não esquecerá de nós.