------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 22 O BÔNUS-HORA Notando que D. Laura ficou triste de repente ao se lembrar do marido, mudei de assunto, perguntando: - E o bônus-hora? É algum tipo de moeda? D. Laura deixou a postura pensativa em que estava e respondeu atenciosa: - Não é propriamente uma moeda, mas uma ficha de serviço individual, que funciona como valor aquisitivo. - Aquisitivo? – perguntei de repente. - Vou explicar. – respondeu a senhora gentil – Em “Nosso Lar”, a produção de roupas e alimentos básicos é de todos em comum. Há serviços centrais de distribuição na Governadoria e departamentos com igual função nos Ministérios. O estoque fundamental é propriedade de todos. Vendo minha expressão de espanto, acrescentou: - Todos cooperam no crescimento do patrimônio comum e vivem dele. Mas os que trabalham adquirem direitos justos. Todos os habitantes de “Nosso Lar” recebem provisões de comida e roupa para o que é absolutamente necessário. Mas os que se esforçam para ganhar bônus-hora conseguem certas regalias na comunidade. O espírito que ainda não trabalha, poderá viver aqui. No entanto, os que colaboram podem ter casa própria. Quem não trabalha, com certeza terá o que vestir, mas o operário dedicado, sem dúvida, se vestirá como quiser e o melhor que puder, entendeu? Quem não faz nada pode ficar nos campos de repouso ou nos parques de tratamento, a pedido de amigos. Entretanto, as almas que trabalham conquistam bônus-hora e podem viver na companhia de pessoas queridas, nos lugares reservados ao lazer, ou em contato com sábios orientadores nas diversas escolas dos Ministérios em geral. Todos precisamos saber quanto custa cada melhoria e elevação. Cada um dos que trabalham deve dar, no mínimo, oito horas de serviço útil por dia. Como os programas de trabalho são muitos, a Governadoria permite ainda 4 horas extras de trabalhos para os que desejam colaborar com o bem estar comum. Desse modo, há muita gente que consegue receber 72 bônus-hora por semana, sem falar nos serviços sacrificiais, em que a remuneração pode ser duplicada ou triplicada. - Mas esse é o único tipo de remuneração? – perguntei. - Sim, é o padrão de pagamento para todos os colaboradores da colônia, não só na administração, como também na obediência. Pensando nas organizações existentes na Terra, perguntei espantado: - Mas como conciliar esse padrão com o tipo de serviço? O administrador ganhará 8 bônus-hora num dia normal de trabalho e o operário do transporte receberá a mesma coisa? O trabalho do primeiro não seria mais elevado que o do segundo? D. Laura sorriu com a pergunta e explicou: - Tudo é relativo. Se o trabalho é de sacrifício pessoal, seja como chefe ou como subalterno, a quantia é multiplicada de acordo. Mas para analisar com mais atenção a sua pergunta, precisamos, antes de mais nada, esquecer alguns conceitos terrestres. O tipo de serviço é de suma importância, mas é justamente no plano físico que sua solução nos parece mais difícil. A maioria dos encarnados está apenas treinando o espírito de serviço e aprendendo a trabalhar nos vários setores da vida humana. Por isso mesmo, é preciso determinar as remunerações terrestres com mais atenção. Tudo que se ganha no mundo é lucro transitório, passageiro. Vemos muitos trabalhadores obcecados por juntar dinheiro, deixando enormes fortunas para serem esgotadas por criaturas sem consciência. Outros amontoam grandes somas em bancos que só servem para martirizar a si mesmos e arruinar a família. Por outro lado, é indispensável considerar que 70% dos administradores encarnados não se lembram de seus deveres morais e a mesma percentagem de subordinados está na mesma situação. Quase todos vivem dizendo que não têm vocação para a função que exercem, mas continuam a receber o salário correspondente. Governos e empresas pagam a médicos que exploram o interesse dos outros e a operários que matam o tempo. Como é que fica, nesse caso, o tipo de serviço de que você fala? Há técnicos de economia que nunca cumpriram completamente suas obrigações e se aproveitam de leis generosas para conseguir privilégios e regalias em abonos, facilidades e aposentadorias. Mas você pode acreditar que todos pagarão muito caro por essa irresponsabilidade. Parece que está distante o tempo em que os institutos sociais serão capazes de determinar a qualidade de serviço dos homens, porque, para o plano espiritual superior, não se pode falar em tipo de trabalho sem levar em consideração os aspectos morais envolvidos. Esses comentários me chamaram a atenção para novos conceitos. Notando meu interesse em saber mais, D. Laura continuou: - O verdadeiro ganho da criatura é de natureza espiritual. E o bônus-hora, em nossa colônia, tem valor bastante diferente, de acordo com a natureza dos nossos serviços. No Ministério da Regeneração, temos o bônus-hora-regeneração. No Ministério do Esclarecimento, o bônus-hora-esclarecimento. E assim por diante. Para analisar o rendimento espiritual, é justo que a documentação de trabalho demonstre o tipo de serviço. As aquisições fundamentais são em experiência, educação, enriquecimento de bênçãos divinas, maiores possibilidades. Por este ângulo, a frequência e dedicação ao trabalho são quase tudo aqui. Em geral, em nossa cidade de transição, a maioria dos espíritos se prepara para reencarnar. Desse ponto de vista, é natural que a pessoa que dedicou 5 mil horas a serviços regeneradores tenha feito um grande esforço em seu próprio benefício. Aquele que dedicou 6 mil horas ao Ministério do Esclarecimento, será mais sábio. Podemos gastar bônus-horas conquistados, mas o registro individual de tempo de serviço também conta para a obtenção de direito a títulos nobres. Instruções como essas me interessavam muito. - Mas nós podemos gastar bônus-hora a favor de amigos? – perguntei curioso. - Claro que sim. – disse ela. – Podemos repartir as bênçãos que alcançamos com nosso próprio esforço da maneira que acharmos melhor. Isto é direito instransferível de todo trabalhador fiel. Temos milhares de pessoas favorecidas em “Nosso Lar”, graças à amizade e o estímulo fraterno. Nesse momento, a mãe de Lísias sorriu e comentou: - Quanto maior for o tempo de trabalho, maiores serão os pedidos que poderemos fazer pelos outros. É aí que entendemos que não existe nada sem preço e que, para receber alguma coisa, temos antes que dar alguma coisa. Assim, pedir é muito válido na existência de qualquer um. Mas só os que possuem títulos adequados é que podem pedir e oferecer favores, entendeu? - E o problema da herança? – perguntei de repente. - Aqui não temos muitas complicações. – respondeu D. Laura, sorrindo. – Veja o meu caso, por exemplo. Está chegando a hora de voltar ao plano físico. Tenho 3 mil bônus-hora-auxílio nos meus registros pessoais. Não posso deixá-los para minha filha que está para chegar, porque serão revertidos para o patrimônio comum, ficando minha família apenas com o direito de herança a esta casa. No entanto, minha ficha de serviço me dá o direito de ajudá-la, preparando trabalho e orientação de amigos, ao mesmo tempo em que garante para mim a ajuda necessária das organizações da colônia durante o período em que permanecer encarnada. E nesse cálculo, não estou levando em consideração o grande lucro que tive em experiência, durante os anos em que trabalhei no Ministério do Auxílio. Vou voltar à Terra com valores mais elevados e qualidades mais nobres, preparada para o êxito desejado. Ía fazer uma porção de comentários de adminiração, referentes ao processo de remuneração, comparando com os que existem na Terra, quando um burburinho começou a se aproximar da casa. Antes que eu pudesse fazer qualquer comentário, D. Laura foi dizendo satisfeita: - Nossos queridos estão voltando. E já se levantou para atendê-los.