------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 23 SABER OUVIR No fundo, lamentei a interrupação da conversa. As explicações de D. Laura fortaleciam meu coração. Lísias entrou em casa visivelmente contente. - Olá! Não foi dormir ainda? – perguntou sorrindo. E, enquanto os outros se despediam, me fez um convite: - Vamos ao jardim, pois você ainda não viu o luar por aqui. A dona da casa ficou conversando com as filhas, enquanto eu acompanhava Lísias aos canteiros floridos. Era um espetáculo maravilhoso! Acostumado a ficar só dentro do hospital, entre árvores grandes, ainda não sabia como a noite era clara e linda ali nos grandes quarteirões do Ministério do Auxílio. Glicínias de incrível beleza enbelezavam a paisagem. Lírios muito brancos, com um leve tom azulado no centro, pareciam taças de perfume suave. Respirei profundamente, sentindo que ondas de energia nova penetravam meu espírito. Ao longe, as torres da Governadoria apresentavam bonitos efeitos de luz. Estava tão delumbrado que não conseguia dizer nada. Fazendo um esforço para demonstrar a admiração que sentia, falei emocionado: - Nunca senti tanta paz! Que noite!... O companheiro sorriu e disse: - Há um compromisso entre todos os habitantes equilibrados da colônia, no sentido de não se emitirem pensamentos negativos. Dessa forma, o esforço da maioria se transforma em prece quase permanente. É daí que vêm as vibrações de paz que sentimos. Depois de me deliciar admirando a paisagem maravilhosa, como se estivesse bebendo a luz e a calma da noite, voltamos para dentro da casa onde Lísias se dirigiu a um pequeno aparelho que estava na sala, parecido com os nossos aparelhos de rádio. Fiquei muito curioso. O que íamos ouvir? Mensagens da Terra? Como se adivinhasse minhas dúvidas íntimas, ele esclareceu: - Não vamos ouvir pessoas encarnadas. Nossas transmissões se baseiam em vibrações mais sutis que as da Terra. - Mas não existem recursos – perguntei – para recebermos as emissões do planeta? - Claro que temos esses recursos em todos os Ministérios. No entanto, em casa, nos interessamos mais pelas coisas relacionadas à nossa condição atual. A programação dos serviços, as mensagens da espiritualidade superior e os grandes ensinamentos estão muito acima de qualquer notícia da Terra para nós. O comentário era válido, mas, ainda apegado ao lar e à família terrena, perguntei: - Mas é tanto assim? E os parentes que ficaram à distância? Nossos pais, nossos filhos? - Já esperava que você fizesse essa pergunta. No plano físico ficamos viciados em determinadas situações e quase todos nós temos a mania de exagerar os sentimentos. Na Terra, somos sempre muito exclusivistas e, em família, ficamos limitados aos laços de parentesco, esquecendo-nos das nossas outras obrigações. Vivemos alheios aos verdadeiros sentimentos fraternos. Ensinamos a fraterniadade a todo mundo, mas, em geral, na hora “H”, só nos interessamos pelo bem dos nossos próprios parentes. Mas aqui, André, a vida nos apresenta o outro lado da moeda e precisamos curar nossas antigas doenças e acabar com as injustiças. No início da colônia, até onde sabemos, todas as casas tinham alguma ligação com o plano físico. Ninguém suportava ficar sem notícias dos parentes comuns. Do Ministério da Regeneração ao da Elevação, o clima era só de nervosismo. Boatos assustadores perturbavam todas as atividades. Mas, há exatamente dois séculos, um dos Ministros da União Divina forçou a Governadoria a tomar uma atitude. É provável que o ex-Governador fosse tolerante demais. A bondade desviada causa quedas e indisciplina. E, de tempos em tempos, as notícias dos parentes encarnados punham muitas famílias em pânico. Os desastres coletivos do mundo, aqui, transformavam-se em calamidades públicas, quando eram do interesse de alguém na colônia. Segundo nossos arquivos, a cidade parecia mais uma divisão do Umbral do que, propriamente, um lugar de regeneração e aprendizado. Apoiado pela União Divina, o Governador proibiu a comunicação generalizada com o plano físico. Houve luta, mas o Ministro generoso, que implantou a medida, inspirou-se no ensinamento de Jesus que manda os mortos enterrarem seus mortos, e a nova regra se tornou um sucesso em pouco tempo. - Mas – argumentei – seria interessante ter notícias dos nossos parentes encarnados. Isso não nos daria maior paz de espírito? Lísias, que estava perto do rádio sem ligá-lo, interessado em me dar maiores explicaçoes, acrescentou: - Observe a si mesmo, para ver se valeria a pena. Você está preparado, por exemplo, para para manter a calma e a fé, ao saber que um dos seus filhos está sendo injustamente acusado ou acusando injustamente a alguém? E se alguém lhe dissesse agora que um dos seus irmãos de sangue foi preso hoje como criminoso, você seria capaz de se manter tranquilo? Sorri decepcionado. - Não devemos procurar notícias dos planos inferiores, - prosseguiu com gentileza – a não ser para obter resultados positivos e justos. Temos que considerar que nenhuma criatura será capaz de ajudar de forma efetiva se estiver com os pensamentos e os sentimentos desequilibrados. Por isso, é indispensável uma preparação adequada antes de fazermos novos contatos com os parentes terrenos. Se eles fossem capaz de cultivar o amor espiritual, o intercâmbio seria válido. Mas a maioria dos encarnados ainda não alcançou nem o domínio de si mesmo e vive perdida entre os altos e baixos da vida material. Precisamos evitar cair em vibrações inferiores, mesmo com todas as dificuldades sentimentais que enfrentamos. Assim mesmo, confirmando minha teimosia, ainda perguntei: - Mas, Lísias, com alguém querido encarnado, como seu pai, você não gostaria de se comunicar com ele? - È claro que, - respondeu com bondade – quando merecemos essa alegria, nós o visitamos em sua nova vida e ele também nos visita, quando existe necessidade de comunicação entre ele e nós. Mas não devemos esquecer que somos criaturas sujeitas a falhas. Por isso, precisamos pedir a ajuda dos órgãos competentes para que nos digam quando esse contato é oportuno e merecido. Para isso, temos o Ministério da Comunicação. Vale acrescentar que, da esfera superior, é possível alcançar a inferior com mais facilidade. No entanto, existem certas leis que determinam que os que se encontram nas zonas mais baixas sejam compreendidos adequadamente. Saber ouvir é tão importante quanto saber falar. “Nosso Lar” tinha muitas perturbações porque, não sabendo ouvir, não podia ajudar de fato e a colônia se transformava em campo de confusão com muita frequência. Com o forte argumento, senti-me vencido e me calei. E, enquanto continuava em silêncio, Lísias ligou o aparelho.