------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 28 EM SERVIÇO No final da tarde, quando a prece coletiva terminou, Tobias ligou o aparelho para ouvir os Samaritanos que trabalhavam no Umbral. Muito curioso, descobri que aquele tipo de equipe se comunicava com os grupos de suporte em horários convencionais. Sentia-me um pouco cansado por causa do esforço feito, mas o coração transbordava de alegria. Finalmente havia recebido a dádiva do trabalho. E o espírito de serviço proporciona uma força misteriosa. Alguns minutos depois de feito o contato, o pequeno aparelho começou a transmitir a mensagem: - Samaritanos ao Ministério da Regeneração!... Samaritanos ao Ministério da Regeneração!... Muito trabalho nos abismos da sombra. Conseguimos deslocar um grande número de infelizes, retirando 29 companheiros das trevas espirituais. 22 deles apresentam desequilíbrio mental e sete estão em completa apatia psíquica. Nossas equipes estão organizando o transporte... Chegaremos logo depois da meia noite... Pedimos que providenciem... Percebendo que Narcisa e Tobias se olhavam muito espantados, assim que a mensagem terminou não consegui conter a pergunta: - Como assim? Por que esse transporte em massa? Não são todos espíritos? Tobias sorriu e explicou: - Você se esquece que não chegou de outro modo ao Ministério do Auxílio. Sei tudo sobre sua vinda. É preciso lembrar sempre que a Natureza não dá saltos e que, na Terra ou no Umbral, estamos envolvidos em fluidos muito pesados. Tanto o avestruz como a andorinha são aves e têm asas. No entanto, o avestruz só voará se for carregado, enquanto a andorinha corta o céu vasto com grande agilidade. E dando a entender que a hora não era para conversas, disse a Narcisa: - A leva desta noite é muito grande. Precisamos tomar providências imediatas. - Vamos precisar de muitos leitos! – disse a colaboradora com tristeza. - Não se preocupe – respondeu Tobias. – Colocaremos os perturbados no Pavilhão 7 e os enfraquecidos na Câmara 33. Em seguida, colocou a mão na testa, como se pensasse em algo muito sério, e falou: - A questão da hospitalidade é fácil de resolver. O problema maior será com a assistência. Nossos auxiliares mais fortes foram chamados para ajudar nos serviços da Comunicação na Terra, tendo em vista as nuvens escuras que envolvem os encarnados no momento. Precisamos de pessoal de serviço noturno, já que os colaboradores que estão com os Samaritamos chegarão muito cansados. Tobias me olhou com profunda simpatia e gratidão, dando-me grande alegria interior. - Está mesmo decidido a ficar nas Câmaras esta noite? – perguntou admirado. - Não há outras pessoas que ficam? – perguntei. – Estou forte e bem disposto, preciso recuperar o tempo perdido. O amigo generoso me abraçou e disse: - Então aceito confiante sua ajuda. Narcisa e os outros companheiros também ficarão de prontidão. Além disso, vou mandar Venâncio e Salústio, dois companheiros da minha confiança. Não posso ficar aqui de plantão à noite, por causa de outros compromissos já agendados. No entanto, caso seja necessário, você ou algum colega poderá me avisar sobre qualquer coisa mais grave. Vou fazer o planejamento das atividades, procurando facilitar o mais possível o trabalho. E surgiu uma lista enorme de providências. Enquanto cinco companheiros ajudavam Narcisa com as roupas e o material de enfermagem, eu e Tobias ajeitávamos alguns materiais no Pavilhão 7 e na Câmara 33. Não saberia explicar o que estava acontecendo comigo. Apesar do cansaço dos braços, sentia enorme alegria no coração. Nos lugares onde a maioria das pessoas procura trabalho, entendendo seu valor, servir representa uma grande alegria. Para ser sincero, não pensava na compensação dos bônus-hora ou nas recompensas imediatas que pudesse receber pelo esforço. Entretanto, minha satisfação era profunda, sentindo que poderia olhar feliz e honrado para minha mãe e os amigos que havia encontrado no Ministério do Auxílio. Ao se despedir, Tobias abraçou-me novamente e falou: - Desejo a vocês muita paz de Jesus, boa noite e serviço útil. Amanhã, às 8h, você poderá descansar. O máximo permitido de trabalho por dia é 12h, mas estamos em circunstâncias especiais. Respondi que as orientações me davam muita alegria. Sozinho com o grande grupo de enfermeiros, passei a atender os doentes com mais carinho. Dos auxiliares presentes, Narcisa foi a que mais me impressionou, atendendo a todos com carinho de mãe. Atraído por sua bondade, tentei me aproximar com interesse. Não foi difícil conseguir a atenção de sua conversa carinhosa e simples. A velhinha amável parecia um livro sublime de bondade e sabedoria. - Você trabalha aqui há muito tempo? – perguntei. - Sim, estou em serviço ativo nas Câmaras de Retificação há seis anos e alguns meses. No entanto, ainda me faltam mais três anos para realizar meus desejos. Percebendo minha expressão de curiosidade, Narcisa falou amavelmente: - Preciso de uma permissão muito séria. - O que você quer dizer com isso? – perguntei interessado. - Preciso encontrar alguns espíritos amados na Terra, para serviços de elevação em conjunto. Em função de meus erros do passado, por muito tempo pedi em vão a concretização dos meus propósitos. Vivia perturbada, aflita. Aconselharam-me, então, a pedir a ajuda da Ministra Veneranda e essa benfeitora da Regeneração prometeu me atender no Ministério do Auxílio, mas exigiu dez anos seguidos de trabalho aqui, para que eu possa corrigir certos desequilíbrios do sentimento. Num primeiro momento, quis recusar, achando que a exigência era exagerada. Depois, reconheci que ela tinha razão. Afinal, o conselho era para o meu próprio bem. E ganhei muito aceitando sua sugestão. Sinto-me mais equilibrada e humana e acho que conseguirei viver minha futura encarnação com dignidade espiritual. Ía demonstrar solidariedade, mas um dos doentes mais próximos gritou: - Narcisa! Narcisa! Não tinha o direito de prender, por mera curiosidade, aquela que era como uma mãe espiritual para os sofredores.