------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 33 OBSERVAÇÕES CURIOSAS Um pouco antes da meia noite, Narcisa permitiu que eu fosse ao grande portão das Câmaras. Os Samaritanos já deviam estar por perto. Era imprescindível ver quando chegassem para tomar as providências necessárias. Que emoção ao voltar ao caminho arborizado! Num ponto, alguns troncos lembravam os carvalhos antigos da Terra. Mais adiante, folhas lindas lembravam a acácia e o pinheiro. Aquele ar perfumado parecia uma bênção. Nas Câmaras, apesar das grandes janelas, não tinha essa sensação de bem estar. Fui caminhando em silêncio, por baixo das árvores. Ventos frescos agitavam as folhas devagar, trazendo-me tranquilidade. Como estava sozinho, comecei a pensar no que já havia me acontecido desde a primeira vez que encontrei com o Ministro Clarêncio. Onde ficava, de fato, a ilusão? Na Terra ou naquela colônia espiritual? O que teria acontecido com Zélia e o meus filhos? Por que me davam tantos esclarecimentos sobre a vida e evitavam falar do meu lar? Até minha mãe havia me aconselhado ficar em silêncio, evitando saber mais detalhes. Tudo indicava que eu precisava esquecer os problemas materiais, para poder me recuperar, mas, observando melhor meus sentimentos mais íntimos, ainda sentia muita saudade da família. Queria muito ver a esposa e os filhos novamente. Que armadilha do destino havia nos separado assim, como se eu fosse um náufrago em praia desconhecida? Ao mesmo tempo em que pensava nisso, outras idéias mais saudáveis me traziam conforto. Eu não era um náufrago abandonado. E mesmo que fosse, a culpa pelo naufrágio seria somente minha. Agora que aprendia a trabalhar de forma intensa e construtiva em “Nosso Lar”, estava espantado com o tempo que havia perdido com banalidades na Terra. Na verdade, havia amado muito minha esposa e, sem dúvida, havia cuidado dos filhos com muito carinho. Mas, consultando a consciência de marido e pai com sinceridade, percebia que não havia deixado nada de sólido e útil no espírito dos meus familiares. E só agora me dava conta disso. Quem passa pela vida sem plantar nada não pode querer colher depois para matar a fome. Esses pensamentos se instalavam no meu cérebro com força irritante. Ao desencarnar, encontrei incompreensão. E o que será que aconteceu com a esposa viúva e os filhos órfãos, sem a estabilidade de antes? A pergunta era inútil. O vento calmo parecia falar de coisas nobres, como se quisese despertar minha mente para idéias mais elevadas. As dúvidas íntimas me torturavam, mas procurei me concentrar nas novas obrigações e me aproximei do portão, tentando ver alguma coisa mais ao longe. Tudo era luar e serenidade, céu sublime e beleza silenciosa! Observando admirado a paisagem, fiquei algum tempo em prece. Momentos depois, vi, ao longe, dois vultos enormes que me impressionaram muito. Pareciam dois homens feitos de matéria desconhecida, semiluminosa. Tinham filamentos estranhos presos aos pés e aos braços. E, da cabeça, saía outro fio ainda maior. Tive a impressão de ver dois fantasmas de verdade e não aguentei. Com os cabelos em pé, voltei correndo para dentro. Agitado e assustado, contei a Narcisa o que havia visto, notando que ela mal conseguia conter o riso. - Ora essa, André, - disse bem humorada, quando terminei – não reconheceu aquelas figuras? Profundamente decepcionado, não consegui responder nada, mas Narcisa continuou: - Eu também tive a mesma surpresa em outra ocasião. Aqueles são nossos irmãos encarnados. Trata-se de espíritos fortes, que vivem na Terra em missão, e podem, como iniciados na sabedoria universal, sair do corpo físico, transitando livremente em nossos planos. Os filamentos e fios que você viu são particularidades que os diferenciam de nós, desencarnados. Por isso, não tenha medo. Os encarnados que conseguem vir até aqui são criaturas profundamente espiritualizadas, apesar de estarem em situação obscura e humilde na Terra. E, animando-me com bondade, acentuou: - Vamos até lá. Já passa da meia noite e meia. Os Samaritanos não devem demorar. Satisfeito, voltei com ela para ao grande portão. Ainda podíamos ver, à distância, os dois vultos que se afastavam de “Nosso Lar”, tranquilamente. A enfermeira olhou-os, fez um gesto de admiração e disse: - Estão envolvidos em luz azul. Devem ser dois mensageiros muito elevados no plano físico, em tarefa que não sabemos. Ficamos ali algum tempo ainda, parados, olhando os campos em silêncio. Em determinado momento, a enfermeira indicou um ponto escuro no céu enluarado, e comentou: - Lá vêm eles! Reconheci a caravana que vinha em nossa direção, sob a claridade suave do céu. De repente, ouvi, de longe, o latido de cães. - O que é isso? – perguntei, espantado. - Os cães – disse Narcisa – são grandes auxiliares nas regiões escuras do Umbral, onde não há somente homens desencarnados, mas verdadeiros monstros, que não convém comentar agora. A enfermeira logo chamou os ajudantes, enviando um deles para dentro para dar alguns avisos. Olhei com atenção o grupo estranho que se aproximava devagar. Seis grandes carros, com os cães alegres e barulhentos à frente, eram puxados por animais que, mesmo de longe, me pareceram iguais às mulas da Terra. Mas o mais interessante era os grandes bandos de aves, de corpo grande, que voavam bem acima dos carros, fazendo ruídos estranhos. Na hora, perguntei a Narcisa: - Onde está o aeróbus? Não seria possível usá-lo no Umbral? Como ela disse que não, perguntei por quê. Sempre atenciosa, ela explicou: - Questão de densidade da matéria. É mais ou menos como a água e o ar. O avião que atravessa o ar do planeta não pode fazer o mesmo no mar. Poderíamos construir máquinas como submarinos, mas, por compaixão pelos que sofrem, os planos superiores preferem usar aparelhos intermediários. Além disso, em muitos casos, não podemos dispensar a colaboração dos animais. - Como assim? – perguntei com surpresa. - Os cães facilitam o trabalho, as mulas carregam as cargas pacientemente e fornecem calor quando necessário, e as aves, – acrescentou, apontado-as – que chamamos de ibis viajores, são ótimos auxiliares dos Samaritanos, porque devoram as formas mentais pesadas, lutando abertamente com as trevas do Umbral. A caravana estava mais próxima agora. Narcisa olhou-me com bondade e concluiu: - Mas a hora não é para detalhes. Depois você poderá ter mais informações sobre os animais no Ministério do Esclarecimento, onde estão os parques de estudo e experimentação. E, distribuindo serviço a todos, preparava-se para receber novos doentes espirituais.