------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 36 O SONHO Os serviços continuavam sem parar. Doentes precisando de cuidados, perturbados pedindo atenção. Quando anoiteceu, já estava familiarizado com o mecanismo dos passes e aplicava-os a todo tipo de necessitado. Pela manhã, Tobias voltou às Câmaras e, mais por generosidade do que outra coisa, disse-me algumas palavras de incentivo. - Muito bem, André! – exclamou, contente. – Vou recomendá-lo ao Ministro Genésio e, pelos primeiros serviços, você receberá bônus em dobro. Estava tentando agradecer, quando D. Laura e Lísias chegaram e me abraçaram. - Estamos muito contentes. – disse a senhora, sorrindo. – Acompanhei você por toda a noite e posso dizer que seu primeiro dia de trabalho é motivo de muita alegria lá em casa. Fiz questão de dar a notícia ao Ministro Clarêncio e ele me pediu que o cumprimentasse em nome dele. Fizeram alguns comentários com Tobias e Narcisa e me pediram que contasse como havia me sentido. Eu estava muito feliz. Mas minhas grandes alegrias tiveram que ficar para depois. Apesar de a mãe de Lísias me pedir para voltar para casa para descansar, Tobias colocou um apartamento ao lado das Câmaras à minha disposição. Estava mesmo precisando descansar. Narcisa cuidou da cama para mim. Já deitado no quarto espaçoso e arejado, fiz uma prece a Deus, agradecendo a oportunidade de ter sido útil. O “cansaço sadio”, de quem cumpriu o seu dever, não me deixou perder tempo acordado. Logo depois, senti uma grande leveza e tive a sensação de ser levado por um barco pequeno, a um lugar desconhecido. Onde estava indo? Não sei. A meu lado havia um homem quieto que segurava o leme. E, como uma criança que não é capaz de descrever o que vê pelo caminho, continuei viagem sem dizer nada, admirado com a beleza da paisagem. Tinha a impressão de que o barco ía muito rápido, apesar de estar subindo. Depois de alguns minutos, estava em frente a um porto maravilhoso, onde alguém me chamou com carinho especial: - André! André! Desci do barco feito criança apressada. Era capaz de reconhecer aquela voz em meio a milhares de outras. Em seguida, abraçava minha mãe todo contente. Ela me levou a um lindo bosque, onde as flores tinham uma característica diferente: eram capazes de reter a luz, proporcionando uma festa permanente de cor e perfume. Tapetes dourados e luminosos se estendiam sob as grandes árvores, que faziam um ruído suave, agitadas pelo vento. A sensação de paz e felicidade era indescritível. O sonho não era exatamente como acontece na Terra. Eu sabia que havia deixado o corpo mais denso no apartamento das Câmaras de Retificação, em “Nosso Lar”, e tinha total consciência de que me movimentava num outro plano. Tinha perfeita noção de tempo e espaço, mas as emoções eram cada vez mais intensas. Depois de me cumprimentar e dizer várias palavras de incentivo, minha mãe explicou com bondade: - Pedi muito a Jesus que me permitisse a alegria de estar com você no seu primeiro dia de serviço útil. Como você vê, meu filho, o trabalho é um tônico divino para o coração. Muitos dos nossos companheiros, depois de desencarnarem, adotam atitudes negativas, esperando milagres que nunca vêm. Com isso, suas capacidades ficam reduzidas a simples parasitismo. Alguns dizem que estão desanimados pela solidão. Outros dizem que não se sentem bem no ambiente a que foram chamados a trabalhar. É indispensável, André, oferecer todas as oportunidades da vida a Deus. Nos planos inferiores, meu filho, o prato de sopa para quem tem fome, o remédio para os doentes, o gesto de amor para os desiludidos, são serviços divinos que nunca serão esquecidos por Deus. Do mesmo modo, aqui, o olhar de compreensão para os culpados, a promessa evangélica para os desesperados, a esperança para os aflitos, são bênçãos de trabalho espiritual, que Deus observa e registra a nosso favor... O rosto de minha mãe estava mais belo do que nunca. Seus olhos de santa pareciam irradiar luz sublime, suas mãos me transmitiam energias novas a cada gesto. Isso sem falar nas doces emoções. - O Evangelho de Jesus, André, - continuou com amor – nos lembra que há mais alegria em dar do que em receber. Vamos aprender a praticar isso, naquilo em que a vida nos colocar pela nossa própria felicidade. Dê, sempre, meu filho. E, acima de tudo, não se esqueça nunca de dar de si mesmo, em tolerância, em amor fraterno e compreensão. A prática do bem exterior é uma lição e um chamado para que cheguemos à prática do bem interior. Jesus deu mais de si para o engrandecimento dos homens que todos os milionários da Terra juntos em caridade material, que, embora seja louvável, é apenas material. Não se envergonhe de ajudar os doentes e esclarecer os loucos que entrem nas Câmaras de Retificação, onde, espiritualmente, vi você trabalhando na noite passada. Trabalhe, meu filho, fazendo o bem. Em todas as nossas colônias espirituais, assim como nos planos mais próximos da Terra, vivem almas perturbadas, ansiosas por novidades e distrações. Mas, sempre que puder, esqueça o divertimento e procure ser útil. Assim como eu, imperfeita, posso ver, em espírito, seus esforços em “Nosso Lar” e seguir a tristeza de seu pai no Umbral, Deus nos vê e acompanha a todos, desde o mais lúcido espírito de luz, até os últimos seres da Criação, muito inferiores aos vermes da Terra. Minha mãe fez uma pausa, que eu quis aproveitar para dizer alguma coisa, mas não pude. Lágrimas de emoção me deixaram sem voz. Ela me olhou com carinho, entendendo a situação, e continuou: - Na maioria das colônias espirituais, conhecemos a remuneração do bônus-hora. Nossa base de compensação une dois fatores essenciais. O bônus representa a possibilidade de recebermos alguma coisa daqueles que lutam ou de recompensar alguém que esteja em nossos planos, mas o critério para estabelecer o valor da hora é de Deus. Na bonificação exterior pode haver muitos erros de nossa personalidade imperfeita, considerando que somos seres em evolução, exatamente como na Terra, mas, no que se refere ao conteúdo espiritual da hora, existe proporcionalidade direta entre o trabalhador e as forças divinas. É por isso, André, que nossas experiências evolutivas, desde o mundo físico, sofrem mudanças todos os dias. Tabelas, quadros, pagamentos, são tipos de experiência dos administradores, a quem Deus deu a oportunidade de cooperar com a vida, assim como dá à criatura o privilégio de ser pai ou mãe na Terra e em outros mundos por algum tempo. Todo administrador responsável está ciente de suas obrigações, assim como todo pai consciente está cheio de amor e cuidado. Deus também, meu filho, é Administrador vigilante e Pai muito dedicado. Não esquece de ninguém e reserva-se o direito de tratar diretamente com o trabalhador o verdadeiro proveito no tempo de serviço. A compensação exterior diz respeito à personalidade temporária em experiência, mas o valor do tempo interessa à personalidade eterna, aquela que permanecerá sempre em nossos planos de vida, a caminho da glória de Deus. É por isso que Ele dá sabedoria ao que usa o tempo aprendendo e dá mais vida e alegria a quem sabe renunciar!... Minha mãe se calou, enquanto eu enxugava os olhos. Foi aí que ela me abraçou com imenso carinho. Como um menino que dorme depois da lição, perdi a consciência de mim mesmo, para acordar mais tarde nas Câmaras de Retificação, com fortes sensações de alegria.