------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 37 A PALESTRA DA MINISTRA Em meio às atividades do dia seguinte, tinha grande interesse pela palestra da Ministra Veneranda. Como sabia que precisaria de autorização, falei com Tobias a respeito: - Essas aulas – disse ele - são ouvidas apenas pelos espíritos realmente interessados. Os instrutores aqui não podem perder tempo. Autorizo você a assistir entre as centenas de ouvintes que são trabalhadores e abrigados dos Ministérios da Regeneração e do Auxílio. Num gesto de carinho, concluiu: - Espero que aproveite bem. Passei o dia trabalhando. O contato com minha mãe e suas belas palavras sobre a prática do bem traziam-me muito conforto. Logo depois que acordei, aquelas explicações sobre o bônus-hora me trouxeram muitas dúvidas. Como poderia a compensação da hora ser tarefa de Deus? A contagem do tempo não era tarefa do administrador espiritual ou humano? Tobias me esclareceu, eliminando minhas dúvidas. Cabe aos administradores em geral a obrigação de contar o tempo de serviço, assim como estabelecer critérios de reconhecimento ao trabalhador, mas só as forças divinas podem determinar com exatidão qual foi o verdadeiro aproveitamento. Há trabalhadores que, depois de 40 anos de serviços especiais, deixam o trabalho tão inexperientes quanto no início, provando que gastaram tempo sem se dedicar espiritualmente, assim como há homens que, mesmo que cheguem a 100 anos de idade, deixam a vida com a mentalidade de uma criança. Para você ter uma idéia de como a explicação de sua mãe é valiosa, - disse Tobias – basta lembrar as horas dos homens bons e maus. Para os primeiros, são fonte de bênçãos de Deus, mas para os segundos são chicote de tormento e remorso, como se fossem seres malditos. Cada filho acerta as contas com Deus segundo suas obras ou de acordo com o que tiver feito das oportunidades que lhe foram dadas. Essa explicação me ajudou a refletir no valor do tempo, em todos os sentidos. Quando chegou a hora da palestra da Ministra, logo depois da oração da tarde, fui, com Narcisa e Salústio, para o grande salão em plena natureza. O espaço todo verde era uma maravilha, onde nos acomodamos confortavelmente em grandes bancos de relva. Flores viariadas, brilhando à luz de velas, exalavam delicado perfume. Calculei haver mais de mil pessoas ali, dispostas como numa platéia comum. Percebi que 20 entidades estavam em local de destaque, entre nós e o palanque florido onde se via a poltrona da instrutora. Com uma pergunta minha, Narcisa explicou: - Estamos no espaço reservado aos ouvintes. Aqueles irmãos, em local de destaque, são os mais avançados no assunto de hoje e podem fazer perguntas à Ministra. Conseguiram esse direito pela dedicação ao tema, o que nós também podemos conseguir. - Você não pode ficar lá com eles? – perguntei. - Não. Por enquanto, só posso me sentar ali quando a instrutora fala do tratamento a espíritos perturbados. Mas há irmãos que ficam ali em várias palestras, conforme o que já tiverem aprendido. - Interessante o processo. – comentei. - O Governador – continuou – determinou essa medida, nas aulas e palestras de todos os Ministros, para que os trabalhos não se transformassem em debate de opiniões pessoais sem fundamento, o que acarretaria grande perda de tempo para todos. Qualquer dúvida ou comentário útil poderá ser esclarecido ou aproveitado, desde que seja o momento adequado. Mal acabou de falar e a Ministra Veneranda entrou no salão ao lado de duas senhoras, que Narcisa me disse serem Ministras da Comunicação. Só com a sua presença, Veneranda espalhou enorme alegria em todos os rostos. Não tinha a aparência de uma velha, como o nome sugeria. Parecia mais uma senhora madura, muito simples e serena. Depois de conversar rapidamente com os 20 companheiros, informando-se das maiores necessidades do público em geral em relação ao tema da noite, começou dizendo: -“Como sempre, não vou usar nossa reunião para longos discursos. Estou aqui para conversar com vocês, fazendo alguns comentários a respeito do pensamento. “Neste momento, há, entre nós, vários ouvintes que se surpreendem pelo fato de o nosso plano ser tão parecido com o planeta. Vários deles se perguntam: - Eles não aprenderam que o pensamento é a linguagem universal? Não foram informados de que a criação mental é quase tudo em nossa vida? – Ainda assim, encontraram aqui, a casa, os objetos e a linguagem da Terra. Só que esta realidade não deve surpreender ninguém. Não podemos esquecer que, até agora, temos passado nossas vidas físicas em antigos círculos de antagonismo vibratório. O pensamento é a base das relações espirituais dos seres entre si, mas não podemos esquecer que somos milhões de seres dentro do universo, ainda rebeldes às leis universais. Por enquanto, não somos como os irmãos mais velhos e mais sábios, próximos de Deus, mas milhões de entidades vivendo nos caprichosos “mundos inferiores” do nosso eu. Os grandes instrutores da humanidade física ensinam princípios divinos, expõem verdades eternas e profundas no mundo. Mas, em geral, em nossas atividades terrenas, ouvimos falar dessas leis sem nos aplicarmos e sem dedicarmos a vida a elas. “Podemos acreditar que o homem ficaria livre de toda inferioridade, só por tomar conhecimento do poder do pensamento? Impossível! “Mesmo que uma encarnação humana durasse 100 anos, seria um tempo curto demais para alcançarmos a posição de trabalhadores puramente divinos. Aprendemos sobre a força mental nas escolas da Terra, mas esquecemos que, nesse assunto, toda nossa energia tem sido usada, milênio após milênio, nas criações mentais destrutivas ou prejudiciais a nós mesmos. “Somos recebidos nos diversos cursos de espiritualização do mundo, mas, com frequência, não passamos das palavras. No entanto, ninguém pode cumprir o dever só com palavras. A Bíblia nos ensina que nem Deus ficou só nas palavras e continuou o trabalho criativo na ação. “Todos sabemos que o pensamento é força essencial, mas não admitimos nosso vício milenar de desviar essa força. “Ora, todos sabem que o homem é obrigado a alimentar os próprios filhos. Assim também, cada espírito é levado a manter e nutrir as criações que lhe são peculiares. Uma idéia criminosa produzirá criações mentais do mesmo tipo e um pensamento elevado obedecerá a mesma lei. Vejamos um exemplo mais simples. Depois de evaporar-se, a água volta purificada, carregando importantes fluidos vitiais, seja no orvalho que protege ou na chuva que traz benefícios, mas se a conservarmos com os detritos da terra, ela se transformará em colônia de microorganismos destruidores. “O pensamento é força viva, em toda parte. É atmosfera criadora que envolve o Pai e os filhos, a Causa e os efeitos, no lar universal. Nele, os homens se transformam em anjos, a caminho do céu, ou tornam-se gênios diabólicos, a caminho do inferno. “Vocês percebem a importância disso? Certo, para as mentes desenvolvidas, entre os encarnados e desencarnados, basta o intercâmbio mental, sem necessidade de formas, e convém destacar que o pensamento em si é a base de todas as mensagens silenciosas da intuição entre os seres de todas as espécies. Dentro desse princípio, um espírito que tenha vivido só na França poderá se comunicar no Brasil, pensamento a pensamento, sem necessidade da linguagem verbal, que, nesse caso, será sempre a do receptor. Mas isso exige afinidade pura. Ainda não estamos nos planos de pureza mental, onde todas as criaturas têm afinidades entre si. Nós nos afinizamos com os outros em núcleos fechados e somos forçados a continuar encarnando, a fim de voltar ao mundo com maior bagagem evolutiva. “Nosso Lar”, portanto, como cidade espiritual de transição, é uma bênção concedida a nós por misericórdia divina, para que alguns poucos possam se preparar para a ascensão, e para que a maioria volte à Terra em serviços de redenção. Devemos compreender e nos submeter à grandiosidade das leis do pensamento desde já.” Depois de longa pausa, a Ministra sorriu para a platéia e perguntou: - Quem quer aproveitar? Logo depois, uma música suave encheu o salão de harmonia. Veneranda conversou ainda por muito tempo, demonstrando amor e compreensão, delicadeza e sabedoria. Sem qualquer formalidade nos gestos que indicasse o término da palestra, encerrou a exposição com uma pergunta graciosa. Quando vi os companheiros se levantarem para a despedida, ao som da música habitual, perguntei a Narcisa, com surpresa: - Como assim? Já acabou a reunião? A enfermeira esclareceu, sorrindo: - A Ministra Veneranda é sempre assim. Termina a conversa quando estamos mais interessados. Ela costuma dizer que as palestras evangélicas começaram com Jesus, mas ninguém sabe quando e como vão terminar.