------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 39 OUVINDO D. LAURA A história de Tobias havia me impressionado muito. Aquela família formada com base em novos conceitos de união fraterna não me saía da cabeça. Afinal de contas, eu também me sentia dono do lar físico e imaginava como seria difícil para mim uma situação como essa. Será que eu teria coragem de agir como Tobias? Reconhecia que não. No meu entender, não seria capaz de colocar Zélia nessa situação, nem poderia aceitar que ela me impusesse algo assim. Aqueles comentários na casa de Tobias me torturavam. Não conseguia achar explicações razoáveis que me deixassem satisfeito. Fiquei tão preocupado que, no dia seguinte, resolvi visitar Lisias durante uma folga, para poder pedir explicações a D. Laura, em quem tinha muita confiança. Fui recebido com muita alegria e esperei o momento adequado em que pudesse ouvir a mãe de Lísias com calma e tranquilidade. Depois que os jovens saíram para os seus passeios, contei à boa amiga, muito constrangido, o problema que me incomodava. Ela sorriu, como quem tem muita experiência de vida, e foi dizendo: - Você fez muito bem em vir conversar comigo. Todo problema que nos torture fica mais fácil de ser resolvido quando podemos contar com os amigos. E, depois de rápida pausa, continuou: - O caso Tobias é apenas um dos muitos que temos aqui e em outras colônias que se caracterizam por pensamentos elevados. - Mas, isso nos choca os sentimentos, não é verdade? – respondi interessado. - Quando nos prendemos aos pontos de vista puramente humanos, essas coisas podem até nos escandalizar. No entanto, André, é necessário que agora consideremos, antes de tudo, os princípios espirituais. Para isso, precisamos nos lembrar da sequência lógica que há no processo evolutivo. Se levamos um bom tempo para sair da animalidade, é natural que essa animalidade não desapareça de uma hora para outra. Levamos muitos séculos para sair dos planos inferiores. O sexo é uma faculdade divina que demoramos muito para entender. Não será fácil para você, no momento, captar o sentido elevado da família que visitou ontem. Entretanto, a felicidade ali é muito grande, pela atmosfera de compreensão que se criou entre eles. Nem todos conseguem substituir elos de sombra por laços de luz em tão pouco tempo. - Mas isso é regra geral? – perguntei. – Todo homem e toda mulher que tenham se casado mais de uma vez, reconstróem o lar aqui, em companhia de todos os cônjuges com quem conviveram? Fazendo um gesto de paciência, ela explicou: - Não seja tão radical. Vamos devagar. Muita gente pode ter carinho e não ter compreensão. Não esqueça que nossas construções vibratórias são muito mais fortes que as materiais. O caso Tobias é um caso de vitória da fraternidade verdadeira, por parte dos três interessados. Quem não se adaptar à lei de fraternidade e compreensão, logicamente não conseguirá o mesmo. As regiões escuras do Umbral estão cheias de entidades que não resistiram a provas como essa. Enquanto odiarem, funcionam como agulhas magnéticas agitadas pelas correntes mais antagônicas. Enquanto não entenderem a verdade, sofrerão com a mentira e, portanto, não poderão passar a planos superiores. São muitas as criaturas que sofrem muito tempo, sem qualquer alívio espiritual, só por se recusarem a praticar a fraternidade legítima. - E o que acontece então? – perguntei, aproveitando a pausa de D. Laura – Se não podem ir aos planos de aprendizado superior, onde ficam os espíritos que estão nessa situação? - Depois de sofrerem muito com as imagens mentais que criam para si mesmos - respondeu a mãe de Lísias – voltam para fazer no corpo físico o que não conseguiram fazer fora dele. Deus permite que, reencarnados, esqueçam o passado e recebam, como parentes, aqueles que repudiaram deliberadamente por ódio ou incompreensão. Por aí vemos o quanto é oportuna a recomendação de Jesus para que nos reconciliemos com os adversários o quanto antes. Esse conselho, interessa, antes de mais nada, a nós mesmos. Devemos segui-lo pelo nosso próprio bem. Quem sabe aproveitar bem o tempo, quando desencarna, mesmo que ainda precise voltar ao plano físico, pode alcançar sublime paz de consciência, reencarnando com menos preocupações depois. Há muitos espíritos que perdem séculos tentando desfazer antagonismos e antipatias na vida terrena e refazendo-se depois de desencarnarem. O problema do perdão com Jesus, André, é muito sério. Não se resolve em conversas. Dizer que perdoamos é só uma questão de palavras, mas aquele que perdoa realmente, precisa movimentar pesados compromissos de outras vidas dentro de si mesmo. A essa altura, D. Laura se calou, como quem precisasse pensar na profundidade do que foi dito. Aproveitando a deixa, comentei: - O casamento é muito sagrado para mim. D. Laura não se surpreendeu com minhas palavras e respondeu: - Nossa conversa não interessa aos espíritos mais animalizados. Mas para nós, que entendemos a necessidade de crescimento, é necessário notar que, não só o casamento é sagrado, como também toda experiência que envolva sexo, porque afeta profundamente a vida da alma. Ouvindo aquela observação, não consegui deixar de ficar vermelho, lembrando meu passado de homem comum. Minha mulher havia sido um objeto sagrado para mim, que eu colocava à frente de todas as outras afeições. No entanto, ao ouvir a mãe de Lísias, pensei nas palavras antigas do Velho Testamento: “- não cobiçarás a casa do próximo, não cobiçarás a mulher do próximo, nem o servo, nem a serva, nem o jumento, nem o boi, nem coisa alguma que lhe pertença”. Num instante, deixei de estranhar o caso Tobias. E D. Laura, percebendo minha confusão íntima, continuou: - Onde todo mundo tem que consertar alguma coisa, deve haver muita compreensão e muito respeito à bondade de Deus, que nos dá tantas oportunidades de correção. Para o espírito que já alcançou alguma luz, toda experiência sexual é muito importante. É por isso que o entendimento fraterno deve vir antes de qualquer trabalho de redenção. Há pouco tempo ouvi um grande instrutor do Ministério da Elevação afirmar que, se pudesse, iria se materializar no mundo físico para dizer aos religiosos em geral que toda caridade, para ser divina, precisa se apoiar na fraternidade. Nesse momento, a dona da casa me convidou para visitar Eloísa, que ainda estava de repouso, dando a entender que não queria explicar outros detalhes sobre o assunto. E, depois de ver como a jovem recém-desencarnada já estava melhor, voltei às Câmaras de Retificação, completamente envolvido em meus pensamentos. Já não me preocupava mais com a situação de Tobias, nem com as atitudes de Hilda e Luciana. Estava mais interessado na importante questão da fraternidade humana.