------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 41 CONVOCADOS À LUTA Nos primeiros dias de setembro de 1939, “Nosso Lar” sofreu o mesmo choque que várias outras colônias espirituais ligadas ao povo americano. Era a guerra na Europa, tão destruidora no plano físico, quanto nos planos espirituais. Muitos espíritos comentavam os acontecimentos, sem conseguir disfarçar o imenso terror que sentiam. Havia muito tempo já se sabia que as Grandes Fraternidades do Oriente vinham enfrentando vibrações antagônicas do Japão, com muitas dificuldades. Mas agora, viam-se fatos curiosos, muito educativos. Assim como os planos espirituais mais elevados da Ásia lutavam em silêncio, “Nosso Lar” também se preparava para o mesmo tipo de atividade. Além de importantes recomendações relativas à fraternidade e à simpatia, o Governador determinou que tivéssemos cuidado com os pensamentos, evitando qualquer idéia ou sentimento negativo. Percebi que, nesses casos, os espíritos superiores não consideram os países agressores como inimigos, mas como desordeiros que precisam ser reprimidos. - Infelizes os povos que se deixam envolver pelo mal. – disse-me Salústio – Ainda que consigam vitórias temporárias, estas só servirão para agravar o seu estado, acentuando ainda mais as verdadeiras derrotas. Quando um país toma a iniciativa da guerra, lidera a desordem da casa de Deus, e paga um preço muito alto por isso. Notei, então, que, nesses casos, os planos superiores trabalham para se defender dos avanços da ignorância e da escuidão, que só causam anarquia e destruição. Os colegas me explicaram que, em situações como essa, os países agressores se transformam, naturalmente, em núcleos poderosos de centralização do mal. Sem se prevenirem dos imensos perigos, esses povos se envolvem com entidades perversas, atraídas das regiões mais escuras. Comunidades bem sucedidas se transformam em robôs criminosos. Grandes grupos de espíritos trevosos se lançam sobre cidades promissoras, transformando-as em campos de crueldade e medo. Mas enquanto os bandos trevosos se apoderam da mente dos agressores, os grupos espirituais mais elevados se movimentam para ajudar os agredidos. Se devemos nos lamentar pela criatura que se coloca contra a lei do bem, mais ainda devemos nos lamentar pelo povo que se esquece da justiça. Logo depois dos primeiros dias de bombardeios na Polônia, estava com Tobias e Narcisa nas Câmaras de Retificação, quando, no final da tarde, ouvimos um clarim soar por mais de 15 minutos. Ficamos todos muito emocionados. - É a convocação superior para os serviços de socorro na Terra. – explicou-me Narcisa. - Temos indicações de que a guerra vai continuar, com muitos sofrimentos para os homens – exclamou Tobias, agitado. – Apesar da distância, toda vida psíquica americana se originou na Europa. Vamos ter muito trabalho para proteger o Novo Mundo. O toque do clarim soava estranho e imponente. Notei que todo Ministério da Regeneração ficou em profundo silêncio. Percebendo minha angústia, Tobias avisou: - Quando soa o clarim de alerta em nome de Deus, precisamos silenciar os ruídos inferiores, para que o chamado se grave em nossos corações. Quando o clarim silenciou, fomos ao grande parque para olhar o céu. Muito comovido, vi vários pontos luminosos, como pequenos focos brilhantes, flutuando no céu. - Esse clarim – disse Tobias também emocionado – é utilizado por vigilantes espirituais de alto grau. Voltando às Câmaras, ouvi rumores enormes vindo das vias públicas, na parte mais alta da colônia. Tobias deu algumas instruções importantes a Narcisa sobre os doentes e me chamou para ir com ele ver o que estava acontecendo. Chegando aos andares de cima, de onde podíamos ir a pé à Praça da Governadoria, percebemos muito movimento em todos os setores. Notando meu espanto natural, Tobias explicou: - Estes grupos enormes estão indo ao Ministério da Comunicação, para receber notícias. O clarim que acabamos de ouvir só chega até nós em circunstâncias muito graves. Todos sabemos que se trata da guerra, mas é possível que a Comunicação nos dê algum outro detalhe importante. Observe as pessoas que passam. Ao nosso lado, vinham dois senhores e quatro senhoras conversando muito animados. - Imagine – dizia uma delas – o que vai acontecer conosco no Auxílio. O volume de pedidos tem sido muito grande há vários meses seguidos. Temos muitas dificuldades para atender todos os compromissos. - E nós na Regeneração? – disse o senhor mais idoso – O volume de serviços continua maior que o normal. No meu setor, precisamos estar sempre vigilantes contra as vibrações do Umbral. Já estou até vendo o que vem por aí... Tobias pegou no meu braço de leve e disse: - Vamos um pouco mais à frente para ouvir o que dizem outros grupos. Aproximando-nos de dois homens, ouvi um deles perguntar: - Será que todos seremos atingidos pela calamidade? O outro, que parecia ter muito equilíbrio espiritual, respondeu sereno: - Seja como for, não vejo motivo para afobação. A única novidade é o aumento de trabalho, que, no fundo, é uma bênção. Quanto ao resto, tudo me parece natural. A doença é mestra da saúde, o desastre traz bom senso. A China está sob ataque há muito tempo e você não demonstrou qualquer preocupação com isso. - Só que agora – argumentou o primeiro desapontado – parece que vou ser obrigado a mudar meu programa de trabalho. O outro sorriu e comentou: - Helvécio, Helvécio, que tal esquecer o “meu programa” para pensar nos “nossos programas”? Acompanhando Tobias, observei três senhoras que íam na mesma direção à nossa esquerda, notando que, nem naquela confusão, faltava o toque engraçado nas conversas. - Estou muito preocupada com esta questão, – dizia a mais moça – porque Everardo não pode desencarnar agora. - Mas a guerra, – disse uma outra – ao que parece, não chegará à Península. Portugal está muito longe do local dos acontecimentos. - Mas por quê essa preocupação? - perguntou a terceira mulher. – O que aconteceria se Everardo viesse agora? - Tenho receio que ele me procure como esposa. – disse a mais jovem – Não poderia suportá-lo. É muito ignorante e não me submeteria às suas crueldades de forma nenhuma. - Como você é boba! – comentou uma das companheiras – Você se esqueceu que Everardo será detido no Umbral ou coisa pior? Tobias, sorrindo, explicou: - Ela tem medo que o marido irresponsável e mau seja libertado. Depois de algum tempo observando a multidão, chegamos ao Ministério da Comunicação, parando diante dos enormes edifícios dedicados à informação. Milhares de entidades se acotovelavam aflitas. Todos queriam informações. Mas era impossível chegar a um acordo. Muito surpreso com o falatório enorme, vi que alguém havia subido numa sacada alta, pedindo a atenção de todos. Era um velho imponente, dizendo que, dentro de dez minutos, o Governador faria um apelo. - É o Ministro Esperidião – disse Tobias, matando minha curiosidade. Logo depois que o barulho cessou, ouvimos a voz do próprio Governador saindo de vários alto-falantes: “- Irmãos de “Nosso Lar”, não se entreguem a pensamentos e palavras desequilibrados. A aflição não constrói e a ansiedade não ajuda. Procuremos ser dignos do chamado de Deus, fazendo a Sua vontade tranbalhando em silêncio em nossos postos.” Aquela voz clara e veemente, de quem falava com autoridade e amor, surtiu efeito especial na multidão. Uma hora depois, toda a colônia já havia voltado à serenidade normal.