------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 43 CONVERSANDO O Ministério da Regeneração continuou em festa, mesmo depois de o Governador ter saído com seus Ministros mais próximos. Todos comentavam os acontecimentos. Centenas de companheiros se ofereciam para o trabalho de defesa, atendendo o pedido do chefe da colônia. Procurei Tobias para saber se seria possível encaixar-me no serviço, mas ele sorriu da minha ingenuidade e falou: - André, você está começando um trabalho novo agora. Não se precipite, pedindo mais responsabilidade. O Governador nos disse, ainda agora, que haverá serviço para todos. Não se esqueça de que as nossas tarefas nas Câmaras de Retificação exigem muito esforço, dia e noite. Não fique aflito. Lembre-se de que 30 mil companheiros serão convocados para a vigilância permanente, mas, mesmo assim, ficará ainda muita coisa por fazer por aqui. Vendo meu desapontamento, o bondoso companheiro, bem humorado, disse logo depois: - Fique feliz em estar inscrito na escola contra o medo. Tenha certeza de que isso vai lhe fazer muito bem. Nesse meio tempo, recebi um grande abraço de Lísias, que estava com a delegação do Ministério do Auxílio. Pedindo licença a Tobias, sai com Lísias para conversar. - Você conhece – perguntou ele – o Ministro Benevenuto da Regeneração, o mesmo que chegou anteontem da Polônia? - Ainda não tive a oportunidade. - Vamos falar com ele – respondeu Lísias, com carinho. – Faz tempo que tenho a alegria de tê-lo como amigo. Logo depois, estávamos no grande salão verde, dedicado aos trabalhos deste Ministro da Regeneração, que eu conhecia só de vista. Muitos grupos de visitantes trocavam idéias sob as árvores grandes. Lísias levou-me ao grupo maior, onde Benevenuto conversava com vários amigos, de forma muito bondosa. O Ministro me recebeu com muita gentileza em seu grupo. A conversa seguiu naturalmente e notei que estavam falando da situação na Terra. - Muito triste o quadro que vimos. – comentava Benevenuto em tom sério – Acostumados a trabalhar na paz aqui na América, nenhum de nós imaginava como seria o trabalho de socorro espiritual na Polônia. Tudo muito escuro e difícil. Ali não se podem esperar luzes de fé nos agressores. E na maioria das vítimas também não, pois se entregam totalmente a emoções terríveis. Os encarnados não ajudam e só consomem nossas energias. Desde o começo do meu Ministério, nunca vi tanto sofrimento coletivo. - E vocês demoraram muito por lá? – perguntou um dos companheiros. - Todo tempo de que pudemos dispor – completou o Ministro. – O chefe do grupo, nosso colega do Auxílio, achou melhor ficarmos concentrados no trabalho, para podermos aproveitar melhor as observações e experiências. Realmente, as condições não poderiam ser melhores. Acredito que estamos muito longe da capacidade de resistência dos companheiros espirituais que trabalham ali. Todas as tarefas de assistência imediata funcionam perfeitamente, embora o ar seja sufocante, saturado de vibrações pesadas. O campo de batalha invisível para os encarnados, é como verdadeiro inferno sem fim. Em nenhuma outra situação o homem evidencia sua condição de alma decaída como na guerra, apresentando características realmente diabólicas. Vi homens inteligentes e instruídos concentrados em apontar para setores pacíficos o que eles chamam de “impactos diretos”. Bombas de alto poder explosivo destruindo edifícios que levaram anos para construr. Emanações doentias de ódio juntando-se aos fluidos venenosos do bombardeio, sendo quase impossível dar qualquer ajuda. No entanto, o que mais nos chocou, foi a triste condição das tropas agressoras, quando um deles desencarna, em consequência da situação. Dominados por forças tenebrosas, quase todos fugiam dos espíritos de luz, chamando-os de “fantasmas da cruz”. - E não eram resgatados para esclarecimento? – perguntou alguém, interrompendo o narrador. Benevenuto fez um gesto forte e respondeu: - Se já é difícil cuidar de loucos pacíficos em casa, o que se pode fazer por loucos furiosos, além de dar-lhes hospício? Não tínhamos outra opção a não ser deixar esses companheiros nas trevas, onde serão naturalmente forçados a se reajustar, abrindo a mente para pensamentos mais elevados. Por isso, é natural que as missões de socorro resgatem apenas aqueles predispostos a receber ajuda. Como vocês podem ver, as cenas presenciadas foram muito tristes, por várias razões. Aproveitando a pausa, outro companheiro comentou: - É quase impossível acreditar que a Europa, com tantos patrimônios culturais, tenha se deixado envolver por tamanho desastre. - Isso é falta de preparo religioso, meus amigos – explicou o Ministro, com voz emocionada. – Não basta ser inteligente. É preciso que o homem ilumine seus raciocínios para a vida eterna. As igrejas são sempre santas, em seus princípios, e o sacerdócio será sempre divino, quando dedicado à verdade de Deus. Mas o sacerdócio político jamais suprirá a necessidade espiritual da civilização. Sem a inspiração divina, as personalidades religiosas podem obter respeito e admiração, mas não conseguem inspirar fé e confiança. - Mas, e o Espiritismo? – perguntou, de repente, um dos presentes. – As primeiras expressões da doutrina não surgiram na América e na Europa há mais de 50 anos? Esse movimento novo não continua a serviço das verdades eternas? Benevenuto sorriu, fez um gesto significativo e acrescentou: - O Espiritismo é a nossa grande esperança e, por todos os méritos, o Consolador da humanidade encarnada. Mas a nossa marcha é ainda muito lenta. Temos nele uma dádiva sublime, para a qual a maioria dos homens ainda não tem “olhos de ver”. A grande maioria dos novos estudantes espíritas aproxima-se da doutrina com os mesmos vícios religiosos do passado. Querem ter vantagens, mas não se dispõem a dar algo de si mesmos. Pedem a verdade, mas não caminham para ela. Enquanto muitos estudiosos tranformam os médiuns em cobaias humanas, vários adeptos agem como doentes que, mesmo curados, acreditam mais na doença do que na saúde e nunca caminham sozinhos. Enfim, na Terra procuram espíritos para concretizar o fenômeno passageiro, enquanto nós aqui vivemos à procura de homens espiritualizados para a realização do trabalho sério. O trocadilho arrancou algumas risadas. O Ministro ainda acrescentou: - Nossos serviços são gigantescos. Mas não podemos esquecer que todo homem é semente divina. Se fizermos a nossa parte, com esperança e otimismo, podemos ficar tranquilos que Deus fará o resto.