------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 44 AS TREVAS Para enriquecer a conversa, Lísias mostrou-nos um pouco mais de sua cultura e sensibilidade. Dedilhando com habilidade as cordas de uma cítara, lembrou-nos algumas antigas canções da Terra. Dia realmente maravilhoso! Muitas alegrias espirituais, como se estivéssemos em pleno paraíso. Quando fiquei a sós com o enfermeiro do Auxílio, tentei expressar minhas maravilhosas impressões. - Não tenha dúvida. - disse sorrindo – Quando nos reunimos àqueles a quem amamos, algo de bom e construtivo acontece em nosso espírito. É o alimento do amor, André. Quando várias almas se juntam para esta ou aquela atividade, seus pensamentos se entrelaçam, formando núcleos de força viva, pelos quais cada uma recebe uma porção de alegria ou sofrimento da vibração geral. É por isso que, na Terra, o problema do ambiente é sempre muito importante no caminho de cada homem. Cada ser vive daquilo que cultiva. Quem se apega à tristeza todos os dias, convive com ela. Quem destaca a doença, sofrerá com os seus males. Percebendo meu espanto, concluiu: - Não há mistério nisso. É lei da vida, tanto no bem, como no mal. Quando participamos de reuniões de fraternidade, esperança, amor e alegria, saímos com a fraternidade, a esperança, o amor e a alegria de todos. Mas, se tomamos parte em reuniões onde prevalecem o egoísmo, a vaidade ou o crime, saímos envenenados pelas vibrações destrutivas desses sentimentos. - Tem razão – falei comovido. – Vejo nisso os mesmos princípios que regem a vida nos lares terrenos. Quando há conpreensão recíproca, vivemos antecipadamente no paraíso, mas, se insistimos no desentendimento e na maldade, sofremos como se já estivéssemos em pleno inferno. Lísias reagiu com bom humor e confirmou sorrindo. Foi então que me lembrei de perguntar-lhe sobre uma coisa que, desde umas horas antes, me incomodava. Quando fez a sua palestra, o Governador falou dos planos da Terra, do Umbral e das Trevas, mas, sinceramente, ainda não tinha ouvido falar desse último. O Umbral já não era uma região trevosa, onde eu mesmo havia vivido em meio a sombras densas durante vários anos seguidos? Não havia, nas Câmaras, vários desequilibrados e doentes de todo tipo, vindos das regiões umbralinas? Lembrando que Lísias havia me dado ótimas explicações sobre minha própria situação, logo que cheguei a “Nosso Lar”, comentei com ele minhas dúvidas pessoais, demonstrando a surpresa que sentia. Ele ficou sério e falou: - Chamamos Trevas às regióes mais inferiores que conhecemos. Pense nas criaturas como viajantes da vida. Alguns poucos caminham decididos, visando o objetivo principal da jornada. São os espíritos mais nobres, que descobriram a essência divina em si mesmos, marchando para o alvo sublime, sem vacilar. No entanto, a maioria estaciona. Essa é a multidão de almas que levam séculos e séculos recapitulando experiêncicas. Os primeiros seguem por linhas retas. Os outros caminham fazendo grandes curvas. Nessa movimentação, repetindo roteiros e retomando antigos esforços, ficam expostos a muitas dificuldades. Desse modo, muitos costumam perder-se em plena vida, perturbados no labirinto que traçam com os próprios pés. Nesse grupo, estão os milhões de seres que vagam pelo Umbral. Outros, preferindo caminhar às cegas, preocupados apenas com suas próprias idéias egoístas, costumam cair em precipícios, estacionando no fundo do abismo, por tempo indefinido. Entendeu? As explicações não poderiam ser mais claras. No entanto, emocionado com a gravidade do assunto, comentei: - Mas, essas quedas acontecem apenas na Terra? Só os encarnados estão sujeitos a cair no precipício? Lísias pensou um pouco e respondeu: - Seu comentário é muito apropriado. Em qualquer lugar, o espírito pode cair no mal. No entanto, é preciso ressaltar que as defesas são maiores nos planos superiores, onde a culpa é maior por cada erro cometido. - Mas sempre achei impossível sofrermos quedas nos planos espirituais. – argumentei – Pensei que o ambiente divino, o conhecimento da verdade, o auxílio superior, fossem antídotos infalíveis contra o veneno da vaidade e da tentação. Lísias sorriu e esclareceu: - O problema da tentação é mais complexo. A Terra está cheia de ambientes divinos, conhecimento da verdade e auxílio superior. São muitos os que travam batalhas destruidoras em meio a árvores acolhedoras e campos floridos. Outros tantos cometem assassinatos sob o luar, insensíveis à profunda inspiração das estrelas. Outros ainda exploram os mais fracos, recebendo elevadas revelações da verdade superior. Na Terra, não faltam cenários e paisagens verdadeiramente divinos. As palavras do enfermeiro me impressionavam profundamente. De fato, em geral, os guerreiros gostam de lutar na primavera, quando a Natureza põe, no solo e no céu, maravilhas de cor, perfume e luz. Os assaltos e assassinatos são praticados, de preferência, à noite, quando a Lua e as estrelas enchem o planeta de poesia divina. A maioria dos carrascos da humanidade se compõe de homens muito cultos, que desprezam a inspiração superior. Revendo meus conceitos referentes à queda espiritual, acrescentei: - Mas, Lísias, será que você poderia me dar uma idéia da localização dessa região de Trevas? Se o Umbral está ligado à mente humana, onde fica esse lugar de sofrimento e pavor? - Há planos de vida em toda parte – disse ele. – O vácuo é apenas uma imagem figurativa. Em tudo há energias viventes e cada espécie de ser movimenta-se em determinada região da vida. Depois de pequena pausa, em que parecia pensar profundamente, continuou: - Claro que, como nós, você imaginou que as regiões de vida após a morte ficavam apenas do globo para cima, esquecendo dos níveis de baixo. No entanto, a vida também vibra no fundo dos mares e no interior da Terra. Além disso, do mesmo modo que existem leis de gravidade para as coisas materiais, há princípios de gravitação para os espíritos. A Terra não é só o lugar onde podemos agir como quisermos. É ser vivo, com leis que podem nos escravizar ou libertar, de acordo com nossas obras. É claro que a alma cheia de culpas não poderá ir à superfície da vida. Resumindo, é preciso dizer que as aves livres vão às alturas; as que se enroscam nos cipós sentem-se presas sem poder voar; e as que se prendem a muito peso são apenas escravas do desconhecido. Entende? Lísias não precisava me fazer aquela pergunta. Na hora, vi, diante de meus olhos espirituais, o quadro imenso de experiências renovadoras, desenrolando-se nas regiões mais baixas da existência. Como alguém que precisa refletir bastante para dizer o que deseja, ele pensou, pensou e concluiu: - Assim como acontece conosco, que temos o superior e o inferior dentro de nós, o planeta também tem, em si, expressões altas e baixas, com as quais corrige o culpado e eleva o vencedor à vida eterna. Como médico, você sabe que no cérebro existem elementos que não são propriamente físicos, mas essencialmente espirituais. Quem quiser viver nas sombras, prejudicará o sentido divino de direção. Por isso, não é demais prever que acabe caindo nas Trevas, porque o abismo atrai o abismo e cada um de nós chegará ao local para onde esteja dirigindo os próprios passos.