------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 45 NO CAMPO DA MÚSICA No final da Tarde, Lísias me convidou para acompanhá-lo ao Campo da Música. Vendo minha indecisão, enfatizou: - Vou falar com Tobias. A própria Narcisa tirou o dia de folga hoje. Vamos! Só que eu percebia uma estranha reação em mim mesmo. Apesar dos poucos dias de serviço, já tinha grande amor por aquelas Câmaras. As visitas diárias do Ministro Genésio, a companhia de Narcisa, a inspiração de Tobias, a amizade dos colegas, tudo isso falava muito de perto ao meu espírito. Eu, Narcisa e Salústio aproveitávamos todo tempo livre para melhorar o ambiente, aqui e ali, amenizando a situação dos doentes, de quem gostávamos muito, como se fossem nossos filhos. Considerando a nova posição que ocupava, fui até Tobias, a quem o enfermeiro falou com respeito. Recebendo o pedido, meu orientador concordou, satisfeito: - Ótimo programa! André precisa conhecer o Campoda Música. E, abraçando-me, disse: - Não fique na dúvida. Aproveite! Volte à noite, quando quiser. Todos os nossos serviços estão convenientemente cuidados. Acompanhei Lísias muito agradecido. Chegando à sua casa, no Ministério do Auxílio, tive a alegria de rever D. Laura e fiquei sabendo que sua filha, mãe de Eloísa, deveria voltar na semana seguinte. A casa estava cheia de alegria. Havia mais beleza em todo o ambiente. Despedindo-se de nós, a dona da casa me abraçou e falou, bem humorada: - Então, daqui em diante, a cidade terá mais um frequentador do Campo da Música! Tome cuidado com o coração!... Eu vou ficar em casa hoje. Mas logo, logo, vou me vingar de vocês. Não devo demorar muito para encontrar meu alimento na Terra!... Cheios de alegria, saímos para a rua. As jovens estavam acompanhadas de Polidoro e Estácio, com quem conversavam animadamente. Assim que descemos do aeróbus numa das praças do Ministério da Elevação, Lísias me disse, com carinho: - Finalmente, você vai conhecer minha noiva. Tenho falado muito de você a ela. - Engraçado termos noivados aqui também... – comentei, curioso. - Por quê não? O amor vive no corpo mortal ou na alma imortal? Lá na Terra, meu caro, o amor é uma espécie de ouro escondido por pedras brutas. Os homens o misturam tanto com as necessidades, desejos e emoções inferiores, que, raramente, conseguem separá-lo. O comentário fazia sentido. Percebendo que a explicação me fazia bem, continuou: - O noivado é muito mais bonito no plano espiritual. Não existem ilusões para nos turvar a visão. Somos o que somos. Lascínia e eu já falhamos muitas vezes em outras encarnações. E tenho que confessar que, quase todos os desastres, foram por causa da minha irresponsabilidade e absoluta falta de autocontrole. Os homens ainda não entenderam completamente a liberdade que têm com as leis sociais do planeta. É raro nós a utilizarmos para crescer espiritualmente no mundo. Muita vezes, nós a transformamos em caminho para a animalidade. Por outro lado, as mulheres têm tido, até hoje, as disciplinas mais rígidas a seu favor. Quando encarnadas, sofrem com a nossa tirania e suportam o peso de nossas imposições. Mas aqui, os nossos valores são reajustados. Só é realmente livre quem aprende a obedecer. Parece contraditório, mas é a mais pura verdade. - Mas você tem em mente novos planos de encarnação? – perguntei. - Nem podia ser diferente. – explicou ele rapidamente – Preciso ter novas experiências. Além disso, minhas dívidas com o planeta são muito grandes. Em breve, Lascínia e eu teremos aqui a nossa casa, e creio que voltaremos à Terra dentro de uns 30 anos. Estávamos próximos ao Campo da Música. Luzes de incrível beleza iluminavam o grande parque, onde a paisagem parecia de um conto de fadas. Fontes luminosas apresentavam desenhos maravilhosos: um espetáculo completamente novo para mim. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Lísias recomendou, com bom humor: - Lascínia sempre vem com duas irmãs. Espero que você seja um cavalheiro com elas. - Mas, Lísias... – respondi, indeciso, considerando que era casado na Terra – Você precisa entender que ainda me sinto ligado a Zélia. O enfermeiro riu muito e acrescentou: - Era só o que faltava! Ninguém aqui quer ferir o seus sentimentos de fidelidade, André. No entanto, não acho que o casamento acabe com as regras de relacionamento social. Você não sabe mais ser amigo de alguém? Ri, sem graça, e nada pude dizer. Nesse momento, chegamos à entrada, onde Lísias fez a gentileza de me pagar a entrada. Ali mesmo, notei um grande número de pessoas circulando em torno de um coreto, onde uma orquestra pequena executava algumas canções. Caminhos contornados por flores íam à nossa frente, dando acesso ao interior do parque, em várias direções. Percebendo minha admiração pelas canções que ouvíamos, Lísias explicou: - Nas extremidades do Campo temos apresentações de acordo com o gosto de cada grupo, para aqueles que ainda não podem entender completamente a música como arte sublime. Mas no centro, temos a música universal e divina, a arte santificada por excelência. Realmente, depois de atravessarmos alamedas muito alegres, onde cada flor parecia reinar independente, comecei a ouvir harmonia maravilhosa dominando o ambiente. Na Terra, há pequenos grupos que apreciam a música erudita e grandes grupos que gostam da música popular. Eu havia visto muitos grupos na colônia e havia ficado surpreso com a reunião que o nosso Ministério havia preparado para o Governador. Mas o que via agora, ultrapassava tudo o que já havia visto. As grandes figuras de “Nosso Lar” estavam presentes. O brilho do ambiente não era por luxo ou qualquer tipo de excesso. Era apenas a expressão natural de tudo, a simplicidade misturada à beleza, à arte pura e à vida sem artifícios. As mulheres demonstravam extremo bom gosto individual, sem afetação ou exageros em acessórios, e sem contradizer a simplicidade divina. Grandes árvores, diferentes das que conhecemos na Terra, enfeitavam belos espaços, iluminados e aconchegantes. Não só os casais de namorados passeavam pelas passarelas floridas. Grupos de homens e mulheres conversavam animadamente. Embora me sentisse insignificante diante daquelas pessoas, percebia a mensagem silenciosa de simpatia de todos que me olhavam. Ouvia frases soltas falando do plano físico e, no entanto, em nenhum grupo notei a mais leve crítica maliciosa ou acusação aos encarnados. Discutia-se o amor, a cultura intelectual, a pesquisa científica, a filosofia edificante, e todos os comentários eram elevados e voltados para o auxílio mútuo, sem qualquer atrito de opiniões. Notei que, ali, o mais sábio diminuía suas vibrações, ao mesmo tempo que os menos instruídos elevavam, o mais possível, sua capacidade de compreensão para absorver o conhecimento mais elevado. Em várias conversas, notei os comentários sobre Jesus e o Evangelho. No entanto, o que mais me impressionava era a alegria reinante em todos os grupos. Ninguém se lembrava do Mestre com pensamentos negativos de tristeza inútil ou de desânimo sem razão. Jesus era lembrado por todos como o maior orientador do planeta, nos planos visíveis e invisíveis, cheio de compreensão e bondade, mas também atento à energia e vigilância necessárias à preservação da ordem e da justiça. Aquela sociedade otimista me encantava. Tinha concretizadas, diante de meus olhos, as esperanças de vários grandes pensadores da Terra. Muito impressionado com a música sublime, ouvi Lísias dizer: - Nossos orientadores, em harmonia, recebem inspiração dos planos mais elevados e os grandes compositores encarnados são, muitas vezes, trazidos a planos como o nosso, onde recebem orientações melódicas, transmitindo-as aos ouvidos humanos, modelando, o que recebem, com as características e dons próprios. O universo, André, está cheio de beleza e harmonia. O raio brilhante e eterno da vida vem originariamente de Deus. Mas o enfermeiro do Auxílio não pôde continuar. Encontramos um grupo gracioso de jovens. Lascínia e suas irmãs haviam chegado e era preciso dar atenção fraterna a elas.