------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 46 SACRIFÍCIO DE MULHER Um ano de trabalhos construtivos se passou, com muita alegria para mim. Aprendi a ser útil, encontrei prazer no serviço, sempre contente e confiante. Até ali, não havia voltado à minha casa na Terra, apesar da grande vontade que me angustiava o coração. Às vezes, pensava em pedir concessões especiais para isso, mas alguma coisa me impedia. Não havia recebido ajuda, não tinha ali o carinho e o respeito de todos os companheiros? Por isso, reconhecia que, se houvesse utilidade, há muito tempo já teria sido levado ao lar terreno. Assim, era melhor esperar. Além disso, embora trabalhasse muito na Regeneração, o Ministro Clarêncio continuava a se responsabilizar por minha permanência na colônia. D. Laura e o próprio Tobias não se cansavam de me lembrar disso. Várias vezes havia encontrado o Ministro do Auxílio e, no entanto, ele nada havia dito sobre o assunto. Aliás, Clarêncio era sempre reservado no desempenho de suas funções. Apenas no Natal, quando estávamos na festa da Elevação, ele havia tocado no assunto de leve, percebendo as saudades que sentia da esposa e dos filhos. Comentou as alegrias da noite e me assegurou que não estava longe o dia em que me levaria até minha casa. Agradeci, comovido, esperando muito animado. Entretanto, já estávamos em setembro de 1940 e nada parecia indicar a realização dos meus desejos. Meu consolo era ter meu tempo todo ocupado com o trabalho útil nas Câmaras de Retificação. Não descansava. Nossas tarefas continuavam sempre, sem interrupção. Havia me acostumado a cuidar dos doentes, a interpretar seus pensamentos. Não perdia a pobre Elisa de vista, orientando-a, indiretamente, para melhores experiências. Mas, à medida que meu equilíbrio emocional se consolidava, aumentava a ansiedade para ver minha família. A saudade doía muito. Em compensação, de vez em quando minha mãe me visitava. Ela nunca me abandonou, embora vivesse em planos superiores. A última vez que nos vimos, ela me disse que queria me colocar a par de seus novos planos. Aquela atitude suave de quem se resigna diante dos sofrimentos que ferem a alma, havia me comovido muito. Quais seriam seus novos projetos? Curioso, esperei sua visita, ansioso para saber das novidades. Nos primeiros dias de setembro de 1940, ela veio às Câmaras e, depois de me cumprimentar com carinho, contou-me que pretendia reencarnar. Com muito amor, explicou o projeto. Mas, surpreso e contrário a esta decisão, reclamei: - Não concordo. A senhora reencarnar? Por quê? Entrar de novo no caminho escuro do mundo, sem necessidade imediata? Muito séria, minha mãe argumentou: - Você não acha triste a situação de seu pai, meu filho? Há muitos anos trabalho para ajudá-lo e meus esforços têm sido em vão. Laerte hoje é um cético com o coração envenenado. Não pode continuar assim para não complicar ainda mais a própria situação. O que fazer, então, André? Você teria coragem de vê-lo nessas condições, sem socorrê-lo como fosse possível? - Não. – respondi impressionado – Trabalharia para ajudá-lo. Mas a senhora pode ajudá-lo daqui mesmo. - Não duvido disso. No entanto, os espíritos que amam de verdade, não se limitam a estender as mãos de longe. De que adianta toda riqueza material se não pudermos estendê-la às pessoas que amamos? Poderíamos, por acaso, morar num palácio, deixando os filhos ao relento? Não posso ficar de longe. Já que posso contar com você aqui, vou me juntar a Luísa para ajudar seu pai a reencontrar o caminho certo. Pensei, pensei e argumentei: - No entanto, insisto com a senhora. Não há um jeito de evitar isso? - Não. Não seria possível. Estudei bem o assunto e meus superiores concordam comigo. Não posso trazer o inferior para o superior, mas posso fazer o contrário. Que outra opção tenho, além desta? Não posso vacilar nem um minuto. Tenho em você o amparo para o futuro. Por isso, não se perca e ajude sua mãe, enquanto puder circular entre os planos que nos separam da Crosta. Ao mesmo tempo, cuide de suas irmãs, que talvez ainda estejam no Umbral, em trabalho de purificação. Logo estarei na Terra e lá poderei me encontrar com Laerte para aquilo que Deus determinar. - Mas como ele se encontrará com a senhora? – perguntei – Em espírito? - Não. – disse minha mãe com expressão séria – Com a ajuda de alguns amigos, localizei-o na Terra na semana passada e já preparei sua reencarnação imediata, sem que ele percebesse nossa ação direta. Ele quis fugir das mulheres que o perseguiam, talvez com razão, e aproveitamos para prendê-lo à nova situação física. - Mas isso é possível? E o livre-arbítrio? Minha mãe sorriu, meio triste, e acrescentou: - Há reencarnações que são soluções drásticas. Ainda que o doente não tenha coragem, há amigos que o ajudam a tomar o remédio necessário, mesmo que seja amargo. Quanto à liberdade irrestrita, a alma só pode reinvindicar esse direito quando compreende e cumpre o seu dever. De resto, é indispensável reconhecer que o devedor é escravo do compromisso assumido. Deus criou o livre-arbítrio, nós criamos a fatalidade. Assim sendo, precisamos romper as amarras que criamos para nós mesmos. Enquanto pensava distraído, ela continuou, retomando a conversa anterior: - Só que as mulheres que o perseguem não o abandonam e, se não fosse a proteção dos amigos espirituais, talvez até conseguissem frustrar sua nova encarnação. - Meu Deus! – exclamei – Isso é possível? Estamos à mercê do mal até esse ponto? Somos simples joguetes nas mãos dos inimigos? - Essas perguntas, meu filho, – respondeu minha mãe, muito calma – devem estar sempre presentes em nossa mente e em nosso coração, antes de contrairmos qualquer dívida e de transformarmos irmãos em inimigos em nosso caminho. Nunca peça empréstimos à maldade!... - E essas mulheres? – perguntei – O que vai acontecer com elas? Minha mãe sorriu e respondeu: - Serão minhas filhas daqui a alguns anos. Você não deve esquecer que vou reencarnar para ajudar seu pai. Ninguém ajuda, de fato, alimentando as forças contrárias, assim como não se pode apagar um incêndio com petróleo. É indispensável amar, André! Os que não acreditam, perdem o rumo certo, vagando pelo deserto, e os que se enganam se desviam da estrada real, mergulhando no pântano. Seu pai hoje é um cético e essas pobres mulheres suportam um peso enorme por sua ignorância e ilusão. Em furuto não muito distante, todos eles serão meus filhos, em minha nova experiência. E, de olhos úmidos, como se estivesse vendo o futuro, concluiu: - E, mais tarde... quem sabe? Talvez volte a “Nosso Lar”, rodeada do amor de mais algumas pessoas, para uma grande festa de alegria, amor e união... Percebendo seu espirito de renúncia, ajoelhei-me e beijei suas mãos. Dali em diante, minha mãe não era somente minha mãe. Era muito mais que isso. Era a mensageira do Amparo, que sabia transformar desequilibrados maldodos em filhos do coração, para que eles pudessem voltar ao caminho de Deus.