------------------------------------- NOSSO LAR em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 50 CIDADÃO DE "NOSSO LAR" Na segunda noite, estava exausto. Começava a entender o valor do amor e do entendimento mútuos como alimentos espirituais. Em “Nosso Lar”, trabalhava vários dias seguidos, sem precisar me alimentar, treinando a elevação espiritual a que muitos de nós se dedicam. Ficava satisfeito com a presença dos amigos queridos, com o seu carinho, a absorção do ar e da água carregados de fluidos sublimados, mas ali não via nada além de um campo de batalha escuro, onde as pessoas queridas haviam se transformado em carrascos. As importantes reflexões que a palavra de Clarêncio me inspiravam, davam-me alguma tranquilidade. Finalmente entendia as necessidades humanas. Não era proprietário de Zélia, mas seu irmão e amigo. Não era dono de meus filhos, mas, sim, seu companheiro de jornada. Lembrei que, uma vez, D. Laura havia me dito que toda criatura, quando em prova, deveria fazer como a abelha, buscando as flores da vida que, em nosso caso, são as almas nobres que guardamos na lembrança, tirando de cada uma os bons exemplos para obter o mel da sabedoria. Apliquei o conselho a mim mesmo e comecei me lembrando de minha mãe. Ela não ía se sacrificar por meu pai, a ponto de adotar mulheres infelizes como filhas do coração? “Nosso Lar” estava cheio de bons exemplos. A Ministra Veneranda trabalhava há séculos sucessivos pelo grupo espiritual mais ligado ao seu coração. Narcisa se sacrificava nas Câmaras para poder conseguir autorização para reencarnar em tarefa de auxílio. D. Hilda havia vencido o dragão do ciúme inferior. E a demonstração de fraternidade dos outros companheiros da colônia? Clarêncio vinha me aconselhando como um pai, a mãe de Lísias havia me recebido como um filho, Tobias me tratava como um irmão. Cada companheiro de minhas novas experiências se erguia como nobre exemplo ao meu espírito. Tentei me abstrair das considerações de aparente ingratidão que ouvia da família e decidi colocar o amor divino acima de tudo, colocando, ao mesmo tempo, acima de todos os meus sentimentos pessoais, as necessidades dos meus semelhantes. Cansado como estava, fui ao quarto do doente, que estava piorando a cada minuto. Zélia segurava sua cabeça, chorando muito: - Ernesto, Ernesto, tenha pena de mim, querido! Não me deixe sozinha! O que é que vou fazer sem você? O doente acariciava suas mãos e respondia com carinho, apesar da dificuldade para respirar. Pedi a Deus que me desse forças para manter a compreensão de que necessitava e passei a vê-los como dois irmãos meus. Reconheci que Zélia e Ernesto se amavam muito. E, se de fato me considerava irmão deles, devia ajudá-los como me fosse possível. Comecei o trabalho procurando esclarecer os espíritos perturbados que se mantinham ligados ao doente. Mas tinha muita dificuldade, pois estava muito abatido. Nessa situação angustiante, lembrei-me de certa lição de Tobias, quando me disse: “Aqui em “Nosso Lar”, nem todos precisam do aeróbus para se locomover, porque os habitantes mais elevados da colônia são capazes de se deslocar flutuando no ar. E nem todos necessitam de aparelhos de comunicação para conversar a distância, por estarem em perfeita harmonia de pensamentos entre si. Aqueles que estão sintonizados assim, podem conversar à vontade mentalmente, apesar da distância. Lembrei o quanto seria bom ter a colaboração de Narcisa e tentei. Concentrei-me em profunda oração a Deus e, nas vibrações da prece, me dirigi a ela pedindo socorro. Contei-lhe, em pensamento, o que estava acontecendo comigo, informando minhas intenções de ajudar, e insisti para que não deixasse de me socorrer. Foi então que aconteceu o que eu não esperava. Depois de 20 minutos, mais ou menos, quando eu ainda não havia terminado minha prece, alguém me tocou de leve no ombro. Era Narcisa, que me atendia sorrindo: - Ouvi seu apelo, meu amigo, e vim ao seu encontro. Fiquei muito feliz. A mensageira do bem olhou o quadro, compreendeu a gravidade da situação e disse: - Não temos tempo a perder. Antes de qualquer coisa, aplicou passes de alívio ao doente, isolando-o das formas escuras, que se afastaram imediatamente. Em seguida, me chamou decidida: - Vamos à natureza. Acompanhei-a sem vacilar e ela, notando meu espanto, disse: - Não é só o homem que emite e recebe fluidos. As forças naturais fazem o mesmo, nos vários reinos em que se subdividem. Para o caso do nosso doente, precisamos das árvores. Elas vão nos ajudar com eficiência. Admirado com a nova lição, segui com ela em silêncio. Quando chegamos a um local onde havia árvores enormes, Narcisa chamou alguém, com palavras que não pude entender. Logo em seguida, oito entidades espirituais atendiam ao chamado. Muito surpreso, vi Narcisa perguntar onde poderia encontrar mangueiras e eucaliptos. De posse da informação dos amigos, que eram totalmente estranhos para mim, a enfermeira explicou: - Estes irmãos que nos atenderam são trabalhadores do reino vegetal. E, diante da minha surpresa, concluiu: - Como você vê, não existe nada inútil na casa de Deus. Em toda parte há quem ensine, se houver quem precise aprender. E onde surge uma dificuldade, surge também a solução. O único infeliz na obra divina é o espírito irresponsável que se condenou às trevas da maldade. Em alguns minutos, Narcisa preparou certa substância com as emanações do eucalipto e da mangueira e, durante toda a noite, aplicamos aquele remédio ao doente, pela respiração comum e pelos poros. Ele melhorou muito. Pela manhã, logo cedo, o médico afirmou, muito surpreso: - Ele teve uma reação incrível esta noite! Um verdadeiro milagre da natureza. Zélia estava radiante. A casa se encheu de alegria novamente. De minha parte, sentia grande satisfação na alma. Profundo alívio e belas esperanças me reanimavam o ser. Percebia que antigos laços de inferioridade haviam se rompido dentro de mim, para sempre. Nesse dia, voltei a “Nosso Lar” com Narcisa e, pela primeira vez, consegui flutuar. Em apenas alguns minutos, vencíamos grandes distâncias. Sentia muita alegria interior. Contando a Narcisa a leveza que sentia, ouvi-a dizer: - Em “Nosso Lar”, grande parte dos companheiros poderia dispensar o aeróbus e transportar-se, à vontade, nas áreas de nosso domínio vibratório. Mas, como a maioria ainda não tem essa capacidade, todos evitam usá-la em nossas vias públicas. Essa decisão, no entanto, não impede que a usemos quando estamos longe da colônia, quando é preciso ganhar tempo e distância. Novo entendimento e nova alegria me preenchiam o espírito. Orientado por Narcisa, ía de casa à colônia e vice-versa, sem qualquer dificuldade, intensificando o tratamento a Ernesto, que havia melhorado muito, com rapidez. Clarêncio me visitava todos os dias, mostrando-se satisfeito com o meu trabalho. No final da semana, terminava minha primeira licença dos serviços das Câmaras de Retificação. Minha alegria contagiava Zélia e Ernesto que agora eram como meus irmãos. Assim sendo, estava na hora de voltar ao meu posto. Em meio à luz da tarde, tomei o caminho de volta a “Nosso Lar”, completamente modificado. Naqueles rápidos sete dias havia aprendido belas lições práticas de fraternidade e compreensão legítimas. A bela tarde me inspirava elevados pensamentos. - Como é grande o amor de Deus! – dizia, falando sozinho. – Com que sabedoria Ele coloca as pessoas e as coisas no lugar certo! Com que amor atende a todas as criaturas! Mas, alguma coisa me tirou dos meus pensamentos. Mais de 200 companheiros vinham ao meu encontro. Todos me cumprimentaram, generosos e gentis. Lisias, Lascínia, Narcisa, Silveira, Tobias, Salústio e vários outros das Câmaras estavam ali. Não sabia o que fazer, pego de surpresa. Foi, então, que o Ministro Clarêncio, à frente de todos, estendeu a mão para mim e disse: - Até hoje, André, você era meu protegido na cidade. De hoje em diante, porém, em nome da Governadoria, declaro-o cidadão de “Nosso Lar”. Por que tanta coisa se meu sucesso era tão pequeno? Não consegui reter as lágrimas que me embargaram a voz. E, pensando na grandeza da bondade divina, abracei Clarêncio, chorando de gratidão e alegria.