------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 1 RENOVAÇÃO Quando me desliguei dos laços inferiores que me prendiam à Terra, alcancei um grande entendimento espiritual. Essa libertação, no entanto, não foi espontânea. No fundo, sabia quanto havia me custado deixar o lar na Terra, suportar a incompreensão da esposa e o desentendimento dos filhos queridos. Tinha certeza de que amigos espirituais muito elevados e bondosos haviam me ajudado a superar minhas imperfeições nessa transição. Antes, a preocupação com Zélia me torturava constantemente. Mas agora, vendo-a em perfeita harmonia com o segundo marido, não tinha outra opção a não ser procurar outros interesses. Foi assim que, muito surpreso, percebi minha própria transformação no decorrer dos acontecimentos. Sentia grande alegria com a descoberta de mim mesmo. Antes, vivia como um caramujo isolado na concha, incapaz de aproveitar os espetáculos grandiosos da natureza, rastejando no lodo. Agora, entretanto, reconhecia que a dor havia funcionado como uma picareta em minha casa mental, sem que eu pudesse entender seus golpes imediatamente. Essa picareta havia destruído a concha de antigos vícios do sentimento, libertando-me, expondo-me o espírito ao Sol da bondade de Deus. E comecei a ver mais longe e mais alto. Pela primeira vez, classifiquei adversários como benfeitores. Voltei a visitar minha antiga casa, não mais como dono ou senhor, mas como trabalhador que ama o serviço na oficina em que a vida o colocou. Não procurei mais a esposa do mundo, a companheira que não me compreendia, mas a irmã a quem devia ajudar, naquilo que estivesse ao meu alcance. Não voltei a considerar os filhos como minhas propriedades, mas como companheiros muito queridos, aos quais deveria levar o novo conhecimento, ajudando-os espiritualmente como pudesse. Forçado a destruir meus castelos de egoísmo, senti que um novo amor passava a habitar meu espírito. Sem os afetos do mundo e conformado com o caminho que Deus havia me traçado, comecei a ouvir o Seu chamado. Só agora percebia o quanto havia vivido longe das leis sublimes que comandam a evolução das criaturas. A natureza me recebia com amor. Agora suas vozes eram muito mais altas que as dos meus interesses pessoais. Aos poucos, conquistava a alegria de escutar seus ensinamentos misteriosos no grande silêncio das coisas. Os elementos mais simples ganhavam um novo significado aos meus olhos. A colônia espiritual, que me acolhia com carinho, mostrava novos aspectos de imensa beleza. O ruído das asas de um pássaro, o sussurro do vento e a luz do Sol pareciam tocar-me o espírito, enchendo-me o pensamento de profunda harmonia. A vida espiritual, bela e indescritível, abrira suas portas para mim. Até então, vinha vivendo em “Nosso Lar” como hóspede doente de um palácio brilhante, incapaz de notar as maravilhas à minha volta de tão preocupado que estava comigo mesmo. A conversa espiritualizada era indispensável agora. Antigamente gostava muito de torturar a própria alma com as lembranças da Terra. Valorizava os relatos dramáticos de alguns companheiros, lembrando meu próprio caso pessoal e deixando-me levar pela perspectiva de me agarrar novamente aos parentes do mundo, reforçando laços inferiores. Mas agora... Havia perdido totalmente a paixão pelos assuntos menos elevados. Até as descrições dos doentes nas Câmaras de Retificação me pareciam sem interesse. Não queria mais saber de onde vinham, não perguntava sobre suas aventuras nas zonas inferiores. Procurava necessitados. Queria saber como poderia ser-lhes útil. Percebendo minha profunda transformação, um dia Narcisa me disse: - André, meu amigo, você vem fazendo a renovação espiritual. Nesses períodos, grandes dificuldades espirituais atingem nosso coração. Lembre-se da meditação no Evangelho de Jesus. Sei que você vem sentindo grande alegria no contato com a harmonia universal, depois que deixou os caprichos de lado, mas acho que, ao lado das rosas da alegria, junto aos novos caminhos que se abrem para sua esperança, há espinhos de tédio nas margens das antigas estradas que você vai deixando para trás. Seu coração é uma taça cheia da luz divina, mas também vazia dos sentimentos do mundo, que a encheram por muito tempo. Nem eu mesmo poderia ter dado um definição tão exata de meu estado de ânimo. Narcisa tinha razão. Junto a uma imensa alegria que inundava meu espírito, havia uma sensação enorme de tédio por todas as coisas inferiores. Sentia-me liberto de pesadas correntes, mas não tinha mais a casa, a esposa, os filhos amados. Voltava sempre ao lar terreno e trabalhava pelo bem de todos, mas sem qualquer motivação. Minha amiga querida estava certa. Meu coração era um cálice luminoso, mas vazio. Emocionei-me com a definição. Vendo minhas lágrimas silenciosas, Narcisa acrescentou: - Encha sua taça nas águas eternas do doador divino. Além disso, André, todos nós temos a semente do Cristo na terra do coração. Em fases como essa que você atravessa, é mais fácil nos desenvolvermos com êxito se soubermos aproveitar as oportunidades. Enquanto o espírito do homem se perde em cálculos e raciocínios apenas, o Evangelho de Jesus não lhe parece mais do que um monte de ensinamentos comuns. Mas quando seus sentimentos superiores despertam, à medida que trabalha na elevação de si mesmo, como instrumento de Deus, ele percebe que as lições do Mestre têm vida própria e revelam aspectos desconhecidos de Sua inteligência. Quando crescemos para Deus, suas lições também crescem aos nossos olhos. Vamos fazer o bem, meu caro! Encha seu cálice com o bálsamo do amor divino. Se você já sente os raios de um novo amanhecer, caminhe confiante para o dia que surge!... E, conhecendo meu temperamento de homem que ama o serviço movimentado, acrescentou: - Você tem trabalhado muito aqui nas Câmaras, onde me preparo para futuro próximo na Terra. Por isso, não posso ir com você, mas acho que deve aproveitar os novos cursos de serviço, instalados no Ministério da Comunicação. Muitos companheiros se habilitam a trabalhar na Terra, nos campos visíveis e invisíveis aos encarnados, todos acompanhados por nobres instrutores. Você poderia ter novas experiências, aprender muito e cooperar com grande atividade individual. Por que não tenta? Antes que eu pudesse agradecer a preciosa sugestão, Narcisa foi chamada às Câmaras, a serviço, deixando-me com esperanças diferentes das que haviam me motivado até ali para o meu trabalho.