------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 2 ANICETO Comentando com Tobias sobre meus novos planos, percebi a satisfação que traspareceu de seus olhos. - Fique tranquilo – disse com bondade – você tem horas de trabalho suficientes para justificar o pedido. E de nossa parte, temos um grande número de colegas na Comunicação. Não será difícil colocar você com instrutores amigos. Conhece o nosso querido Aniceto? - Ainda não tive o prazer. - É antigo companheiro de serviço – continuou amável – e esteve conosco algum tempo na Regeneração. Depois dedicou-se ao trabalho no Ministério do Auxílio e hoje é um competente instrutor na Comunicação, onde vem prestando valioso serviço. Vou conversar com o Ministro Genésio a respeito. Não tenha dúvidas de que seu desejo, André, é muito nobre para nós. O amigo atencioso deixou-me muito contente. Comecei a compreender o valor do trabalho. A amizade de Narcisa e Tobias era um tesouro de valor incalculável, que o espírito de serviço havia me proporcionado ao coração. Novas lutas se apresentavam ao meu espírtito e não poderia perder a oportunidade. “Nosso Lar” estava cheio de entidades ansiosas por chances como essa. Não seria justo entregar-me com disposição ao novo aprendizado? Além disso, certo de reencarnar em futuro não muito distante, a experiência seria de muita utilidade ao meu aproveitamento geral. Uma alegria misteriosa me dominava por inteiro, uma esperança sublime iluminava-me os sentimentos. Aquele desejo forte de trabalhar em benefício dos outros, que Narcisa havia despertado em mim, parecia encher agora a taça vazia do meu coração. Trabalharia sim. Conheceria a satisfação de quem colabora de forma anônima para a felicidade dos outros. Procuraria a luz poderosa da fraternidade ajudando as outras criaturas. À noite, Tobias, sempre muito atencioso, procurou-me para avisar da aprovação do Ministro Genésio. Muito sorridente, convidou-me para ir com ele conversar com Aniceto, para falarmos do assunto. Muito emocionado, fui para a casa daquele que se ligaria de forma profunda à minha vida espiritual. Aniceto, ao contrário de Tobias, não havia se casado em “Nosso Lar”. Vivia com cinco amigos que foram seus discípulos na Terra. Moravam todos em um edifício confortável, localizado entre árvores grandes e tranquilas, que pareciam postas ali para proteger um lindo e enorme roseiral. Ele nos recebeu com gentileza, o que me deu uma ótima impressão. Demonstrava a calma de quem chegou à meia idade sem as fantasias da juventude inexperiente. Embora houvesse muita energia em seu rosto, demonstrava o otimismo sadio de um coração cheio de ideais elevados. Muito sereno, ouviu todas as colocações de Tobias, olhando-me, de vez em quando, de forma amigável e indagadora. Tobias falou por um longo tempo, comentando minha posição de ex-médico na Terra, agora em reajustamento de valores no plano espiritual. Depois de me examinar com atenção, o orientador comentou: - Não há o que questionar, Tobias. No entanto, é preciso reconhecer que a decisão depende do candidato. Você sabe que aqui trabalhamos para instituir o homem novo. - André está pronto e disposto – adiantou o amigo, carinhosamente. Aniceto olhou-me fixamente e advertiu-me: - Nosso serviço é variado e rigoroso. O departamente de trabalho de nossa responsabilidade só aceita os interessados em descobrir a felicidade de servir. Estamos comprometidos, uns com os outros, a evitar qualquer reclamação. Ninguém exige comprovação de resultados e todos respondem por qualquer erro cometido. Trabalhamos para extinguir as antigas vaidades pessoais, trazidas do mundo físico. Em nossa hierarquia, nosso único interesse é o bem divino. Acreditamos que todas as oportunidades construtivas vêm de Deus e esta convicção nos ajuda a esquecer as exigências absurdas de nossa personalidade inferior. Percebendo minha surpresa, Aniceto fez um gesto e continuou: - Nos trabalhos de emergência, destinados a preparar colaboradores ativos, tenho um quadro amplo de auxiliares suplementares, com 50 lugares para aprendizes. No momento, tenho três vagas. Há muita atividade de instrução, necessária a servidores que trabalharão em socorros urgentes na Terra. Nessas ocasiões, alguns orientadore vão acompanhados de todo o pessoal em aprendizado. Mas eu adoto sistema diferente. Costumo dividir a classe em grupos especializados, de acordo com a profissão, para que possam aproveitar melhor o treinamento e a prática. No momento, tenho um sacerdote católico, um médico, seis engenheiros, quatro professores, quatro enfermeiras, dois pintores, 11 donas de casa e 18 operários diversos. Em “Nosso Lar” todas as nossas atividades são coletivas, mas nos dias de treinamento na Terra, não levo todos comigo. Claro que não será negada ao engenheiro ou ao operário a oportunidade de aprender outras coisas além das que estão relacionadas à sua profissão. No entanto, essas oportunidades devem surgir por esforço próprio, no grande tempo livre que têm para descanso e entretenimento. Assim, considerando o serviço atual, temos interesse em aproveitar ao máximo as horas livres, não só em favor daqueles que precisam, como também em nosso próprio benefício, no que diz respeito à eficiência. Admirado, fiquei pensando no curioso processo, enquanto Aniceto fazia longa pausa. Depois de se concentrar em mim, como se quisesse descobrir o efeito de suas palavras, continuou: - Este método não visa apenas a criar obrigações para os outros. Tanto aqui como na Terra, quem alcança melhores oportunidades não é propriamente o aluno, mas o instrutor, que enriquece e aprofunda experiências. Quando o Ministro Espiridião me chamou para o cargo, aceitei-o com a condição de não perder tempo em minha própria educação. Acho que já disse o suficiente e não preciso me alongar mais. Se você está disposto, não posso me recusar aceitá-lo. - Compreendo seus programas – respondi emocionado – será uma honra para mim poder acompanhá-lo e receber suas determinações de serviço. Aniceto demonstrou ter chegado onde queria e concluiu: - Pois bem, você pode começar amanhã. E, olhando para Tobias, acrescentou: - Leve o nosso amigo ao Centro de Mensageiros amanhã cedo. Lá estaremos em estudo ativo e posso providenciar para que passe a ser bonificado pelos quadros da Comunicação. Agradecemos satisfeitos e, logo depois de Tobias, despedi-me cheio de novas esperanças.