------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 9 OUVINDO IMPRESSÕES Deixando Acelino em conversa particular com Otávio, fui levado por Vicente a outro canto da sala. Muitos grupos mantinham conversas interessantes e educativas e notei que quase todos comentavam os fracassos sofridos na Terra. - Fiz tudo que pude – exclamava uma velhinha simpática para duas companheiras que a escutavam atentamente – No entanto, os laços de família são muito fortes. Eu ouvia sempre alguma coisa, com voz muito alta, em meu espírito, tentando me fazer cumprir minha tarefa. Mas, e o marido?... Nunca aceitou. Se os doentes me procuravam para os remédios comuns, sua perturbação nervosa se agravava. Se os companheiros de doutrina me convidavam para estudos evangélicos, ficava revoltado, ciumento. O que vocês pensam? Chegava a colocar minhas filhas contra mim. Como seria possível atender à tarefa mediúnica nessas circunstâncias? - Sim, mas, - comentou uma das senhoras, que parecia mais segura de si – sempre temos recursos e pretextos para furgir às nossas responsabilidades. Vamos encarar as coisas com honestidade. Você há de convir que, com boa vontade, sempre lhe restariam alguns minutos na semana e algumas pequenas oportunidades para fazer o bem. Talvez você pudesse conquistar a simpatia do marido e a colaboração carinhosa das filhas, se trabalhasse em silêncio, mostrando sincera vontade de trabalhar. Nossos atos, Mariana, são muito mais contagiantes que nossas palavras. - Sim – respondeu a velhinha, com voz diferente – concordo com você. Na verdade, nunca fui capaz de suportar a incompreensão da família sem reclamar. - Para trabalharmos com eficiência – voltou a falar a companheira, sensata – é preciso saber calar, antes de tudo. Teríamos obtido sucesso em nossas tarefas, se tivéssemos usado todas as lições de obediência e otimismo que damos aos outros. Aconselhar é sempre útil, mas aconselhar demais pode indicar esquecimento de nossas próprias obrigações. Digo isso porque meu caso é muito parecido com o seu. Voltamos ao mundo para construir com Jesus, mas caímos na tolice de acreditar que estávamos lá para discutir nossos caprichos. Não executei minha tarega mediúnica, em virtude da irritação que me dominou por causa da indiferença dos meus familiares pelos trabalhos espirituais. Aqui, nossos instrutores me recomendaram muito que, para ensinar, é necessário dar o exemplo. Entretanto, para meu azar, esqueci de tudo no trabalho temporário da Terra. Se meu marido fazia observações, eu rebatia. Em matéria de crença, não suportava qualquer opinião contrária ao meu ponto de vista, sem perceber a vaidade e a tolice dos meus gestos. Por não ser capaz de refletir, perdi minha última experiência, agravando muito minha situação. Quase todos os meses, eu e Joaquim discutíamos e trocávamos insultos fortes, além dos fluidos venenosos segregados por nossa mente rebelde e doentia. Entre os conflitos e suas consequências, passei o tempo sem poder atender qualquer trabalho de elevação espiritual. Nesse instante, Vicente me chamou para apresentar um amigo. Ao nosso lado, outro grupo de senhoras conversava animadamente: - Afinal, Ernestina – perguntava a mais jovem delas – qual foi a causa do seu desastre? - Apenas o medo, minha amiga, – explicou-se a outra – tive medo de tudo e de todos. Foi o meu grande mal! - Que coisa! Você foi muito bem preparada. Lembro-me ainda das nossas lições em conjunto. As instrutoras do Esclarecimento confiavam muito no seu trabalho. Seu aproveitamento era um exemplo para nós. - Sim, minha querida Benita, suas lembranças me fazem ver, mais claramente, o tamanho do meu fracasso. Entretanto, não posso fugir à realidade. Fui culpada de tudo. Preparei-me o bastante para resgatar antigas dívidas e fazer novas construções. Contudo, não vigiei como devia. O chamamento ao serviço surgiu no momento certo, orientando-me para melhores esclarecimentos. Nossos instrutores me proporcionavam muito incentivo, mas desconfiei dos encarnados, dos desencarnados e até de mim mesma. Nos pesquisadores do plano físico, via pessoas de má fé. Nos amigos espirituais, via apenas zombeteiros fantasiados de orientadores. E, em mim mesma, temia tendências menos dignas. Muitos amigos me julgavam séria, pelo rigor das minhas exigências, mas, no fundo, eu não passava de uma doente voluntária, carregada de aflições inúteis. - Foi uma grande infantilidade da sua parte – argumentou a outra – você se esqueceu de que, no físico, o maior interesse da alma é a realização de algo útil para o bem de todos, com vistas à vida eterna. Nesse aspecto, é indispensável contar com o assédio de todos os contras. Ironias da ignorância, ataques da insensatez e sugestões inferiores de nossa própria animalidade surgirão, com certeza, no caminho de todo trabalhador fiel. São circunstâncias lógicas e certas do serviço, porque não vamos ao mundo psíquico para descansar sem razão, mas para lutar pela nossa melhoria, mesmo com todos os imprevistos e impedimentos. - Agora entendo – disse a outra – mas o medo das mistificações me atrapalhou, minha amiga – disse ela – É tarde para lamentar. Temos tanto medo das mistificações que acabamos anulando os serviços do Cristo. Eu ouvia a conversa com cada vez mais interesse, mas o companheiro me levou adiante para outras apresentações. Relacionava-me com a sociedade de “Nosso Lar”, mas não perdia a oportunidade de me instruir, atento às conversas à minha volta. Alguns homens conversavam de forma discreta. - Reconheço que fali – dizia um deles em tom grave – e muito já sofri nas regiões inferiores, mas aguardo novas oportunidades. - Mas faltou orientação suficiente a você para ao caminho? – perguntou um companheiro. - Vou explicar – esclareceu o primeiro – O que faltou foi o apoio da minha esposa. Enquanto a tive comigo, permaneci perfeitamente equilibrado psiquicamente. A companhia dela, não sei por quê, compensava todo o meu gasto de energia mediúnica. Minha noção de equilíbrio estava com minha querida Adélia. Mas eu me esqueci de que o bom trabalhador deve estar preparado para o serviço de Deus, em qualquer circunstância. Não aprendi a me conformar e nem aceitei ficar sozinho no mundo. Quando me senti sem a esposa dedicada, desencarnada, tive medo, por sentir-me desequilibrado e, equivocadamente, tentei substitui-la. Muito ligada a entidades perturbadas, minha segunda mulher, com as suas loucuras, levou-me a perversões sexuais de que nunca imaginei que fosse capaz. Voltei, sem perceber, a conviver com criaturas perversas e, apesar de ter começado bem, acabei mal. Meus desastres foram enormes. Entretanto, embora reconheça minha falha, entendo, ainda hoje, que o triunfo, mesmo no futuro, será muito difícil sem a esposa amada. A conversa estava muito interessante. Queria continuar ouvindo-a, mas Vicente me chamou a atenção para outro assunto e eu precisava acompanhá-lo.