------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 11 BELARMINO, O DOUTRINADOR As lições eram muito interessantes. Traziam-me novos conhecimentos e com elas admirava cada vez mais, acima de tudo, a bondade de Deus, que dava a todos nós a oportunidade de restaurarmos o aprendizado para serviços futuros. Muitos de nós havíamos atravessado zonas inferiores de sombra e sofrimento. Uns mais, outros menos. No entanto, bastou reconhecermos a nossa inferioridade e a nossa imensa dívida para estarmos ali, todos reunidos em “Nosso Lar”, renovando energias desperdiçadas e refazendo programas de trabalho. Em todos os presentes eu via novas esperanças. Ninguém se sentia desamparado. Notando que vários médiuns continuavam trocando idéias interessantes sobre suas experiências, e ouvindo tantas observações sobre doutrinadores, perguntei a Vicente, discretamente: - Não seria possível conversar com algum doutrinador para enriquecer meus conhecimentos? Obtendo informações com tantos médiuns, creio que seria muito interessante não perder esta oportunidade. Vicente pensou um pouco e disse: - Vamos procurar Belarmino. É meu amigo há alguns meses. Segui o companheiro, passando por vários grupos. Belarmino estava num canto conversando com um amigo. De rosto sério, gestos lentos, transmitia grande tristeza no olhar humilde. Vicente apresentou-me com carinho, dando início a uma interessante conversa. Depois de explicar alguns conceitos, Belarmino falou comovido: - Quer dizer que você quer conhecer as amarguras de um doutrinador falido? - Não é bem isso, – respondi sorrindo – gostaria de conhecer sua experiência, aproveitando sua palavra educativa. - A missão do doutrinador é muito séria para qualquer homem. Não é por acaso que se atribui a Jesus o título de Mestre. Só aqui é que pude refletir nessa profunda verdade. Pensei muito e concluí que, para chegarmos a uma ressurreição gloriosa, por enquanto, não há outro caminho, a não ser o que fez o Divino Doutrinador. È preciso lembrar Sua atitude, abstendo-se de qualquer apego aos bens terrenos. Não vemos Jesus fazendo outra coisa no Evangelho, a não ser o bem, ensinando o amor, acendendo a luz, disseminando a verdade. Já pensou nisso? Depois de longas reflexões, cheguei à conclusão de que, na vida humana, junto aos que administram e aos que obedecem, há os que ensinam. Assim, chego a pensar que, na Crosta, há mordomos, cooperadores e servos. Os que ensinam devem ser especialmente servos. Você me entende? Ah, sim, havia entendido perfeitamente. Os conceitos de Belarmino eram profundos, inquestionáveis. Aliás, nunca tinha ouvido tão belas considerações a respeito da missão de ensino. Depois de intervalo rápido, continuou ainda sério: - Você, com certeza, deve estranhar que eu tenha fracassado, sabendo tanto. Mas a minha triste tragédia é a de todos os que conhecem o bem, esquecendo-se de praticá-lo. Calou-se novamente, pensou muito e prosseguiu: - Saí de “Nosso Lar”, há muitos anos, com a tarefa de doutrinação no Espiritismo evangélico. Minhas promessas aqui foram enormes. Minha dedicada Elisa se dispôs a me acompanhar no trabalho. Seria minha companheira atenciosa, abençoada amiga de sempre. Minha tarefa seria de trabalho assíduo no Evangelho de Jesus, de modo a doutrinar, antes de tudo, com o exemplo e, em seguida, com a palavra. Duas colônias vizinhas importantes enviaram muitos colaboradores para a mediunidade e pediram ao nosso Governador que cooperasse enviando missionários competentes para o ensino e a orientação. Apesar do meu passado cheio de culpa, canditatei-me ao serviço com o aval do Ministro Gedeão, que não hesitou em me ajudar. Deveria desempenhar atividades referentes ao meu resgate pessoal e realizar tarefa importante, levando luz a nossos irmãos visíveis e invisíveis. Meu maior encargo era o de amparar os grupos mediúnicos, estimulando companheiros postos na Terra para divulgar a imortalidade da alma. Entretanto, meu amigo, não consegui escapar das tentações. Desde criança, meus pais me ajudaram com noções do Espiritismo cristão. Várias circunstâncias, que me pareceram casuais, colocaram-me na presidência de um grande grupo espírita. Os serviços eram promissores, as atividades nobres e construtivas, mas exagerei nas exigências, levado pelo excesso de apego à posição de comando na doutrina. Oito médiuns, extremamente dedicados ao esforço evangélico, colaboravam comigo ativamente. Contudo, coloquei as provas científicas irrefutáveis acima de tudo. Fechei os olhos à lei do merecimento individual, esqueci a necessidade de esforço próprio e, vaidoso com meus conhecimentos do assunto, comecei a convidar amigos de mentalidade inferior para o nosso grupo, apenas por terem grande destaque na cultura filosófica e na pesquisa científica. Sem que eu percebesse, brotaram, em minha personalidade, estranhos desejos egoístas. Meus novos amigos queriam demonstrações de todo tipo e, ansioso por conseguir a simpatia de autoridades científicas, exigia dos pobres médiuns longas e insistentes investigações nos planos invisíveis. Os resultados eram sempre negativos, porque cada homem recebe, hoje e no futuro, de acordo com as próprias obras. Isso me irritava. Aos poucos, comecei a ter dúvidas. Perdi a serenidade de sempre. Comecei a ver os médiuns como companheiros de má vontade e má fé, retraindo-se aos meus caprichos. Nossas reuniões continuavam, mas, em dúvida, passei à descrença destruidora. Não estávamos num grupo de intercâmbio entre o visível e o invisível? Os médiuns não eram simples aparelhos de comunicação dos defuntos? Por que não viriam aqueles que poderiam atender meus interesses materiais imediatos? Não seria melhor estabalecer um processo mecânico e rápido para as comunicações? Por que os espíritos se negavam a me ajudar na demonstração positiva do valor da nova doutrina? Em vão, Elisa me convidava aos estudos evangélicos edificantes. Mas o Evangelho é livro divino e não nos mostra seus tesouros de luz enquanto insistimos na cegueira da vaidade e da ignorância. Por isso mesmo, dizia que era uma velharia. E, de desastre em desastre, antes que me firmasse na tarefa de ensinar, as mentes brilhantes dos meios inferiores da Terra me arrastaram à completa negação. Do nosso grupo cristão me transferi, não para a política que eleva, mas para a politicalha inferior que impede o progresso comum e estabelece a confusão entre os encarnados. Desse modo, escravizado ao dinheiro que me transformou os sentimentos, perdi muito tempo desviado dos meus objetivos básicos. Assim fui, até que acabei meus dias com muito dinheiro no mundo, um corpo todo doente, um palácio de pedra e um deserto no coração. A lembrança de minha inferioridade religou-me a companheiros encarnados e desencarnados menos dignos e o resto você já pode imaginar: sofrimentos, remorsos, resgates.... Concluindo, afirmou: - Mas, como não ser assim? Como aprender sem escola, sem recapitular o bem e corrigir o mal? - Sim, Belarmino, - disse, abrançando-o - você tem razão. Tenho certeza de que não vim só para o Centro de Mensageiros, mas também a um lugar de grandes lições.