------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 12 A PALAVRA DE MONTEIRO Os ensinamentos aqui são variados. Foi Belarmino quem falou, dizendo de forma agradável: - Há três anos seguidos venho ao Centro de Mensageiros e as lições são sempre novas. Tenho a impressão de que as bênçãos do Espiritismo chegaram cedo demais para os homens. Se eu tivesse menos confiança em Deus, acreditaria nisso. Belarmino, que prestava muita atenção aos gestos do amigo, explicou: - Monteiro tem grande experiência no assunto. - Sim – confirmou ele – experiência não me falta. Também dei minhas cabeçadas na Terra. Como sabem, é muito difícil escapar da influência do ambiente quando estamos encarnados. São tantas as exigências materiais do mundo externo, que não consegui escapar do desastre doloroso. - Mas, como? – perguntei, interessado em obter maiores conhecimentos. - É que a variedade de fenômenos e as particularidas mediúnicas reservam grandes surpresas a qualquer doutrinador que possua mais idéias na cabeça do que sentimentos no coração. Em todos os tempos, o vício intelectual pode desviar qualquer trabalhador mais entusiasmado do que sincero. E foi isso o que me aconteceu. Depois de ligeira pausa, continuou: Não preciso dizer que também parti de “Nosso Lar” em missão de entendimento espiritual. Não ía para estimular fenômenos, mas para ajudar na caminhada de companheiros encarnados e desencarnados. O serviço era imenso. Nosso amigo Ferreira pode dizer, já que fomos juntos. Recebi toda a ajuda para iniciar minha grande tarefa e senti muita alegria com os primeiros trabalhos. Minha mãe, que havia se tornado minha mentora, não cabia em si de tão contente. Estava muito entusiasmado. Sob meu controle direto, estavam alguns médiuns de efeitos físicos, além de outros de psicografia e psicofonia, e o meu fascínio era tanto com o contato com os desencarnados, que me distraí completamente da essência moral da doutrina. Tínhamos quatro reuniões semanais, às quais comparecia sem falta. Confesso que sentia certo prazer na assistência aos desencarnados desequilibrados. Para eles, tinha sempre longos discursos decorados na ponta da língua. Aos infelizes, mostrava que sofriam por culpa própria. Aos mistificadores, recomendava firmemente que abandonassem a mentira criminosa. Os casos de obsessão eram tratados com paixão. Gostava de enfrentar obsessores cruéis para reduzi-los a zero com argumentos pesados. Outra característica forte, era o domínio que pretendia exercer sobre alguns sacerdotes católicos desencarnados, ignorantes das verdades divinas. Chegava ao cúmulo de estudar, pacientemente, longos trechos da Bíblia, não para pensar a respeito, mas para mastigá-los à vontade e depois vomitá-los aos espíritos perturbados, em plena sessão, com a idéia criminosa de falsa superioridade espiritual. O apego às manifestações exteriores me desorientou completamente. Acendia luzes para os outros, mas preferia os caminhos escuros, esquecendo-me de mim mesmo. Só quando voltei para cá pude perceber a gravidade da minha cegueira. Por vezes, depois de longa doutrinação sobre a paciência, fazendo pesadas imposições aos desencarnados, abria as janelas da nossa casa para chamar a atenção das crianças que brincavam inocentes na rua. Instigava os espíritos perturbados a se manterem serenos para, logo depois, repreender senhoras humildes, presentes à reunião, quando não conseguiam evitar que alguma criança doente chorasse. E isso é o mínimo, porque, na minha loja, minhas atitudes eram inflexíveis. Raro era o mês que não mandava promissórias para protesto. Lembro-me de alguns comerciantes menos felizes que me pediam mais prazo, desculpas e proteção. Mas nada me fazia mudar de idéia. Os advogados conheciam minhas ordens. Passava os dias no escritório estudando a melhor maneira de perseguir os clientes em atraso, com preocupações e observações nem sempre muito corretas e, à noite, ía ensinar o amor aos semelhantes, a paciência e a doçura, exaltando o sofrimento e a luta como estradas de luz para Deus. Andava cego. Não conseguia perceber que a encarnação, por si só, é uma sessão mediúnica permanente. Interpretava o Espiritismo a meu modo. Toda a proteção e garantia para mim e valiosos conselhos ao próximo. Além disso, não conseguia tirar a cabeça dos espetáculos exteriores. Fora das sessões práticas, minha atividade doutrinária consistia em vastos comentários dos fenômenos observados, duelos verbais, narrações de acontecimentos diferentes, críticas rigorosas aos médiuns. Monteiro parou um pouco, sorriu e continuou: - De desvio em descio, o problema cardíaco me pegou completamente desprevenido da verdadeira realidade. Passei para cá, como louco necessitado de hospício. Era tarde quando reconheci que tinha abusado do dom da palavra. Como ensinar sem dar o exemplo ou dirigir sem amor? Entidades perigosas e revoltadas me esperavam depois do desencarne. No entanto, sentia comigo algo diferente. Meu raciocínio pedia socorro divino, mas meu sentimento se agarrava a objetivos inferiores. Minha cabeça fazia súplicas ao céu, mas meu coração se colava à Terra. Nesse estado triste, vi-me rodeado de entidades más que repetiam longas frases de nossas sessões. Com ironia, recomendavam-me serenidade, paciência e perdão para as faltas alheias. Perguntavam-me também porque não me afastava do mundo, se já estava desencarnado. Gritei, roguei, esbravejei, mas tive de suportar o sofrimento por muito tempo. Quando o apego ao mundo material diminuiu, alguns bons amigos me trouxeram para cá. E imagine que eu ainda estava revoltado. Sentia-me contrariado. Não havia promovido as sessões de intercâmbio entre os dois mundos? Não havia me dedicado ao esclarecimento dos desencarnados? Percebendo minha irritação ridícula, alguns amigos me submeteram a tratamento. Não fiquei satisfeito. Pedi à Ministra Veneranda uma audiência, já que ela me havia patrocinado aquela oportunidade. Queria explicações que pudessem me satisfazer o capricho pessoal. A Ministra está sempre muito ocupada, mas é sempre muito atenciosa. Não marcou a audiência, já que era um pedido absurdo, mas, por gentileza extrema, foi me visitar um dia que estava descansando. Enchi seus ouvidos de lamentações. Chorei muito e, durante duas horas, ela me ouviu com paciência cristã. Em silêncio expressivo, deixou que eu me cansasse do discurso longo e inútil. Quando me calei, esperando palavras que alimentassem minha incompreensão, Veneranda sorriu e me respondeu: - Monteiro, meu amigo, a causa de sua derrota não é complicada, nem difícil de explicar. Você se entregou ao Espiritismo prático, junto dos encarnados, mas nunca se interessou pela verdadeira prática do Espiritismo com Jesus, nosso Mestre. Nesse instante, Monteiro fez longa pausa, pensou um pouco e falou, comovido: - Desde então, minha atitude mudou muito, entendeu? Confuso com a profunda lição, respondi mastigando as palavras, como quem pensa mais, para falar menos: - Sim, estou procurando compreender.