------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 14 PREPARATIVOS À noite, Aniceto veio nos ver e disse: - Amanhã vamos partir os três para serviços na Terra. Telésforo me deu algumas tarefas importantes, mas posso fazê-las sozinho, dando a vocês a oportunidade de ficar uma semana em experiência e serviço. Fiquei muito contente. Voltei muitas vezes à minha cidade e à minha casa na Terra, mas nunca considerei a possibilidade de ajudar outras pessoas. Algumas vezes, enfrentei situações difíceis, em que antigos amigos apresentavam problemas graves, mas não me senti em condições de ajudá-los de forma eficiente. Ainda me faltava técnica espiritual. Não tinha bastante confiança em mim mesmo. Percebendo meus pensamentos, Aniceto se dirigiu a mim de maneira especial: - André, você ainda não pôde ajudar os amigos encarnados porque ainda não desenvolveu a capacidade de ver. É normal. Quando estamos encarnados, muitas vezes temos a tendência de observar apenas os efeitos, sem pensar nas origens. No mendigo, vemos apenas a miséria e, no doente, vemos apenas o corpo debilitado. É precido identificar as causas. Depois de pensar um pouco, continuou: - Mas vamos procurar resolver isso. Amanhã de madrugada, venham ao Gabinete de Auxílio Magnético às Percepções, ao lado do Centro de Mensageiros. Vou providenciar para que tenham a visão melhorada conforme o necessário. Mas peço que recebam esse auxílio em prece e peçam a Deus que lhes dê o aumento do poder visual. Concientizem-se da importância desse dom sublime e, acima de tudo, enviem ao Pai um pensamento de devoção ao seu amor e aos seus serviços. Não quero induzi-los ao fanatismo inconsciente, poisi não podemos abusar da oração como fazíamos na Terra, quando costumávamos usá-la para atender nossos caprichos, pedindo facilidades que só comprometeriam nosso próprio crescimento. Mas aqui, André, a oração é compromisso da criatura para com Deus, compromisso de testemunho, esforço e dedicação à Sua vontade. Entre nós, toda prece deve expressar, acima de tudo, sinceridade de coração. Em nossa condição espiritual, quem ora, sintoniza-se com as esferas superiores e recebe novas luzes para o caminho. Diante da autoridade de Aniceto, não me atrevi a dizer mais nada e fiquei com receio até de externar qualquer pensamento. O instrutor despediu-se com palavras carinhosas de amizade e incentivo. Eu e Vicente tínhamos planos magníficos. Pela primeira vez, iríamos trabalhar pelos encarnados em geral. Tivemos pouco tempo para descansar à noite. Estávamos ansiosos para que amanhecesse, a fim de receber a aplicação magnética do Gabinete citado. Poucas vezes orei com tanta emoção. Inicialmente, os técnicos da instituição nos colocaram em ligação mental direta com eles e, em seguida, fizeram determinadas aplicações espirituais que ainda não compreendo completamente. Notei que a operação não afetava nossa consciência e aproveitei para fazer oração sincera, mais como compromisso de trabalho do que como súplica. Depois de algum tempo, fomos liberados para sair quando quiséssemos. A princípio, não percebi nada de diferente, embora sentisse nova coragem e alegria no coração. Meu ânimo estava renovado e meus sentidos de visão e audição pareciam mais claros. Satisfeito, Aniceto nos esperava no Centro. Marcou nossa saída para o meio-dia. Aguardei ansioso o momento. Não saímos de “Nosso Lar” como os viajantes encarnados, geralmente carregados de pacotes e sacolas. - Aqui – disse Aniceto – toda a nossa bagagem é a do coração. Na Terra, carregamos malas, bolsas, embrulhos, etc. Mas agora devemos levar intenções, energias, conhecimentos e, acima de tudo, vontade sincera de ajudar. Alguns companheiros presentes riram com vontade. Nesse momento, nosso instrutor fez algumas recomendações. Passou a chefia de turmas para um colega, deixou a programação de serviço e avisou que voltaria à colônia todos os dias, por algumas horas, deixando-nos a mim e a Vicente trabalhando na Terra, em atividades que deveriam durar toda a semana. Despedimo-nos dos colegas, cheios de esperança. Era a nossa primeira excursão de estudos e cooperação aos encarnados. Quando saímos, Aniceto observou: - Creio que a viagem será diferente para vocês. Com certeza, estão habituados à passagem livre, garantida, por ordem superior, para as atividades normais de nossa colônia e trânsito dos mais enclarecidos às vésperas de reencarnação. - Como assim? – perguntou Vicente, admirado. - Você não sabia? As regiões inferiores, entre “Nosso Lar” e a Terra, são tão grandes que exigem uma estrada ampla e bem cuidada, sempre em conservação, exatamente como as estradas mais importantes do mundo. Lá temos obstáculos físicos, mas aqui encontramos obstáculos espirituais. As vias de comunicação normais destinam-se ao intercâmbio necessário. Aqueles que estão em tarefas sagradas de rotina precisam ter trânsito livre e os que partem para nova reencarnação devem seguir em harmonia, sem contato direto com as emanações das regiões inferiores. A absorção de energias em desarmonia, acarretaria sérios desequilíbrios no seu renascimento e devemos evitar esse tipo de perturbação. Mas nós vamos em viagem de aprendizado e experiência. Por isso, não devemos usar os caminhos mais fáceis. Percebendo nossa surpresa, Aniceto concluiu: - Imagine um grande rio, separando duas regiões diferentes. Temos os trechos mais rasos, onde é possível atravessar com mais rapidez, e temos também várias passagens através de fundos precipícios. Pelo rosto do instrutor, concluí que ele poderia voltar à colônia quando quisesse, sem encontrar qualquer obstáculo em lugar algum, em função de sua grande elevação espiritual, mas viajava como nós por dedicação à tarefa de ensinar. Vicente e eu não tínhamos padrão vibratório adequado ao grandes feitos. Éramos como a maioria dos habitantes da colônia, sem qualquer condição especial. Possuíamos apenas alguma capacidade de volitação, distantes de qualquer poder verdadeiro. Nunca tinha visto energia e humildade convivendo em tamanha harmonia. Aniceto nos dirigia com firmeza, sabedoria e pulso, mas não hesitava em fazer-se igual a nós, a fim de ajudar como companheiro dedicado. Pensando nessa grande lição, em pleno impulso de vôo, observei as torres de “Nosso Lar” que íam ficando mais longe...