------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 16 NO POSTO DE SOCORRO Fiquei deslumbrado com a visão do lindo castelo! Incapaz de expressar o que sentia, acompanhei Aniceto em silêncio. Com grande surpresa, notei que a grande construção não estava sem defesa. O castelo era cercado por pesados muros que pareciam não ter fim. Quem imaginasse uma instituição como aquela, localizada nos planos invisíveis, dificilmente pensaria em paredes daquele tipo. A noção de céu e inferno, profundamente arraigada na cultura popular, não deixa claro que os homens, de modo geral, não mudam com a morte física, assim como ninguém muda de personalidade, só porque muda de casa. Espantado, notei que o nosso orientador tocou uma campainha escondida, disfarçada na muralha. Creio que, se Aniceto estivesse sozinho, não precisaria fazer isso, já que suas capacidades espirituais eram muito superiores à qualquer obstáculo mais denso. No entanto, estávamos com ele e, mais uma vez, por educação, não quis ser diferente de nós. Esconder a própria superioridade é gesto muito bem visto nas sociedades espirituais mais elevadas. Dois assistentes atenderam a porta pesada, rodando-a nas ferragens, como aconteceria em qualquer construção mais antiga do plano físico. - Olá, companheiros! – disseram ambos, ao mesmo tempo, olhando Aniceto com respeito. Aniceto levantou a mão, que se encheu de luz nesse instante, e disse algumas palavras de amor, retribuindo a saudação respeitosa. Entramos. Fiquei admirado! Pomares e jardins maravilhosos se estendiam até onde os olhos podiam alcançar. Ali, a sombra não era tão intensa. Sentíamo-nos envolvidos em suave luz de entardecer, graças aos grandes focos de luz radiante. E as surpresas continuavam na parte interior. Só agora percebia que a muralha escondia a maior parte das construções. Pavilhões enormes alinhavam-se como se estivéssemos numa grande cidade universitária. Várias turmas de homens e mulheres ocupavam-se em diversas atividades. Ninguém parecia notar nossa presença, tamanho o interesse com que se dedicavam ao trabalho. Acompanhamos Aniceto pelas fileiras de árvores grandes, que pareciam carvalhos antigos. Notei que, nesse Posto de Socorro, a natureza havia sido especialmente bondosa. Agora havia mais luz no céu e o vento era mais suave, sussurando mansamente sobre o bosque. O instrutor, notando nossa admiração, explicou: - Esta paz reflete o estado mental dos que vivem neste posto de assistência. Acabamos de atravessar uma zona de grande perturbação espiritual, que vocês ainda não podem perceber completamente. A natureza é perfeita em toda parte, mas cada lugar expressa a infuência das criaturas que o habitam. A explicação não poderia ser mais clara. Chegando ao prédio central, construído como um castelo europeu dos tempos feudais, encontramos simpático casal. - Meu caro Aniceto! – falou o homem, abraçando nosso orientador. - Meu caro Alfredo! Querida Ismália! – respondeu Aniceto sorrindo. Após os cumprimentos carinhosos, ele nos apresentou com gentileza. O casal nos abraçou, demonstrando grande hospitalidade. - Nosso querido Alfredo – continuou Aniceto, explicando – é o dedicado administrador deste Posto de Socorro. Há muito tempo consagrou-se ao serviço de ajuda aos ignorantes e perturbados! - Ah, pare com isso! – respondeu Alfredo, fugindo dos elogios – não faço nada mais que cumprir meu dever. E, como se quisesse mudar de assunto, prosseguiu atencioso: - Mas que surpresa boa! Faz vários dias que não temos visitas de “Nosso Lar”! Ainda bem que vieram hoje, que Ismália também veio me visitar!... Que estranho! – pensei comigo mesmo. Aquela senhora de rosto bonito não era sua esposa? Eles não viviam juntos ali, assim como na Terra? Mas antes que eu pudesse chegar a qualquer conclusão, Alfredo nos levou para dentro. As escadas, feitas de algo muito parecido ao mármore, impressionavam pela beleza. Entramos em grande salão com varanda espaçosa, mobiliado à moda antiga, onde as colunas estavam enfeitadas com hera florida, diferente da que encontramos na Terra. Os móveis, delicadamente esculpidos, formavam lindo conjunto. Admirado, observei as paredes, de onde pendiam quadros maravilhosos. Um deles, porém, me chamou mais a atenção. Era uma tela enorme, representando o martírio de São Dinis, o Apóstolo das Gálias, cruelmente torturado nos primeiros tempos do Cristianismo, segundo meus poucos conhecimentos de História. Intrigado, lembrei-me de ter visto um quadro idêntivo àquele na Terra. Não era uma obra famosa de Bonnat, conhecido pintor francês moderno? Só que a cópia do Posto de Socorro era muito mais bonita. A lenda popular estava muito bem retratada nos mínimos detalhes. Com a cabeça decepada e o tronco seminu banhado em luz, o apóstolo fazia um grande esforço para erguer a própria cabeça que havia rolado a seus pés, enquanto os assassinos o olhavam completamente horrorizados. Do alto, descia um mensageiro de Deus, trazendo a ele a coroa e a palma da vitória. Naquela cópia, entretanto, havia uma luz profunda, como se cada pincelada tivesse vida e movimento. Percebendo minha adminiração, Alfredo falou sorrindo: - Todos os que nos visitam pela primeira vez, ficam admirados com esta cópia magnífica. - Ah, sim! – respondi – o original, se não me engano, pode ser visto no Panteão de Paris. - Não, está enganado – explicou ele – nem todos os quadros, assim como nem todas as obras de arte, são originárias da Terra. É claro que devemos muitas obras-primas à criação humana, mas, neste caso, o assunto é mais transcendente. Aqui você vê a verdadeira história desta bela obra, que foi idealizada e executada por grande artista cristão, numa cidade espiritual ligada à França. No fim do século XIX, ainda encarnado, o pintor visitou aquela colônia em noite de grande inspiração, achando que tinha tido um sonho maravilhoso. Desde o momento em que viu a tela, não descansou enquanto não a reproduziu como pôde, em desenho que ficou famoso no mundo todo. No entanto, as cópias terrestres não têm a mesma pureza de traços e luzes e nem mesmo a reprodução que vemos aqui tem a mesma beleza imponente do original, que já tive a felicidade de ver de perto, quando organizávamos, aqui no Posto, algumas homenagens para a visita que do grande servidor do Cristo. Para poder cuidar de todos os detalhes, visitei pessoalmente a cidade espiritual de que falei. Fiquei profundamente surpreso. Agora entendia o sofrimento dos grandes artistas, espiritualmente inspirados na criação de obras imortais. Agora percebia que toda arte elevada é sublime na Terra, porque traduz as visões maravilhosas do homem nos planos superiores. Querendo, talvez, completar meus pensamentos, Alfredo comentou: - O gênio construtivo expressa superioridade espiritual livremente na Terra. Ninguém cria sem ver, ouvir ou sentir, e os artistas de mentalidade superior costumam ver, ouvir e sentir as imagens mais elevadas do caminho para Deus. E, olhando para Aniceto, exclamou: - No entanto, acho que o momento não é para divagações. Vamos nos sentar. Vocês devem estar cansados da viagem difícil. Precisam descansar para repor as energias.