------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 17 O ROMANCE DE ALFREDO Depois de nos refrescarmos um pouco, Alfredo nos convidou para uma refeição, em que Ismália, com grande elegância, nos serviu algumas frutas. O casal não poderia ser mais gentil. Colaboradores íam e vinham, demonstrando grande alegria. A conversa com Alfredo e os comentários de Ismália estavam cheios de observações interessantes e educativas. - E o que acha dos serviços? – perguntou Aniceto, dirigindo-se a Alfredo. - Excelentes, no que diz respeito às oportunidades de crescimento – respondeu ele – entretanto, não posso dizer o mesmo a respeito da situação atual. As zonas a que atendemos estão repletas de tristes novidades. Na Terra, a época atual é de muitos conflitos e as vibrações negativas que nos atingem são de enfraquecer qualquer espírito mais preparado. Encarnados e desencarnados empenham-se em lutas destruidoras. É uma pena. - Está aumentando o número de necessitados que pedem socorro aqui? – continuou o nosso instrutor. - Muito. Nossa produção de alimentos e medicamentos tem sido totalmente consumida pelos famintos e doentes. Tenho 500 colaboradores, mas não conseguimos dar conta do trabalho a fazer. As multidões de sofredores são enormes. Antigamente, nossa paisagem se mantinha sem sombras por várias semanas, mas agora... Nesse instante, Ismália pediu licença para retirar-se. E como Alfredo me olhava, aproveitei para comentar: - Ainda bem que você pode contar com a companheira dedicada ao seu lado. Ele e Aniceto sorriram juntos, enquanto Alfredo me dizia: - Ah, meus caros, por enquanto ainda não tenho essa felicidade. Eu e Ismália temos compromisso sagrado de união espiritual, mas eu ainda não posso ficar com ela o tempo todo. Ela já manifesta bondade superior, enquanto eu ainda estou mais próximo da realidade humana. Depois de pequena pausa, continuou: - Aniceto conhece nossa história, mas vocês, não. Ficarei feliz em contar algumas lembranças, para benefício de todos. Enquanto eu me desabafo, contando meus erros, vocês aproveitam as experiências para seus futuros serviços na Terra. Ismália e eu tínhamos um tesouro de felicidade na Terra. No entanto, a maldade nos vigiava, esperando para nos roubar a alegria. Minhas responsabilidades nos negócios materiais eram enormes e, longe de entender meus deveres de pai e esposo, não fazia nada para cumprir minhas obrigações com a esposa e os dois filhos que Deus me deu. Ismália, porém, era quem sustentava o nosso lar. Mas eu me esqueci de que a virtude sempre pode ser atacada pela inveja e Ismália acabou vítima da maldade de um amigo desleal, com quem eu tinha vários interesses financeiros em comum. Por anos seguidos, minha esposa foi perseguida por ele em silêncio. E, quando meu sócio percebeu que sua estratégia não funcionaria, desesperado, resolveu envenenar-me contra ela. Começou por me alertar para o seu comportamento, deixando-me confuso com as acusações absurdas que fazia. Subornou empregados e colocou espiões para segui-la nas atividades de esposa e mãe. Esse homem exercia profunda influência sobre mim e, fiel aos laços que nos uniam, Ismália jamais foi capaz de denunciá-lo. Enquanto ouvia as calúnias fora de casa, a vida ía se tornando cada vez mais difícil dentro dela. Não sabia mais olhar Ismália com a despreocupação e a confiança de antes. Via o mal em seus menores gestos e ficava procurando segundas intenções em todas as suas palavras. Cheguei a acusá-la indiretamente. Ela chorou e se calou. Por fim, nosso perseguidor subornou um homem sem ética que, numa noite, ficou ao lado de nosso quarto, feito ladrão escondido, para me exigir o testemunho maior. Entrei no quarto completamente desesperado e acusei-a em voz alta ao vê-la profundamente tranquila. Ismália levantou-se preocupada com minha saúde mental, mas não dei atenção aos seus pedidos e saí procurando, como louco, aquele que manchava a minha honra. Abri com violência o armário antigo, vasculhando o quarto. Nesse instante, o vulto de um homem se esgueirou na sombra do cômodo ao lado e, antes que eu, cheio de ódio, pudesse pegá-lo, ele pulou a janela, saindo pelo pomar de nossa casa. Corri, desesperado, atirando a esmo, mas nada consegui. Voltei ao quarto e, para cúmulo da calúnia, o desconhecido tinha deixado para trás um chapéu novo, bem moderno, para instigar ainda mais meus sentimentos desequilibrados. Com os olhos congestionados, vomitando insultos, quis matar Ismália, que chorava aos meus pés. No entanto, alguma coisa, que nunca pude compreender enquanto encarnado, segurou meu braço assassino. Gritando blasfêmias, sem ouvir seus pedidos, saí de casa, cheio de horror. No dia seguinte, tirei-lhe os direitos sobre os filhos e mandei-a de volta à fazenda dos pais, completamente arrasada. Contratei uma governanta para os meninos e, logo depois, tomei um navio para a Europa, onde fiquei por três anos. Nunca quis saber maiores detalhes sobre o caso e, embora vivesse sempre atormentado, engoli meus sentimentos mais íntimos, nunca procurando saber notícias da esposa caluniada. Um dia, recebi uma carta muito breve na França. Um parente me dava notícias de Ismália. Depois de dois anos muito difíceis de saudade e abandono, pegou tuberculose e desencarnou em meio a muito sofrimento. Então, decidi voltar e me mudei para o Rio novamente. Eduquei meus filhos e guardei a viuvez sofrida no coração. Os anos se passaram e, um dia, fui chamado pelo ex-sócio desenganado. O infeliz, pressentindo a morte, confessou o crime, pedindo-me um perdão que, infelizmente, nunca pude lhe dar. Desde então me transformei num louco incurável. Velho e cansado, procurei meus sogros na fazenda, na tentativa de me redimir da injustiça de alguma forma, mas a morte não me deu chance e desencarnei em tristes condições espirituais. Nesse instante, ele fez uma pausa, para continuar, comovido: - Não preciso dizer que Ismália me deu todo o amparo de que precisava. Mas, infelizmente, já estávamos separados. Não mereci a alegria da união sublime. Ismália me acompanha de perto, mas vive em plano superior, o qual me esforço para alcançar. Há muito tempo, decidi me dedicar aos ignorantes e sofredores e ela me visita todos os meses, incentivando e amparando meu espírito nas dificuldades. - Mas ela não poderia se transferir para cá definitivamente? – perguntou Vicente, tão impressionado quanto eu com a história emocionante. Alfredo sorriu e falou: - Sei que Ismália tem trabalhado para isso, já que o superior está sempre em condição de ajudar o inferior, e que temos o mesmo ideal de união eterna, mas sei também que foi alertada, pelos nossos superiores, sobre minhas necessidades de esforço e solidão. Preciso conhecer o valor da felicidade para não menosprezar novamente as bênçãos de Deus. Minha esposa gostaria de vir morar comigo permanentemente, mas é necessário que eu me eleve e, por isso, ainda não tivemos a permissão para a união definitiva. Percebendo nossa emoção, concluiu: - Estou resgatando graves erros de precipitação. Perdi a paz, o lar e a esposa por causa de minha impulsividade descontrolada. Conforme ouviram, não matei, nem roubei ninguém, mas envenenei a mim mesmo. A calúnia é um monstro invisível, que ataca o homem pelos ouvidos desatentos e os olhos desprevenidos.