------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 18 INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS A volta de Ismália ao grupo impediu que continuássemos a conversa. Aproveitando a oportunidade, Aniceto perguntou: - E você acha que podemos continuar nossa viagem? Gostaríamos de chegar à Crosta ainda hoje. Alfredo nos olhou de modo diferente e falou: - Não quero atrapalhar seus planos, mas acho que é melhor passarem a noite aqui. Nossos aparelhos registram uma grande tempestade magnética se aproximando. Batalhas sangrentas estão ocorrendo na Crosta. Os que não estão nas linhas de frente, participam com palavras e pensamentos. Quem não luta com armas, luta com as idéias, comentando a situação. Poucos homens e mulheres continuam mantendo uma atitude espiritualmente elevada. Por isso, é natural que nuvens mais densas de resíduos mentais de encarnados irresponsáveis se espalhem, aumentando muito os conflitos destruidores. Aniceto escutava com atenção. - Não me preocupo com você – continuou Alfredo, dirigindo-se a Aniceto em particular – mas acho que os dois amigos teriam muitas surpresas desagradáveis. - Tem razão – concordou Aniceto. E, com expressão diferente, prosseguiu: - Imagino o sacrifício que fazem os companheiros espirituais que trabalham para a preservação da saúde humana. - São grandes trabalhadores – disse Alfredo. – De vez em quando, vou pessoalmente aos seus núcleos de atividade. Parece que a humanidade prefere continuar na infância. Faz e desfaz com os bens divinos, como se brincasse com bonecas. Esses companheiros suportam serviços bem pesados para que as tempestades magnéticas, invisíveis aos encarnados, não espalhem vibrações mortais, refletidas na miséria da guerra e nas várias epidemias. As colônias espirituais da Europa, principalmente as de nosso nível, estão tendo muitas dificuldades para atender as necessidades gerais. Já começamos a receber grandes grupos de espíritos desencarnados por causa dos bombardeios. Pela missão que tem, “Nosso Lar” ainda não pode imaginar o esforço que o conflito mundial vem exigindo de nós nas esferas mais baixas. Os Postos de Socorro de várias colônias ligadas a nós estão superlotados de europeus desencarnados violentamente. Fomos informados que as orações na Europa comovem até os mais altos colaboradores de Jesus. Os terríveis bombardeios na Inglaterra, Holanda, Bélgica e França são sucedidos por outros não menos violentos. Depois de repetidas reuniões dos nossos mentores espirituais, decidiu-se providenciar a remoção de, pelo menos, 50% dos desencarnados na guerra atual para os nossos centros americanos. Aqui, no nosso campo de concentração, temos mais de quatrocentos espíritos nestas condições. - Mas não há problemas para socorrer essa gente? – perguntou Aniceto, em tom sério. - Como fica a questão da linguagem? - Os serviços de socorro, apesar de intensos na Europa, têm sido muito bem organizados – explicou Alfredo. – Para cada grupo de 50 espíritos, as colônias européias nos mandam um enfermeiro-instrutor, com quem podemos nos entender diretamente. Desse modo, o problema não atrapalha tanto, já que nossa parte é fornecer pessoal de serviço e material de assistência. - Mas não seria mais justo – perguntou Vicente – manter esses desencarnados nas próprias regiões de conflito? Alfredo sorriu e explicou: - Nossos instrutores mais elevados acreditam que essas aglomerações seriam fatais para os encarnados. Seriam como focos de energias doentias, com resultados imprevisíveis, já que muitos dos desencarnados nas zonas atingidas não conseguem evitar a angústia. Mas todos os que se encontram em condições de ser transferidos para cá, desde que tenhamos espaço, são retirados dali, sem perda de tempo, para que seus pensamentos perturbados não pesem ainda mais sobre as regiões sacrificadas. Nesse meio tempo, Aniceto falou, explicando: - É inútil os países do mundo voltarem aos massacres recíprocos. O erro de uma nação atingirá todas, assim como o grito de um homem perturba o bem estar de muitos. A neutralidade é um mito e o isolamento, uma ficção do orgulho político. A humanidade encarnada é uma família de Deus, como bilhões de outras famílias planetárias no universo infinito. De nada valem os desencarnes em massa causados pela guerra. Esses mesmos mortos pesarão espiritualmente para a Terra. Enquanto houver discórdia entre nós, pagaremos caro em trabalho e sofrimento. A guerra fascina a mente de todos os povos, inclusive nos planos invisíveis. Quem não empunha armas, dificilmente consegue evitar as palavras e os pensamentos destruidores. E todos nós pagaremos por isso. A lei divina determina que nos entendamos e amemos uns aos outros. Todos sofreremos as consequências do esquecimento dessa lei, mas cada um será responsabilizado pessoalmente pelo desentendimento que tiver causado no mundo. Alfredo, que parecia pensar muito no que ouvia, comentou: - É justo. Depois de longa pausa, Aniceto voltou a falar: - Na semana passada, estive pessoalmente em “Alvorada Nova”, que fica em zonas mais altas, e soube que, desde as primeiras declarações desta guerra, avançados núcleos da espiritualidade superior dos planetas vizinhos tomaram providências para a vigilância de suas fronteiras vibratórias conosco. Com isso, nos ensinam que devemos arcar, nós mesmos, com todo o mal que criamos. Somos obrigados a lavar, em nossa própria casa, toda a roupa que sujamos. Todos nós rimos com a comparação. Ismália, que continuava em silêncio, apesar da expressão séria que tinha no rosto, comentou com delicadeza: - Infelizmente, quando vistos como um grupo, ainda somos como a Jerusalém presa ao erro. Somos curados por Jesus todos os dias e todos os dias nós o crucificamos novamente. Quase todas as nossas oportunidades têm sido transformadas em recapitulações fracassadas. Ainda não saímos da fase das experiências. E, infelizmente, no mundo, continuamos a ensaiar a política com os Césares, a justiça com os Pilatos, a fé com os Fariseus, o sacerdócio com os rabinos do Sinédrio, a crença com os Jairos que acreditam e duvidam ao mesmo, os negócios com os Anáses e Caifases. Nesse passo, não há como prever o que ainda pode acontecer. Encantando com o comentário, arrisquei: - Mas como é triste a destruição causada pela guerra! - No entanto, - observou Alfredo – é nessas horas que a prece se transforma em luz mais intensa no coração dos homens. Bem que se diz que a estrela brilha mais nas noites mais escuras. Imaginem que, para as primeiras providências para receber os desencarnados em desespero, já fui mais de uma vez aos serviços de assistência na Europa. Há alguns dias, eu e mais alguns companheiros fomos aos planos invisíveis de Bristol para uma dessas expedições. A nobre cidade inglesa estava sendo sobrevoada por alguns aviões pesados de bombardeio. As perspectivas de destruição eram assustadoras. Mas, no meio da noite, pela visão espiritual, notamos um farol de intensa luz. Seus raios faiscavam no céu, enquanto as bombas caíam no solo. A chefia da expedição recomendou que descêssemos até o ponto luminoso. Surpreso, notei que estávamos numa igreja, que poderia parecer sombria aos encarnados, mas era altamente luminosa aos nossos olhos. Notei, então, que alguns cristãos mais corajosos reuniam-se ali e cantavam hinos. O Ministro havia lido a passagem do Atos dos Apóstolos, em que Paulo e Silas cantavam à meia-noite, na prisão, e suas vozes se elevavam aos céus, cheias de confiança. Enquanto as bombas explodiam lá fora, aquelas pessoas cantavam, unidas, em luminosa vibração de fé viva. Nosso chefe pediu que ficássemos em pé, em sinal de respeito e reconhecimento, diante daqueles espíritos heróicos, que lembravam os primeiros cristãos perseguidos. Ele também cantou os hinos e depois nos disse que os políticos contruiriam os abrigos antiaéreos, mas os cristãos é que construiriam os abrigos antitrevas. - Às vezes, - concluiu Alfredo – é preciso sofrer para compreender as bênçãos divinas.