------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 20 DEFESAS CONTRA O MAL Descemos as escadas e, em frente às muralhas, pude ver a extensão das defesas do edifício. Aquela construção enorme era muito mais importante que a de qualquer castelo antigo, transformado em fortaleza. Saindo, pude observar mais detalhadamente. Notei que, na verdade, havíamos entrado por uma torre de vigilância, identificando a arquitetura da construção. Via as linhas gerais com nitidez. Mas o que mais me impressionou foram as fortificações. Podia ver a torre de mensagem, provavelmente dedicada ao serviço de resistência; a guarita aguda, elevando-se acima dos fossos de água corrente; a torre de vigia, bonita e altiva. Observei o caminho da ronda, o poço, as aberturas nas muralhas e, em seguida, as cercas e antemuros, refletindo a complexidade de toda a estrutura de defesa. E as armas? Notei que estavam em maquinário instalado ao longo dos muros, copiando pequenos canhões da Terra. E, emocionado, vi, no alto da torre de vigia, a enorme bandeira de paz, muito branca, tremulando ao vento como penacho de neve... Alfredo percebeu o nosso espanto. - Já sei a impressão que a nossa defesa causa a vocês – disse ele, parando para nos explicar. Olhando-nos com atenção, continuou: - Vocês, naturalmente, não imaginavam que fossem necessárias tantas fortificações. Como podem ver, a nossa bandeira é de harmonia e paz. No entanto, é preciso lembrar que estamos em seviço, o qual precisamos defender de qualquer maneira. Enquanto a lei universal de amor não dominar, é indispensável que se faça justiça. Nosso Posto está localizado aqui como ovelha no meio de lobos e, embora não possamos eliminar as feras, precisamos defender a obra do bem contra os ataques indevidos. As organizações dos espíritos dedicados ao mal são imensas. Não pensem que eles são todos ignorantes ou inconscientes. Em sua maioria são criminosos perversos. São entidades realmente diabólicas. Não tenham dúvida disso. - Nossa! – exclamou Vicente, admirado – Mas por que se organizam deliberadamente para o mal? Por acaso, não sabem que todos os bens universais pertencem a Deus? Não reconhecem a soberania divina? - Ah, meu amigo – falou Alfredo sério – fiz as mesmas perguntas quando cheguei aqui pela primeira vez. E as respostas que tive foram incisivas e definitivas. Poderíamos perguntar a mesma coisa na Terra. Os criminosos que fazem vítimas na guerra, os exploradores da economia popular, os avarentos egoístas, os sedentos de domínio indevido e os vaidosos cheios de presunção sabem, tão bem quando os nossos adversários daqui, que tudo pertence a Deus, que o homem é simples usuário dos bens divinos. Sabem também que os antepassados foram cobrados no momento da morte e que irão pelo mesmo caminho. No entanto, atormentam-se feito loucos na Crosta, amontoando ruínas futuras e abusando de oportunidades sagradas. Aqui vemos a mesma coisa. Querem dominar os outros antes de dominarem a si mesmos, exigem receber antes de dar e entram em conflito eterno com o espírito da lei divina. Instalada a luta entre a sua fantasia e a verdade de Deus, resistem às correções do Criador e transformam-se em verdadeiros gênios das sombras, até que, um dia, decidam mudar de rumo. Intrigado com as profundas observações, perguntei: - Mas qual a causa dessa atitude? Na Terra, até podemos entender certos enganos, mas aqui... Alfredo não me deixou terminar e continuou: - Na Crosta, nossos irmãos menos felizes lutam pelo domínio financeiro, pelas paixões desvairadas, pela supremacia de falsos princípios. Nestas zonas próximas da Terra, temos a mesma situação. Entre as entidades perversas e ignorantes, há cooperativas organizadas para o mal, sistemas econômicos de natureza feudalista, exploração negativa de certas forças da natureza, vaidades obsessivas, difusão de mentiras, escravização dos que se enfraquecem por invigilância, triste cativeiro de espíritos fracassados e irresponsáveis, paixões talvez mais desvairadas que as da Terra, inquietação emocional, graves desequilíbrios mentais, sérios desvios do sentimento. Em todo lugar, meu amigo, os fracassos espirituais são sempre os mesmos perante Deus, embora a intensidade e o tom possam variar. - Mas... e as armas? – perguntei – São realmente utilizadas? - Claro! – disse Alfredo apressado – Não temos balas de aço, mas temos projéteis elétricos. Claro que não atacamos ninguém. Nossa tarefa é de socorro e não de extermínio. - Mas qual o efeito desses projéteis? – perguntei impressionado. - Assustam muito – respondeu ele, sorrindo – e, acima de tudo, demonstram o quanto nossa defesa é superior à sua ofensiva. - Mas só assustam? – continuei perguntando. Alfredo sorriu novamente e acrescentou: - Podem causar a impressão de morte. - Como é que é? – exclamei espantado. Alfredo pensou um pouco e, considerando a seriedade dos esclarecimentos, colocou: - André, André, se não estamos mais na carne, vamos desencarnar também os nossos pensamentos. As criaturas que se agarram às impressões físicas aqui, estão sempre criando densidade para os seus veículos de manifestação, da mesma forma que os espíritos dedicados às vibrações superiores estão sempre sutilizando esses mesmos veículos. Nossos projéteis, portanto, expulsam os inimigos do bem com vibrações de medo, mas poderiam causar a ilusão de morte, atuando sobre o corpo denso desses espíritos mais atrasados. A morte física não é uma ilusão na Terra também? Ninguém desaparece. O fenômeno é apenas de invisibilidade ou, às vezes, de ausência. Quanto à responsabilidade dos que nos matam, é outra coisa, assunto de alçada divina. Além disso, temos que considerar também que, nesta esfera, o corpo denso modificado pode reaparecer todos os dias, pela matéria mental destinada à sua produção, enquanto que, para obter um corpo físico, há espíritos que trabalham durante séculos, muitas vezes... Vicente e eu nos calamos, chocados. Alfredo sorriu tranquilamente e perguntou, bem humorado: - Vocês conhecem a lenda hindu da serpente e do santo? Como dissemos que não, ele continuou: - Contam as tradições populares da Índia que existia uma serpente venenosa em certo campo. Ninguém se arriscava a passar por lá, com medo de ser atacado. Mas um santo homem, a serviço de Deus, foi até lá, confiando mais no Senhor do que em si mesmo. A serpente o atacou, sem respeito algum. Mas ele a dominou com um simples olhar sereno e falou: - Minha irmã, manda a lei que você não faça mal a ninguém. A víbora se recolheu envergonhada. O sábio continuou seu caminho e a serpente modificou-se completamente. Procurou lugares habitados pelo homem, querendo reparar seus antigos crimes. Mostrou-se pacífica, mas, desde então, começaram a abusar dela. Quando perceberam sua submissão absoluta, homens, mulheres e crianças lhe davam pedradas. A infeliz se escondeu na toca, muito decepcionada. Vivia aflita, medrosa, desanimada. Um dia, o santo voltou pelo mesmo caminho e decidiu visitá-la. Espantou-se ao ver tanta ruína. A serpente, então, contou-lhe a história com muita tristeza. Queria ser boa, doce e carinhosa, mas as criaturas a perseguiam e apedrejavam. O sábio pensou, pensou, e, depois de ouvi-la, respondeu: - Mas, minha irmã, você se enganou. Eu a aconselhei a não morder ninguém, a não matar, nem perseguir, mas não lhe disse para não assustar os maus. Não ataque as criaturas de Deus, nossas irmãs no mesmo caminho da vida, mas defenda a sua parte no trabalho divino. Não morda, nem fira, mas é preciso manter o perverso à distância, mostrando-lhe os dentes e emitindo silvos. Nesse momento, Aniceto sorriu de maneira expressiva. Alfredo fez longa pausa e concluiu: - Creio que a fábula dispensa comentários.