------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 21 ESPÍRITOS DEMENTADOS Muitos colaboradores nos acompanhavam no serviço. Vários carregadores se movimentavam, levando grandes garrafas d’água, caldeirões de sopa, frascos com remédios, em vários carrinhos de mão. Mais adiante notei que centenas de entidades estavam acomodadas em grandes dormitórios, com os olhos perdidos e o rosto pesado, parecendo uma reunião de loucos num hospício gigantesco. Alfredo deu algumas instruções de serviço aos técnicos do sopro, os quais se afastaram de nós para trabalhar em outra área. Ele nos explicava que os benfeitores de “Campo da Paz” colocaram ali um grande número de espíritos doentes, mais desequilibados do que propriamente maus. Os enfermos que víamos estavam em melhores condições. Já andavam e alguns até conversavam, apesar do desequilíbrio que ainda apresentavam nos pensamentos e palavras. Esclarecia-nos sobre as diversas obrigações de rotina, quando algumas entidades se aproximaram. - Sr. Alfredo, – disse um velho de barbas muito brancas – estou aguardando resposta para o meu pedido. Como ficamos com relação às minhas terras e aos meus escravos? Paguei muito bem ao Carmo Garcia. O senhor sabe que venho sendo perseguido há vários anos e não posso perder mais tempo. Quando volto para casa? Creio que o senhor está ciente da necessidade de eu voltar para a minha família. Minha mulher e meus filhos me esperam. Como excelente médico da alma, Alfredo prestou muita atenção e respondeu, como se estivesse falando com pessoa equilibrada: - Sim, Malaquias, você tem razão em reclamar, mas sua saúde não permite que volte apressadamente ao lar. Você sabe que sua esposa, D. Sinhá, pediu que você recebesse tratamento adequado aqui. Creio que ela deve estar muito tranquila. Mas suas idéias, meu amigo, ainda não estão bem coordenadas. Ainda temos algumas coisas a fazer. Por que se preocupar tanto com as terras e os escravos? A saúde em primeiro lugar, Malaquias! Não se esqueça da saúde! O velho sorriu, como o doente que confia na firmeza e no otimismo do médico. - Reconheço que o senhor tem razão, mas meus filhos não fazem nada sozinhos, são preguiçosos e precisam de mim por perto. E, doutrinando delicadamente o pobre velhinho, Alfredo argumentou: - Mas de onde saíram os seus filhos? Não vieram das mãos de Deus? - Sim, sim... – afirmava o velho, trêmulo e satisfeito. - Pois então, Malaquias. Há momentos na vida em que precisamos devolver a Deus o que pertence a Ele. Além disso, seus filhos também são responsáveis e, se forem preguiçosos, terão que arcar com os problemas que criarem em seu próprio caminho. Por ora, é indispensável que você se recupere, aclare as idéias e sossegue o coração. O velho sorriu satisfeito, e, antes que pudesse falar de novo, um homem de muito boa aparência se adiantou, dizendo: - E a solução do meu caso, Sr. Alfredo? Sinto que estou sendo prejudicado pelos parentes de má fé. Meus primos querem ficar com a minha parte na herança dos meus avós. Como já lhe expliquei, minha parte é maior que a dos outros. E, no entanto, soube que o Visconde de Cairu está usando toda sua influência contra mim. Todos sabem que ele é um grande velhaco. O que não poderia fazer com artimanhas políticas? Está mal informado a meu respeito. O senhor enviou meu pedido ao Imperador? - Já despachei a mensagem – esclareceu Alfredo, com carinho – Com certeza, o Imperador vai considerar a solicitação. - Entretanto, está demorando demais!... – disse o homem, impaciente, como se estivesse falando com um insubordinado qualquer. - Mas, Aristarco, - respondeu Alfredo, muito calmo – acredito que você está sendo testado para conhecer a grandeza da herança divina. Quanto valem os bens terrestres, perante os bens eternos? Não pense no que está perdendo; reflita nos bens sublimes que poderá alcançar, diante da vida eterna. Esqueça os primos ambiciosos e o Visconde que não o compreendeu. Eles terão que deixar tudo o que possuem na Terra, para prestarem contas a Deus. Nunca pensou nisso? Aristarco pareceu perder, por instantes, a inquietação, sorriu com franqueza e respondeu: - É verdade! Os tratantes vão morrer um dia... Uma senhora, demonstrando muita aflição, colocou-se à nossa frente e questionou, com arrogância: - Sr. Alfredo, peço que não me segure mais aqui. Meu marido é nosso inimigo. Prometeu que perseguiria as filhas, assim que eu saísse de casa. Ficando aqui, tenho certeza de que acabará com os nossos bens, desmoralizando nosso nome. Por favor, permita-me voltar. Meu coração diz que minhas filhas estão desesperadas. Estou cada vez mais convencida de que minha doença é consequência de todos esses problemas... - Já sei, minha irmã, - respondeu nosso amigo com o mesmo carinho – No entanto, de que adiantaria voltar ainda tão perturbada? Não seria melhor curar-se primeiro e tranquilizar o espírito para depois ajudar as filhas com eficiência? - Mas eu nem sei onde estou – reclamou a senhora, torcendo as mãos – Creio que me trouxeram para o fim do mundo só para tratar um simples desmaio! - No entanto, ninguém a maltrata – disse Alfredo, com bondade – e seu caso não é tão simples como parece. Tenha calma. Os laços de sangue são importantes, mas, acima deles, está a família universal. Há criaturas enfrentando problemas muito mais sérios que o seu. Aprenda, o quanto puder, a se desapegar de bens passageiros, para receber os bens eternos. A infeliz não sorriu como os outros. Com a expressão fechada, saiu pisando duro, com os olhos faiscando de raiva, como se sua mente estivesse presa a algo muito distante, incapaz de compreender qualquer coisa. Outros doentes se aproximaram, mas Alfredo falou em voz alta: - Não posso atender a todos agora. Depois de amanhã, serão todos recebidos para explicações. E, virando-se para nós, esclareceu com um sorriso: - Na Terra, seriam todos considerados absolutamente normais. No entanto, aqui, são verdadeiros loucos. São desencarnados que, por muito tempo, se agarraram aos seus problemas inferiores. Pedem providências, sem considerar a oportunidade que menosprezaram; acusam os outros, sem pensar nos próprios erros. Tentei ouvi-los para dar a vocês uma idéia do nosso trabalho com os que se desequilibram mentalmente por excesso de preocupação com objetivos inferiores. Não é crime alguém se interessar pelas terras, pela herança, pelo bem-estar da família, mas, no fundo, o velhinho que reclama terras e escravos só pensa em tirania; o homem que espera pela herança só quer prejudicar os primos; e a senhora que pareceu tão interessada na família, decepcionou-se quando pretendia envenenar o marido na surdina. Conheço todos os casos, um a um. Acordaram de longo sono na inconsciência e pensam que ainda estão encarnados, achando que podem esconder suas verdadeiras intenções. Eu estava perplexo. Demonstrando toda minha surpresa, perguntei: - E esses doentes ficam muito tempo por aqui? Como chegaram ao Posto? Sempre gentil, Alfredo respondeu: - Estavam em piores condições quando foram recolhidos. Ficaram muito tempo em sono pesado e vão readquirindo a memória aos poucos, até que possam ser encaminhados para os Institutos Magnéticos de “Campo da Paz”, onde terão maior assistência e receberão esclarecimentos necessários.