------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 22 OS QUE DORMEM Seguimos por um caminho agradável de árvores, em direção aos grandes edifícios com linhas arquitetônicas especiais. Sem que eu pudesse entender o que acontecia, as luzes foram diminuindo aos poucos. O que teria acontecido? Vicente e eu nos olhamos, assustados. Alfredo, Aniceto e os outros, no entanto, caminhavam sem surpresa. A serenidade deles me tranquilizou, apesar do grande espanto. Mais alguns passos e chegamos aos pavilhões estranhos, que, pelos meus cálculos, se estendiam por uma distância de mais de 3 km. Lá dentro, as sombras aumentaram ainda mais. Distinguia, vagamente, o que havia no interior. Pelo que pude perceber, eram enfermarias com teto fechado, abertas na parte mais alta das laterais, para a circulação livre do ar. Dezenas de trabalhadores dedicados nos seguiam em absoluto silêncio. Alfredo era o único que falava, notando-se que se esforçava para ser muito discreto com as palavras. Tudo isso me dava a impressão de ter entrado num cemitério escuro, onde os visitantes eram obrigados a demonstrar total respeito aos mortos. Admirado, notei que um dos trabalhadores entregou pequena máquina a Alfredo, que nos explicou com gentileza: - Este é o nosso aparelho de sinalização luminosa. Estamos no centro dos pavilhões onde se localizam os espíritos que ainda estão adormecidos. Atualmente, temos quase dois mil aqui. Os numerosos cooperadores se dirigiram em ordem para a sua área de serviço. Depois de rápida pausa, falou com firmeza: - Vamos começar o trabalho de assistência. Ao primeiro sinal luminoso de Alfredo, várias lâmpadas elétricas foram acesas e, então, contendo, com muito custo, minha primeira impressão de horror, vi grandes filas de leitos na altura do chão, todos ocupados por pessoas mergulhadas em sono profundo. Muitos tinham uma aparência terrível. Eram muito poucos os que tinham os olhos fechados, parecendo mais tranquilos. A maioria tinha os olhos vitrificados, cheios de pavor e desespero pela morte, e a face pálida como cadáveres. Lembrando da literatura antiga, pensei nos velhos túmulos egípcios. Tínhamos, à nossa frente, centenas de múmias perfeitas. Muito poucos pareciam dormir um sono natural. Aproximando-se de nós, Alfredo disse a Aniceto, em particular: - Infelizmente, não podemos atender a todos. - Por quê? – perguntou nosso orientador, comovido. - Estamos esperando pessoal treinado. Temos aqui 80 auxiliares para esse serviço, mas cada um só pode atender cinco doentes de cada vez. Em vista disso, entre os 1900 abrigados que temos, separei os 400 mais suscetíveis de despertar em breve, a fim de submetê-los a tratamento intensivo. - E os outros? - Recebem comida e medicamentos mais densos uma vez por dia. Aniceto calou-se, pensativo. Profundamente impressionado com o que via, instintivamente me debrucei sobre o doente mais próximo, tentando verificar seu estado físico. Percebi calor corporal, pulsação regular e movimentos respiratórios, embora notasse extrema rigidez dos membros, como se sofresse de catalepsia. Fiquei chocado e, assustado, levantei-me e pedi a Aniceto, com a máxima discrição: - Pelo amor de Deus, explique-me o que vemos aqui! Será que estamos nos planos da morte depois da morte? O instrutor sorriu, compreensivo, e explicou em voz muito baixa: - Sim, André, este sono é mesmo uma espécie avançada de morte. Aqui se encontram abrigados milhões de espíritos que ainda dormem. São aquelas criaturas que nunca se dedicaram ao bem ativo e renovador e, principalmente, os que acreditaram piamente que a morte é o nada, o fim de tudo, o sono eterno. A crença na vida espiritual é atividade permanente da alma. A ferrugem corrói a enxada parada. O entorpecimento invade o espírito que não tem ideais elevados. Aqueles espíritos que, enquanto encarnados, crêem na vida eterna, mesmo que não sejam cristãos, estão desenvolvendo capacidades espirituais e voltam para o plano espiritual em estado mais animador, pelo menos no que diz respeito à locomoção e ao equilíbrio mental. No entanto, as criaturas que insistem na negação deliberada e absoluta, que nada vêem além do corpo físico, que não querem qualquer conhecimento espiritual, mesmo que estejam ligadas a cultos religiosos exteriores, são realmente muito infelizes. Muitos entram em nossas instituições como embriões de vida, no útero da mãe natureza. Um amigo nosso costuma chamá-los de fetos da espiritualidade. Entretanto, eu acho que estariam muito felizes se estivessem realmente nessas condições. Temos certeza de que muitos repudiaram qualquer contato com a fé, por triste indiferença à vontade de Deus. Dormem, porque estão magnetizados pelas próprias idéias de negação. Permanecem paralíticos, porque preferiram a rigidez, em vez do entendimento. Mas chegará o dia em que terão de se levantar e pagar peas dívidas contraídas. Por isso eu os considero sofredores. Inicialmente, permanecem no sono em que acreditaram, para depois acordarem. No entanto, a maioria não consegue escapar da perturbação e da enfermidade, como acontece também com os espíritos desequilibrados que vimos agora há pouco. Estava muito espantado. Como Vicente também se aproximou para ouvir, Aniceto falou, explicando aos dois: - A fé sincera é como ginástica para o espírito. Quem não exercita na Terra, de alguma maneira, preferindo a negação deliberada, mais tarde se verá sem movimento. Criaturas assim precisam de muito sono e repouso, até que despertem para estudar as responsabilidades da vida. Percebendo que o nosso instrutor evitava fazer comentários mais longos, não coloquei mais nenhuma das dúvidas que me atormentavam a mente, para poder acompanhar de perto os trabalhos de assistência. Com exceção de algumas senhoras que permaneciam com Ismália, todos os colaboradores se mantinham em vigilância, próximos aos grupos de espíritos paralisados. A luz artificial iluminava os leitos, que se perdiam de vista, mas notei que nenhum dos doentes reagia à intensa claridade. Continuavam rígidos, cadavéricos, prostrados. Percebi, então, que Alfredo começou a movimentar o aparelho de sinalização para dar as ordens de serviço. Cada sinal representava uma operação diferente. Vi os trabalhadores distribuírem pequenas porções de alimento líquido e medicação oral em silêncio absoluto. Em seguida, serviram pequenas quantidades de água fluidificada aos doentes, com exceção, porém, de muitos que pareciam aptos a receber apenas sopa e remédios. Dois terços dos 400 doentes em tratamento receberam aplicações de sopro curativo. Cuidando para que fosse mantido o máximo silêncio, Alfredo transmitia todos os procedimentos de trabalho com a sinalização luminosa. Impressionado com o que via, perguntei a Aniceto, em voz baixa, por que alguns doentes não eram tratados com água, passe e sopro. Aniceto, muito gentil, como se fosse um pai querendo acalmar o filho assustado, falou em meu ouvido: - Na vida, André, cada um tem as próprias necessidades. Aqui entendemos bem essa lei da natureza.