------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 24 A PRECE DE ISMÁLIA Em pouco tempo, estávamos reunidos ao grupo novamente. Alfredo fez um sinal luminoso triangular e notei que todos os colaboradores se puseram em pé, em atitude de respeito. - É o momento da oração no Posto de Socorro – disse ele, gentil, esclarecendo-nos. O Sol já havia se posto, mas todo o céu refletia ainda a sua claridade dourada. Os tons do crepúsculo encheram o lugar com efeitos de luz maravilhosos, muito visíveis a nós agora, porque Alfredo, sem que eu soubesse dizer por quê, havia mandado apagar todas as luzes artificiais antes da oração. No centro dos pavilhões, havia somente sombra agora, mas o novo aspecto do céu, banhado de claridades sublimes, dava-nos a impressão de estarmos em maravilhoso palácio, em virtude do imenso teto azul iluminado à distância. Profundamente impressionado, procurei me aproximar mais do grupo. Do quadro de trabalhadores do castelo, apenas algumas senhoras estavam conosco, como se estivessem acompanhando Ismália respeitosamente. Os outros, homens e mulheres, ficaram em seus lugares de serviço, não muito longe das entidades adormecidas. Notei que, embora tivesse sido convidado, Aniceto se recusou a comandar a oração, alegando que, por direito, essa função cabia à dedicada esposa de Alfredo. Ismália, então, num gesto muito delicado, começou a orar, acompanhada por todos nós, em silêncio, frase por frase, de acordo com as instruções de Aniceto, que nos aconselhou repetir, mentalmente, cada expressão, a fim de dar o máximo de ritmo e harmonia às palavras, ao som e às idéias, numa única vibração. - Senhor!, - começou Ismália, comovida – auxilie nossos humildes protegidos, enviando-nos a luz de Suas bênçãos sagradas. Aqui estamos, prontos para fazer a Sua vontade, sinceramente dispostos a seguir os Seus desígnios. Conosco, Pai, estão aqueles que ainda dormem, anestesiados pela negação espiritual a que se entregaram enquanto encarnados. Desperte-os, Senhor, se esta for a Sua sábia vontade, desperte-os do sono doloroso e infeliz. Acorde-os para a responsabilidade, para a noção dos deveres justos!... Bondoso Rei, tenha piedade de seus súditos sofredores! Criador compassivo, levante Suas criaturas caídas! Pai justo, desculpe Seus filhos infelizes! Permita que o orvalho do Seu amor infinito caia sobre o nosso humilde Posto de Socorro!... Seja feita a Sua vontade acima da nossa, mas, se possível, Senhor, deixe que os nossos doentes recebam um raio de vida do sol da Sua bondade!... A voz de Ismália penetrava meu coração profundamente. Observando-a, por um momento, reparei que havia se transfigurado. Luzes brilhantes irradiavam de todo o seu corpo, mas, em especial, do peito, onde parecia haver misteriosa lâmpada acesa. Aproveitando a rápida pausa, observei os outros, verificando que acontecia o mesmo conosco, embora com menos intensidade. Cada um parecia ter ali um tipo de luminosidade, em vários graus. As senhoras que acompanhavam Ismália estavam quase iguais a ela, como se usassem maravilhosos vestidos de luz, em que predominava a cor azul. Depois delas, em brilho, vinha a luz de Aniceto, de um lilás impressionante. Em seguida, tínhamos Alfredo, com uma luz verde suave e sugestiva, sem grande esplendor. Depois dele, vinham alguns servidores com claridades coloridas muito bonitas na testa. E, logo depois, Vicente e eu mostrávamos uma luz fraca, a qual, no entanto, nos enchia de brilho intenso, considerando que a maioria dos colaboradores em serviço tinha o corpo obscuro, como acontece com os encarnados. Com a voz pausada e comovente, Ismália continuou: - Temos, ao nosso lado, Senhor, mães infelizes que não entenderam o sentido sagrado da fé, caindo, imprudentemente, em irresponsabilidade criminosa; pais que não conseguiram vencer o materialismo durante a encarnação, incapazes de perceber a sublime missão que lhes foi confiada; cônjuges desventurados pela incompreensão de Suas leis justas e generosas; jovens que se entregaram, de corpo e alma, ao chamado das ilusões!... Muitos deles atolaram-se no pantanal do crime, agravando dívidas dolorosas! Agora dormem, Pai, esperando por Seus desígnios. No entanto, Senhor, sabemos que este sono não se reflete em repouso para o pensamento... Quase todos os nossos abrigados são vítimas de terríveis pesadelos, por terem se esquecido dos Seus mandamentos de amor e sabedoria na Terra. Sob a aparente rigidez, seu espírito se movimenta entre angústias que, muitas vezes, não podemos imaginar. Eles são, Pai, Seus filhos desorientados e nossos companheiros de luta, necessitados de Sua mão paternal para a jornada! Quase todos se desviaram do caminho reto por causa da ignorância que, como uma aranha gigantesca do mundo, tece fios de miséria, envolvendo destinos e corações! Pedindo Sua misericórdia para eles, rogamos também para nós a verdadeira noção de fraternidade universal. Ensine-nos a transpor as fronteiras de separação para que vejamos, em cada infeliz, um irmão necessitado do nosso esclarecimento. Ajude-nos a compreender, para que possamos abandonar todo impulso de acusação nas estradas da vida! Ensine-nos a amar como Jesus nos amou! Senhor, nós que aqui oramos, também fomos leprosos espirituais, cegos do entendimento, paralíticos da vontade, filhos pródigos do Seu amor!... Nós também dormimos, no passado, nos Postos de Socorro da Sua bondade!... Somos simples devedores, ansiosos por resgatar dívidas imensas! Sabemos que Sua vontade nunca falha e esperamos, confiantes, Sua bênção de vida e luz!... Ismália fez uma pausa mais longa dessa vez. Enxuguei os olhos e notei que suave calor tomava conta de meu espírito. E a nova sensação de conforto era tão intensa que interrompi minha concentração para olhar à minha volta. Prestando atenção no alto, notei, maravilhado, que grande quantidade de flocos brancos, de vários tamanhos, caíam fartamente só sobre os que oravam. Tive a impressão de que eram derramados do céu em nossa testa, caindo com a mesma abundância sobre todos, desde Ismália até o último colaborador. Ainda não tinha me recuperado de toda a admiração, quando novo fenômeno me surpreendeu. Os flocos leves desapareciam assim que nos tocavam e, ao mesmo tempo, saíam, de nosso peito e de nossa testa, grandes bolhas luminosas, na cor característica de cada um, flutuando no ar e atingindo vários doentes. Também aí, notei a questão dos graus espirituais. As luzes emitidas por Ismália eram mais brilhantes, intensas e rápidas, alcançando vários doentes de uma só vez. Em seguida, vinham as luzes criadas pelas senhoras que a acompanhavam. Depois, tínhamos as de Aniceto, Alfredo e os demais. Os trabalhadores de corpo obscuro emitiam vibrações fracas, mas visivelmente luminosas. Cada um, naquele instante de sintonia com os planos superiores, revelava o valor da colaboração que podia prestar. Notando minha surpresa, Aniceto me disse no ouvido: - Na prece, encontramos a produção avançada de elementos-força. Eles vêm de Deus em quantidades iguais para todos os que se dão ao trabalho divino de pedir, mas cada espírito tem uma capacidade diferente para receber. Essa capacidade é a conquista individual para o mais alto. E, como Deus ajuda o homem pelo homem e atende a alma pela alma, cada um de nós só pode ajudar os semelhantes e colaborar com Ele com as qualidade de elevação já conquistadas na vida.