------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 26 OUVINDO TRABALHADORES Notei que o trabalho no Posto de Socorro se desenvolvia em ambiente de perfeita harmonia, sem desrespeitar as noções de hierarquia. Enquanto conversávamos animados, como mãe, Ismália recebia várias senhoras, muitas com o rosto envelhecido, parecendo mais suas avós. Aniceto nos passava importantes lições, tiradas de acontecimentos corriqueiros, e Alfredo recebia trabalhadores de todos os níveis, não só com solidariedade, mas também com grande afeto. Sorria carinhosamente ou dava explicações, sem a menor impaciência ou irritação. Aquele clima de harmonia me fazia muito bem. Tudo transpirava ordem e compreensão, bondade e entendimento. A atitude paterna de Alfredo, transmitida com energia e amizade, organização e compreensão, exercia forte atração sobre mim. Pedi licença a Aniceto para ouvir as explicações dadas àqueles trabalhadores. Aproximei-me, impressionado. Nesse momento, um colaborador simpático lhe diriga a palavra com grande interesse. Era um velhinho humilde, que falava demonstrando grande respeito. - E o senhor recebeu notícias? - Sim, Alonso, - dizia Alfredo, sem vacilar – nossos mensageiros me informaram dos mínimos detalhes. Sua esposa continua muito triste. Seus filhos estão bem de saúde, mas continuam ansiosos por causa da sua ausência. O velho, que parecia muito bondoso, fez um gesto de confirmação e disse: - Tenho sentido tanto a falta deles! Tinha uma tristeza resignada nos olhos, como quem deseja algo, sabendo das dificuldades. - Mas você, Alonso, – continuou Alfredo – não deve se angustiar. Sei que tem trabalhado pelo futuro da família. Enquanto pais na Terra, conseguimos tomar algumas providências pelos nossos filhos, entretanto, aqui, podemos trabalhar por eles com maior segurança. Nem sempre temos a visão correta no mundo, mas aqui já é possível sentir, mais de perto, os interesses eternos daqueles que amamos. O sentimento elevado é sempre um caminho seguro para nossa alma, mas não podemos dizer o mesmo do sentimentalismo cultivado no mundo. Você precisa ter muito cuidado para não se desorganizar mentalmente. A saudade que machuca, impedindo-nos de seguir a vontade de Deus, não é aconselhável nem útil, pois é doença do coração, levando-nos a cair em abismos do pensamento. Alonso deixou de sorrir e, com os olhos rasos d’água, falou, suplicante: - Reconheço a verdade de suas palavras, Sr. Alfredo. Graças a Jesus, estou melhorando minha vida mental com as novas tarefas que me deu e, de fato, venho me sentindo renovado espiritualmente. Sei que o senhor não me advertiria sem razão, mas atrevo-me a pedir licença para visitar minha família. À noite, quando me concentro para as preces habituais, sinto os pensamentos deles à minha volta. Esses pensamentos me atingem em cheio, atraindo toda minha atenção para a Terra. Às vezes, consigo descansar um pouco, mas com muita dificuldade. Sei que minha esposa e meus filhos estão tristes, chamando por mim. Esta certeza me perturba. Não tenho sentido a mesma disposição para o trabalho diário e gostaria de resolver o problema. Entendo que, no momento, minhas obrigações são outras e devo me conformar, mas confesso que minha luta espiritual não tem sido pequena. Estou certo de que perdoará minha fraqueza. Que chefe de família não se sentiria atormentado, ouvindo chamados tristes de casa, sem meios de atender, como gostaria? E, demonstrando enorme angústia, enxugou os olhos e continuou: - Gostaria de pedir a eles que tivessem calma e coragem, esclarecendo que ainda estou frágil e necessito de sua ajuda. Queria pedir que me auxiliassem nisso para que eu possa atender aos meus deveres atuais, sem fraquejar. Quem sabe o senhor me daria a permissão necessária? Temos um grupo de amigos espíritas bem perto de casa... Talvez não me fosse difícil transmitir algumas palavras, ainda que breves, tentando tranquilizá-los!... Alfredo, sem se alterar, não negou o pedido. Parecia entender todo o sofrimento do colaborador simpático e humilde. Notei que, em seu olhar muito lúcido, havia o desejo sincero de cooperar e, solidário à sua atitude generosa, ouvi-o dizer: - Creio que podemos atendê-lo, Alonso. Nossos mensageiros poderão levá-lo em uma das viagens de rotina. Entretanto, saiba que, como amigo, preocupo-me com o seu equilíbrio. Não posso abusar da autoridade e sei que cada um tem a experiência que necessita, mas creio que seria interessante que antes você fortalecesse o coração. É indispensável aceitarmos a vontade de Deus. Você e sua mulher não ficariam separados se não precisassem dessa experiência. As dificuldades que ela vem enfrentando com a sua ausência, você também sente pela separação. Tenho a impressão, Alonso, de que, às vezes, Deus nos deixa sozinhos para que possamos refazer o aprendizado, melhorando os sentimentos. E a solidão, quando bem aproveitada pelo espírito, antecipa o feliz reencontro. Além disso, você sabe que os filhos pertencem a Deus, que cada um deles precisar assumir responsabilidades e cuidar do próprio crescimento. Por enquanto, eles vivem tristes, desolados. Deixam-se envolver pela revolta. Seu lar ficou em grande desordem depois de sua vinda. Entretanto, que se pode fazer além de pedir a Deus que nos abençoe a todos? Eles precisam se conformar com a realidade justa e você, que já lhes deu o que era razoável, também precisa evoluir e aperfeiçoar-se no novo caminho a que foi chamado. Como seria, Alonso, se você permitisse que seu pensamento fosse completamente invadido pelo sentimentalismo doentio? Você está tão preocupado com a família carnal que, por enquanto, não consigo imaginá-lo com preparo suficiente para olhar com clareza o antigo lar, sem sofrer muito. Há algum tempo, autorizei dois colegas nossos a visitarem a Crosta, para reverem as viúvas e abraçarem os filhos, mas tiveram surpresas tão violentas que não puderam voltar aos trabalhos aqui, ficando agarrados ao lar no plano físico. Não vigiaram o coração como deviam. Prestaram atenção demais ao choro da família terrestre, deixaram-se envolver pelos pesados fluidos do clima doméstico e, depois de uma semana de licença, não conseguiram fazer a viagem de volta. Estavam como pássaros presos pelas teias das tentações. Para minha surpresa, os mensageiros voltaram ao Posto sem eles. E, sinceramente, não sei quando vão poder reassumir suas funções aqui. O prejuízo deles é enorme. Depois de pequena pausa, Alfredo concluiu: - Para vôos de grande altura, são necessárias asas fortes. Alonso, que ouvia de olhos arregalados, disse, resignado: - Desisto do pedido. O senhor tem razão. Alfredo abraçou-o e falou: - Deus o ilumine. Muito admirado, reparei que outros colaboradores se aproximavam, pedindo explicações e informações, enquanto eu aproveitava o exemplo do chefe amigo, que respondia com voz firme e carinhosa, demonstrando interesse fraternal.