------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 28 VIDA SOCIAL À noite, surpreendia-me com o céu maravilhoso do Posto de Socorro. O luar, com o brilho de uma safira, envolvia todas as coisas. O céu parecia uma colcha de azul cristalino, pontilhado de astros brilhantes. As nuvens da tarde haviam desaparecido. Aproveitando a beleza da noite, Alfredo comentou: - Felizmente, as perturbações magnéticas foram desviadas de nosso Posto. No entanto, os aparelhos continuam registrando enorme conflito de forças inferiores. Ía comentar a beleza do céu, diante de suas palavras, quando a campainha tocou. Alguém chamava na entrada. Alfredo e Ismália sorriram. Muito gentil, o chefe do Posto afirmou: - Temos visita de amigos de “Campos da Paz”. E, convidando-nos à recepção na torre de vigia avançada, acrescentou com alegria: - Aqui também temos a nossa vida social. Por que não? É preciso saber viver. Encantado com esse toque alegre, acompanhei os donos da casa, notando, com surpresa, que tínhamos, à nossa frente, um belo carro puxado por dois cavalos maravilhosos. Tratava-se de veículo confortável e interessante, quase idêntico aos antigos carros de serviço público do tempo de Luís XV, como os que vi, mais de uma vez, em livros antigos. Nesse carro vinha pequena família da colônia vizinha, que, pelas informações de Aniceto, ficava a, aproximadamente, 16 km do Posto. Alfredo nos apresentou, muito gentil, com exceção de nosso instrutor que era velho conhecido dos recém-chegados. Os visitantes eram o casal Bacelar e suas duas filhas. O chefe da família parecia mais velho, demonstrando, porém, excelente disposição. A senhora dava a impressão de estar na idade madura, aparentando, entretanto, muita vivacidade, assim como as duas moças. A alegria era enorme. Não se via qualquer convencionalismo inferior como na Terra. Os gestos, a simplicidade, a descontração e as frases carinhosas de todos demonstravam pura sinceridade. Estávamos numa reunião social onde não havia lugar para o fingimento. Voltando para dentro de casa, entre muitas alegrias, observei que os recém-chegados eram amigos de muito tempo, que vinham visitar Ismália. Ela parecia estar muito contente. Enviou recados a algumas famílias do Posto e, em pouco tempo, a casa recebia várias pessoas que participavam do agradável ambiente. Sentindo-me muito insignificante ao lado dos novos amigos, limitava-me a ouvir e observar. Logo no começo da conversa, ouvi Aniceto perguntar ao sr. Bacelar: - E como vai o serviço? O velho bondoso respondeu com um grande sorriso: - Bem, sempre bem. Só não podemos dar muita atenção aos encarnados. E acrescentou com graça: - É indispensável aprender a ajudar e ir adiante. Aniceto sorriu também e observou: - Entendo... Aliás, é melhor que não nos iludamos, pois o progresso humano não é uma questão de dias. E, percebendo que Vicente e eu poderíamos aproveitar a conversa, apontou o novo hóspede de Alfredo, explicando: - Nosso amigo Bacelar é chefe de turmas de assistência a encarnados. Tem longa experiência com os homens e conhece-os como ninguém. Há muito o que aproveitar de seus comentários. - Nem tanto, meus caros, - disse o sr. Bacelar, com bom humor – nem tanto. Sou apenas um companheiro de vocês, cumprindo deveres, graças à vontade de Deus. Não posso fazer muito, em virtude de meus próprios defeitos. - Temos certeza de que podemos ganhar muito com as suas palavras – respondeu Vicente, calado até ali. - Tudo o que nos disser sobre a questão da assistência será, para nós, importante lição – disse eu. O novo amigo olhou-nos com inteligência e perguntou: - Vocês eram médicos na Terra? - Sim – respondemos juntos. O sr. Bacelar pensou um pouco e acentuou: - Sempre gostei de conversar com as pessoas, usando os símbolos que a Medicina nos oferece. Mas, no que diz respeito às minhas atividades, não teria muito o que dizer a médicos atuantes. - Pelo contrário, – argumentei – seus esclarecimentos nos serão muito úteis. O sr. Bacelar sorriu, otimista, e declarou: - Não acredite nisso. Pense em seus doentes comuns. Raramente se lembram da medicina preventiva. Quase sempre esperam a confirmação de doenças para buscar o tratamento necessário. Precisam de anestésicos para as cirurgias. Fogem dos cuidados assim que há alguma melhora. Abandonam o tratamento assim que notam algum sinal de cura. Detestam a dor que ajuda a restabelecer o equilíbrio. Não querem saber de medicamentos purgativos. Preferem a medicação de sabor agradável. E, acima de tudo, quase sempre pretendem saber mais que os médicos. Em nossa área de trabalho, este resumo representa bem um programa de assistência a espíritos doentes, encarnados na Terra, com sérios agravantes, porque, nesses casos, não podemos manipular a alma, como o cirurgião que opera as amígdalas. Somos obrigados a preparar campo mental conveniente, semeando pensamentos novos, cuidando para que germinem e dêem bons brotos, aguardando o trabalho do tempo. Nossa luta não é simples, porque, se o médico encarnado encontra familiares amorosos, dispostos a ajudá-lo em benefício do doente, nós só encontramos elementos contrários ao nosso trabalho de cura e restabelecimento. Em geral, o médico do mundo ajuda a quem quer ser ajudado, pelo menos nas ocasiões mais perigosas. Mas nós, meus amigos, muitas vezes temos que dar assistência a quem não a quer, por viver em profunda ignorância. - Tem razão – falei indeciso diante de colocações tão lógicas – Mas, o que nos consola é a certeza de que há muitos colaboradores encarnados dispostos a ajudar na tarefa. O sr. Bacelar fez um gesto significativo e falou: - Nem sempre. A colaboração é outro problema. A maioria dos companheiros que se dispõem ao serviço partem daqui prometendo muito, mas preferem viver descansados no mundo. Poucos fogem a essa regra. Raramente encontramos encarnados com bastante vontade para amar o trabalho pelo trabalho, sem pensar em recompensa. A maioria busca remuneração imediata. Nessas condições, não percebem que sua mente fica escura, abarrotada de coisas inúteis. Por insistirem em viciar o raciocínio, confundem também a visão. Enxergam tempestades onde só há céu tranquilo, montanhas de pedra onde o caminho é de luz. De pequenos enganos em pequenos enganos, vão se cercando de grandes fantasias. Daí em diante, a recapitulação das experiências físicas leva-os, com mais força, às satisfações materiais e, nesse ponto, muito poucos conseguem voltar ao dever, refletindo na grandeza das bênçãos divinas. O sr. Bacelar fez uma pausa e concluiu: - E o “desculpismo”? Nessa questão de assistência espiritual, vocês verão, um dia, quantos pretextos são inventados pelos encarnados para fugir ao trabalho da verdade divina, nas tarefas que lhes competem. Os que dirigem alegam excesso de responsabilidades e o que são dirigidos dizem faltar melhores oportunidades. Os que têm maiores possibilidades financeiras preocupam-se com a fortuna acumulada e os que receberam a bênção da pobreza recolhem-se na revolta. Os mais jovens dizem ser jovens demais para assumir tais compromissos e os mais velhos se dizem inúteis para o serviço. Os casados reclamam da família e os solteiros se queixam de não ter uma família. Os doentes dizem que não têm condições e os sãos acreditam que não precisam. Raros são aqueles encarnados que conseguem viver sem contradição. O sr. Bacelar parecia disposto a continuar, mas as duas filhas foram buscar a ele e a Aniceto, a pedido de Alfredo, para tratar de problema pessoal de seu interesse.