------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 34 OFICINA DE «NOSSO LAR» Entre 18h e 19h, chegamos a uma casa simples de bairro modesto. No longo caminho por ruas movimentadas, ía me surpreendendo muito com as novas paisagens. Percebia a presença de muitos desencarnados perturbados, seguindo os encarnados que passavam, ou colados a eles, em um abraço estranho. Muitos penduravam-se nos carros, outros nos olhavam das sacadas distantes. Alguns, em grupos, vagavam pelas ruas, como nuvens escuras que tivessem descido de repente. Assustei-me muito. Não havia notado isso nas outras vezes em que havia visitado o plano dos encarnados. E Aniceto explicou que o reforço na visão não havia sido em vão. Estávamos em tarefa de observação e aprendizado. No entanto, não conseguia disfarçar minha surpresa. As sombras se seguiam umas às outras e posso garantir que o número de entidades perturbadas nas ruas, invisíveis ao homem comum, não era menor que o de pessoas encarnadas que passavam. Ali não havia a serenidade dos ambientes de “Nosso Lar”, nem a calma relativa do Posto de Socorro “Campo da Paz”. Começava a sentir medos imprevistos e desagradáveis choques íntimos, sem que eu pudesse perceber a origem. Tinha a impressão nítida de termos mergulados num oceano de vibrações muito diferentes, onde respirávamos com certa dificuldade. Aniceto explicava que as sensações ruins se deviam ao fato de ser nossa primeira visita de trabalho à Crosta e que, com o tempo, nossas resistências seriam aumentadas. Recomendou-nos força e, acima de tudo, firmeza mental ante qualquer quadro menos feliz que nos pegasse de surpresa. A eficiência da assistência, dizia ele, precisa de educação persistente. Não seria possível ajudar alguém se ficássemos presos a qualquer tipo de fraqueza. Os conselhos de Aniceto nos acalmaram o espírito agitado e surpreso, e eu fazia de tudo para me ajustar às recomendações dele, mesmo porque ele afirmava que muitos companheiros perdiam grandes projetos por manifestações de receio sem razão. Aquela casa de aspecto tão humilde, onde chegávamos agora, dava-nos suave sensação de conforto. Estava iluminada por clarões espirituais, que lembravam nossa colônia tão distante. Profundamente surpreso, reparei que Aniceto havia parado. Percebendo nossa adminiração, ele apontou a casa pobre e disse: - Aqui será o nosso refúgio. É uma oficina que representa “Nosso Lar”. Fiquei muito espantado, mas não tive chance de perguntar nada. Tive que segui-lo, em direção à pequena casa. Aproximamo-nos do jardim que rodeava a construção muito simples e, surpreso, notei que vários companheiros espirituais vieram à janela, cumprimentando-nos alegramente. O que queria dizer aquilo tudo? Em outras vezes, havia visitado minha cidade e minha antiga casa, mas nunca tinha visto nada parecido. Aniceto compreendeu minha surpresa e explicou: - Os companheiros que nos cumprimentam são trabalhadores espirituais que se hospedam neste recanto de amor. Um senhor muito simpático e hospitaleiro abriu a porta. Esta foi outra surpresa. Isso não acontecia quando ía à minha antiga casa terrena. As portas fechadas não me ofereciam qualquer resistência. Mas ali havia uma sistema de vigilância vibratória que eu parecia não conhecer ainda. Aniceto abraçou o senhor com carinho, apresentando-nos, em seguida. - Estes, Isidoro, - disse, apontando-nos – são nossos amigos Vicente e André, novos colaboradores dos serviços em “Nosso Lar”. - Ótimo!, muito bom! – exclamou Isidoro, abrançando-nos – Nossas atividades precisam mesmo de novos trabalhadores de boa vontade. Entrem! E disse ainda, com carinho: - A casa pertence a todos os colaboradores dedicados ao serviço cristão! Era a primeira vez que eu via uma entidade espiritual com direção tão segura numa casa terrestre. Entramos no ambiente modesto. Muito surpreso, observei o interior. Via alguns móveis simples, velhos quadros a óleo nas paredes brancas, antiga máquina de costura sendo usada por uma garota de uns 16 anos, um rapaz de seus 12 anos e, como figura central da família, uma senhora de seus 40 anos, mais ou menos, tricotando uma blusa. Percebi que, do peito, da testa, das mãos e do olhar dessa senhora, irradiava-se luz constante que não me permitiu esconder a admiração. Aniceto apontou-a e disse: - Esta é Isabel. Para os olhos humanos não passa da viúva de Isidoro, mas para nós é uma colaboradora leal em suas tarefas. Reparei que D. Isabel parecia, de algum modo, perceber nossa presença, demonstrando certa surpresa no olhar, mas Aniceto se adiantou e explicou: - Nossa amiga possui grande vidência psíquica, mas os mentores que nos orientam recomendam que não lhe seja permitido ver tudo o que se passa com sua mediunidade. O conhecimento exato do cenário espiritual, em quem vive, pode prejudicar a tranquilidade. Isabel, portanto, vê apenas 5% dos trabalhos espirituais em que colabora, de modo mais direto... A essa altura, Isidoro nos indicou uma pequena sala ao lado e disse a Aniceto, em particular: - Desculpem-me se não posso acompanhá-los agora, mas descansem à vontade. Tenho serviços urgentes com outros amigos. Aniceto agradeceu a atenção e, com ele, chegamos a um modesto salão com mobília pobre, mas quase lotado de entidades em conversa elevada. Luzes sublimes brilhavam em todos os cantos. Havia ali um relógio velho, uma mesa rústica muito grande, algumas cadeiras e alguns bancos simples. No entanto, a claridade espiritual que imperava era maravilhosa. Muita gente esclarecida e generosa do plano espiritual se reunia ali. Aniceto cumprimentou os grupos que conhecia e apresentou-nos com a gentileza de sempre. Quando estávamos mais a sós, sabendo de nossa admiração, explicou: - Estamos numa oficina de “Nosso Lar”. Isidoro e Isabel a construíram num ato de heroísmo e fé, tendo saído de nossa colônia, com esta tarefa, há mais de 40 anos. Graças a Deus os dois têm vencido todos os obstáculos e mantêm seus compromissos na Crosta com coragem. Há três anos, ele desencarnou e, apesar disso, graças à dedicação da esposa e aos laços de amor que os une, acima de qualquer manifestação física, continuam muito próximos, como no primeiro dia do reencontro nesta vida. Dadas as circunstâncias especiais, as autoridades de “Nosso Lar” deram a ela permissão para continuar nesta casa com o esposo amigo, pai dedicado e trabalhador vigilante e fiel. E, talvez notando nossa surpresa cada vez maior, acrescentou: - Sim, amigos, o acaso não define responsabilidades nem contrói com seriedade. As realizações espirituais pedem esforço e dedicação. Assim como os navios no mundo precisam de âncoras fortes para seus trabalhos nos portos, nós também precisamos de irmãos corajosos e devotados que façam o papel de âncoras entre os encarnados, para que, por intermédio deles, os grandes amigos da Espiritualidade Superior possam se fazer sentir entre os homens mais animalizados, ignorantes e infelizes.