------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 35 EVANGELHO NO LAR Logo no início da noite, D. Isabel largou o tricô e chamou os filhos para o evangelho no lar. Notando minha curiosidade pelas crianças, Aniceto explicou: - As meninas são entidades amigas de “Nosso Lar”, que vieram para serviço espiritual e resgate necessário na Terra. Já com o garoto, que vem de planos inferiores, a situação é diferente. De fato, eu percebia com clareza a situação. O rapaz não tinha a mesma luz e atendia ao convite da mãe apenas por obediência e não com satisfação. Todos se sentaram ao redor da mesa com tanta naturalidade que logo compreendi que vinham mantendo aquele bom hábito há muito tempo. A filha mais velha, chamada Joaninha, trazia cadernos e recortes de jornais. Assim que o evangelho começou, as luzes do ambiente se tornaram muito mais intensas. Profunda sensação de paz envolvia-me o coração. A pequena Neli, em voz emocionada, fez a prece: - Senhor, seja feita a sua vontade, assim na Terra como nos céus. Se está em seus planos que recebamos mais luz, permita, Senhor, que tenhamos compreensão suficiente para o trabalho evangélico. Dê-nos o pão da alma e a água da vida eterna! Esteja sempre em nossos corações. Assim seja... D. Isabel pediu à filha mais velha que lesse uma mensagem elevada e, em seguida, algum fato interessante das notícias. Joaninha leu pequeno capítulo sobre a falta de reflexão e um acontecimento triste do jornal comum. Cheia de doçura e amabilidade, ela parecia muito impressionada. Era o caso de uma jovem de bairro distante, vítima de triste suicídio. O repórter descrevia a cena com detalhes muito fortes e Joaninha estava teremendo, emocionada. Assim que ela terminou, D. Isabel abriu o Novo Testamento, como se estivesse agindo ao acaso, mas, na verdade, percebi que Isidoro a influenciava, do nosso plano, ajudando-a a encontrar o assunto da noite. Em seguida, olhando a pequena página, falou: - O versículo de hoje está no capítulo 13 do Evangelho de Mateus., E leu a passagem em voz alta: - “Outra parábola lhes propôs, dizendo: - O Reino dos Céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem tomou e semeou no seu campo.” Notei, então, curioso fenômeno. Um amigo espiritual, que percebi ser de elevado grau pelas roupas brilhantes que usava, colocou a mão direita sobre a testa da viúva. Esta sentou-se à ponta da mesa e, depois de pensar um pouco, pediu a Neli, de nove anos, que fizesse a oração inicial, pedindo a Jesus o esclarecimento espiritual. Todos os trabalhadores espirituais sentaram-se, em respeito. Isidoro e alguns outros companheiros mais ligados ao casal ficaram ao lado de D. Isabel, sendo quase vistos e ouvidos por ela. Antes que eu perguntasse, Aniceto explicou, em voz quase imperceptível: - Aquele é o nosso irmão Fábio Aleto, que vai dar a explicação espiritual do texto lido. Aqueles que estiverem no mesmo grau dele poderão ouvir seus pensamentos, mas os que estiverem em posição inferior, receberão as explicações como os encarnados, isto é, pelas palavras de Isabel. Aniceto não poderia ser mais claro. Em poucas palavras havia me dado um resumo de toda a lição. Notei que a viúva havia entrado em profunda concentração por alguns momentos, como se estivesse absorvendo a luz que a rodeava. Em seguida, com grande firmeza no olhar, começou a explicar: - Hoje lemos uma página sobre a falta de reflexão e a notícia de um suicídio muito triste. O jornal afirma que a jovem suicida se matou por excesso de amor. Entretanto, pelo que temos aprendido, temos certeza de que ninguém comete erros por amar de verdade. Os que amam, de fato, são incentivadores da vida e nunca espalham a morte. A pobre moça estava doente, perturbada, desorientada. Entregou-se à paixão que confunde o raciocínio e rebaixa o sentimento. E nós sabemos que, da paixão ao sofrimento, ou à morte, não há muita distância. Vamos nos lembrar desta amiga desconhecida com um pensamento de solidariedade. Que Jesus a proteja nos seus novos caminhos. Não estamos analisando um ato, que a Deus cabe julgar, mas um fato, do qual devemos tirar a melhor lição. A mensagem evangélica desta noite afirma, nas palavras de Jesus, que o reino dos céus é também “semelhante ao grão de mostarda que o homem tomou e semeou no seu coração.” Nesse caso, devemos enxergar as mínimas lições. O mundo dos encarnados está cheio de falta de reflexão. Poucas são as criaturas que começam a pensar seriamente na vida e nos deveres antes da morte física. Ao tratarmos o assunto de hoje, não devemos fixar o pensamento só nessa jovem que se suicidou em condições tão tristes. Há homens e mulheres, com maiores responsabilidades, em todos os bairros, que manifestam paixões destruidoras nos sentimentos, nos negócios, nas relações sociais. As mentes desequilibradas pela falta de reflexão neste mundo estão por toda parte. Nós é que não temos cuidado das pequenas coisas. O oceano é grande e a gota é pequena, mas o oceano não passa de uma massa de gotas reunidas. O Mestre nos fala, simbolicamente, da semente de mostarda. Lembremo-nos de que os campos de nosso coração estão cheios de ervas daninhas, estando, talvez há muitos séculos, sem produzir nada de bom. É claro que não devemos esperar grandes colheiras. Mas é indispensável preparar a terra e cuidar do cultivo. A semente de mostarda, a que Jesus se refere, é o gesto, a palavra, o pensamento de cada criatura. Há muitas pessoas que falam muito em humildade, mas nunca demonstram um gesto de obediência. Jamais alcançaremos a bondade se não começarmos a ser bons. Alguma coisa pequena tem de ser feita para que possamos construir as grandes. Jesus nos ensinou, muitas vezes, que o reino dos céus está dentro de nós. Ora, então é em nós mesmos que devemos fazer o trabalho de realização divina, sem o qual não vamos passar de grandes irresponsáveis. A floresta também começou com sementes pequenas. E nós, espiritualmente falando, temos vivido em floresta densa de males, criados por nós mesmos, em função de nossa falta de cuidado ao escolher as sementes espirituais. A conversa de um momento, o pensamento de um dia, o gesto de um instante, podem representar muito em nossas vidas. Vamos ter cuidado com as pequenas coisas, selecionando os grãos de mostarda do reino dos céus. Lembremos que Jesus não ensinou nada de inútil. Toda vez que usarmos esses grãos, conforme o que Ele nos diz, plantando-os em nosso coração, receberemos de Deus toda a ajuda necessária. Ele nos dará a chuva das bênçãos, o sol do amor eterno, a vitalidade sublime dos planos superiores. Nossa planta crescerá e logo teremos construído muito. Vamos todos aprender a ciência de recomeçar, recordando a bondade de Jesus a cada instante. O Mestre não nos desampara, seguindo-nos com amor, inspirando-nos o coração. Acima de tudo, tenhamos confiança e alegria!” Notei que Fábio retirou a mão da testa de D. Isabel, que permaneceu pensando, como quem tivesse sentido o afastamento das idéias em andamento. Havia grande emoção nos presentes e as crianças também pareciam impressionadas. D. Isabel olhou novamente os filhos e disse: - Vamos conversar um pouco agora.