------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 36 MÃE E FILHOS No comentário de D. Isabel, eu recebia lições interessantes. Tal como no caso de Ismália, quando ouvíamos sua canção sublime, a interpretação de Fábio estava cheia de maravilhas espirituais que ultrapassavam a capacidade receptiva de D. Isabel. A viúva de Isidoro parecia reter apenas uma parte. Assim, as crianças recebiam a lição de acordo com as possibilidades mediúnicas da mãe, enquanto nós aproveitávamos a beleza do momento elevado. Sempre gentil, Aniceto explicou: - Não se admirem com isso! Cada um recebe a luz espiritual de acordo com sua capadidade. Há muitos companheiros aqui reunidos, que absorvem os comentários de Fábio com mais dificuldade que as crianças, porque ainda têm muitas limitações. Todos demonstravam grande respeito. Fábio Aleto se acomodou em plano superior, enquanto Isidoro se colocava perto da esposa, como o pai carinhoso que se aproxima para ajudar na conversa com os filhos. Nesse instante, a pequena Marieta, de sete anos, aproveitando a pausa e a conversa mais informal, perguntou à mãe: - Mamãe, se Jesus é tão bom, por que estamos comendo só uma vez por dia aqui em casa? Na casa da D. Fausta eles comem duas vezes por dia: almoçam e jantam. Neli me disse que, quando papai era vivo, também fazíamos isso, mas agora não. Por que será? A viúva deu um sorriso meio triste e disse: - Ora, Marieta, você vive se preocupando com isso. Não devemos deixar que o estômago fale mais alto. Há quanto tempo estamos comendo só uma vez por dia e não ficamos doentes? Quantas coisas boas será que não estamos recebendo com essa comida reduzida? Joaninha interrompeu, dizendo: - Mamãe tem toda a razão. Tenho visto muita gente doente por comer demais. - Além disso, – destacou D. Isabel – vocês podem ter certeza de que Jesus abençoa o pão e a água de quem sabe agradecer o que recebe de Deus. É verdade que Isidoro foi embora antes de nós, mas nunca nos faltou o mais necessário. Temos nossa casa, nossa união espiritual, nossos amigos. Acreditem que o papai ainda está trabalhando por nós. A essa altura, devido à emoção do momento, Isidoro enxugou os olhos molhados. Noemi, a caçula, falou, com vozinha de criança: - É mesmo, é verdade! Eu vi papai ajudando a segurar o bolo que D. Cora nos trouxe domingo. - Eu também vi, Noemi. – disse D. Isabel, com os olhos brilhando. – Papai continua nos ajudando. E, virando-se para todos, acrescentou: - Quando sabemos amar e esperar, crianças, não nos separamos das pessoas queridas que morrem na vida física. Vamos acreditar na proteção de Jesus!... Marieta, parecendo mais tranquila, concordou: - Quando a senhora fala, mamãe, eu acredito! Como Jesus é bom! E se nós não tivéssemos a senhora? Eu vejo vários pequenos mendigos abandonados. Vai ver não comem nada, não têm amigos como a gente! Ah, precisamos agradecer muito a Deus!... A viúva, que se sentia visivelmente aliviada ouvindo aquelas palavras, disse, com muita emoção: - Muito bem, filha! Nunca devemos reclamar e sempre louvar. E você provavelmente não poderia entender a situação se tivesse mesa farta. Então, observei que o garoto não tinha a mesma disposição. Entre D. Isabel e as quatro filhas havia ternura constante e vibrações luminosas, como se estivessem sintonizadas num mesmo ideal e unidas num só sentimento, mas o rapaz permanecia espiritualmente distante, fechado em sombras próprias. Às vezes, sorria com ironia, insensível à beleza do momento. Aproveitando a pausa mais longa, ele perguntou à mãe, de uma forma mais agressiva: - Mãe, o que a senhora acha que é pobreza? D. Isabel respondeu, muito serena: - Acho, meu filho, que a pobreza é uma das melhores oportunidades de crescimento que podemos ter. Tenho certeza de que os homens ricos têm uma grande missão na Terra, mas reconheço que os pobres, além da missão própria, são mais livres e felizes. Na pobreza, é mais fácil encontrar a amizade sincera, a visão da ajuda de Deus, os tesouros da natureza, a riqueza das alegrias simples e puras. É claro que não estou falando dos preguiçosos e ingratos do mundo. Falo dos pobres que trabalham e mantêm a fé. O homem rico dificilmente vai saber diferenciar o carinho sincero do interesse mesquinho; certo de que pode fazer tudo, nem sempre percebe a proteção divina; pelo excesso de conforto, na maioria das vezes se afasta da natureza; e, acostumado a ter todos os caprichos atendidos, limita a capacidade de alegrar-se e confiar no mundo. Apesar da beleza profunda daquelas palavras, o rapaz não se alterou, respondendo meio contrariado: - Infelizmente não concordo com a senhora. Até as crianças do jardim da infância pensam o contrário. - Não estamos num jardim da infância, meu filho. Estamos no jardim do lar e precisamos entender que as flores são sempre muito bonitas, mas a vida não segue adiante sem a bênção dos frutos. Por onde andarmos no mundo, receberemos muitos conselhos mentirosos e venenosos. Precisamos vigiar o coração, Joãozinho, valorizando o que recebemos de Jesus. O rapaz, no entanto, demonstrando muita rebeldia, respondeu: - A senhora não acha certo alugar este salão para que possamos ter algum dinheiro a mais? Estive conversando ontem com o Sr. Maciel, quando vim da escola. Ele nos pagaria bem para ter um depósito de móveis aqui. D. Isabel, decidida, respondeu com firmeza, sem se irritar: - Você deve saber, Joãozinho, que, enquanto respeitarmos a memória de seu pai, este salão será dedicado às nossas atividades evangélicas. Eu já contei a vocês a história do nosso evangelho no lar e não quero que vocês fiquem cegos às bênçãos de Jesus. Mais tarde, Joãozinho, quando você cuidar da própria vida, se for o que quer, poderá contruir casas para alugar, mas agora, meu filho, é preciso que você pense neste lugar como algo sagrado para sua mãe. - E se eu insistir? – perguntou ele, mal humorado e cheio de orgulho. A viúva, muito calma, respondeu com firmeza: - Se você insistir, será castigado, porque eu não sou mãe para deixar que meus filhos tenham ilusões perigosas no coração. Se amo muito vocês, preciso orientá-los para o caminho certo. O rapaz quis responder, mas a luz emitida pelo peito de D. Isabel, pelo que percebi, confundiu-o em sua rebeldia e ele se calou, contrariado, triste e com raiva. Fiquei profundamente admirado com aquela mulher que se dirigia à filha mais velha como amiga, às filhas mais novas como mãe e ao filho orgulhoso como instrutora sensata e responsável. Aniceto, que também estava satisfeito, disse-nos de forma especial: - O Evangelho dá equilíbrio ao coração. A pequena Neli, com medo, pediu: - Mamãe, não deixe o Joãozinho alugar a sala! A viúva sorriu, afagou o rosto da filha e afirmou: - Joãozinho não vai fazer isso. Vai saber entender a mamãe. Não vamos mais falar disso agora, Neli. E, olhando o relógio, disse à mais velha: - Joaninha, faça uma prece de agradecimento. Nosso horário já terminou. A jovem, com um rosto feliz e sereno, agradeceu a Deus, deixando-nos emocionados.