------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 37 EM CASA Terminado o Evangelho no lar, um dos companheiros fez também os agradecimentos. - Espero que esses recantos de amor se multipliquem – disse Aniceto, emocionado. – O mundo pode criar novas indústrias, novos edifícios, erguer estátuas e cidades, mas, sem o lar, nunca haverá felicidade verdadeira. - Bem-aventurados os que cultivam a paz em casa – disse uma senhora simpática, que ficou ao nosso lado durante a reunião. Dois cooperadores de “Nosso Lar” nos serviram uma refeição simples e leve, que não tenho como descrever aqui, por falta de termos adequados. - Em oficinas como esta – explicou Aniceto – é possível manter a pureza de nossos alimentos. Aqui, os elementos inferiores não conseguem proliferar. Temos bastante luz para neutralizar qualquer manifestação das trevas. E, enquanto a família encarnada de Isidoro fazia sua refeição à base de chá com torradas, numa sala próxima, nós comíamos algo leve e aproveitávamos para falar de coisas elevadas. O ambiente continuou animado, cheio de alegria. Depois das 23h, a viúva foi se deitar com os filhos, num quarto muito simples. A sensação de paz era indescritível. Aniceto, Vicente e eu, em companhia de outros amigos, fomos ao pequeno jardim que rodeava a casa. As flores aveludadas exalavam perfume. A claridade espiritual do ambiente parecia espantar as sombras da noite. Respirando as brisas que vinham da Guanabara, notei, pela primeira vez, algo que ainda não havia observado. Enquanto a mãe conversava despreocupada com um amigo, uma garotinha muito meiga colheu um cravo perfumado, num grito de alegria. Notei que, ao mesmo tempo em que a menina colhia a flor, a sua parte material murchava quase que imediatamente. A mãe a repreendeu com energia: - O que é isso, Regina? Não temos o direito de perturbar a natureza. Não faça mais isso, minha filha! A mamãe não gostou do que você fez. Aniceto, sorrindo, explicou discretamente: - Esta é Emília, colaboradora em “Nosso Lar”, que vem para encontrar o marido ainda encarnado. - E ele virá até aqui? – perguntou Vicente, curioso. - Sim, pelo desprendimento do sono físico – disse Aniceto, sorridente. – Estes fenômenos acontecem milhares de vezes na Terra, todas as noites. Para a maioria dos encarnados, o sono apenas reflete as perturbações físicas ou emocionais a que se entregam. Entretanto, existe um grande número de pessoas que, com maior ou menor precisão, são capazes de realizar este intercâmbio espiritual. Estava surpreso. Aquele trabalho interessante, cheio de novidades, a que Aniceto havia nos trazido, deixava-me muito feliz. Em cada canto percebia novas atividades. Apesar das luzes que nos rodeavam, notei que o céu prometia chuvas fortes. As brisas leves transformaram-se, de repente, em ventania. Ainda assim, as sensações de paz continuavam muito agradáveis. - Na Crosta, o vento é sempre uma bênção dos céus – disse Aniceto, sério. – Podemos perceber seu caráter divino pela nossa condição atual. A pressão atmosférica sobre os encarnados é de, aproximadamente, 15 ton. - No entanto, é interessante notar – ajuntou Vicente – que não sentimos todo esse peso nos ombros. - É a diferença nos veículos de manifestação – explicou Aniceto, atencioso. – Nossos corpos e os dos encarnados apresentam diferenças essenciais. Imaginemos o círculo da Crosta como um mar de oxigênio. Os encarnados são seres pesados que se movimentam no fundo, enquanto nós somos gotas de óleo que podem flutuar na superfície, sem maior dificuldade, pelas características do material de que são feitas. A essa altura, notei que formas sombrias, algumas monstruosas, arrastavam-se nas ruas, à procura de abrigo. Espantado, reparei que muitas vinham em nossa direção, para, logo em seguida, recuarem assustadas. Causavam medo. Muitas pareciam verdadeiros animais perambulando pelas ruas. Confesso que senti muito medo. Calmo, como sempre, Aniceto nos tranquilizou: - Não tenham medo – disse. – Sempre que há ameaça de tempestade, os seres inferiores das sombras se movimentam procurando abrigo. São os ignorantes que vagueiam pelas ruas, escravizados às sensações mais fortes dos sentidos físicos. Estão ainda presos às expressões inferiores da experiência humana e as chuvas fortes os incomodam tanto quanto ao homem encarnado que está longe de casa. Buscam, de preferência, as casas de diversão noturna, onde a ociosidade se manifesta em desregramento. Quando não conseguem isso facilmente, entram nas casas abertas, considerando que, para eles, a matéria física ainda tem a mesma densidade de antes. E, demonstrando interesse em aproveitar a lição, acrescentou: - Observem como são atraídos para cá e fogem em seguida, espantados e agitados. Estamos vendo mais um ensinamento sobre os efeitos da prece. Nunca poderemos enumerar todos os benefícios da oração. Toda vez que se ora num lar, prepara-se a melhoria do ambiente familiar. Cada prece sincera representa emissão eletromagnética de considerável poder. Por isso mesmo, o Evangelho no lar não é só um recurso de crescimento interior, mas também processo avançado de defesa exterior, pelas luzes espirituais que acende em torno. O homem que ora traz consigo escudo instransferível. O lar que cultiva a prece se transforma em fortaleza, entendem? Em contato com as vibrações luminosas desta casa, as entidades das sombras recebem um forte choque e é por isso que se mantêm à distância, procurando outros rumos... Logo em seguida, entramos novamente no salão abençoado da casa modesta. Como se estivesse visitando uma terra de surpresas, outro fato me causou profunda adminiração. Isidoro e Isabel vieram até nós, de braços dados, cheios de alegria. Aquela viúva pobre do bairro humilde estava lindamente vestida agora, sem perder a graciosa simplicidade que a caracterizava. Sorria contente, ao lado do esposo, via todos nós, cumprimentava-nos com gentileza. - Meus amigos, - disse ela, serena – meu marido e eu temos uma excursão de aprendizado esta noite. Deixo as crianças com vocês por algumas horas e, desde já, agradeço o cuidado e o carinho. - Vá, minha filha! – respondeu uma senhora idosa. – Aproveite o descanso do corpo. Deixe os meninos conosco. Vá tranquila. Aniceto inclinou-se para nós e falou: - Vocês estão vendo como a felicidade divina se manifesta no sono dos justos? Sei de poucos encarnados com a alegria desta mulher admirável, que tem sabido aprender a ciência do sacrifício individual.