------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 39 TRABALHO INCESSANTE Quando amanhecia, notei que Aniceto recebeu vários amigos, com os quais conversou em particular. Por educação, ele nos informou que tinha várias tarefas, de acordo com instruções de Telésforo, das quais precisava tratar em sigilo. No entanto, não nos omitiu o objetivo essencial do trabalho, que era o combate ativo a uma grande organização de desencarnados ignorantes, reunidos para o mal. Enquanto ele se mantinha em reunião particular, nós aproveitamos para ouvir outros amigos de tarefas espirituais. Agora o dia nascia com grande brilho. Tínhamos a impressão de que a chuva da noite havia varrido todas as sombras do céu. Pelo número de trabalhadores espirituais que passaram a noite na casa humilde, percebi a importância daquele local de serviço, de aparência tão apagada para os encarnados. Uma senhora que se aproximou de nós disse, comovida: - Que Deus recompense Isabel, dando-lhe forças para vencer as tentações do caminho. Foi por haver passado a noite aqui que pude encontrar minha filha. Incapaz de conter a curiosidade, perguntei: - Mas como a encontrou? - Em sonho – respondeu a velhinha simpática. – Dalva ficou viúva há três anos e há onze meses eu desencarnei, deixando-a sozinha. A infeliz não tem suportado o sofrimento como deveria e deixou-se influenciar por entidades negativas que planejam prejudicá-la. Em vão tenho tentado me aproximar dela durante o dia, mas, com a mente cheia de preocupações materiais, não consegue captar minhas sugestões. Precisava encontrar-me com ela à noite e isso não vinha sendo fácil, já que não tenho muita elevação espiritual para agir sozinha e o grupo com quem trabalho não tem tempo para permanecer aqui uma noite inteira por minha causa. Foi então que uma amiga me trouxe a este posto de serviço de “Nosso Lar”. Aqui descansei e pude trabalhar com os grupos de tarefa permanente, ajudada por trabalhadores incansáveis. - E conseguiu o que pretendia com facilidade? – perguntou Vicente, interessado. - Graças a Deus! – respondeu ela, demonstrando grande satisfação. – Agora sei que minha filha recebeu meus conselhos de mãe e tenho certeza de que atenderá meus pedidos. - Mas há muitos postos de “Nosso Lar” como este? – perguntei. - Pelo que me informaram, há um bom número deles, não só aqui, mas também em outras cidades do país, além de várias oficinas que representam outras colônias espirituais entre os encarnados da Terra. Nesses núcleos, há sempre grandes possibilidades, imprescindíveis aos nossos trabalhos. Nesse instante, dois companheiros com quem havíamos conversado durante a noite, com muita simpatia, cumprimentaram-nos. - Mas, como? Já estão de saída? – perguntei. - Vamos ao trabalho. – respondeu um deles. – Hoje à noite teremos o estudo do Evangelho e precisamos ajudar os espíritos ignorantes e sofredores que tenham condições de vir até aqui. - Temos também esse tipo de trabalho? – perguntei espantado. - Claro, meu caro! Jesus mesmo já dizia, há muitos séculos, que a seara é grande. Há trabalho para todos e devemos nos lembrar que esta oficina de assistência cristã funciona há quase 20 anos, sem parar. - Mas vocês estão aqui desde o início? – perguntei. O outro explicou: - Não. Muitos como nós fazem estágios de serviço aqui. Só alguns colaboradores de Isidoro e Isabel estão na casa desde a fundação. Nós não ficamos mais do que dois anos consecutivos. Um posto como este é sempre uma escola ativa e abençoada, e os que têm boa vontade precisam ter a oportunidade de aprender. - Desculpem-me tantas perguntas, – falei – mas gostaria de saber se vocês são os únicos com tarefa de recolher os ignorantes e sofredores para esclarecimento e auxílio. - Não. Hildegardo e eu somos auxiliares para alguns quarteirões no centro da cidade apenas. Nessa tarefa, temos muitos colaboradores. A essa altura, um outro companheiro, que parecia fazer parte do grupo de orientação da casa, aproximou-se e falou aos colegas, de maneira especial: - Vieira, recomendo a você e ao Hildegardo mais atenção ao nosso critério doutrinário. É inútil trazerem aqui entidades preguiçosas ou de má fé, apenas por simpatia. Não podemos perder tempo com espíritos teimosos e ociosos, nem com aqueles que se aproximam da casa com segundas intenções. Não faltará ajuda de Jesus para eles. Lembrem-se disso. - Não é falta de caridade, é compreensão do dever. Temos um programa de trabalho muito sério, no que diz respeito à evangelização e o socorro. Não podemos abusar da concessão da Espiritualidade Superior. Quem aceita um compromisso, não vive sem prestar contas. Por mais que vocês amem alguma entidade preguiçosa ou irônica, não facilitem seus abusos. Ajudem-na individualmente quando tiverem tempo e possibilidades para isso. Não tragam dificuldades para o grupo. Não se esqueçam de que existem alguns núcleos de tarefa específicos para os cegos e surdos voluntários. Vieira e o colega ficaram muito pálidos, sem responder nada. Quando o orientador se afastou, Vieira explicou, sem jeito: - Recebemos uma advertência justa. E, percebendo o nosso interesse em aprender, continuou, prestativo: - Infelizmente, eu e Hildegardo temos alguns parentes desencarnados em tristes condições espirituais. Na reunião passada, trouxemos o meu tio Hilário e o primo Carlos, embora soubéssemos que ambos não estavam preparados para as reflexões sérias, pela forma como desrespeitam as leis divinas nos ambientes inferiores. Os dois pareciam tão motivados para a renovação interior que nos deixamos levar pela simpatia pessoal, esquecendo a necessidade de preparação prévia. Eles vieram conosco e sentaram-se entre os vários assistidos, mas, no meio dos estudos evangélicos, tentaram tomar, à força, a mediunidade de Isabel, para transmitir mensagem pessoal de teor duvidoso. Percebendo a nossa vigilância e surpreendidos pelos cooperadores da casa, ficaram revoltados, causando grande perturbação. Se não fossem as barreiras magnéticas do serviço de guarda, eles teriam causado problemas muito sérios. Assim, a reunião foi menos produtiva, pela grande perda de tempo. É claro que fomos responsabilizados... - Meu Deus! – exclamou Vicente, admirado. – Quantas lições! - Ah, sim, meu amigo... – voltou a falar Vieira, conformado – Aqui não podemos abusar do amor, como fazemos no mundo físico. Ninguém está proibido de ajudar, querer bem, interceder. Todos podemos ajudar a quem amamos com os próprios recursos, mas a palavra “dever” tem um significado especial aqui para quem deseja realmente caminhar para Deus.