------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 41 ENTRE ÁRVORES Passados alguns minutos, chegávamos a uma pequena propriedade rural, cheia de árvores graciosas. Laranjeiras, bananeiras e goiabeiras estendiam-se por todo o campo, enchendo de verde a paisagem. A relva macia nos convidava ao descanso. E o vento calmo passava de leve, sussurrando algo nas folhagens. Aniceto respirou fundou e disse: - Embora os desencarnados não se cansem como os encarnados, também precisam descansar. Em geral, nossas atividades, à noite, são muito ativas e trabalhosas. Só um terço dos companheiros espirituais, que trabalham na Terra, consegue continuar em atividade durante o dia. E, percebendo nossa curiosidade, falou: - Aliás, isso é bem natural. O dia terrestre é mais apropriado ao espírito encarnado. O homem deve aprender a agir, demonstrando compreensão das leis divinas. Pelo menos durante algumas horas, deve estar mais só com as experiências que lhe dizem respeito. Aniceto sorriu e comentou: - Para o homem encarnado, o dia e a noite são como uma folha no livro da vida. A maior parte das vezes, ele escreve sozinho a página diária, com os sentimentos, as palavras, os pensamentos, as intenções e os atos que lhe são próprios. E, no verso, isto é, na página noturna, nós o ajudamos a corrigir as lições e acertar as experiências, quando Deus nos permite fazê-lo. Quando Aniceto se calou, nossa atenção se concentrou apenas na beleza que havia à nossa volta. Aquele campo agradável e hospitaleiro tinha uma atmosfera muito diferente. Não havia emanações pesadas da cidade grande, só o vento leve, suavemente perfumado. Estava pensando na bondade de Deus, que sempre nos oferecia novos recursos, quando Aniceto voltou a dizer: - A natureza nunca é a mesma em todos os lugares. Não há dois pedaços de terra com climas absolutamente iguais. Cada colina, cada vale, tem características climáticas diferentes. No entanto, temos que reconhecer que, entre os encarnados, o campo é sempre o melhor reservatório de princípios vitais. Em geral, todos nós, os trabalhadores espirituais, gostamos do ar da manhã, quando a atmosfera ainda está em repouso, isenta das partículas de poeira que carregam bacilos e outros agentes inferiores. Entretanto, com os trabalhos de hoje, não pudemos descansar mais cedo... Recostamo-nos no gramado macio e, percebendo nossa curiosidade, Aniceto continuou: - Digo isso porque, na floresta, a densidade é forte, em consequência da falta de emanações, causada pela escassez de vento. Ali, o ar costuma ser asfixiante, pelo excesso de emanações dos reinos inferiores da natureza. Na cidade, a atmosfera é compacta e o ar também sufoca, pela densidade mental das aglomerações humanas inferiores. Assim, no campo temos o ambiente ideal... Apontando, contente, a copa das árvores balançando, acrescentou: - Aqui reina a paz equilibrada que é possível encontrar na Terra. Nem a selvageria da mata virgem, nem a sufocação dos fluidos humanos. O campo é nosso caminho do meio, a harmonia possível, o repouso ideal. Embalados ao som de alguns pássaros próximos, descansamos por algumas horas, confortavelmente abrigados no templo da natureza. Quando começava a escurecer, Aniceto nos chamou para um passeio rápido pelas redondezas. Percebi que estávamos muito mais dispostos. Só depois de andarmos um pouco foi que notei que havia grande quantidade de trabalhadores espirituais na vizinhança. Diante de minhas dúvidas, Aniceto explicou: - O campo também é uma grande oficina para os nossos serviços. E apontando alguns trabalhadores que íam e vinham, comentou: - O reino vegetal tem vários colaboradores. Vocês provavelmente não sabem que muitos companheiros preparam-se para nova encarnação no mundo, prestando serviços aos reinos inferiores. O trabalho com Deus é uma escola viva, em toda parte. Nesse momento, nossa atenção foi atraída por grande movimento na estrada próxima. Fomos para lá, seguindo Aniceto, que parecia adivinhar o que estava acontecendo. Notei, então, algo interessante: um homem estava caído no chão, em uma poça de sangue, ao lado de uma pequena carroça puxada por um jumento impaciente e agitado. Dois encarnados socorriam o ferido, apressadamente. ‘Precisamos levá-lo à fazenda depressa.’ dizia um deles, aflito. ‘Receio que tenha fraturado o crânio.’ No entanto, o número de desencarnados que ajudava o pequeno grupo era muito grande. Em meio àquela agitação, um dos desencarnados, que me pareceu ser o chefe, recebeu-nos com muita gentileza, explicando, rapidamente, o que havia acontecido. O carroceiro havia recebido uma patada do burro e precisava ser socorrido. Quando as coisas ficaram mais calmas, vi o chefe chamar um guarda do caminho, questionando: - Glicério, como é que você deixou isso acontecer? Este trecho da estrada está sob sua responsabilidade direta. O outro, com respeito, disse, com bom senso: - Fiz o possível para salvar este homem, que, aliás, é um pobre pai de família. Meus esforços foram em vão, por sua própria imprudência. Faz tempo que estou tentando cercá-lo de cuidados, sempre que passa por aqui. Entretanto, o infeliz não tem o mínimo respeito pelos dons naturais de Deus. É muito grosso com os animais que o ajudam a ganhar o próprio sustento. Só sabe gritar, irritar-se, bater e ferir. Tem a mente fechada para as idéias de agradecimento. Não pensa em outra coisa a não ser o chicote e praguejar. Hoje, tanto perturbou o pobre burro, tanto o surrou, que parecia até mais animalizado... Quando já estava quase ficando irracional, pelo excesso de cólera e ingratidão, meus esforços se tornaram inúteis. Atormentado pelas descargas de fúria do carroceiro, o animal humilde o atacou com a pata. Que se pode fazer? Minha obrigação foi cumprida... O superior, que ouvia atentamente as explicações, respondeu, sem vacilar: - Tem razão. E como olhou para Aniceto, pedindo aprovação, nosso orientador afirmou: - Vamos ajudar o homem no que estiver ao nosso alcance, cumprindo nossas obrigações, sem esquecer as lições. Esse trabalhador irresponsável foi punido por si mesmo. A cólera é punida com suas próprias consequências. Atrás do mal, vem sempre o mal. Se os seres inferiores, nossos irmãos no grande lar da vida, nos ensinam os valores do serviço, de nossa parte, devemos ensinar-lhes os valores da educação. Mas ninnguém pode educar odiando, nem construir algo útil com fúria e brutalidade. E apontando o grupo encarnado que levava o ferido a uma casa próxima, concluiu, sereno: - Como homem encarnado, nosso amigo sofrerá vários dias na cama. Em meio à preocupação da família, levará um bom tempo para se recuperar fisicamente. No entanto, como espírito eterno, recebeu hoje uma lição útil e necessária. Muito surpreso, reparei na profunda serenidade de Aniceto e comecei a compreender que ninguém desrespeita a natureza, sem receber o devido troco amargo.